Ministro da Fazenda rebate ceticismo e afirma que não há ‘voo de galinha’ nos governos Lula

O ex-presidente Lula discursa no XV BRICS Summit, em Joanesburgo, África do Sul. (Foto: Wikimedia Commons)

O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, afirmou que a economia brasileira não vive um ciclo curto de crescimento e rebateu as previsões negativas que acompanham o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o início do mandato. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Durigan declarou que “não existe voo de galinha” nos governos Lula, usando os dados mais recentes do PIB e do investimento para sustentar sua avaliação.

As declarações ocorreram horas após o IBGE divulgar que o PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal, totalizando R$ 3,3 trilhões em valores correntes. O resultado superou as expectativas do mercado e reforçou a leitura de que a atividade econômica voltou a surpreender positivamente no início do ano.

Durigan concentrou sua argumentação no avanço da Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede o nível de investimento na economia e que cresceu 3,5% no primeiro trimestre de 2026 ante o trimestre anterior. “Muita gente dizia que o investimento ia acabar, ia cair. E a Formação Bruta de Capital Fixo, que é o melhor indicador para a gente ver se o investimento está aumentando no país, cresceu 3,5% em comparação com o trimestre anterior”, afirmou o ministro.

No mesmo recorte, a agropecuária avançou 2,0%, a indústria cresceu 1,0% e os serviços subiram 0,5%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias aumentou 1,0% e o consumo do governo teve alta de 0,4%, conforme apontou a Revista Fórum em sua análise sobre o PIB do primeiro trimestre.

O ministro também traçou um panorama das turbulências enfrentadas pelo governo desde 2023, listando a ameaça à democracia, o ataque às instituições, o ceticismo econômico, a alta dos juros no mundo, as enchentes no Rio Grande do Sul, a pressão cambial, o tarifaço dos Estados Unidos e a guerra na República Islâmica do Irã. Mesmo diante desse conjunto de choques internos e externos, Durigan avaliou que o Brasil consolidou uma economia resiliente sob a liderança de Lula.

O ministro fez uma comparação direta com o ambiente de 2022 e 2023, quando, segundo ele, havia previsões de colapso econômico no início do terceiro mandato. “Diziam que o Brasil ia quebrar, que o dólar ia estourar. Hoje o dólar está mais baixo do que quando o presidente Lula assumiu”, afirmou Durigan, reforçando que as projeções catastrofistas não se confirmaram.

Na reunião, Durigan também relatou conversas recentes no FMI e no Banco Mundial, onde representantes das instituições afirmaram que o Brasil superou as metas projetadas para o país. “Vocês bateram todas as metas que a gente tinha colocado para o Brasil. O Brasil cresceu muito mais do que o mundo esperava”, disse o ministro, ao reproduzir a avaliação recebida no exterior.

O ministro vinculou os dados macroeconômicos à agenda social do governo e afirmou que Lula não se contenta apenas com um país forte, soberano e democrático. “O presidente Lula é o companheiro de luta da vida das pessoas. Então tudo isso tem que se reverter em dado concreto na vida das pessoas”, declarou Durigan, sinalizando que o crescimento econômico precisa se traduzir em melhora palpável para a população.

O tarifaço citado pelo ministro entrou no centro da agenda econômica do governo nos últimos dias, com Lula pedindo a Durigan uma análise sobre possíveis prejuízos a empresas e bancos brasileiros após a ofensiva comercial dos Estados Unidos. A demonstração de firmeza do ministro ocorre em um momento em que o governo busca consolidar a narrativa de que a economia brasileira encontrou um caminho de crescimento sustentado, apesar do cenário internacional adverso.

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