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China barra sanções dos EUA contra cinco petroquímicas chinesas

79 Comentários🗣️🔥 Vista aérea de uma instalação de armazenamento de petróleo com múltiplos tanques e terminais portuários. (Foto: actualidad.rt.com) O Ministério do Comércio da China determinou que nenhuma entidade instalada no país está autorizada a reconhecer ou executar as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos contra cinco grandes companhias petroquímicas chinesas. A medida atinge a […]

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Vista aérea de uma instalação de armazenamento de petróleo com múltiplos tanques e terminais portuários. (Foto: actualidad.rt.com)

O Ministério do Comércio da China determinou que nenhuma entidade instalada no país está autorizada a reconhecer ou executar as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos contra cinco grandes companhias petroquímicas chinesas.

A medida atinge a Hengli Petrochemical, a Shandong Shouguang Luqing Petrochemical, a Shandong Jincheng Petrochemical Group, a Hebei Xinhai Chemical Group e a Shandong Shengxing Chemical. Essas companhias foram alvo de punições americanas em razão de transações de petróleo com a República Islâmica do Irã.

Em nota oficial, a pasta classificou as restrições como violação do direito internacional e das normas que regem as relações econômicas multilaterais. As companhias citadas desenvolvem atividades comerciais legítimas com terceiros países.

Pequim reiterou que se opõe sistematicamente a sanções unilaterais desprovidas de aval do Conselho de Segurança da ONU. O mecanismo interno de bloqueio será aplicado com pleno vigor.

A decisão baseia-se no regulamento nacional de contramedidas, frequentemente chamado de “estatuto de bloqueio”. Esse regulamento autoriza órgãos chineses a multar empresas ou cidadãos que cooperem com punições externas consideradas injustificadas.

As cinco produtoras haviam sido incluídas na Lista de Pessoas Especialmente Designadas e Pessoas Bloqueadas do Departamento do Tesouro dos EUA. O instrumento congela ativos sob jurisdição americana e impede qualquer transação em dólares.

As sanções integram a estratégia americana para pressionar a indústria petrolífera iraniana. Elas se estendem a parceiros comerciais do país e tensionam a cadeia de suprimento global em meio à disputa por rotas e contratos energéticos.

O governo chinês sustenta que as medidas americanas criam barreiras indevidas ao comércio internacional. As punições prejudicam não apenas as empresas listadas, mas também clientes estrangeiros que dependem de seus derivados petroquímicos.

A iniciativa reforça a aposta de Pequim em um sistema de governança multipolar. Nenhum país pode impor regras extraterritoriais sem consenso multilateral.

A proteção às petroquímicas dialoga com a meta chinesa de garantir segurança energética. A nação asiática mantém contratos de longo prazo com o Irã para abastecimento de petróleo bruto e condensados.

Refinarias chinesas ampliaram a importação de óleo leve iraniano, aproveitando descontos de mercado e fortalecendo a posição do país como maior comprador mundial de energia. A tendência consolida um eixo comercial que desafia a eficácia das sanções unilaterais de Washington.

Em resposta a medidas semelhantes, Washington costuma ameaçar instituições financeiras estrangeiras com perda de acesso ao sistema bancário em dólar. Analistas avaliam que o peso comercial chinês dificulta a aplicação concreta dessa retaliação.

Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.


Leia também: China condena sanções dos EUA e promete defender suas empresas


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Marta Souza

02/05/2026

Enquanto isso, no Brasil, o governo não perde uma chance de intervir no mercado, criar impostos e amarrar a iniciativa privada com burocracia. A China defende as empresas deles com unhas e dentes; aqui, a gente é tratado como vilão só por querer empreender e gerar riqueza sem pedir esmola estatal.

Sargento Bruno

02/05/2026

Beto e Paula tocam na ferida, mas a ferida tem dono: a esquerda entreguista que sabotou nossas Forças Armadas e reduziu o Brasil a um quintal sem defesa. A China impõe respeito porque tem comando e patriotismo; aqui, a bandeira virou pano de chão nas mãos de covardes.

Paula Santos

02/05/2026

Beto, você tocou num ponto que dói. Enquanto discutimos soberania alheia, aqui falta o básico: planejamento e honestidade na gestão. Orar pelo Brasil é essencial, mas a fé sem obras é morta — precisamos cobrar competência e ética dos nossos governantes.

Beto Engenheiro

02/05/2026

Tanta conversa sobre sanção e soberania, mas o que isso mostra mesmo é que a China tem infraestrutura de verdade para brigar por. Aqui no Brasil a gente nem consegue terminar a dragagem de um porto, imagina ter cinco grandes petroquímicas para defender. É de chorar.

João Pereira

02/05/2026

A China está fazendo o que qualquer potência faria no seu lugar – defender suas empresas de sanções que não passam pelo Conselho de Segurança da ONU. Dito isso, seria ingênuo ignorar que essa blindagem só funciona porque Pequim tem musculatura econômica para retaliar; para a maioria dos países do Sul Global, a soberania segue sendo um luxo seletivo. O desconforto dos EUA revela menos sobre a China e mais sobre a erosão da eficácia das sanções como instrumento de política externa.

Clarice Historiadora

02/05/2026

Pois é, Paulo, e eu acrescentaria que essa defesa chinesa dos próprios contratos dialoga diretamente com o que Raúl Prebisch já denunciava nos anos 1950 sobre a assimetria centro-periferia, só que agora materializada em sanções unilaterais como ferramenta de disciplina geopolítica. Até a ficção distópica do chinês Chen Qiufan, em A Onda de Lixo, antecipava esse cenário de estrangulamento de cadeias produtivas do Sul global – com a diferença que ali o império recuava, enquanto aqui vemos a China responder com desenho institucional concreto, impedindo que suas petroquímicas internalizem a jurisdição extraterritorial americana. Quem ainda acha que soberania energética se resolve com livre-mercado está lendo manuais de 1991 como se fossem bíblias.

Jeferson da Silva

02/05/2026

Enquanto isso, aqui no ABC a gente vê todo dia o estrago que sanção econômica faz no chão de fábrica e no contracheque do trabalhador. A China tá defendendo os empregos e a cadeia produtiva deles, coisa que o Brasil parece ter esquecido como se faz desde que entregaram as refinarias. Quem já passou madrugada em linha de montagem sabe que soberania de verdade se mede no holerite, não em discurso de rede social.

Mariana Santos

02/05/2026

Reduzir a decisão chinesa a um “joguinho” é típico de quem acha que soberania é um luxo do Norte global. Os EUA aplicam sanções como quem usa um cassetete imperial, e quando um país do Sul — sim, a China é Sul — revida, a imprensa ocidental surta. Soberania energética é luta de classes em escala internacional.

Paulo Gestor RJ

02/05/2026

Interessante como a China age com o pragmatismo de quem entende de gestão: soberania também se exerce na defesa dos próprios contratos e cadeias produtivas. No Rio, sonhamos com metrô sob a baía enquanto mal conseguimos manter o que já existe — talvez faltasse um pouco dessa clareza chinesa sobre prioridades e viabilidade fiscal. Continuo achando que investimento pesado em ferrovias regionais traria mais retorno do que obras de bilhões com retorno incerto.

Diego Fernández

02/05/2026

A China faz o que a Argentina dos anos 90 jamais sonharia em fazer – usar soberania real, não de discurso de campanha, pra barrar sanções que só servem ao rentismo internacional. Enquanto isso, aqui na América Latina seguem achando que desregular e se ajoelhar ao Tesouro americano é “inserção competitiva”.

Pedro Neto

02/05/2026

Ocidente surta quando a China resolve jogar o jogo do “faça o que eu digo, não o que eu faço”, né? Vai pra Cuba, Xi Jinping, aqui tu não manda.

    Laura Silva

    02/05/2026

    Pedro, seu comentário joga uma ironia que esconde uma confusão analítica que, infelizmente, colonizou boa parte do debate público por aqui. Reduzir a decisão chinesa a um mero “faça o que eu digo, não o que eu faço” é ignorar que as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos não são apenas hipócritas no plano discursivo: elas são engrenagens de um sistema de coerção econômica que, desde o fim da Guerra Fria, opera como substituto funcional das antigas intervenções militares diretas. O cientista político Michael Hudson, ao estudar o fenômeno do “imperialismo financeiro”, demonstra que sanções contra Irã, Venezuela, Cuba ou Rússia não buscaram jamais convencer governos – elas estrangularam populações inteiras para forçar insurgências internas ou implodir capacidades estatais. Foram 60 anos de bloqueio a Cuba, por exemplo, não como recurso jurídico, mas como experimento de laboratório para testar o quanto um povo aguenta de fome antes de derrubar seu projeto soberano. A China, ao barrar sanções que atingiriam suas petroquímicas, está fazendo o que a consciência humanitária internacional jamais teve coragem de exigir em fóruns multilaterais: recusar-se a ser arma de um genocídio silencioso – e isso, veja, é o exato oposto de querer “mandar” em alguém. É defender o princípio westfaliano de não ingerência que o próprio Ocidente rasgou quando lhe convém.

    Mas, avancemos: o “aqui tu não manda” que você lança como provocação é sintomático de uma visão que personaliza o imperialismo em líderes estrangeiros e, assim, desvia o olhar de quem realmente manda “aqui”. Enquanto se agita o espantalho do “comunismo chinês”, os fundos de investimento sediados em paraísos fiscais carregam as maiores fatias do agronegócio brasileiro, as big techs engolem nossa infraestrutura digital sem pagar um centavo de PIS/Cofins, e as petroleiras ocidentais – sim, aquelas que já tentaram privatizar o pré-sal via leis de “partilha” escritas a portas fechadas – lucravam com a asfixia de concorrentes asiáticas sancionadas, enquanto o povo da Maré e de Paraisópolis pagava a gasolina a preço de barril texano. O neoliberalismo, como nos ensina David Harvey, opera uma “acumulação por espoliação” que transfere riqueza dos pobres para os rentistas, e as sanções são seu braço armado: quando os EUA proíbem que uma petroquímica chinesa venda seus produtos, estão protegendo não a “ordem internacional baseada em regras”, mas a margem de lucro de conglomerados que financiaram campanhas eleitorais em Washington. Então, quem exatamente manda aqui? Não é Xi Jinping, que não pauta a política monetária do Banco Central brasileiro, não define nossa taxa de juros extorsiva e não lucra com a superexploração dos entregadores de aplicativo pelo modelo chinês–americano de uberização. O “mando” que nos sufoca é o do capital financeirizado global, que alterna sanções e “ajuda” condicionada para manter a periferia eternamente pagadora de juros.

    Lembremos de um caso que já deveria ter curado esse reflexo automático de demonizar qualquer resistência ao hegemon: em 2012, o Congresso dos EUA aprovou sanções contra o Banco Central do Irã, determinando que qualquer país que comprasse petróleo iraniano teria seus próprios bancos expulsos do sistema financeiro americano. Na prática, era uma lei com alcance extraterritorial que transformava o dólar em arma contra nações soberanas. O Brasil, à época, foi instado a escolher entre um parceiro comercial legítimo e a chantagem de ter seus correspondentes bancários enquadrados como “cúmplices de terrorismo” – uma extorsão clássica que o direito internacional repudia, mas que a academia mainstream batizou suavemente de “efeitos colaterais da coerção econômica”. A China, com suas petroquímicas, simplesmente disse “não”. Isso não é “jogar o jogo” como xadrez de iguais; é interromper uma dinâmica de sujeição que há décadas condena países inteiros à condição de colônias informais, com o agravante de que o discurso liberal oculta esse chicote atrás de palavras como “liberdade de mercado”. Sua piada final, sobre Cuba, é tristemente ilustrativa: o mesmo país que você manda Xi visitar ironicamente é a prova viva de que resistir ao mando externo tem um custo altíssimo que jamais é pago pelas elites que trocam de lado a cada ventania geopolítica. Se há algo que o Brasil deveria aprender com essa trama, não é temer “estatismos” ou a China – é finalmente reconhecer que os verdadeiros senhores não chegam em navios com bandeira vermelha, mas em relatórios de compliance que esterilizam nossa soberania enquanto a fome avança no país que um dia foi celeiro do mundo.

Julia Andrade

02/05/2026

É interessante como a decisão da China escancara uma dinâmica que costuma ficar maquiada no noticiário ocidental: as sanções unilaterais não são mecanismos neutros de “aplicação da lei internacional”, mas instrumentos de uma governança global profundamente hierarquizada, em que os Estados Unidos atuam simultaneamente como legislador, juiz e polícia. Quando Pequim proíbe que suas empresas acatem essas sanções, ela está, sim, defendendo seus interesses geopolíticos e econômicos – nenhum Estado-nação abdica disso por benevolência. No entanto, me interessa menos o embate entre dois gigantes e mais o que esse gesto revela sobre a arquitetura de poder que naturalizamos. A soberania, nesse sentido, não é um conceito abstrato nem um fetiche nacionalista: é a capacidade concreta de um país de decidir quem sofrerá as consequências de uma disputa comercial e quem será protegido. E, numa ordem internacional moldada por colonialidade e dependência, quem mais paga o preço das sanções são sempre os corpos precarizados – trabalhadores informais, mulheres racializadas, comunidades inteiras cujo acesso a bens básicos é estrangulado quando as trocas comerciais são politicamente bloqueadas.

Acho curioso como, nos comentários, emergiu um debate sobre o papel do Estado. Vi alguém reduzir o Estado brasileiro a um “inchaço” que sufoca o empreendedor, enquanto outra pessoa reagiu apontando que o verdadeiro sufocamento vem de um Estado capturado pelo rentismo e pela financeirização neoliberal. Me alinho mais a essa segunda leitura, mas acrescentaria uma camada que quase nunca aparece nessas discussões: a dimensão de gênero. Quando se romantiza o “empreendedorismo” como alternativa ao Estado, ignora-se que a figura do microempreendedor individual no Brasil é, em esmagadora maioria, uma mulher – e frequentemente uma mulher negra – que não se tornou empresária por espírito schumpeteriano, mas porque o mercado formal a expulsou e o Estado se omitiu da provisão de creches, transporte e proteção social. Chamar de “autoestima nacional” a defesa intransigente das próprias empresas, como fez a China, sem simultaneamente exigir um Estado que ampare as pessoas reais, é cultivar um orgulho geopolítico que deixa intactas as desigualdades internas. A soberania que me interessa é aquela que se exerce, primeiramente, sobre as condições de vida da população – e isso inclui enfrentar o capital financeiro que lucra com a precariedade, mas também desmontar a divisão sexual do trabalho que faz do cuidado um trabalho invisível e não remunerado.

Talvez por isso a citação bíblica que uma leitora trouxe me tenha provocado um incômodo produtivo. Ela evocou Provérbios para defender a China que “protege sua gente” das sanções, mas eu me pergunto: proteger qual “gente”? As petroquímicas chinesas são conglomerados estatais ou privados que integram um modelo de desenvolvimento intensivo em carbono, concentrador de riqueza e pouco transparente. Defender a resistência à interferência externa é legítimo, sim – e como feminista latino-americana, eu jamais romantizaria o intervencionismo estadunidense, que historicamente patrocinou ditaduras e desestabilizou democracias no Sul Global. Mas não posso deixar de notar que a retórica da “proteção nacional” frequentemente serve para blindar elites econômicas contra qualquer regulação – seja ela doméstica ou internacional – que ouse questionar a distribuição assimétrica de poder dentro da própria nação. Em outras palavras, a crítica às sanções não precisa vir acompanhada de uma lealdade automática a um Estado cujo projeto de soberania talvez não inclua os povos indígenas, as trabalhadoras migrantes ou as dissidências políticas.

O que me parece valioso extrair desse episódio – e aqui eu dialogo com quem apontou que o Brasil poderia aprender algo, mas sem copiar modelos – é a necessidade de pensarmos a soberania de forma interseccional. Sanções dos EUA contra petroquímicas chinesas podem parecer um assunto distante, mas fazem parte do mesmo tecido geopolítico que sustenta tratados de livre comércio lesivos, patentes farmacêuticas que encarecem medicamentos essenciais e uma divisão internacional do trabalho que mantém o Norte Global no topo da cadeia de valor enquanto o Sul fornece matérias-primas e mão de obra barata. Enfrentar essa lógica exige mais do que bravatas nacionalistas ou adesão acrítica a um bloco de poder. Exige – e isso o Brasil tem dificuldade histórica de fazer – construir um projeto de desenvolvimento que seja, ao mesmo tempo, anticolonial em sua política externa e radicalmente democrático em sua política interna, capaz de redistribuir riqueza, gênero e raça. A China barra as sanções e, com isso, nos obriga a debater: soberania para quê e para quem? A resposta, para valer a pena, tem que ir muito além da defesa de corporações e alcançar a vida cotidiana de quem nunca pisou num terminal portuário.

Maria Antonia

02/05/2026

A China está fazendo o que qualquer país com um pingo de autoestima faria: defender suas empresas de interferência externa. O Brasil que fica de joelhos poderia aprender, mas sem cair na besteira de copiar o modelo estatista deles — aqui o que sufoca o empreendedor é o próprio estado inchado, não sanção de fora.

    Cláudio Ribeiro

    02/05/2026

    Maria Antonia, reduzir o Estado a um ‘inchaço’ é ignorar que, na periferia do capitalismo, o empreendedor não é sufocado pelo Estado em si, mas por um Estado capturado pelo rentismo e pela financeirização que o neoliberalismo impõe — a autoestima nacional que você exalta na China só existe porque lá o Estado não é balcão de negócios para o capital improdutivo, mas instrumento de soberania territorializada.

Maria Aparecida

02/05/2026

Vejo muita gente chamando resistência de imperialismo, como se a China estivesse fazendo algo errado ao proteger sua gente de sanções que sufocam os mais pobres. Lembro de Provérbios 31:8-9: ‘Erga a voz em favor dos que não podem defender-se e defenda os direitos de todos os desamparados’. Soberania que blinda o povo trabalhador contra a ganância das elites globais não é pecado, é profecia.

Major Ricardo Silva

02/05/2026

A China defende os seus interesses com unhas e dentes, algo que o Brasil deveria aprender em vez de ficar de joelhos para sanções alheias. Soberania não é negociável — isso não tem nada a ver com ideologia, tem a ver com respeito próprio. O problema é que aqui quem defende a pátria acaba sendo chamado de extremista por uma esquerda que prefere se ajoelhar a potências estrangeiras.

Adriana, chamar a China de comunista é ignorar que eles praticam um capitalismo de Estado feroz — defendem o deles, assim como deveríamos defender o nosso, sem precisar importar a cartilha do PCdoB.

Adriana Silva

02/05/2026

China fazendo o L contra os EUA, comunistas safados! Vai pra Cuba, China!

Luciana Costa

02/05/2026

Sandra e Caio trouxeram pontos que se complementam. A China age com pragmatismo, não com idealismo: barra sanções que ferem sua soberania, mas sem romper totalmente com o comércio global. O Brasil poderia aprender com esse equilíbrio, em vez de oscilar entre alinhamento automático e confronto gratuito. Falta-nos uma política externa que saiba dizer “não” sem perder de vista os próprios interesses.

Evelyn Olavo

02/05/2026

Ah, Sandra, concordo que equilíbrio é importante, mas equilíbrio com quem cede sempre acaba virando submissão. A China não precisa fazer média porque tem poder de fogo econômico e político, coisa que falta ao Brasil. Enquanto a gente discute se deve ou não alinhar, eles já estão ganhando a guerra comercial na prática.

    Lucas Andrade

    02/05/2026

    Evelyn, o problema é justamente esse fetiche pelo “poder de fogo” como se ele existisse fora das relações de dominação que ele mesmo reproduz. A China não está “ganhando” nada — está replicando a lógica imperialista que diz combater, só que com carvão e tela azul. O Brasil não precisa de equilíbrio nem de submissão, precisa de uma política que recuse o jogo inteiro, não que escolha um time.

Caio Vieira

02/05/2026

Caro Luizinho 16, a sua indignação é compreensível e, em certa medida, compartilho do sentimento de que o Brasil precisa de uma postura mais firme em sua política externa. No entanto, permita-me oferecer uma perspectiva que talvez transcenda o maniqueísmo entre “mandar pastar” ou ser “puxadinho”. O que a China demonstra neste episódio não é mero ato de bravata geopolítica, mas sim a materialização de uma estratégia de hegemonia gramsciana, onde a soberania é exercida não apenas pela força, mas pela construção de um consenso normativo interno que deslegitima a extraterritorialidade das sanções estadunidenses.

A decisão do Ministério do Comércio chinês, ao proibir o reconhecimento de sanções unilaterais, opera no que poderíamos chamar de “contra-hegemonia jurídica”. Enquanto os EUA tentam impor uma ordem global baseada no que Max Weber denominaria de dominação legal-racional com viés imperial, Pequim responde com o que os teóricos do direito internacional crítico chamam de “soberania assertiva”. Não se trata de isolacionismo, mas de uma reconfiguração das regras do jogo. A Hengli Petrochemical e as demais empresas não são meras vítimas; são instrumentos de uma política de Estado que compreende a interdependência econômica como campo de batalha, e não como concessão.

A Mariana Lopes, com sua habitual lucidez, tocou num ponto nevrálgico: o pragmatismo chinês. Mas eu acrescentaria que esse pragmatismo é, na verdade, a expressão de uma ideologia bem articulada — o chamado “socialismo com características chinesas” — que, ao contrário do que muitos pensam, não é um vazio conceitual. É a síntese de uma cultura milenar com uma burocracia estatal weberiana eficiente. No Brasil, padecemos do que Florestan Fernandes diagnosticou como “autocracia burguesa dependente”: nossa burguesia industrial, em vez de liderar um projeto nacional de desenvolvimento, prefere o rentismo e a subordinação ao capital financeiro internacional. A nossa burocracia, como bem lembrou a Miriam, emperra; a chinesa, funciona.

Por fim, é preciso saudar a solidariedade de classe que emerge dessa medida. Ao proteger suas petroquímicas, a China não está apenas defendendo balanças comerciais; está resguardando milhares de trabalhadores e a capacidade de planejamento central de sua economia. É uma lição de que a “cultura popular” — no sentido de projeto de nação — pode sim ser mobilizada para resistir à sanha imperial. O desafio para nós, brasileiros, é construir uma hegemonia própria, que não se restrinja a reagir, mas que proponha um novo horizonte civilizatório. Enquanto isso, fico com a advertência de Antonio Gramsci: “O velho mundo está morrendo, e o novo tarda em aparecer”. Neste interregno, a China mostra que o novo já chegou, e não pede licença para existir.

Sandra Martins

02/05/2026

Pessoal, a China defende o interesse nacional dela, e cada um sabe de si. Mas fico pensando: será que a gente não podia aprender com isso sem cair no extremo de virar “puxadinho” ou de achar que é só mandar os EUA pastar? Equilíbrio e estratégia, como a Mariana Lopes comentou, fazem falta por aqui.

Luizinho 16

02/05/2026

China fazendo o que o Brasil devia ter coragem de fazer: mandar os EUA pastar. Enquanto isso o governo BR continua sendo puxadinho de Washington.

Mariana Lopes

02/05/2026

A China age com pragmatismo: defende seus interesses comerciais sem alarde ideológico. Enquanto isso, no Brasil, a gente fica nesse pingue-pongue entre alinhamento automático e discurso terceiro-mundista, sem uma estratégia clara de desenvolvimento industrial. No fim, quem paga a conta é o consumidor brasileiro com gasolina mais cara e menos competitividade.

Luciana Santos

02/05/2026

Carlos Mendes, você falou tudo. Enquanto a China manda um recado claro pros EUA, aqui o Brasil faz média com todo mundo e no fim fica sem rumo. E a Miriam tem razão: a burocracia chinesa funciona, a nossa só trava.

Miriam

02/05/2026

A China tá certa em não reconhecer sanções unilaterais, isso é o básico de qualquer país que se preze. Enquanto isso, os comentários aqui já tão misturando religião com geopolítica, como sempre. No frigir dos ovos, o que importa é que a burocracia chinesa funciona e a nossa emperra até pra comprar caneta.

Gabriel Teen

02/05/2026

China faz o que quer e a gente aqui pagando imposto até no sonho, Brasil é piada pronta.

Carlos Mendes

02/05/2026

A China faz o que qualquer país soberano deveria fazer: proteger sua indústria. Enquanto isso, o governo brasileiro fica de joelhos para Washington e ainda tributa até o ar que a gente respira. Se o Brasil tivesse 1% da coragem chinesa de defender seu mercado interno, talvez a gente não estivesse vivendo essa farra de impostos e burocracia que mata o empreendedor.

Ana Paula Conserva

02/05/2026

A China está certa em defender sua indústria, mas fico preocupada com o rumo desse mundo sem Deus. Enquanto as nações brigam por petróleo e poder, esquecem que a verdadeira prosperidade vem da família e dos valores cristãos. O Brasil deveria se preocupar mais em proteger suas próprias empresas e menos em importar essas guerras alheias.

    Fernanda Oliveira

    02/05/2026

    Ana Paula, com todo respeito, mas falar em “valores cristãos” enquanto o mundo queima por petróleo e exploração é um discurso que sempre serviu pra justificar opressão, não pra libertar ninguém. Se a gente quer proteger empresas brasileiras, tem que começar entendendo que soberania de verdade não vem de deus nenhum, vem de povo organizado lutando contra imperialismo e racismo estrutural.

João Martins

02/05/2026

Olha, a thread já tem um bom debate sobre soberania versus hipocrisia, e eu queria entrar com um viés mais pragmático. A decisão da China não é sobre “defender a indústria nacional” num vácuo moral, como alguns comentários sugerem, nem é pura “hipocrisia”, como o Eduardo apontou. É uma jogada de xadrez geopolítico baseada em dados concretos. A China é o maior importador de petróleo do mundo e processa uma fatia gigantesca da petroquímica global. Se os EUA conseguissem estrangular financeiramente cinco das suas gigantes do setor, o efeito cascata nos preços de plásticos, fertilizantes e combustíveis na Ásia seria imediato. Pequim está simplesmente dizendo: “não vamos aceitar que uma jurisdição externa dite as regras do nosso mercado interno”. Isso é o básico do direito internacional público, mas também é realpolitik pura.

Agora, o que me incomoda nessa discussão é o tom de “nós contra eles” que ignora os custos reais. Toda sanção, seja ela unilateral ou multilateral, gera atrito econômico. A China barrar o reconhecimento não anula o fato de que essas empresas vão ter dificuldades para operar em dólar, acessar tecnologia americana ou fechar contratos com bancos que têm exposição nos EUA. A decisão chinesa é um escudo legal, mas não elimina o risco real de mercado. Empresas como a Hengli Petrochemical já devem estar reestruturando cadeias de suprimento e buscando alternativas de financiamento em yuan. A pergunta que fica é: qual o custo de eficiência disso? Protecionismo sempre tem um preço, e ele aparece na forma de inflação ou menor competitividade no longo prazo.

Quanto ao argumento da Marta sobre sanções multilaterais versus unilaterais, ela tem um ponto histórico válido, mas a realidade é mais cinza. A China, dentro da ONU, já apoiou sanções contra a Coreia do Norte e o Irã quando lhe convinha. A diferença aqui é que a sanção americana visa diretamente a competitividade industrial chinesa no setor de energia, não uma questão de segurança internacional. É uma guerra comercial disfarçada de medida regulatória. O Brasil, como sempre, fica no meio desse fogo cruzado. A gente importa derivados de petróleo e precisa de investimento estrangeiro. Se o Brasil reconhecer sanções americanas contra empresas chinesas, perde mercado na China; se não reconhecer, pode levar sanções secundárias dos EUA. É um dilema de política externa que exige mais nuance do que “a China está certa” ou “os EUA são imperialistas”.

No fim das contas, acho que a discussão deveria se concentrar menos em torcida organizada e mais em dados. Qual o impacto real dessa medida no fluxo de comércio? As petroquímicas chinesas vão conseguir manter o nível de produção sem acesso a tecnologia de craqueamento a gás dos EUA? E o Brasil, que importa nafta petroquímica da China, vai sentir alta de preços? Essas são perguntas que um comentário de blog raramente responde, mas são as que realmente importam para quem quer entender o jogo. Enquanto isso, o leitor brasileiro médio só vai sentir o efeito no bolso, sem saber se foi por causa de uma sanção de Washington ou de uma contra-medida de Pequim.

Bia Carioca

02/05/2026

A China está certíssima em não reconhecer sanções unilaterais dos EUA. Enquanto isso, no Brasil, a gente fica nessa de achar que tudo que vem de Washington é lei. O Eduardo Nogueira aí em cima reclama de hipocrisia, mas esquece que a diferença é que a China defende a indústria nacional, enquanto aqui a gente entrega o pré-sal de bandeja e ainda paga mais caro na gasolina.

Eduardo Nogueira

02/05/2026

Ana Souza falou em “direito internacional”, mas esqueceu que a China também usa sanções quando convém. Hipocrisia pura. Enquanto isso, o Brasil importa essa briga alheia e o povo paga mais caro na bomba.

    Marta

    02/05/2026

    Eduardo Nogueira, meu filho, senta aqui que a vovó vai te dar uma aula de história. Você disse que a China também usa sanções e chamou de hipocrisia. Pois bem, vamos combinar uma coisa: uma coisa é um país usar sanções dentro de um sistema multilateral, como a ONU, ou como legítima defesa econômica, outra coisa é um país se achar o xerife do mundo e aplicar sanções unilaterais contra quem não segue seus interesses. A China, quando aplica sanções, geralmente é em resposta a alguma provocação ou dentro de acordos comerciais que ela mesma ajudou a construir. Já os Estados Unidos sancionam quem eles quiserem, quando quiserem, inclusive aliados, como a França aprendeu na crise do petróleo iraniano. Isso não é hipocrisia, é assimetria de poder, e você sabe muito bem disso.

    E sobre o Brasil importar briga alheia, aí você tocou num ponto que me dói como professora aposentada. O Brasil não importa briga alheia, Eduardo, o Brasil é que é um país sem projeto nacional, que se curva a Washington desde a Guerra Fria. Enquanto a China constrói autossuficiência energética e protege suas empresas, o Brasil vendeu a Petrobras, entregou o pré-sal e agora chora na bomba de gasolina. O problema não é a China se defender, é o Brasil não se defender. Você devia estar cobrando do nosso governo porque a política externa brasileira virou extensão do Departamento de Estado americano, não criticando a China por fazer o que qualquer país soberano faria.

    E não venha com esse papo de que o povo paga mais caro na bomba por causa da China. O povo paga mais caro na bomba porque a política de preços da Petrobras é atrelada ao dólar e ao mercado internacional, uma herança maldita do governo Temer que o Lula ainda não conseguiu reverter completamente. A China não tem culpa se o Brasil prefere ser fazendinha do agronegócio exportador de commodities a ter uma indústria forte. Enquanto vocês ficam nessa de “hipocrisia chinesa”, o país perde década após década de oportunidades. Acorda, menino, que a história não espera.

Ana Souza

02/05/2026

A Karina foi certeira: soberania de verdade é poder decidir sem levar canetada alheia. O que a China fez é o básico do direito internacional — ninguém é obrigado a reconhecer sanção unilateral de outro país. Agora, se a gente for olhar o histórico, a China também usa sanções quando lhe convém, então o discurso de “defesa da indústria nacional” é só a ponta do iceberg. O jogo geopolítico é pragmático, não moral.

Karina Libertária

02/05/2026

Rodrigo, vc foi cirúrgico. China tá fazendo oq qualquer país sério faria: defender a indústria nacional. Enquanto isso, no Brasil, o povo acha que sanção americana é lei e fica pagando de bonzinho. Quem tem grana investida no exterior sabe que soberania de verdade é poder mandar um “fuck off” pros EUA sem tremer na base.

Rodrigo Meireles

02/05/2026

Pedro, você foi direto: isso nunca foi sobre ideologia, é sobre competitividade. A China está protegendo o próprio setor petroquímico porque sabe que, sem essas empresas, a cadeia interna desaba. Sanção unilateral americana só acelera o movimento deles de buscar autossuficiência — e, francamente, quem paga o pato no fim das contas é o consumidor global.

Pedro

02/05/2026

Sargento, a Célia Carmoa já te deu o troco, mas vou além: esse papo de “comunista americano” é o mesmo que chamar a Faria Lima de socialista. Os caras tão é defendendo o bolso, pura e simplesmente. Enquanto isso, aqui no Brasil, a gasolina sobe e o IPVA não dá trégua. China faz o que qualquer país faria, a gente é que fica nessa novela.

Célia Carmo

02/05/2026

Sargento, “comunista americano” é novidade! Kkkkk Os EUA são a maior potência imperialista do planeta, patrão! China tem todo direito de mandar sanção unilateral pro beleléu. #ForaEUA #SoberaniaJá

Sgt Bruno 🇧🇷

02/05/2026

Selva! China barrando sanção americana é o que tem que fazer mesmo. Esses petroquímicas tão é certas, comunista americano querendo mandar no mundo todo. Brasil que devia aprender e meter o pé no chão também, mas nosso governo é uma melancia, verde por fora e vermelho por dentro.

Cíntia Ribeiro

02/05/2026

A Cecilia Torres tocou no ponto central: a China está exercendo soberania dentro do próprio território, algo que qualquer Estado faria. O que me preocupa é o padrão de escalada — sanções unilaterais geram retaliações que fragmentam cadeias globais e, no fim, quem perde são economias emergentes como a nossa, que dependem de previsibilidade institucional.

Cecília Torres

02/05/2026

O que me impressiona nessa thread é como todo mundo corre pra enquadrar a China em rótulos ideológicos e esquece o óbvio: a decisão de Pequim é uma resposta legal e soberana a sanções que os próprios EUA aplicam sem respaldo multilateral. Hengli Petrochemical não opera em paraíso fiscal nem burla regras — é alvo por competir. Enquanto isso, o Brasil importa diesel chinês e exporta soja, mas nossos comentaristas preferem debater se o Partido Comunista é ou não comunista.

Helton Barros

02/05/2026

Sílvia, a China persegue cristão sim, e isso é grave. Mas nessa briga entre americanos e chineses, o Brasil é sempre o otário que sai perdendo. Enquanto isso, nosso governo gasta tempo com ideologia woke e esquece de defender o interesse nacional. Cadê um presidente que olhe para o Brasil em primeiro lugar?

    Cecília Ramos

    02/05/2026

    Helton, concordo que o Brasil precisa de autonomia, mas esse papo de “ideologia woke” é cortina de fumaça pra desviar do que importa: enquanto a China financia infraestrutura e tira gente da pobreza, nossos governantes ficam nessa guerra comercial que só encarece o pão nosso de cada dia.

Clotilde Pátria

02/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, a China é comunista sim e está mostrando as garras! Enquanto isso o Brasil fica nessa palhaçada de se curvar pros americanos. Já pensou se fosse o Lula fazendo isso? A mídia ia chamar de ditadura! Isso tudo é o fim dos tempos, o mundo virou de ponta-cabeça. Só Deus na causa!

    Augusto Silva

    02/05/2026

    Clotilde, a China não é comunista nem capitalista — é um capitalismo de Estado que deu certo, e o Brasil deveria tomar notas em vez de ficar de joelhos para os EUA. Essa história de “fim dos tempos” é o mesmo papo que repetem desde 1964, enquanto a economia real pede soberania e planejamento.

Silvia Ramos

02/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse povo tudo aplaudindo a China comunista, um país que persegue cristãos e destrói famílias. Enquanto isso, o Brasil se afasta dos valores que realmente importam. “Bem-aventurado aquele que atenta para o pobre; o Senhor o livrará no dia do mal” (Salmos 41:1), mas pobreza não se resolve com ideologia, se resolve com Deus e trabalho honesto.

    Mateus Silva

    02/05/2026

    Silvia, o versículo que você citou é uma arma poderosa, mas ele condena exatamente o que você defende: a redução da pobreza a uma questão moral individual. O capitalismo chinês, por mais contraditório que seja, tirou centenas de milhões da miséria com planejamento e investimento estatal, não com apelo ao trabalho honesto desamparado. Enquanto isso, o Brasil terceiriza a alma nacional para estrangeiros e chama isso de valor cristão.

Tonho Patriota

02/05/2026

ESSA CHINA É COMUNISTA SIM E TÁ CERTA! ENQUANTO ISSO O BOSTIL ENTREGA NOSSO PRÉ-SAL PROS GRINGO FAZ O L

    Renato Professor

    02/05/2026

    Tonho, você acertou em cheio na contradição: a China é comunista sim e defende o capital nacional com unhas e dentes, enquanto nossa elite prefere ser sócia minoritária do estrangeiro. Mas cuidado com a nostalgia militar — o problema não é regime, é projeto de nação, e o Brasil nunca teve um que priorizasse o povo de verdade.

Tiago Mendes

02/05/2026

É bonito ver a China usando o peso econômico que construiu pra se defender, enquanto o Brasil continua sendo passagem de boiada. O problema não é a China defender as empresas dela, é a gente nunca ter aprendido a fazer o mesmo.

Zé do Povo

02/05/2026

CHINA DANDO AULA DE SOBERANIA ENQUANTO O BRASIL ENTREGA TUDO DE BANDEJA! 😡🇨🇳 ESSES ESQUERDISTAS AQUI SÓ SABEM MAMAR NAS TETAS DOS GRINGOS! VOLTA MILITAR JÁ! 🔥

    Lucas Pinto

    02/05/2026

    Zé do Povo, sua indignação com a entrega do patrimônio nacional é legítima, mas o diagnóstico é raso e o remédio que você sugere é pior que a doença. Você identifica corretamente que a elite brasileira sempre agiu como sócia minoritária do capital estrangeiro — João Silva já apontou isso aqui em cima. O problema é que você acha que a saída é “voltar militares”, como se a ditadura empresarial-militar de 1964-85 não tivesse sido justamente o período de maior desnacionalização da economia, com a entrega da indústria automobilística, eletroeletrônica e farmacêutica às multinacionais. O “milagre econômico” foi financiado com dívida externa e dependência tecnológica. A China que você admira hoje não se construiu com generais ufanistas, mas com um partido comunista que nacionalizou os meios de produção, fez reforma agrária, alfabetizou milhões e criou uma burguesia de Estado que negocia de igual para igual com o imperialismo. Enquanto isso, nossa ditadura torturava oposição e abria o mercado para a Coca-Cola.

    Sua fala sobre “esquerdistas mamando nas tetas dos gringos” é uma inversão grotesca da realidade. Quem sempre mamou foi a direita brasileira: os entreguistas do PSDB que privatizaram a Vale e a Telebrás a preço de banana, os liberais que defendem a reforma trabalhista para rebaixar salários e atrair capital estrangeiro, os ruralistas que exportam soja transgênica enquanto o Brasil importa fertilizante. A esquerda, quando esteve no governo, tentou — com todos os limites de uma democracia burguesa — fortalecer a Petrobras, criar campeãs nacionais e construir uma política externa soberana. Foi derrubada justamente por isso, num golpe parlamentar que entregou o pré-sal e desmontou a engenharia nacional. O “volta militar” que você pede é o mesmo que aprofundou a dependência e enterrou gerações de cientistas e engenheiros brasileiros.

    A China não está dando “aula de soberania” por virtude moral, como a Letícia bem lembrou. Ela está defendendo os interesses da sua burguesia de Estado num momento de disputa interimperialista. Mas ela pode fazer isso porque, diferentemente do Brasil, nunca abriu mão do controle estatal sobre os setores estratégicos. Enquanto a Petrobras virou refém de acionistas estrangeiros e do mercado financeiro, a Sinopec e a CNOOC são braços de um Estado que planeja e investe. A soberania chinesa não é fruto de ufanismo ou de discurso inflamado — é resultado de décadas de construção de capacidade industrial, tecnológica e militar, com um partido que entende que poder econômico sem poder político é ilusão. O Brasil, ao contrário, terceirizou a soberania para o FMI, para a OMC e para o Conselho de Segurança da ONU.

    Seu grito de “volta militar” é o sintoma de uma esquerda que morreu e de uma direita que nunca nasceu para a nação. O que o Brasil precisa não é de farda nem de ufanismo barato, mas de um projeto de desenvolvimento que rompa com a dependência — e isso exige luta de classes, reforma agrária, nacionalização do sistema financeiro e controle estatal sobre o comércio exterior. Enquanto você pede milicos, a China constrói ferrovias na África, financia infraestrutura na América Latina e compra a soja brasileira com dólar que a gente nunca vê. A soberania não se defende com hashtag nem com saudosismo golpista. Se defende com poder de classe organizado. E, pelo visto, a única classe que se organiza no Brasil é a que entrega o país.

Marcos Conservador

02/05/2026

Essa China aí é um perigo mesmo, primeiro toma conta da economia global e agora ainda manda nos EUA recuar. Enquanto isso, o Brasil fica nessa lenga-lenga de politicamente correto e perde cada vez mais espaço no mercado internacional. Cadê a nossa soberania pra defender empresa nacional?

    João Silva

    02/05/2026

    Marcos, sua indignação com a falta de defesa da empresa nacional é certeira, mas o problema não é o politicamente correto — é que nossa elite econômica sempre preferiu ser sócia minoritária do capital estrangeiro a construir um parque industrial soberano. Enquanto a China usa seu Estado forte pra blindar a burguesia nacional, aqui a burguesia entrega o patrimônio de bandeja e ainda chama de modernização.

Carlos A. Mendes

02/05/2026

É a velha briga de gigantes. A China age no interesse dela, os EUA no deles, e a gente fica aqui torcendo como se fosse jogo de futebol. No fim das contas, soberania é linda quando convém, mas todo mundo quer o petróleo barato.

Rodrigo RedPill

02/05/2026

China dando show de soberania enquanto o Brasil entrega tudo de bandeja pros gringos. Isso sim é país que entende de geopolítica e não fica de joelhos igual esses esquerdistas que governam aqui. Enquanto isso a galera do “Brasil acima de tudo” continua mamando nas tetas do FMI e dos EUA. Fraquíssimo.

    Letícia Fernandes

    02/05/2026

    Rodrigo, seu entusiasmo com a postura chinesa é compreensível, mas precisamos ir além da superfície geopolítica e do ufanismo reativo. A China não está dando uma “lição de soberania” por virtude moral, mas sim porque sua burguesia de Estado acumulou poder econômico suficiente para desafiar a hegemonia americana sem, no entanto, romper com a lógica do capital. O que vemos não é uma alternativa ao capitalismo, mas uma disputa interimperialista entre duas frações da mesma classe dominante global. Enquanto os EUA usam sanções como instrumento de coerção para manter sua posição no centro do sistema, a China usa sua capacidade produtiva e seu mercado interno como escudo. Ambos, porém, operam dentro da mesma superestrutura de exploração do trabalho, da extração de mais-valia e da financeirização da economia. Aplaudir a China como se fosse um farol anticolonialista é ignorar que o Partido Comunista Chinês é hoje o maior capitalista do mundo, com investimentos em paraísos fiscais, exploração de mão de obra barata em zonas econômicas especiais e uma política externa que, sim, enfrenta os EUA, mas não hesita em oprimir minorias internas ou reprimir movimentos trabalhistas autônomos.

    Você menciona a entrega do Brasil aos “gringos” e critica “esses esquerdistas que governam aqui”. É preciso lembrar que o governo brasileiro, independentemente de ser de direita ou de esquerda, está preso a uma armadilha estrutural: a dependência econômica e financeira forjada pelo colonialismo e aprofundada pelo neoliberalismo. Nossos “esquerdistas” no poder, com raras exceções, nunca ousaram tocar no coração da superestrutura burguesa — o sistema financeiro, a propriedade privada dos meios de produção, a dívida pública. Eles administram a miséria dentro da ordem, enquanto a direita a aprofunda com entusiasmo. A China, por sua vez, não é um modelo para o Brasil porque sua soberania é construída sobre a base de um capitalismo de Estado que, aqui, seria inviável sem uma ruptura radical com o imperialismo e com a própria lógica do capital. O que falta não é “vontade política” ou “coragem”, como você sugere, mas uma compreensão de que a soberania real só é possível quando se rompe com a dependência estrutural, e isso exige muito mais do que trocar um patrão por outro.

    Seu discurso, Rodrigo, ecoa uma certa direita que adora a China quando ela enfrenta os EUA, mas que no fundo deseja o mesmo modelo de capitalismo autoritário e desenvolvimentista, sem nenhuma preocupação com a classe trabalhadora. A “galera do Brasil acima de tudo” que você critica é a mesma que, no fundo, quer um capitalismo nacional forte, mas não questiona a exploração interna. A China não é um exemplo de libertação dos povos; é um exemplo de como a burguesia pode se reorganizar globalmente quando o sistema entra em crise. O que precisamos, aqui e agora, é de uma análise que vá além do maniqueísmo entre “EUA maus” e “China boa”, e que encare a tarefa de construir uma alternativa real ao capitalismo, não apenas uma nova potência imperial. Enquanto isso, o povo brasileiro continua pagando a conta, seja com gasolina a preço de mercado internacional, seja com a ilusão de que um dia seremos a “China do Sul”. Não seremos. Somos periferia, e a periferia só se liberta quando quebra a corrente, não quando troca de corrente.

Francisco de Assis

02/05/2026

Adalberto Livre, você tá coberto de razão! Enquanto a China dá uma aula de soberania e manda os EUA pastar, aqui no Brasil o povo ainda tem que aturar esses alienados que acham que sanção dos gringo é lei. É por isso que o Brasil precisa de um presidente que tenha coragem de enfrentar os americanos, igual o Lula fazia, e não ficar de joelho pra eles.

Adalberto Livre

02/05/2026

ISSO SIM É UM PAÍS QUE RESPEITA A SOBERANIA NACIONAL, DIFERENTE DESSE BANDO DE ENTREGADOR QUE A GENTE TEM AQUI NO BRASIL! CHINA DANDO UMA LIÇÃO NOS AMERICANOS E O NOSSO GOVERNO SÓ LAMBE AS BOTAS DOS CARA.

    Alice T.

    02/05/2026

    Adalberto, concordo que soberania é importante, mas não romantiza a China como se fosse um país socialista — ela é uma potência capitalista de estado que explora trabalhadores tanto quanto os EUA, só que com outro discurso.

Cecília Silva

02/05/2026

Pedro Silva, é isso mesmo, a gasolina subindo e o povo pobre se fudendo enquanto esses países brincam de guerra econômica. China fazendo o que qualquer nação com um pingo de soberania deveria fazer: não aceitar sanção ilegal dos EUA. Enquanto isso, aqui na favela a gente sente no bolso o preço do óleo diesel subindo e o pão nosso de cada dia ficando mais amargo.

Pedro Silva

02/05/2026

Pô, Cíntia, você falou tudo. Esse negócio de sanção virou piada, cada um puxando a sardinha pro seu lado e o povo no meio. A China faz o jogo dela, os EUA fazem o deles, e a gente aqui vendo a gasolina subir.

Silvia D.

02/05/2026

Cíntia, você resumiu bem: o sistema internacional virou um ringue sem juiz. Mas a diferença é que a China está reagindo com base no direito internacional e na OMC, enquanto os EUA usam sanções como arma política há décadas. Como médica, vejo esse jogo de poder afetando diretamente a importação de insumos farmacêuticos e a saúde pública no Brasil. A soberania não é só discurso, é questão de sobrevivência.

Cíntia Alves

02/05/2026

Bastante simbólico ver a China dizendo “não” na cara dura, mas acho que a discussão aqui perdeu um pouco o fio da meada. O problema não é se a China ou os EUA estão certos, é que o sistema internacional virou um ringue onde cada um joga com as regras que lhe convêm. Sanção unilateral é ferramenta de poder, não de direito, e enquanto a gente ficar escolhendo lado moral, o jogo continua o mesmo.

Pedro Almeida

02/05/2026

Samara, você tocou num ponto que acho crucial e que a Mariana desenvolveu bem: a confusão entre planos analíticos. Quando João Batista traz a perseguição religiosa, ele desvia o debate do direito internacional para uma crítica moral que, embora legítima, não anula o fato de que a China está exercendo o que qualquer Estado weberiano faria – defender sua soberania econômica. Lembremos de Maquiavel: o príncipe não pode ser julgado pelos mesmos critérios do indivíduo comum. O problema não é a China defender suas empresas, é a hipocrisia de quem critica a China enquanto aceita passivamente o imperialismo jurídico americano via sanções extraterritoriais.

Samara Oliveira

02/05/2026

João Batista, entendo sua preocupação com a perseguição religiosa, mas não podemos fechar os olhos para o fato de que os EUA usam sanções como ferramenta de dominação há décadas, empobrecendo nações inteiras. Como cristã, acredito que defender a soberania de um povo contra a ganância imperialista também é um ato de justiça. A China não é perfeita, mas dizer não ao bullying econômico americano é, sim, um passo contra a desigualdade global que tanto fere os mais pobres.

João Batista

02/05/2026

John, o seu raciocínio sobre a “espinha dorsal” do Estado é interessante, mas falta aí a dimensão moral. A China pode até defender suas empresas, mas faz isso dentro de um sistema que persegue cristãos e oprime a liberdade religiosa. Enquanto isso, o Brasil se curva a qualquer pressão internacional e ainda importa a agenda progressista que destrói a família. Prefiro um país que tenha Deus como guia, não um Leviatã materialista.

    Mariana Alves

    02/05/2026

    João Batista, você levanta a dimensão moral, e é justamente aí que o seu argumento precisa ser desmontado com cuidado, porque ele confunde dois planos analíticos distintos: a crítica ao sistema político chinês e a defesa da soberania econômica. Ninguém aqui está fazendo apologia ao Partido Comunista Chinês nem ao seu histórico em matéria de liberdades civis. A questão é que, ao reduzir o debate a uma disputa entre “Deus” e “Leviatã materialista”, você escapa do núcleo do problema — que é a lógica do imperialismo contemporâneo. Os EUA não sancionam empresas chinesas porque se importam com perseguição religiosa em Xinjiang; eles sancionam porque a PetroChina e a Sinopec ameaçam o controle estadunidense sobre o mercado energético global. Se o critério fosse liberdade religiosa, Washington teria sancionado a Arábia Saudita décadas atrás. O que está em jogo é a correlação de forças entre potências capitalistas, e não uma cruzada moral.

    Sua defesa de um “país que tenha Deus como guia” é, no fundo, uma saída ideológica que desvia a atenção das contradições materiais. O Brasil se curva a pressões internacionais não porque falta espiritualidade aos nossos governantes, mas porque nossa burguesia associada e dependente não tem projeto nacional autônomo. A agenda progressista que você critica é, em larga medida, a face cultural do neoliberalismo: identitarismo vazio que fragmenta a classe trabalhadora enquanto o capital financeiro segue intacto. A China, com todo o seu autoritarismo, ao menos preserva a capacidade de dizer “não” ao Fundo Monetário Internacional e às sanções unilaterais. Prefiro um Estado que defenda o emprego do petroquímico chinês e o preço do diesel aqui na bomba do que um que se ajoelhe diante de Deus e do mercado ao mesmo tempo.

    Você tem razão em um ponto: a moral importa. Mas a moral que me interessa é a que julga as estruturas de poder pelo que elas fazem com os corpos concretos, e não por declarações de fé. Quantas famílias brasileiras deixaram de comer porque o diesel subiu e o frete encareceu o arroz? Quantos trabalhadores morreram na fila do INSS enquanto o Congresso discutia pauta de costumes? A perseguição a cristãos na China é grave e deve ser denunciada, mas usá-la como cortina de fumaça para não discutir a submissão econômica do Brasil é, no mínimo, uma operação retórica conveniente para quem lucra com o status quo. O Leviatã materialista chinês ao menos entrega crescimento econômico e soberania; o nosso Estado, laico ou teísta, entrega é aumento da miséria.

John Marshall

02/05/2026

Marina, você tocou no ponto central: a questão não é de quem é a bota, mas se o Estado nacional ainda tem espinha dorsal para dizer “não”. A China age como um Leviatã que não abre mão da soberania econômica; o Brasil, desde sempre, prefere o contrato social de Locke, onde o mercado dita as regras e o Estado serve de gerente. O problema não é trocar de patrão, é aceitar que existe patrão.

Luan Silva

02/05/2026

China dando lição de soberania enquanto o Brasil lambe bota de gringo. Brasil acima de tudo, mas cadê o nosso ministério fazendo isso?

    Marina Silva

    02/05/2026

    Luan, Brasil acima de tudo e minha paciência acima de todos, mas trocar tio Sam por tio Xi não é soberania, é só passar a lamber bota de outro dono.

José dos Santos

02/05/2026

Pois é, Carlos, você tocou num ponto que me faz pensar: enquanto a China briga pra proteger as empresas dela, aqui a gente vê o preço do diesel subindo sem parar e o governo parece que não tem muita força pra segurar. Pra mim, que vivo na correria do trânsito e vejo o custo de tudo aumentando, essa briga de gigante só me faz sentir que o brasileiro comum fica sempre no meio do fogo cruzado.

Paulo Rocha

02/05/2026

Mais um capítulo dessa palhaçada globalista. China manda recado pros EUA e faz o que tem que fazer: defende suas empresas. Enquanto isso, aqui no Brasil o governo fica de joelhos pros americanos e ainda chama isso de diplomacia. Brasil pra brasileiros, não pra servir de quintal de ninguém.

    Paulo Ribeiro

    02/05/2026

    Paulo Rocha, concordo com seu incômodo, mas preciso tensionar um pouco essa leitura. Você tocou num ponto central quando falou em “globalista” e “quintal”, mas acho que a armadilha está justamente em reduzir a disputa a uma mera questão de soberania nacional abstrata. O que a China fez não é simplesmente “defender suas empresas” num gesto de afirmação patriótica — é a expressão concreta de um projeto de desenvolvimento que entende o Estado como instrumento de planejamento e resistência à hegemonia imperialista. Gramsci já nos alertava que a hegemonia não se impõe só pela força, mas pela capacidade de fazer com que o dominado aceite a dominação como natural. Os EUA tentam naturalizar a ideia de que sanções são legítimas porque “defendem a democracia”, quando na verdade são mecanismos de asfixia econômica para manter a periferia subordinada. A China, ao barrar essas sanções, está dizendo: não aceitamos essa naturalização.

    O problema do Brasil não é exatamente “ficar de joelhos”, como você coloca — embora haja muito disso, sim —, mas algo mais estrutural. Nossa elite sempre operou como uma burguesia associada e subordinada, como bem analisou Florestan Fernandes. Ela não tem projeto nacional porque seu lucro depende da integração dependente ao capitalismo central. Quando o governo brasileiro não reage a sanções americanas contra empresas parceiras, não é só subserviência diplomática: é a manifestação de uma lógica de classe que vê na aliança com o imperialismo a única via possível. A China, por outro lado, construiu um partido-Estado que consegue disciplinar seu capitalismo e direcioná-lo para interesses de longo prazo. Não é um paraíso socialista, longe disso — há exploração, contradições de classe e um autoritarismo que precisamos criticar —, mas é um exemplo de que é possível usar o Estado para não ser mero exportador de commodities e importador de decisões geopolíticas.

    Mariátegui dizia que o problema do indigenismo na América Latina não se resolvia com integração ao mercado mundial, mas com uma revolução que partisse de nossas próprias bases materiais. Trazendo para hoje: enquanto não rompermos com a lógica de que nosso papel é fornecer soja, minério e carne para o mundo enquanto aceitamos calados as sanções que os EUA impõem a quem ousa desafiar sua ordem, continuaremos sendo exatamente aquilo que você denuncia: quintal. Mas cuidado com o discurso “Brasil para brasileiros” se ele não vier acompanhado de uma crítica ao capitalismo dependente e à nossa própria burguesia compradora. Não basta xingar o globalismo abstrato — é preciso entender que a globalização que nos subordina é a do capital financeiro, e não a da cooperação entre povos. A China entendeu isso e age de acordo. Nós, aqui, ainda estamos debatendo se devemos ou não ter uma política industrial soberana enquanto entregamos a Petrobras e o pré-sal de bandeja.

    João Augusto

    02/05/2026

    Paulo Rocha, a sua indignação tem um núcleo legítimo, mas o termo “globalista” é uma categoria analítica vazia que escamoteia a natureza estrutural do imperialismo. A China não desafia a ordem liberal por idealismo, mas porque sua burguesia de Estado acumulou força suficiente para disputar a hegemonia dentro do próprio sistema — o que Walter Benjamin chamaria de “barbárie” travestida de progresso técnico. O problema brasileiro não é apenas ajoelhar-se, é não ter um projeto nacional-popular que articule soberania com justiça social, algo que nem a direita nem a esquerda institucional oferecem hoje.

    Lucas Gomes

    02/05/2026

    Paulo Rocha, sua indignação tem razão de ser, mas cuidado para não trocar um imperialismo por outro: a China barra sanções para proteger suas petroquímicas, não a Amazônia ou os povos indígenas. Enquanto isso, o Brasil segue exportando soja transgênica e minério a céu aberto, de joelhos para qualquer comprador que pague em dólar.

    Carlos Oliveira

    02/05/2026

    Paulo, sua indignação com a subserviência diplomática é justa, mas precisamos tomar cuidado para não cair num ufanismo ingênuo: a China defende suas petroquímicas porque elas são parte do seu projeto nacional de desenvolvimento, enquanto aqui no Brasil o Estado se curva ao agronegócio exportador e entrega nossa soberania energética e alimentar de bandeja. A lição que fica não é trocar de patrão, mas construir um projeto de país que priorize o povo brasileiro, não os lucros das multinacionais.


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