O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrou a visita de um personagem peculiar ao ex-presidente Jair Bolsonaro: Darren Beattie, um “diplomata” do governo Trump que, por uma incrível coincidência, parece ter um currículo mais alinhado com o de um agente de inteligência do que com o de um representante de Estado.
Beattie, que atua como assessor sênior de Trump para políticas relacionadas ao Brasil, é um acadêmico com doutorado em teoria política, mas suas credenciais mais notáveis incluem a demissão da Casa Branca em 2018 por palestrar em um evento com supremacistas brancos, acusações de racismo e sexismo, e a defesa de que “homens brancos competentes precisam estar no comando”.
Este “diplomata”, que também acusa a CIA e o FBI de conspirarem contra Trump, teve a audácia de solicitar uma visita a Bolsonaro fora do horário regular, alegando “compromissos diplomáticos”. A manobra, no entanto, não passou despercebida. O Itamaraty, em um raro momento de lucidez, alertou para o risco de “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, especialmente em ano eleitoral.
Moraes, que inicialmente havia autorizado o encontro, voltou atrás e proibiu a visita. Em sua decisão, o ministro destacou que a visita não se enquadrava no contexto diplomático que justificou a concessão do visto a Beattie e citou o princípio da não-intervenção, previsto na Carta da OEA e na Constituição Federal.
A tentativa de Beattie de se encontrar com Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, expõe a articulação da extrema direita internacional e a tentativa de usar figuras como o ex-presidente para desestabilizar a democracia brasileira. A decisão de Moraes, portanto, é uma vitória para a soberania nacional e um recado claro de que o Brasil não é palco para as maquinações de agentes estrangeiros disfarçados de diplomatas.


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