Pemex registra forte prejuízo no primeiro trimestre de 2026 apesar de preços elevados do petróleo

Ilustração editorial sobre Pemex registra forte prejuízo no primeiro trimestre de 2026 apesar de preços elevados do petróleo. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A Petróleos Mexicanos (Pemex), empresa estatal de petróleo do México, reportou um prejuízo líquido de MX$ 46 bilhões (aproximadamente US$ 2,646 bilhões) no primeiro trimestre de 2026. Este resultado representa uma deterioração de 6,1% em comparação com o prejuízo de MX$ 43,3 bilhões registrado no mesmo período de 2025, marcando o pior início de ano para a companhia desde 2020.

O declínio no valor das exportações de petróleo, que caiu 25,3%, foi o principal fator por trás do prejuízo. Isso se deveu a uma contração de 38,8% no volume de petróleo bruto exportado, mesmo com o preço médio da mistura de petróleo mexicana aumentando 5,2% no primeiro trimestre. As vendas domésticas, por outro lado, cresceram 4,2% devido ao aumento nos volumes e preços de gasolina, diesel e combustível de aviação, mas não foram suficientes para compensar a perda de receita externa.

Em abril de 2026, as exportações de petróleo bruto da Pemex atingiram uma média de 418,2 mil barris por dia, gerando a maior receita de exportação desde maio de 2025. O preço de exportação da mistura mexicana alcançou US$ 94 por barril neste mês, o nível mais alto desde julho de 2022, impulsionado por tensões geopolíticas globais.

Pela primeira vez em pelo menos 36 anos, a Europa superou as Américas como o principal destino das exportações da Pemex em abril, absorvendo 43,4% do volume total. Essa mudança reflete tanto a diversificação deliberada do portfólio de exportação do México quanto a contração da demanda asiática por petróleo bruto pesado mexicano no primeiro trimestre.

O contexto internacional de preços do petróleo foi marcado por instabilidade. As tensões geopolíticas e as interrupções no Estreito de Ormuz, especialmente após um conflito entre os Estados Unidos e o Irã que se iniciou em 28 de fevereiro, impactaram significativamente os mercados globais. Essas interrupções afetaram aproximadamente um quinto dos embarques globais de petróleo.

A Administração de Informação de Energia (EIA) dos EUA previu, em abril, que os preços do petróleo Brent teriam uma média de US$ 96 por barril em 2026, com picos podendo chegar a US$ 115 por barril no segundo trimestre. A S&P Global Ratings, por sua vez, elevou suas expectativas para o Brent para US$ 110 por barril para o restante de 2026, citando as contínuas interrupções de oferta.

Em 15 de junho de 2026, o petróleo Brent foi negociado a US$ 83,45 por barril, uma queda acentuada que ocorreu após relatos de um acordo de paz entre os EUA e o Irã para encerrar as hostilidades no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz. Isso indica que os preços estavam em patamares mais elevados antes do acordo.

Apesar do cenário de prejuízo, a dívida financeira bruta da Pemex registrou uma redução de 30,5% em comparação anual, atingindo MX$ 1,43 trilhão (equivalente a cerca de US$ 79 bilhões) no final do primeiro trimestre de 2026. Este é o nível mais baixo de dívida da empresa desde 2014, conforme divulgado pelo Mexico Business News.

Desde 2019, o governo federal mexicano transferiu um total de MX$ 1,8 trilhão para a Pemex, com MX$ 58,3 bilhões em contribuições de capital apenas no primeiro trimestre de 2026. O apoio governamental tem sido crucial para a estabilidade financeira da companhia, que ainda detém a maior carga de dívida entre as empresas de petróleo globais.

A produção de hidrocarbonetos líquidos da Pemex atingiu uma média de 1,652 milhão de barris por dia no primeiro trimestre, um aumento anual de 2,3%, impulsionado por campos estratégicos. Contudo, a produção de petróleo bruto ainda se encontra próxima dos níveis mais baixos em 16 anos.

Por outro lado, o sistema nacional de refino da Pemex mostrou melhorias, com a produção de diesel crescendo 70% e a de gasolina 27,7% no primeiro trimestre. Essas melhorias são atribuídas, em parte, à crescente contribuição operacional da refinaria Olmeca, a mais nova e moderna instalação de processamento do México.

Com informações de JORNADA.

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