O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) demitiu dois servidores investigados por envolvimento em um esquema de repasse irregular de aves silvestres para criadores particulares no Rio Grande do Sul. A decisão, publicada no Diário Oficial da União em 2 de junho, resultou na demissão de Paulo Guilherme Carniel Wagner, ex-superintendente do Ibama no estado, e do analista ambiental Emerson Strack Skrabe.
As investigações, conduzidas pela Polícia Federal sob a Operação Celeno, indicam que os servidores se aproveitaram de seus cargos para obter vantagens pessoais e beneficiar terceiros. Em dezembro de 2024, a Polícia Federal indiciou Wagner, Skrabe e outras quatro pessoas por suspeita de desviar animais silvestres do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Porto Alegre.
De acordo com as investigações, as aves apreendidas ou resgatadas eram desviadas de sua destinação prevista e entregues a criadores particulares, com os servidores recebendo valores e outros benefícios em troca. Entre os animais envolvidos estava uma harpia, a maior ave de rapina das Américas, que foi localizada e resgatada após a operação.
O Ibama afirmou, em comunicado, que foram identificados elementos consistentes que evidenciaram práticas de faltas funcionais graves, passíveis de demissão. O processo disciplinar foi conduzido em conformidade com o devido processo legal, assegurando o contraditório e a ampla defesa aos investigados.
A decisão administrativa é definitiva no âmbito do Ibama, mas os ex-servidores podem recorrer à Justiça para contestar a penalidade. Eduardo Maluhy, advogado de Paulo Wagner, declarou que buscará a reconsideração da decisão, enquanto Michel França, advogado de Emerson Skrabe, não comentou o caso.
Com informações de G1.