Segundo o The Hindu, o Irã executou no domingo (19) dois homens condenados por ataques incendiários contra policiais durante os distúrbios antigoverno ocorridos no início de 2026.
Erfan Esfandiari e Gol-Mohammad Mohammadi foram condenados pelo Judiciário iraniano por amarrar policiais a uma placa de trânsito em Isfahan, feri-los com pedras, encharcá-los com gasolina e atear fogo. Segundo as autoridades, os dois também filmaram a ação e enviaram as imagens a canais de televisão no exterior. O tribunal não divulgou as datas das prisões e dos julgamentos nem as idades dos condenados.
Os distúrbios começaram em dezembro de 2025, após protestos motivados pelo alto custo de vida, e atingiram seu momento mais violento em 8 e 9 de janeiro de 2026. As autoridades iranianas registraram mais de 3 mil mortes e afirmam que agentes infiltrados e grupos terroristas, apoiados pelos Estados Unidos e por Israel, exploraram a mobilização social para promover ataques e desestabilizar o país.
Organizações não governamentais sediadas fora do Irã contestam a versão oficial e acusam as forças de segurança de uso excessivo da força. Essas alegações aparecem na cobertura do veículo de origem, mas não anulam a natureza dos crimes pelos quais Esfandiari e Mohammadi foram condenados.
O caso ocorre durante a guerra regional iniciada após o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano, em 28 de fevereiro. Teerã sustenta que a violência interna fez parte de uma operação de desestabilização articulada no exterior, enquanto organizações internacionais contrárias à pena de morte criticam o aumento das execuções no país.


João Carvalho
20/07/2026
A brutalidade do crime é inegável, mas a execução sumária levanta questões sobre o Estado de Direito no Irã e o uso da pena capital como resposta a protestos. Em vez de interromper o ciclo de violência, a medida arrisca aprofundar a desumanização tanto dos agentes do Estado quanto dos cidadãos que o contestam. Caberia perguntar: que espaço resta para o devido processo legal e para a reintegração social quando o próprio regime responde com a mesma lógica de aniquilamento que condena?
Cíntia Ribeiro
20/07/2026
A gravidade das acusacoes contra os dois homens em Isfahan e inegavel, mas a execucao levanta questoes sobre o uso da pena capital como resposta a disturbios internos. O sistema juridico iraniano aplica a forca maxima em crimes considerados ameacas a seguranca publica, o que muitas vezes suprime manifestacoes sem buscar solucoes politicas. Seria interessante saber se o governo ira encarar essas mortes como um desestimulo a protestos ou como mais um fator de radicalizacao entre os opositores.
Rodrigo Meireles
20/07/2026
A execução dos dois condenados em Isfahan mostra que o regime iraniano respondeu com a máxima dureza possível a um crime de extrema violência contra policiais. A pergunta que fica é se uma punição tão radical realmente desestimula novos ataques ou só alimenta mais ressentimento numa população já insatisfeita. Dados de outros países sugerem que a pena capital raramente reduz a criminalidade violenta a longo prazo, especialmente quando o processo judicial é questionado internacionalmente. O Irã terá que equilibrar a necessidade de ordem pública com o risco de inflamar ainda mais os ânimos.