O fundador da Amazon, Jeff Bezos, investiu quase US$ 100 milhões em uma startup que promete reinventar a inteligência artificial ao copiar a arquitetura do cérebro humano. A Flourish, fundada pelo neurocientista Thomas Reardon e pelo ex-executivo da Amazon Rob Williams, já captou US$ 500 milhões e alcançou valuation de US$ 2,5 bilhões.
Segundo reportagem da Wired, Reardon afirma que os grandes modelos de linguagem atuais estão em um beco sem saída por consumirem energia e dados em escala descomunal. Um único chip de treinamento de IA usa mais de 30 vezes a energia que um cérebro humano consome para processar informações.
O cérebro humano opera com cerca de 20 watts, enquanto um cluster de treinamento de IA exige milhares de chips e gigawatts de energia. A Flourish pretende construir um sistema sintético que funcione com 50 watts ou menos, adaptando-se às condições como uma mente humana.
A startup reúne cerca de duas dezenas de neurocientistas e pesquisadores de IA de ponta, incluindo Greg Wayne, pesquisador sênior do DeepMind que mantém 20% do seu tempo na Flourish. Os cientistas conduzirão experimentos de laboratório com equipamentos de microscopia de ponta para decifrar a arquitetura cerebral.
O foco principal está nas chamadas colunas corticais, consideradas a unidade computacional canônica do cérebro por um dos cientistas da empresa. O cofundador Joshua Vogelstein publicou recentemente um artigo mostrando que a rede neural de uma mosca-da-fruta é dez vezes mais eficiente que o transformador, unidade arquitetural central dos LLMs.
Reardon revelou que a empresa já identificou caminhos para gerar receita no curto prazo explorando descobertas recentes da neurociência. A equipe de algoritmos construiu um modelo capaz de aprender continuamente e negocia com um grande fabricante de chips para embarcá-lo em silício.
O investidor Jacob Vogelstein, neurocientista convertido em capitalista de risco, afirma que a companhia está fundamentalmente em busca dos algoritmos subjacentes à inteligência. O conselheiro da Flourish, Ben Recht, da Universidade da Califórnia em Berkeley, admite não estar convencido de que a missão principal funcionará.
Em reunião geral recente, os cientistas debateram seis grandes experimentos que exigirão máquinas de microscopia multimilionárias e anos de trabalho. A decisão foi atacar simultaneamente as escalas nano, micro e meso para descobrir o algoritmo central do cérebro.
Bezos fez apenas uma pergunta antes de liberar os milhões: se os fundadores estavam comprometidos a passar anos nesse projeto. Diante da resposta afirmativa, ele não apenas confirmou o aporte inicial como depois quase dobrou o investimento.
Reardon espera que a Flourish tenha sua grande solução em cinco anos, enquanto Williams insiste que diferenças reais exigem planejamento de sete a dez anos. Se a aposta der certo, a inteligência artificial nunca mais será a mesma e muitos data centers poderão ficar vazios.