Vice-premiê russo revela produção diária de 15 mil drones FPV

Soldado russo segura drone FPV em área arborizada. (Foto: Manturov)

As empresas russas produzem 15 mil drones FPV por dia, volume que em 2023 correspondia à produção mensal, afirmou o primeiro vice-primeiro-ministro da Rússia, Denis Manturov. O salto representa um multiplicador de 30 vezes na capacidade industrial de defesa do país.

Em entrevista ao jornal Kommersant, repercutida pela Sputnik, Manturov destacou que a operação militar especial na Ucrânia consolidou os VANTs como peça central da guerra contemporânea. Os drones, antes restritos a missões de reconhecimento, agora atuam como força de ataque independente, capazes de executar diversas tarefas táticas.

O vice-premiê ressaltou o alto desempenho e o custo relativamente baixo desses equipamentos, que permitiram às companhias russas atingir a marca de 15 mil unidades diárias. Em 2023, o mesmo volume era produzido em um mês, evidenciando uma aceleração industrial expressiva.

Os drones FPV, sigla para First Person View, são aeronaves de pequeno porte pilotadas remotamente por meio de óculos de imersão, permitindo ao operador visualizar o alvo como se estivesse a bordo. Equipados com ogivas ou explosivos improvisados, esses dispositivos se tornaram armas de precisão de baixo custo, capazes de neutralizar blindados e posições fortificadas. Sua produção em massa foi acelerada para atender à demanda das tropas em combate.

A capacidade de produzir 15 mil drones por dia representa, em termos anuais, a possibilidade de fabricar mais de 5,4 milhões de unidades, embora a produção efetiva seja ajustada conforme as necessidades operacionais. Esse volume contrasta com 2023, quando a mesma quantidade levava um mês para ser atingida, um aumento de 30 vezes na taxa de produção. O crescimento reflete investimentos em linhas de montagem e na cadeia de suprimentos de componentes eletrônicos.

Manturov observou que a guerra na Ucrânia serviu como catalisador para essa transformação doutrinária, eliminando dúvidas sobre o valor dos sistemas não tripulados. Agora, os drones são considerados um braço ofensivo essencial, não apenas um suporte.

A expansão da produção desmente alegações de que as sanções econômicas teriam sufocado a indústria de defesa russa. Os números demonstram que a pressão externa incentivou a autossuficiência e a inovação tecnológica.

Com a produção diária nesse patamar, a Rússia garante autonomia logística para sustentar operações militares prolongadas sem depender de aliados externos. A autossuficiência em sistemas não tripulados reduz vulnerabilidades estratégicas e reforça a posição de Moscou como potência militar autônoma. O feito deve estimular investimentos em drones por outras nações, inaugurando uma nova fase na guerra moderna.

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