A três dias de ser lançado candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro enfrenta nova crise: seu escritório emitiu e cancelou R$ 1 milhão em notas para empresa ligada ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
A três dias da convenção que o lançará candidato à Presidência pelo Partido Liberal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está no centro de mais uma controvérsia financeira.
Seu escritório de advocacia emitiu e depois cancelou duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. O caso foi revelado pelo Metrópoles e confirmado pela Folha nesta quarta-feira (22).
As notas foram emitidas em 7 de abril de 2025 pelo escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, como supostos serviços advocatícios. Uma foi cancelada no mesmo dia; a outra, dois dias depois, em 9 de abril.
Nessa mesma data, Flávio emitiu uma terceira nota de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa. O responsável pela empresa, Rogério Lourenço Novo, é diretor da própria Copenhagen.
Lourenço Novo também é conselheiro fiscal da Ambipar, controlada por Tercio Borlenghi Junior. Borlenghi Junior é investigado junto com Daniel Vorcaro e o Banco Master por manipulação de mercado, segundo a Folha. A Copenhagen pertence ao fundo Estonia, também sob controle de Borlenghi Junior.
Flávio nunca foi alvo formal do inquérito, mas a engenharia societária conecta as empresas a Vorcaro, que financiou o filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro.
Em vídeo nas redes sociais, Flávio apresentou duas versões contraditórias. Primeiro disse que não prestou serviços à Copenhagen. Depois afirmou que firmou contrato de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, e que foi apenas consultado sobre atender a Copenhagen, mas que a contratação "não avançou". Ele nega ter recebido qualquer valor e classifica a divulgação como quebra de sigilo sem autorização judicial.
A revelação de diálogos entre Flávio e Vorcaro, em maio, já havia prejudicado sua pré-campanha, revertendo vantagem que ele ostentava sobre o presidente Lula (PT) nas pesquisas e dificultando a formação de alianças. O novo episódio chega às vésperas da convenção do PL, marcada para sábado (25), em São Paulo.
Procuradas pela Folha, a defesa de Daniel Vorcaro, a Copenhagen e a Contábil Correa não responderam.