Presidente da CCJ acusa Eduardo Bolsonaro de lesa-pátria por defender Zelle em vez do Pix

O presidente da CCJ do Senado e Eduardo Bolsonaro em imagens lado a lado. (Foto: metropoles.com)

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), criticou duramente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro por defender o sistema de transferências norte-americano Zelle como alternativa ao Pix brasileiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador classificou a plataforma dos Estados Unidos como um genérico do Pix e afirmou que a posição do ex-deputado revela um sentimento lesa-pátria.

A declaração de Eduardo Bolsonaro foi dada em entrevista ao portal TMC News, na qual sugeriu que o Brasil poderia usar o Zelle como argumento em negociações com os Estados Unidos. Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, disse ele, defendendo que a ferramenta poderia ser apresentada como moeda de troca na mesa de negociação com Washington.

Otto Alencar rebateu com veemência a proposta e associou a postura de Eduardo ao governo de Jair Bolsonaro (PL), período em que, segundo o senador, o ex-presidente andou batendo continência para a bandeira americana. É inacreditável o que diz o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele quer, através de uma negociação, fazer com que o Brasil se renda aos Estados Unidos e não mantenha o Pix como é, um produto brasileiro e dos brasileiros, declarou o presidente da CCJ.

A polêmica ocorre em meio a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma análise da Seção 301 contra o Brasil. O órgão americano sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, alegando que o país adota práticas consideradas desleais ao comércio norte-americano, incluindo políticas de pagamento eletrônico que desfavoreceriam empresas dos Estados Unidos.

Analistas apontam um componente protecionista na medida, diante do impacto causado pelo Pix sobre o uso de bandeiras de cartão de crédito norte-americanas no mercado brasileiro. Para Otto Alencar, ceder nesse ponto significaria abrir mão de uma tecnologia de soberania nacional que revolucionou o sistema financeiro do país e reduziu a dependência de intermediários estrangeiros nas transações cotidianas.

O senador defendeu que o Brasil deve preservar seus interesses econômicos, culturais e democráticos sem se curvar a pressões externas. O Pix, lançado pelo Banco Central em 2020, movimentou trilhões de reais e se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros, superando cartões de crédito e débito em volume de transações.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.