Cientistas acidentalmente descobrem campos magnéticos em 7 exoplanetas, abrindo nova janela na busca por vida

Ilustração de um exoplaneta com campo magnético, representando descoberta científica. (Foto: www.livescience.com)

Em uma descoberta inédita, astrônomos afirmam ter medido diretamente os campos magnéticos de múltiplos planetas além do nosso sistema solar — potencialmente fornecendo uma ferramenta crucial na busca por planetas habitáveis e vida alienígena.

Campos magnéticos exercem influência vital sobre as atmosferas planetárias e, portanto, seu destino e perspectivas de habitabilidade. Sabemos, por exemplo, que o campo magnético da Terra protegeu nosso planeta de radiação nociva, permitindo que nosso mundo se tornasse um planeta florescente, enquanto Marte permaneceu estéril e aparentemente morto.

A importância de uma magnetosfera protetora é evidente. No entanto, os campos magnéticos em exoplanetas, ou mundos alienígenas que orbitam estrelas além do nosso sistema solar, permaneceram mal compreendidos, até agora.

Em um estudo publicado na terça-feira (2 de junho) na revista Nature Astronomy, um time massivo e multinacional de astrônomos observou sete planetas ardentes e constatou que seus ventos eram mais lentos do que o esperado, sugerindo que campos magnéticos estavam os desacelerando.

“Esta descoberta abre uma janela completamente nova para a pesquisa de exoplanetas”, disse Julia Seidel, astrônoma no Laboratório Lagrange em Nice, França, em um comunicado. “É a primeira vez que podemos comparar os ambientes magnéticos de outros mundos — um passo crucial para entender quais planetas podem manter sua água e, talvez, um dia, abrigar vida como a conhecemos.”

Os pesquisadores não estavam especificamente buscando campos magnéticos em exoplanetas. Em vez disso, pretendiam determinar se os ventos no cosmos se comportam de maneira semelhante em planetas quentes.

Eles focaram em sete ‘Júpiteres ultra-quentes’, ou gigantes gasosos circulando tão perto de suas estrelas que estão bloqueados gravitacionalmente, com um lado sempre voltado para a estrela e o outro lado permanentemente mergulhado na escuridão.

Sob tal irradiação estelar intensa, esses sete planetas atingem temperaturas de equilíbrio estimadas em aproximadamente 2.600 Kelvin (mais de 4.200 graus Fahrenheit), gerando ventos inimagináveis que variam de quase 4.500 milhas (7.200 quilômetros) por hora a quase 16.000 mph (25.000 km/h). Para comparação, o nosso Júpiter, que não é tão quente, gera ventos de apenas 900 mph (1.500 km/h).

Os pesquisadores cronometraram essas velocidades de vento usando o instrumento ESPRESSO no Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul no Chile e o instrumento MAROON-X no telescópio Gemini North no Havaí. Esses são espectrografos, ferramentas que dividem a luz de um objeto celeste em suas respectivas comprimentos de onda para revelar sua composição atmosférica. Assim, essas observações permitiram aos astrônomos medir as velocidades dos ventos rastreando o movimento de ferro através das atmosferas desses exoplanetas.

Na realização dessa tarefa, eles revelaram várias surpresas. Primeiro, as velocidades dos ventos nesses planetas gasosos quentes diminuíram com a temperatura — o planeta mais quente, a menor velocidade do vento.

“Isso é totalmente contraintuitivo, pois, todas as coisas sendo iguais, planetas quentes têm mais energia para acelerar os ventos”, explicou Vivien Parmentier, astrônomo e professor no Laboratório Lagrange, em um comunicado separado. “Algo deve acontecer para desacelerar as velocidades dos ventos em objetos mais quentes.”

Os pesquisadores concluíram que os campos magnéticos podem ser responsáveis por colocar os ‘freios’ nesses ventos, desacelerando o movimento de partículas carregadas nas atmosferas desses exoplanetas.

Surpreendentemente, a pesquisa sugere que esses campos magnéticos têm força de apenas alguns gauss — em vez de centenas de gauss, como previsto por alguns modelos. Tais valores são equivalentes aos dos gigantes gasosos muito mais frios em nosso sistema solar. Esta descoberta pode, portanto, ajudar a reconciliar os modelos preditivos para campos magnéticos planetários.

No geral, este estudo revolucionário pode estabelecer o padrão para detectar campos magnéticos ao redor de planetas além do nosso. Aplicar essa técnica em outros lugares poderia orientar futuras buscas por mundos potencialmente habitáveis, um prospecto sempre atraente à medida que instalações de próxima geração começam a mirar seus olhos elétricos para possíveis Terras em todo o universo.

Segundo a Live Science, esta pesquisa pode representar um marco na exploração de exoplanetas e na busca por sinais de vida fora da Terra.

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