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Missão japonesa revela asteroide com todos os componentes do DNA

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Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 21:06

Uma descoberta de proporções cósmicas foi revelada pela missão Hayabusa2, liderada pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão. Analisando amostras do asteroide Ryugu, os cientistas identificaram a presença dos cinco nucleobases que formam o DNA e o RNA, marcando um avanço significativo na compreensão das origens da vida. Este achado, publicado na revista Nature Astronomy, sugere que os ingredientes básicos para a vida podem estar espalhados por todo o sistema solar.

Os componentes moleculares encontrados incluem adenina, guanina, citosina, timina e uracila, conhecidos como as ‘letras’ que codificam as instruções genéticas. Esta é a primeira vez que todas essas nucleobases foram confirmadas em amostras de Ryugu, fortalecendo a hipótese de que asteroides primitivos podem produzir e preservar moléculas essenciais à química da vida. Toshiki Koga, bioquímico da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e Terrestre e autor principal do estudo, alertou que isso não significa que a vida existiu em Ryugu, mas que os asteroides primitivos têm o potencial de criar e manter tais moléculas.

A missão Hayabusa2 foi lançada em 2014 e alcançou Ryugu em 2018, com a coleta de amostras ocorrendo em 2019. O retorno à Terra em 2020 trouxe 5,4 gramas de material, um montante pequeno, mas de valor científico incalculável, por ter permanecido praticamente inalterado desde o início do sistema solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Estudos anteriores haviam identificado apenas uma nucleobase, a uracila, e 15 aminoácidos. Agora, com uma amostra maior de 20 miligramas e técnicas analíticas mais refinadas, as outras quatro nucleobases foram detectadas.

O padrão químico encontrado em Ryugu surpreendeu os pesquisadores. Diferente de outros asteroides, o equilíbrio entre purinas e pirimidinas foi notável, além de uma relação consistente com a presença de amônia, um composto relevante para a química prebiótica. Segundo Koga, a ausência de um mecanismo conhecido que explique essa relação pode indicar um caminho ainda não reconhecido para a formação de nucleobases nos materiais do sistema solar primitivo.

Este estudo alimenta uma antiga questão científica: a vida começou na Terra ou seus ingredientes foram entregues do espaço? Algumas teorias propõem que a vida se originou em ambientes como as fontes hidrotermais profundas, enquanto outras sugerem a chegada de moléculas orgânicas chave através de cometas, asteroides ou meteoritos. A descoberta em Ryugu, ao lado de dados de Bennu, outro asteroide estudado, oferece uma imagem mais clara das condições prebióticas universais.

Os asteroides Ryugu e Bennu são ambos do tipo carbonáceo, conhecidos por serem ricos em material orgânico, e compõem cerca de 75% dos asteroides do sistema solar. Observações do Telescópio Espacial James Webb sugerem que eles podem ter origem comum, sendo fragmentos de um corpo maior. Como relíquias das fases iniciais da formação planetária, eles atuam como cápsulas do tempo, preservando a química que existia antes da Terra se formar.

O próximo passo para os cientistas é entender como essas moléculas se formam, evoluem e sobrevivem no espaço. Koga e sua equipe buscam elucidar os mecanismos que permitiram a formação universal das nucleobases essenciais à vida. Até o momento, a implicação desta descoberta é clara: a química que sustenta a vida na Terra não é exclusiva deste planeta, podendo estar escrita no tecido do próprio sistema solar, aguardando as condições certas para se transformar em algo vivo.

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