Uma análise inédita conduzida por pesquisadores da Universidade de Minnesota revela que a gestão inteligente do uso da terra pode gerar ganhos simultâneos em biodiversidade, mitigação climática e desenvolvimento econômico em 146 países. O estudo, publicado na revista Science, demonstra que é possível aumentar o valor econômico líquido da agricultura e silvicultura em até 80% — mais de US$ 350 bilhões — sem sacrificar metas de conservação ambiental.
Utilizando modelos de otimização que integram dados espaciais, econômicos e biofísicos, a equipe construiu fronteiras de eficiência para cada país, identificando as combinações máximas viáveis de benefícios. Em praticamente todos os casos, as nações operam hoje muito abaixo de seu potencial, o que significa que há espaço significativo para melhoria sem perdas em outras frentes.
O professor Stephen Polasky, autor principal do trabalho, explicou que o objetivo foi mostrar que enfrentar as crises do clima e da biodiversidade não precisa levar ninguém à falência. Uma das principais razões para este estudo foi provar que existem maneiras mais eficientes de abordar clima e biodiversidade sem arruinar as pessoas, afirmou.
Os ganhos possíveis vêm tanto do reordenamento territorial — com restauração seletiva de florestas em áreas altamente produtivas — quanto da intensificação agrícola, especialmente em países de renda mais baixa que ainda praticam agricultura de baixa produtividade. A pesquisa integrou medidas de conservação de espécies e ecossistemas, sequestro de carbono, redução de emissões de metano e o valor líquido da produção agrícola, pecuária e florestal.
os resultados somados indicam a possibilidade de ampliar a mitigação climática em mais de 200 bilhões de toneladas de CO2 equivalente — um incremento superior a 20% — sem qualquer prejuízo para os demais objetivos. A cientista Becky Chaplin-Kramer, líder global de biodiversidade da WWF, destacou que a pesquisa prova que o suposto dilema entre proteger a natureza e fazer a economia crescer é falso.
Diante dos achados, organizações internacionais de financiamento, como o Banco Mundial, já começaram a trabalhar com os pesquisadores para aplicar a metodologia em análises país-específicas. A ideia é ajudar governos a desenhar políticas que cumpram simultaneamente suas metas nacionais e compromissos globais de clima e biodiversidade.
Polasky acrescentou que a simples visualização do que é possível tende a abrir mentalidades. Quando as pessoas veem os ganhos que podem ser obtidos com algumas mudanças, fazer essas mudanças deixa de ser assustador, concluiu. A equipe ressalta que muitos serviços ecossistêmicos e atividades econômicas ainda não foram incluídos na análise, o que abre caminho para aprofundamentos futuros.