Novo diretor do CERN defende megacolisor de £13 bilhões para desvendar mistérios do universo

Ilustração editorial sobre Novo diretor do CERN defende megacolisor de £13 bilhões para desvendar mistérios do universo. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O novo diretor-geral da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN), Mark Thomson, anunciou que o laboratório está prestes a iniciar sua empreitada mais ambiciosa: a construção do Futuro Colisor Circular (FCC), um túnel de 91 quilômetros orçado em 13 bilhões de libras. A máquina promete investigar os enigmas mais profundos do universo, desde a matéria escura até o papel do recém-descoberto bóson de Higgs. Thomson, que assumiu o cargo em 2026, concedeu entrevista ao repórter Alex Wilkins da New Scientist na sede do CERN em Genebra, na Suíça.

Ele informou que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) será desligado em 29 de junho para uma atualização de quatro anos. O objetivo é concentrar feixes de prótons em pontos minúsculos, multiplicando as colisões. A parada do LHC, chamada de atualização de alta luminosidade, substituirá 1,2 quilômetros do anel de 27 quilômetros por tecnologia supercondutora de ponta. Durante esse período, os grandes detectores ATLAS e CMS também passarão por modernizações sem precedentes para suportar o volume intenso de dados.

Thomson recordou seu fascínio de infância pelo CERN e as lacunas que ainda persistem na física de partículas, mesmo após meio século de avanços. Embora o modelo padrão descreva com precisão as partículas e forças do universo visível, ele não explica a matéria escura, a assimetria entre matéria e antimatéria ou a origem das massas das partículas. A descoberta do bóson de Higgs em 2012 foi um marco, mas o campo quântico associado a essa partícula está presente em todo o universo e determina propriedades fundamentais, como o tamanho dos átomos.

O diretor destacou que ainda não se sabe se o Higgs é uma partícula fundamental única ou se existem outros bósons semelhantes. Para responder a essas questões, Thomson defende a construção de uma fábrica de Higgs, capaz de produzir muitos bósons em ambientes mais controlados. Segundo ele, a comunidade científica europeia reuniu-se no ano passado e houve consenso de que o FCC é a melhor opção para prosseguir a exploração do universo.

O novo colisor começará como um acelerador elétron-pósitron e, dentro de 30 ou 40 anos, poderá evoluir para um colisor de hádrons ainda maior. Esse túnel de 91 quilômetros permitirá explorar energias até cem vezes superiores às atuais, na chamada escala eletrofraca, onde as partículas elementares adquirem massa. Embora o custo estimado de 13 bilhões de libras seja elevado, Thomson argumentou que os investimentos não seriam solicitados antes do início da década de 2030.

Ele ressaltou que os benefícios econômicos da pesquisa fundamental são significativos e de longo prazo, citando tecnologias como a World Wide Web, criada no CERN, e aceleradores usados em terapias contra o câncer. O físico mostrou-se otimista quanto à possibilidade de romper o modelo padrão: Em algum momento nos próximos dez anos ou mais, vamos encontrar uma brecha na sua armadura. Ele afirmou que a humanidade está fazendo as perguntas certas ao universo e que o FCC é o caminho para buscar respostas.

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