Deputados aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram formalmente que congressistas do Partido Democrata americano investiguem uma rede financeira ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria operado nos Estados Unidos em benefício da família Bolsonaro. O documento foi entregue durante agenda em Washington nesta quinta-feira, 4 de junho.
A comitiva foi integrada pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG). Segundo reportagem da Carta Capital, o alvo central é uma conexão entre recursos ligados ao Banco Master, controlado por Vorcaro, e estruturas financeiras da Reag Investimentos que teriam sido usadas por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Os parlamentares argumentaram que os indícios justificam a abertura de investigação sobre movimentações financeiras, contratos, escritórios de advocacia e fundos de investimento sob jurisdição americana. Uma das hipóteses é a existência de fluxo financeiro que teria partido do Banco Master para empresas ou prestadores de serviços nos Estados Unidos, com eventual benefício ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagens do Intercept Brasil revelaram que Vorcaro repassou ao menos 61 milhões de reais para a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente. A Polícia Federal apura se os recursos, canalizados por meio da Entre Investimentos e do fundo Havengate, nos Estados Unidos, foram usados para custear a estadia de Eduardo no país.
O pedido também menciona suspeitas envolvendo fundos da Reag, citados em investigações da Polícia Federal sobre possível lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os deputados alertaram que esse dado amplia a gravidade da hipótese, pois desloca a análise para a circulação internacional de recursos de um ambiente já marcado por suspeitas de fraudes bancárias e infiltração do crime organizado no mercado financeiro.
Outro ponto abordado é a atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, pela qual ele é réu no Supremo Tribunal Federal, e a possibilidade de campanhas no exterior terem sido financiadas com dinheiro ilícito. Os congressistas brasileiros também citaram a recente mobilização de bolsonaristas para que o governo de Donald Trump classificasse facções brasileiras como organizações terroristas, o que poderia ter impacto sobre mecanismos de cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro.