O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare a suspeição do ministro Alexandre de Moraes nos processos relacionados ao caso Master. A petição foi protocolada na última segunda-feira, 1º, e será analisada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo o Estadão, a defesa do senador se baseia em mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro no dia da prisão de Vorcaro, bem como em um contrato milionário com o escritório da esposa do magistrado. Flávio quer que todas as ações envolvendo Vorcaro e o Banco Master sejam redistribuídas ao ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro.
As mensagens de 17 de novembro de 2025 mostram Vorcaro relatando a Moraes detalhes da tentativa de venda do Banco Master ao grupo Fictor, com investidores dos Emirados Árabes. O ministro respondeu com uma mensagem de visualização única, recurso que apaga o conteúdo após a leitura. À noite, Moraes reagiu com um emoji de aprovação. Horas depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, tentando embarcar para Dubai em um jatinho.
Os advogados de Flávio também citam os R$ 80,2 milhões pagos pelo Banco Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. O contrato previa repasses mensais de R$ 3,6 milhões para a defesa de interesses do banqueiro junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.
Além disso, o casal Moraes viajou ao menos oito vezes em aeronaves de empresa ligada a Vorcaro. Os dados foram obtidos pelo Estadão a partir de materiais encaminhados pela Polícia Federal à CPI do INSS.
O pedido de suspeição surgiu após Moraes solicitar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer sobre a inclusão de Flávio no inquérito que investiga seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, por suposta obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista. A apuração foi impulsionada por requerimento do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pediu a investigação do financiamento do filme ‘Dark Horse’, idealizado para retratar Jair Bolsonaro.
Segundo a petição de Lindbergh, o Banco Master de Vorcaro pagou cerca de R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões solicitados por Flávio, e o dinheiro foi enviado a um fundo ligado a Eduardo nos Estados Unidos. A suspeita é que os recursos tenham bancado a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras após a condenação do pai.
A manobra processual de Flávio expõe a tentativa do clã Bolsonaro de paralisar as investigações que o alcançam. Ao mirar diretamente o relator do caso, Flávio busca transferir a relatoria para um ministro com histórico de simpatia ao bolsonarismo, enfraquecendo a apuração que conecta a família ao esquema Vorcaro.