A economia mexicana registrou crescimento médio de apenas 1% ao ano entre 2019 e 2026, desempenho que mantém o país em situação de semiestagnação e compromete a ambição de construir uma sociedade equitativa. A constatação integra análise publicada pelo jornal La Jornada, que faz um balanço dos oito anos da Quarta Transformação e aponta a necessidade urgente de um crescimento sustentado de ao menos 4% ao ano.
Apesar do fraco desempenho do Produto Interno Bruto, os programas sociais do governo da Quarta Transformação – iniciada pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador e continuada pela presidente Claudia Sheinbaum – conseguiram reduzir significativamente a desigualdade e a pobreza. A relação entre a renda dos 10% mais ricos e a dos 10% mais pobres caiu de 18,34 vezes em 2018 para 14,12 vezes em 2024, e deve registrar nova queda em 2026.
Os avanços na área social são ancorados por duas políticas estruturais: o aumento real sustentado do salário mínimo e as transferências diretas de renda a idosos e grupos vulneráveis. Segundo os dados compilados pelo La Jornada, 13,4 milhões de mexicanos saíram da condição de pobreza em seis anos de administração progressista, movimento que reduziu a taxa de pobreza de 41,9% da população total para 28,6%.
A pobreza extrema também recuou, passando de 8,7 milhões de pessoas (7% da população) em 2018 para aproximadamente 7 milhões (5,3%) em 2024. A análise pondera, no entanto, que esses avanços – obtidos com controle fiscal e um endividamento público moderado na casa de 50% do PIB – ainda estão longe de realizar a meta de uma sociedade plenamente justa.
O texto retoma uma formulação clássica do Partido Trabalhista britânico, proferida há 62 anos, que ecoa o princípio da Quarta Transformação de priorizar os pobres: o crescimento econômico dita o ritmo com que se pode erguer uma sociedade igualitária. A mensagem é direta: sem um ritmo de expansão muito mais vigoroso, a correção profunda das desigualdades se torna inviável.
Para destravar taxas de crescimento de 4% ou mais, o artigo defende que o Estado mexicano precisa abandonar as restrições impostas desde a crise da dívida de 1982, que reduziram a política fiscal a mero instrumento estabilizador. O regime de superávit primário, as metas rígidas de inflação e o câmbio flexível levaram a uma queda contínua do investimento público, com a infraestrutura encolhendo 18,4% só no primeiro quadrimestre deste ano em relação a 2025.
O cenário internacional também impõe uma revisão de rota, já que os tempos do livre comércio deram lugar ao protecionismo tarifário, realidade que afetará a renegociação do T-MEC a partir de 1º de julho. A análise sustenta que o México precisa de uma estratégia comercial global, na qual a América Latina e a China tenham papel relevante, combinada com a recuperação do mercado interno e o protagonismo do investimento estatal.
A aposta em um tipo de câmbio competitivo e em juros reais mais baixos é apontada como ferramenta essencial para elevar a rentabilidade dos produtores de bens comercializáveis e estimular a iniciativa privada. A conclusão é categórica: crescer é possível, desde que se decida romper efetivamente com as amarras herdadas dos governos neoliberais e se reconheça o Estado como motor de uma nova dinâmica de desenvolvimento.