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Maricá vai bancar formação de pilotos e mecânicos de aeronaves — impulsionada pelo boom dos voos offshore

0 Comentários🗣️🔥 A prefeitura de Maricá, no litoral fluminense, regulamentou nesta quarta-feira (15) o programa Voar é para Todos, que vai financiar integralmente a formação de pilotos comerciais e mecânicos de manutenção aeronáutica para jovens do município — tornando a cidade a primeira do Brasil a custear do zero as duas modalidades de formação. A […]

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A prefeitura de Maricá, no litoral fluminense, regulamentou nesta quarta-feira (15) o programa Voar é para Todos, que vai financiar integralmente a formação de pilotos comerciais e mecânicos de manutenção aeronáutica para jovens do município — tornando a cidade a primeira do Brasil a custear do zero as duas modalidades de formação. A iniciativa é conduzida em parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar).

Como funciona: até 70 vagas por ano

O programa vai oferecer até 20 vagas anuais para o curso de Piloto Comercial, com habilitações em Voo por Instrumentos (IFR) e Multimotor Terrestre (MLTE), e outras 50 vagas para o curso de Mecânico de Manutenção Aeronáutica, cobrindo as áreas de célula, motor e sistemas eletrônicos de aeronaves. Datas de inscrição, documentação exigida e critérios de seleção ainda serão detalhados em edital específico.

O objetivo declarado: derrubar a barreira do custo

Cursos de formação de piloto comercial e de mecânico de aeronaves estão historicamente entre os mais caros do mercado de trabalho brasileiro, o que restringe o acesso a essas carreiras a quem já dispõe de capital para bancar a própria formação. Ao assumir o custo integral, a prefeitura busca abrir essas profissões a jovens que normalmente ficariam de fora por barreira puramente financeira. Segundo o secretário municipal de Educação, Rodrigo Moura, o programa amplia “as oportunidades de acesso à educação profissional em uma área estratégica” e de alta tecnologia para os jovens do município.

O motor por trás da decisão: a explosão dos voos offshore

A criação do programa não é aleatória — ela acompanha um crescimento expressivo na movimentação do Aeroporto de Maricá, puxado majoritariamente pelos voos que transportam trabalhadores até plataformas de petróleo e gás em alto-mar. Entre 2022 e 2025, esse tipo de transporte cresceu 396%, e o número total de operações no aeroporto saltou de 4.830 para 18.363 no mesmo período — alta de cerca de 280%. O movimento de passageiros seguiu a mesma trajetória: de 16.265 em 2022 para 156.287 em 2025, quase dez vezes mais em três anos.

Esse crescimento acelerado da operação aeroportuária já pressiona a demanda por profissionais qualificados — e é justamente esse gargalo que o programa municipal tenta antecipar, formando localmente a mão de obra que hoje precisa, em boa parte, ser buscada fora do município.

Parte de uma estratégia industrial mais ampla

O presidente da Codemar, Julio Urdangarin, descreveu a iniciativa como “um importante instrumento de desenvolvimento econômico, geração de empregos” para o município. O programa se soma a outra aposta de Maricá no setor aeronáutico: uma parceria com a Empresa de Desenvolvimento Aeronáutico (DESAER) voltada à pesquisa, ao desenvolvimento e à futura produção de aeronaves na cidade. A formação de mecânicos, nesse contexto, também mira preencher uma lacuna local — hoje, grande parte dos serviços de manutenção de aeronaves usadas em Maricá precisa ser realizada fora do município.

Um modelo que já chamou atenção internacional em outras áreas

A aposta em qualificação profissional financiada pelo poder público local não é isolada dentro da estratégia de desenvolvimento de Maricá — cidade que já ganhou notoriedade internacional por seu programa de renda básica, a moeda social Mumbuca, chegando a ser destacado pelo jornal econômico japonês Nikkei. O Voar é para Todos segue essa mesma lógica de investimento direto do município em políticas sociais e educacionais financiadas por recursos próprios — no caso de Maricá, sustentados majoritariamente pelos royalties do petróleo da Bacia de Campos, que fazem do município um dos poucos no Brasil com capacidade fiscal para bancar programas desse porte integralmente com recursos locais.

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