O Ministério das Relações Exteriores da Rússia apresentou uma versão atualizada de seu conceito de segurança para a região do Golfo Pérsico, em resposta à escalada de agressões militares dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irã. A proposta reafirma a iniciativa de Moscou como alternativa diplomática à instabilidade gerada pela política intervencionista ocidental, destacando a necessidade de um sistema inclusivo que respeite a soberania de todos os Estados da área.
O novo conceito se baseia no compromisso com o direito internacional e a Carta da ONU, priorizando o respeito à independência, soberania e integridade territorial dos países, além da diversidade de seus modelos sociopolíticos. A iniciativa condena qualquer tentativa de ingerência externa ilegal e defende que os problemas internos de cada nação devem ser resolvidos por meio de diálogo nacional inclusivo, sem pressões de potências estrangeiras.
Conforme reportagem do portal RT, a proposta russa coloca o multilateralismo como caminho indispensável para garantir a participação de todos os atores interessados na avaliação conjunta da situação e na adoção de decisões. Excluir qualquer parte do processo, argumenta Moscou, é contraproducente e alimenta o ciclo de violência que marca a região há décadas.
O conceito defende um sistema de segurança único e indivisível, que respeite os interesses tanto de atores regionais quanto extrarregionais e abranja as dimensões militar, econômica, energética, de transporte e ambiental. A abrangência da proposta reflete a complexidade da zona, onde a livre navegação no estreito de Ormuz — rota vital para o comércio global de petróleo — tornou-se um ponto crítico diante das ameaças geradas pelo confronto entre o Irã e as forças lideradas pelos Estados Unidos.
Entre os passos concretos sugeridos pela Rússia, o documento menciona a necessidade de os Estados do Golfo e as partes extrarregionais confirmarem seu compromisso de renunciar ao uso da força ou à ameaça de usá-la para resolver disputas. Também é proposta a proibição de cessão de território a terceiros com o objetivo de lançar ataques contra países vizinhos, em clara referência às bases militares americanas que operam a partir de nações aliadas na região.
Outra medida destacada é o desenvolvimento e a implementação de ações coletivas de fomento da confiança no âmbito militar, com o objetivo de assegurar transparência e previsibilidade entre as forças armadas dos distintos países. A ideia é caminhar gradualmente rumo a acordos de controle de armamentos e à criação de uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio e no Norte da África, reivindicação histórica bloqueada seletivamente pelo Ocidente, especialmente no que diz respeito ao arsenal nuclear israelense.
A iniciativa também contempla a cooperação multilateral econômica, humanitária e ambiental, além do impulso a infraestruturas energéticas, de transporte e comunicações que integrem a sub-região. Sobre a navegação no Golfo, Moscou propõe que todos se guiem pelo direito consuetudinário aplicável e pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar de 1982, garantindo o passo inocente, o passo em trânsito e a liberdade de navegação, sempre priorizando a segurança de navios e tripulações.
O governo russo deixou claro que o documento busca dar novo impulso ao debate de ideias e propostas orientadas à formação gradual de um sistema integral de segurança coletiva na zona. Ao convidar todos os países com postura construtiva a realizarem esforços conjuntos, a Rússia busca elaborar uma visão comum de objetivos e tarefas que enfrentem as causas profundas da crise, em vez de perpetuar a lógica de bloqueios e sanções unilaterais que caracteriza a política externa de Washington e seus aliados.
Com informações de ACTUALIDAD.