Câmara dos EUA aprova resolução que limita poderes de guerra de Trump contra Irã

Capitólio dos EUA à noite, em referência à adoção de resolução sobre poderes de guerra contra o Irã. (Foto: sputnikglobe.com)

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma resolução para restringir os poderes de guerra do presidente Donald Trump em relação ao Irã, por uma votação apertada de 215 a 208. A medida busca reafirmar a autoridade do Congresso sobre ações militares, após Trump ter ordenado uma agressão militar contra a República Islâmica.

Segundo reportagem da Sputnik, a resolução invoca a Lei de Poderes de Guerra, já que o conflito ultrapassou o limite de 90 dias sem autorização legislativa. Apesar da vitória simbólica, o texto dificilmente terá efeito prático, pois ainda precisa ser aprovado pelo Senado e sancionado pelo próprio presidente.

A votação expôs divisões dentro do Partido Republicano, com um grupo de legisladores se juntando aos democratas para conter o que consideram uma escalada unilateral do Executivo. O presidente da Câmara, Mike Johnson, argumentou que a resolução enfraqueceria a posição de Trump nas negociações com Teerã, defendendo que o presidente tivesse espaço para concluir um possível acordo.

A Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre a decisão, mas aliados de Trump criticaram a iniciativa como interferência indevida na política externa. A resolução determina que o presidente encerre as hostilidades contra o Irã, a menos que o Congresso declare guerra ou autorize especificamente o uso da força.

Analistas observam que a movimentação no Capitólio reflete o desgaste crescente com a aventura militar de Trump, que começou com bombardeios a alvos iranianos e se arrasta sem estratégia clara. Pesquisas recentes indicam que a opinião pública americana demonstra cansaço com mais um conflito no Oriente Médio.

A resolução enfrenta resistência no Senado, onde os republicanos têm maioria e tendem a apoiar a Casa Branca. Ainda assim, ativistas antiguerra e organizações da sociedade civil celebraram a decisão da Câmara como um freio institucional ao que chamam de presidência imperial.

O episódio reacende o debate sobre os limites do poder de guerra nos Estados Unidos, tema recorrente desde as intervenções no Vietnã, Iraque e Afeganistão. Críticos apontam que a Constituição americana reserva ao Congresso a prerrogativa de declarar guerra, atribuição que vem sendo esvaziada por sucessivos governos.

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