Três ministros do STF avaliam que Flávio Bolsonaro replicou desinformação eleitoral ao afirmar falsidade sobre as urnas , e alertam para risco concreto de inelegibilidade.
Pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma guinada extremista ao espalhar desinformação sobre as urnas eletrônicas, segundo apurou a Folha de S.Paulo.
O episódio ocorreu em palestra a embaixadores estrangeiros na terça-feira (21), quando Flávio afirmou que as urnas usadas no Brasil são da mesma empresa que fornece equipamentos à Venezuela. A alegação é falsa: a Smartmatic perdeu a licitação para a Positivo Tecnologia e nunca vendeu aparelhos à Justiça Eleitoral brasileira.
O movimento foi classificado como erro estratégico pelo centrão, que via no senador um candidato em processo de moderação.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, optou por não rebater publicamente a declaração. O TSE republicou um esclarecimento antigo na seção "Fato ou Boato" e divulgou um vídeo em que o próprio Kassio defende a confiabilidade das urnas, gravado cinco dias antes no mesmo evento.
Em conversas reservadas, Kassio disse a interlocutores que considera as declarações de Flávio menos graves do que as feitas pelo pai em 2022. Para o ministro, Flávio não questionou o sistema abertamente e apenas pediu observadores internacionais, enquanto Jair Bolsonaro usou a máquina pública para levantar suspeitas infundadas de fraude , o que resultou em condenação por inelegibilidade.
Para a ala crítica do STF, porém, o falso paralelo entre as urnas venezuelanas e brasileiras não pode ser minimizado. Esses magistrados afirmam que Flávio replica um discurso alinhado ao de Donald Trump e abre margem para interferências externas no processo eleitoral. Um ministro lembrou que a Corte já tem precedente claro: disseminar notícias falsas sobre as urnas pode levar à inelegibilidade.
Outros dois ministros do TSE consideram a desinformação grave e alertam que ela pode marcar o início de uma escalada semelhante à do pai. Kassio, por sua vez, mantém o silêncio institucional sobre o aliado do filho de quem o nomeou.