O duplo terremoto de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiu o norte da Venezuela no dia 24 de junho de 2026 desencadeou a maior catástrofe humanitária e estrutural da história recente do país. A tragédia ocorre em um momento de extrema fragilidade social, agravada pela severa asfixia econômica decorrente das sanções impostas pelas potências ocidentais que inviabilizam a resposta rápida do Estado venezuelano.
Com o balanço oficial superando a marca dramática de 920 mortos e estimativas que apontam para mais de 50 mil desaparecidos sob os escombros, o desespero toma conta de centros urbanos importantes como Caracas e La Guaira. O colapso do Aeropuerto Internacional de Maiquetía interditou o principal canal de tráfego aéreo venezuelano, isolando o território nacional precisamente no instante em que o socorro médico externo se faz mais urgente.
Diante do desastre e do bloqueio operacional das instituições governamentais, moradores de Caraballeda e outras localidades costeiras tentam cavar os destroços com as próprias mãos para salvar familiares soterrados. Esse esforço comunitário desesperado reflete a carência de maquinário pesado e a precariedade dos serviços de defesa civil, historicamente enfraquecidos pela falta de equipamentos importados e insumos básicos de socorro.
O governo interino comandado por Delcy Rodríguez enfrenta, além da calamidade natural em estados como Yaracuy e Miranda, a delicada tarefa de coordenar ajuda externa em um ambiente de forte polarização geopolítica. Embora nações europeias e latino-americanas tenham enviado de imediato equipes especializadas de resgate, a ingerência diplomática norte-americana ameaça instrumentalizar a dor venezuelana sob fins de controle político regional.
Em resposta à tragédia, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, expressou solidariedade imediata e determinou o envio de ajuda humanitária por meio de aeronaves da Força Aérea Brasileira. Essa cooperação bilateral, livre de condicionalidades políticas e baseada no respeito mútuo, aponta o caminho correto para a reconstrução do país vizinho sem ferir sua autodeterminação.
A superação deste momento dramático exige a suspensão definitiva de qualquer sanção unilateral contra o povo venezuelano para permitir a livre circulação de remédios e investimentos. Somente com o fim dos bloqueios financeiros e com a ampla solidariedade dos povos do Sul Global será possível restabelecer a segurança e iniciar o erguimento das habitações destruídas.
Venezuela já tem quase mil mortos e mais de 50.000 desaparecidos após terremotos
Por Agência France-Presse (AFP)
CARACAS, 26 de junho de 2026 (AFP) – Quase mil mortos (920) e mais de 50 mil desaparecidos: o balanço do terremoto duplo na Venezuela continua aumentando, enquanto cresce o desespero para encontrar sobreviventes e a ajuda oficial segue insuficiente.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira (24) afetaram gravemente estados como Yaracuy (epicentro), Falcón, Carabobo, Miranda e o Distrito Capital (Caracas). Em La Guaira, onde fica o principal aeroporto do país, interditado após o terremoto, alguns moradores tentam resgatar sozinhos parentes soterrados.
A mão de um voluntário enquanto ele busca sobreviventes entre os escombros de um prédio que desabou após dois terremotos em Caraballeda, no estado de La Guaira, ilustra a tragédia que abalou a nação sul-americana nesta semana.
Com a interdição do aeroporto de Maiquetía, o isolamento aéreo dificulta a chegada ágil das missões humanitárias estrangeiras. A situação é agravada pelo cenário político e pelas sanções norte-americanas que, mesmo em face de tamanha catástrofe, seguem impondo restrições de liquidez ao governo de transição liderado por Delcy Rodríguez.
O governo federal brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou de imediato o deslocamento de equipes de engenharia militar e suprimentos médicos de emergência. A mobilização integra um esforço do Sul Global para atenuar a dor do povo venezuelano sem interferir nas decisões soberanas de sua reconstrução interna.