China vai proibir exportações de ácido sulfúrico a partir de 1º de maio de 2026. A decisão oficial veio após o governo estabelecer cotas de 700 mil toneladas para o primeiro quadrimestre, contra 1,3 milhão no mesmo período de 2025 — corte de quase 50%. O objetivo é garantir oferta para uso agrícola interno, sobretudo para fertilizantes fosfatados, deixando indústrias de mineração internacionais sob forte pressão.
O país exportou 4,65 milhões de toneladas em 2025, sendo que 32% desse volume foram destinadas ao Chile e 15% à Indonésia. O Chile importa mais de 1 milhão de toneladas anuais. O efeito imediato é o aumento expressivo do preço do ácido sulfúrico, que já subiu mais de 44% no Chile em um mês.
No setor de cobre, que depende de processos como lixiviação (“heap leaching”) para dissolver o minério, a restrição de oferta ameaça cortes de produção. A China também registrou queda nos encargos de tratamento (TC/RCs) — taxas pagas a fundições para refinar cobre bruto —, que passaram de cerca de –US$ 28,60 por tonelada em 2025 para –US$ 77 em abril de 2026.
Prata pode emergir como vítima colateral. Aproximadamente 70% da prata nova extraída no mundo vem como subproduto de cobre, chumbo e zinco. Logo, qualquer recuo na produção de cobre pressionará a oferta de prata, num momento em que o mercado já está em déficit estrutural há seis anos.
Países da América Latina, como Chile, Peru e Brasil, serão especialmente impactados. O Chile precisará buscar fornecedores alternativos ou manter estoques elevados, elevando custos operacionais e o risco de interrupção de produção. O Brasil, como grande produtor agrícola que também importa fertilizantes, sofrerá um duplo choque: insumos mais caros para mineração e para lavouras.
Na Ásia, as minas de níquel da Indonésia enfrentam desafio similar. Projetos de alto custo que dependem do ácido para extração poderão atrasar produção ou até reduzir metas. As operações na República Democrática do Congo e na Zâmbia, que também recebem ácido chinês, podem ter sua sustentação abalada.
Enquanto alternativas são estudadas, poucas empresas dispõem de infraestrutura interna de produção de ácido, seja pela queima de fósforo, seja pelo processamento de sulfetos nos próprios países. Para alguns, restará recorrer ao mercado europeu ou de outras regiões asiáticas — o que implicará fretes mais caros e maior volatilidade cambial.
No mercado global, analistas projetam que o impacto se prolongue por grande parte de 2026. O Irã — cujas exportações de enxofre já estão afetadas por conflitos — e as tensões no Estreito de Ormuz agravam a escassez de matéria-prima básica para fabricar ácido. Os preços domésticos do ácido na China bateram recordes no início de 2026, chegando a cerca de US$ 150 por tonelada FOB.
Por que isso importa
Essa política reforça tensão global em nós de cadeias produtivas estratégicas: cobre é vital para energia limpa, prata para painéis solares, fertilizantes para alimentar bilhões. O corte chinês não é apenas regulatório — é geopolítico: fortalece autonomia tecnológica e segurança alimentar da China ao custo de pressionar países dependentes. Para o Brasil, isso significa atravessar novas ondas de inflação de insumos, desequilíbrio nas exportações minerais e aumento no preço dos fertilizantes. No cenário internacional, o controle sobre produtos químicos essenciais torna-se nova ferramenta de poder: quem domina o ácido controla parte do futuro.
Com informações de miningdigital.com.


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