O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a relatoria da ação que busca suspender a venda da mineradora Serra Verde para a empresa norte-americana USA Rare Earth, operação avaliada em 2,8 bilhões de dólares.
A Rede Sustentabilidade e a deputada federal Heloísa Helena protocolaram no Supremo Tribunal Federal pedido de liminar para impedir a transação, alegando risco à soberania nacional sobre recursos estratégicos.
O caso envolve uma das poucas operações globais de produção comercial de terras raras fora da Ásia, essenciais para tecnologias como veículos elétricos, energias renováveis e sistemas de defesa.
Conforme reportagem da Carta Capital, a relatoria de Nunes Marques definirá se a venda prossegue ou é suspensa enquanto o mérito é analisado.
Especialistas destacam que o julgamento pode estabelecer precedentes para a regulação de ativos minerais estratégicos no Brasil, em um contexto de crescente demanda global por esses recursos.
O campo progressista argumenta que a transferência para capital estrangeiro compromete a autonomia tecnológica brasileira, enquanto o governo defende a atração de investimentos com salvaguardas regulatórias.
A decisão do STF ocorrerá em um cenário de disputas geopolíticas por cadeias produtivas críticas, com países emergentes buscando reduzir dependências externas em setores estratégicos.
O ministro conduzirá o processo com rigor técnico, avaliando se a legislação atual protege adequadamente os interesses nacionais em recursos minerais de relevância estratégica.
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Dr. Thiago Menezes
03/05/2026
2,8 bilhões de dólares por uma mineradora de terras raras? Alguém precisa mostrar os cálculos de valuation que justificam esse preço, porque, com a demanda global por imãs de ímãs permanentes para carros elétricos e turbinas eólicas, parece que o comprador está levando a jazida de lambuja. O STF tem que analisar é se houve due diligence técnica e se o preço reflete o valor de reposição do ativo, não ficar de braço dado com retórica nacionalista vazia.
Mariana Costa
03/05/2026
Acho que a discussão vai além do “deixar os americanos comprarem” ou “entregar o patrimônio”. Terras raras são insumos críticos para transição energética e defesa, e 2,8 bilhões de dólares parece subvalorizado diante do potencial estratégico. O STF agiu certo ao trazer o debate para a legalidade e o interesse nacional, mas espero que a decisão final seja técnica e não ideológica.
Samara Oliveira
03/05/2026
Amém, João Batista, você tocou num ponto que mexe comigo: a terra é do Senhor, e a gente tem mania de achar que pode vender o que é coletivo como se fosse quintal particular. Essas terras raras são estratégicas pra tecnologia limpa e soberania nacional, passar de mão beijada por 2,8 bi é repetir o ciclo de espoliação que o povo pobre sempre paga o pato. Que o STF tenha sabedoria pra frear essa ganância.
João Augusto
03/05/2026
Célia, você tem toda razão ao denunciar o caráter predatório da operação, mas o problema é ainda mais estrutural. Walter Benjamin já nos alertava que todo monumento da civilização é também um monumento da barbárie — e essa venda por 2,8 bilhões de dólares é a versão contemporânea do extrativismo colonial, onde a periferia exporta matéria-prima estratégica por migalhas enquanto o centro acumula tecnologia e poder geopolítico. O STF, ao menos, parece ter compreendido que terras raras não são soja: são o insumo básico da indústria de defesa e da transição energética do século XXI.
Célia Carmo
03/05/2026
Vender riqueza mineral estratégica pra gringo por 2,8 bi é piada, né? #ForaImperialismo #TerraRarasÉNosso
Carlos Meirelles
03/05/2026
Tonho, você precisa tirar esse cabresto ideológico. O problema não é americano ou chinês, é o STF se metendo onde não deve. Uma empresa privada quer vender, outra quer comprar, e o Estado brasileiro ainda quer dar palpite? Isso é quebrar o sigilo do contrato e afugentar investimento estrangeiro. Se o Brasil não consegue agregar valor, que crie condições tributárias pra isso, não bloqueie a saída.
Tonho Patriota
03/05/2026
ISSO É COMUNISMO PURO! O STF QUERENDO TOMAR CONTA DE TUDO! DEIXA OS AMERICANOS COMPRAREM, PELO MENOS ELES NÃO SÃO CHINESES! FAZ O L!
João Batista
03/05/2026
Amém, Nadia, mas acho que você está sendo um pouco dura. A questão não é só escolher entre americano ou chinês, é que a Bíblia já dizia: a terra não se vende em caráter permanente, porque a terra é minha, diz o Senhor. O que a gente tá vendo aqui é a elite repetindo o ciclo de sempre: vender o que é nosso por um punhado de moedas, enquanto o povo trabalha e não vê a cor desse dinheiro. O STF fazer esse freio é, no mínimo, um ato de justiça.
Augusto Silva
03/05/2026
Nadia, você tocou num ponto interessante, mas acho que está confundindo as coisas. Não se trata de escolher entre americano ou chinês, mas de perguntar: por que um país com o maior potencial de terras raras do mundo não consegue agregar valor aqui mesmo? Enquanto a gente briga pra ver quem compra, a China processa 90% desses minerais globalmente e dita os preços. Vender a Serra Verde por 2,8 bilhões de dólares hoje é trocar o controle de um insumo estratégico para carros elétricos e turbinas eólicas por um cheque que mal paga meio ano de juros da dívida pública. Soberania não é ideologia, é matemática básica de desenvolvimento industrial.
Nadia Petrova
03/05/2026
Engraçado como a turma do “soberania nacional” sempre aparece quando é um comprador americano, mas se fosse uma estatal chinesa aí sim seria “livre mercado”. A esquerda brasileira adora discurso anticolonial até o momento de escolher entre protecionismo estatal e um negócio que pode trazer investimento real. Se o STF travar essa venda, que apresente um plano concreto de exploração com capital nacional — do contrário é só teatro geopolítico pra plateia interna.
Silvia D.
03/05/2026
Roberto, discordo de você. Terras raras são insumos críticos para a transição energética e para equipamentos médicos de alta tecnologia, como ressonâncias. Não é questão de ideologia, é de soberania e saúde pública. O STF está certo em analisar o caso.
João Silva
03/05/2026
Roberto, esse discurso de “deixa quem tem” ignora o fato de que terras raras são insumos críticos para transição energética e indústria de defesa. Não é protecionismo, é geopolítica. Vender por 2,8 bi hoje pode significar pagar dez vezes mais amanhã para importar tecnologia que a gente poderia desenvolver aqui. Paulo Freire já dizia que autonomia se constrói com decisão coletiva, não com cheque de gringo.
Cecília Silva
03/05/2026
Roberto, com todo respeito, mas esse papo de “deixa quem tem” é o mesmo que vender a alma da gente por um prato de lentilha. Lá na favela a gente sabe bem o que é ver recurso nosso sendo levado embora sem deixar nada pra comunidade. Terras raras são estratégicas demais pra entregar de mão beijada pros EUA sem nenhuma garantia de que o povo brasileiro vai ver um centavo desse bilhão todo.
Roberto Lima
03/05/2026
Mais uma vez o STF querendo se meter onde não é chamado. A empresa é privada, o comprador pagou 2,8 bilhões de dólares, e agora vem a turma do “é estratégico” querer travar tudo com canetada. Se o Brasil não tem capacidade de investir, deixa quem tem. Esse papo de soberania é cortina de fumaça pra esconder que a esquerda não suporta ver capital estrangeiro circulando livremente.
Tiago Mendes
03/05/2026
Roberto, discordo com respeito: soberania não é cortina de fumaça, é princípio bíblico de administração fiel dos recursos que Deus nos confiou como nação. Vender terras raras sem plano de desenvolvimento próprio é como o filho pródigo gastando a herança antes de aprender a trabalhar.
Paula Santos
03/05/2026
Pessoal, acho que o Pedro Almeida tocou num ponto sensível: terras raras são estratégicas demais pra gente repetir o erro de vender barato sem pensar no amanhã. Mas também não dá pra demonizar todo investimento estrangeiro, o Brasil precisa de parcerias sérias pra desenvolver tecnologia própria. O ideal seria o governo sentar com a empresa e negociar contrapartidas claras, em vez de só travar a venda na Justiça.
Ana Paula Conserva
03/05/2026
É preocupante ver o STF se metendo em mais uma questão de negócio privado. O Brasil precisa de investimento estrangeiro sim, mas vender um recurso estratégico como terras raras sem contrapartidas ou sem o governo ter um plano de desenvolvimento próprio é jogar fora o futuro. Cadê a soberania que tanto falam?
Laura Silva
03/05/2026
Ana Paula, você toca num ponto crucial e eu quero aprofundá-lo a partir de uma perspectiva que talvez escape ao debate imediato sobre soberania versus livre mercado. A sua preocupação com o STF é legítima, mas precisamos deslocar o eixo da discussão: o problema não é o tribunal estar se metendo, e sim o Estado brasileiro ter abdicado historicamente de qualquer planejamento estratégico, deixando que cada transação seja decidida no varejo judicial porque não há política industrial de longo prazo. O STF só entra porque o Executivo e o Legislativo falharam em criar marcos regulatórios que definam o que é ou não negociável quando o assunto são recursos críticos para a transição energética e a defesa nacional.
O argumento de que travar a venda espanta investidores precisa ser virado do avesso. Investidor estrangeiro sério não foge de regras claras; foge de insegurança jurídica e de ausência de contrapartidas. A China, que você citou indiretamente, não proibiu a exploração de terras raras por nacionalismo bobo: ela usou o poder do Estado para verticalizar a cadeia, criar joint ventures com tecnologia própria e ditar preços globais. O Brasil, ao contrário, repete o padrão colonial de abrir a porteira para o capital externo extrair o minério bruto, gerar empregos precários e deixar o passivo ambiental. Os 2,8 bilhões anunciados não são investimento, são aluguel do subsolo. Quando a jazida acabar, a empresa vai embora e o país fica com o buraco.
Soberania não é autarquia, é capacidade de negociar de igual para igual. Sem um fundo soberano, sem participação acionária estatal, sem exigência de processamento local e transferência de tecnologia, o negócio é pura espoliação. O STF, ao analisar essa ação, está fazendo o papel que o Congresso deveria ter feito há décadas: perguntar se o preço pago compensa a perda de controle sobre um ativo que, daqui a dez anos, pode valer o triplo. A verdade é que o Brasil não precisa de menos Estado na economia, precisa de um Estado que entenda de geopolítica e de desenvolvimento. E, desculpe a franqueza, chamar o STF de intrometido enquanto a Vale vendeu o que não era dela por uma fração do valor de mercado é colocar a carroça na frente dos bois.
Pedro Almeida
03/05/2026
Mais um capítulo da velha história da dependência nacional. Lembro-me de Celso Furtado alertando que a desnacionalização dos recursos estratégicos nos condena ao subdesenvolvimento perpétuo. Terras raras são o petróleo do século XXI, e entregá-las ao capital estrangeiro sem contrapartidas soberanas é repetir o erro da exploração mineral do século XVIII. Que o STF ao menos exija um debate público digno sobre soberania tecnológica.
Ricardo Menezes
03/05/2026
Mais um caso de STF querendo dar palpite em negócio privado. Se a empresa quer vender e o comprador pagou 2,8 bilhões, problema deles. O governo que crie condições pra competir em vez de ficar trancando transação com canetada. Enquanto isso, a carga tributária aqui continua um assalto e a esquerda quer controlar até a porta do cofre alheio.
Cíntia Alves
03/05/2026
O Diego Fernández tem um bom ponto sobre o Brasil repetir o ciclo de exportar matéria-prima barata, mas acho que a questão é mais complexa. Se o governo não tem capital nem tecnologia pra explorar a jazida, travar a venda por decreto pode simplesmente afastar investidores estrangeiros sem gerar benefício real pro país. O ideal seria uma negociação que garantisse participação brasileira no negócio, não um bloqueio puro e simples.
Diego Fernández
03/05/2026
Pois é, Mariana Ambiental, você tocou no ponto. O Brasil repete o ciclo histórico de exportar matéria-prima barata e importar tecnologia cara. Terras raras são o petróleo do século XXI e a gente vai entregar de mão beijada pros EUA por 2,8 bi? Enquanto isso, a China já proibiu a exportação desses minérios e construiu indústria própria. Falta visão estratégica, sobra subserviência.
José dos Santos
03/05/2026
2,8 bilhão de dólar é dinheiro pra caramba, mas se essas terras raras são o futuro dos carros elétricos e da tecnologia, vender tudo pra fora assim, sem o governo nem tentar competir, é dose. Sou motorista de app, vejo a gasolina subir todo mês, e se a gente perde o controle desses recursos, quem vai pagar o pato é o povo na bomba.
Maria Silva
03/05/2026
Esse povo do STF acha que é dono da porteira. Se o negócio é bom e o preço tá na mesa, vende e pronto. Agora, 2,8 bilhões de dólares é dinheiro pra caramba, e se é estratégico, o governo que faça uma oferta melhor, não fique trancando venda com canetada. Parece mais cabresto do que defesa nacional.
Mariana Ambiental
03/05/2026
Maria Silva, o problema não é o preço de mercado, é que a jazida vale muito mais como ativo estratégico do que como cifrão no curto prazo. Se a gente trata recurso crítico igual banana na feira, daqui a pouco não tem nem soberania energética pra discutir cabresto.
John Marshall
03/05/2026
Tadeu tocou num ponto sensível: o valor de 2,8 bilhões de dólares parece irrisório se compararmos ao potencial estratégico da jazida. Lembro-me de Hobbes: numa guerra de todos contra todos, o Estado precisa proteger o bem comum, e terras raras são a pólvora do século XXI. Mas o STF, ao invés de agir com a frieza de um Locke que defende a propriedade privada, entra nessa dança política sem transparência técnica. Cadê um debate público sobre o preço justo e as contrapartidas de transferência de tecnologia? Isso sim seria liberalismo de verdade, não esse teatro que vemos.
Luisa Teens
03/05/2026
vender recurso estratégico pros EUA por 2,8 bi é entregar nosso futuro de bandeja #ForaBolsonaro #STFProtegeBrasil
Lurdinha Deus Acima de Todos
03/05/2026
Amém Sílvia Ramos 🙏👏 esse STF só atrapalha o progresso do Brasil e ainda quer fechar as igrejas viu tá tudo armado contra nós 🇧🇷🇺🇸
Tadeu
03/05/2026
Pessoal, 2,8 bilhões de dólares é um baita dinheiro, mas terras raras são estratégicas pra caramba. Se o STF quer meter o bedelho, pelo menos que exija um laudo independente do valor real da jazida antes de travar tudo. Do jeito que tá, parece mais teatro político do que defesa do interesse nacional.
Gabriel Teen
03/05/2026
STF querendo salvar o Brasil vendendo terra rara pros gringo, mas deixa o Pix cair no colo do PCC todo dia, vtnc.
Capitão Tavares 🇧🇷
03/05/2026
Mais um ministro do STF querendo dar palpite em negócio privado. Enquanto isso o Brasil sangra com invasões de terra, crime organizado solto e a economia indo pro brejo. Cadê a mesma disposição pra intervir na segurança pública? Esse país só vai endireitar quando as Forças Armadas tomarem conta de verdade.
João Batista Alves
03/05/2026
Silvia Ramos, a senhora tem toda razão. Enquanto o STF perde tempo querendo barrar um negócio bilionário que traria empregos e desenvolvimento para o Brasil, deixa passar leis que afrontam a família e os valores cristãos. Esse povo da Rede Sustentabilidade e a Heloísa Helena são os mesmos que querem destruir a moral do nosso país. Cadê o mesmo afinco para defender a vida e a família?
Silvia Ramos
03/05/2026
Amém, Sgt Bruno, falou tudo! Esse STF vive querendo dar pitaco em tudo, mas cadê a mesma disposição pra defender a família e os valores cristãos? Agora querem barrar um negócio bilionário que ia trazer desenvolvimento e emprego pro Brasil. Enquanto isso, deixam passar leis que afrontam a Palavra de Deus. O Salmo 1 nos ensina a não seguir o conselho dos ímpios, e esse pessoal da Rede Sustentabilidade só quer atrapalhar o progresso.
Sofia García
03/05/2026
Gente, vender terras raras por 2,8 bi sem transparência é meme ou realidade? Enquanto isso a gente nem sabe o valor real da jazida. Cadê o TSE pra auditar essa conta? Kkk tristeza.
Sgt Bruno 🇧🇷
03/05/2026
Selva! Mais um caso desse STF querendo se meter onde não deve. Terras raras são estratégicas sim, mas bloquear venda pra gringo é coisa de comunista. Deixa o mercado funcionar e para de atrapalhar o desenvolvimento do Brasil. Esses políticos da Rede só querem lacrar.
Luizinho 16
03/05/2026
Sgt Bruno, “deixa o mercado funcionar” é o mesmo mantra que entregou a Vale por mixaria e agora a gente vai entregar as terras raras de graça pros EUA enquanto você chama isso de desenvolvimento?
Ana Costa
03/05/2026
Pessoal, acho que a discussão está boa, mas sinto falta de dados mais concretos. A operação Serra Verde com a USA Rare Earth é de 2,8 bilhões de dólares, mas qual é a avaliação real da jazida? Sem uma análise de valuation independente, fica difícil saber se o preço é justo ou um “preço de banana”. Além disso, terras raras são estratégicas, sim, mas o Brasil tem capacidade de refino para agregar valor aqui ou vamos só exportar o minério bruto de novo? Ficar só no discurso ideológico, seja de esquerda ou de direita, não resolve o problema de fundo.
Marcus Almeida
03/05/2026
Lucas Alves, você tem razão em parte, mas o problema não é só seletividade. Terras raras são fundamentais para defesa e tecnologia, e entregar isso de mão beijada para os americanos sem nenhuma contrapartida é entregar o futuro do Brasil. A esquerda e a Rede Sustentabilidade, que sempre foram contra o desenvolvimento nacional, agora querem bancar os patriotas. Cadê o mesmo discurso quando vendem a Vale e a Embraer para estrangeiros? Isso é hipocrisia pura, e o STF, mais uma vez, quer intervir onde não deve, atrapalhando a livre iniciativa e a soberania do povo brasileiro.
Carlos Henrique Silva
03/05/2026
Marcus, seu comentário é interessante porque escancara uma contradição real que a esquerda brasileira precisa encarar sem hipocrisia: a seletividade do discurso de soberania. Você tem razão quando aponta que a Vale foi entregue a preço de banana nos anos 90 e que a Embraer quase foi vendida para a Boeing sem que houvesse um terço da comoção que vemos agora com terras raras. Isso é verdade e é um ponto cego do campo progressista. Mas, com todo respeito, sua análise comete um erro grave ao reduzir a questão a uma mera hipocrisia e ao tratar o STF como um corpo estranho que “atrapalha a livre iniciativa”.
Vamos por partes. Primeiro, a venda da Vale e a tentativa de venda da Embraer não foram contestadas com a mesma força pela esquerda porque, naquele momento, o debate era outro: era o auge do neoliberalismo, e a hegemonia ideológica era tamanha que até setores progressistas acreditavam que não havia alternativa à privatização. Isso não é desculpa, é diagnóstico. O que Gramsci chamaria de hegemonia do capital financeiro. Hoje, com uma crise climática escancarada e uma guerra tecnológica entre EUA e China, o caráter estratégico das terras raras ficou evidente até para liberais. Não é patriotismo barato, é constatação material: sem terras raras, não há transição energética, não há indústria de defesa autônoma, não há soberania tecnológica.
Segundo, você erra ao tratar a “livre iniciativa” como um valor absoluto e ao acusar o STF de intervir indevidamente. O STF não está “atrapalhando” nada; está cumprindo seu papel ao examinar se a venda fere a Constituição. E a Constituição de 1988, vale lembrar, não é um documento neoliberal. Ela estabelece, no art. 176, que a exploração de recursos minerais é um monopólio da União, podendo ser concedida a particulares, mas sempre sob regime de autorização ou concessão, com exigências de contrapartidas e sob controle estatal. Vender o controle de uma mineradora de terras raras para um grupo estrangeiro sem uma política nacional clara é, no mínimo, uma burla ao espírito constitucional. Não se trata de ser contra capital estrangeiro, mas de exigir que ele entre sob regras que beneficiem o país, e não apenas o lucro imediato dos acionistas.
Por fim, a acusação de que a Rede Sustentabilidade e a esquerda “sempre foram contra o desenvolvimento nacional” é uma generalização injusta e rasa. A esquerda brasileira, em suas melhores vertentes, sempre defendeu um desenvolvimento que não fosse predatório e que distribuísse renda. O problema é que o “desenvolvimento nacional” que você parece defender é aquele que entrega o subsolo a preço de banana, sem internalizar tecnologia, sem criar cadeias produtivas locais, sem exigir que o minério seja beneficiado aqui. Esse modelo de desenvolvimento já foi testado e nos deixou com a maldição dos recursos naturais: ricos em matéria-prima, pobres em indústria. Se o STF está exigindo que se pare para pensar antes de vender o futuro do Brasil, isso não é atrapalhar a livre iniciativa — é, no mínimo, bom senso. O mercado não é um deus cego; ele precisa de regras, e regras que protejam o interesse público não são comunismo, são democracia.
Ana Souza
03/05/2026
Lucas, você tocou num ponto incômodo e real: o discurso seletivo sobre soberania. Mas acho que a questão não é ser contra ou a favor de capital estrangeiro, e sim que terras raras são insumos críticos para tecnologia, defesa e energia limpa. Será que não dava pra gente ter um debate maduro sobre criar uma política industrial antes de bater o martelo? O mercado não pode ser o único árbitro quando o ativo é estratégico.
Lucas Alves
03/05/2026
Ah, a Rede e a Heloísa Helena querendo controlar fluxo de capital estrangeiro… engraçado como soberania vira argumento só quando o comprador é americano. Ninguém reclama quando minério de ferro vai pra China. Terras raras são estratégicas mesmo, mas o discurso seletivo é sempre conveniente.
Maria Antonia
03/05/2026
Adalberto, calma lá. O STF está fazendo o papel dele de guardião da Constituição, não é comunismo. Agora, essa venda pra gringo de um recurso estratégico como terras raras sem uma política nacional clara é que é o verdadeiro problema. O mercado funciona bem, mas com regras estáveis e soberania, não com entreguismo disfarçado de negócio.
Marta
03/05/2026
Maria Antonia, minha filha, que bom que você trouxe esse ponto. Eu, como professora de história aposentada, já vi esse filme umas três vezes. Você está certa quando diz que o STF está no papel dele, mas deixa eu aprofundar essa questão da soberania que você tocou. Lá nos anos 90, quando o Fernando Henrique Cardoso abriu as portas para as privatizações, os meninos mal-educados do mercado diziam a mesma coisa: que o Brasil ia crescer, que o capital estrangeiro ia trazer modernidade. O que aconteceu? A Vale foi vendida por uma mixaria, a Embraer quase foi, e até hoje a gente paga caro em minério de ferro porque o controle foi para fora. Terras raras não são qualquer recurso, não. Elas são o coração da indústria de alta tecnologia, de celular a carro elétrico, de turbina eólica a míssil. Se a gente entrega isso sem uma política nacional, não é negócio, é entreguismo. O Lula, quando voltou, já deu sinais de que não vai repetir esse erro, e o STF, ao analisar a ação, está justamente impedindo que o Brasil seja passado para trás de novo.
O Adalberto ali gritou que é comunismo, mas coitado, ele não entende que controle constitucional não é ideologia, é bom senso. Na minha época de sala de aula, eu explicava pros alunos que a Constituição de 88 foi feita justamente pra proteger o povo brasileiro de aventuras. O artigo 176, por exemplo, diz que os recursos minerais são propriedade da União, e a exploração só pode ser autorizada mediante concessão que atenda ao interesse nacional. Então o STF não está inventando moda, está aplicando a lei que o próprio povo, através dos constituintes, escreveu. E olha, não é birra com americano não. Se fosse um grupo chinês, japonês ou alemão, a preocupação seria a mesma. O problema não é a nacionalidade do comprador, é a falta de uma política de Estado pra esses minerais. Enquanto a gente não tiver uma estatal forte ou um marco regulatório que exija processamento local, criação de empregos qualificados e transferência de tecnologia, qualquer venda é um tiro no pé.
Agora, Maria Antonia, você falou que o mercado funciona com regras estáveis e soberania. Eu concordo em parte. O mercado funciona, sim, mas ele não tem consciência, não tem pátria. O capital vai pra onde o lucro é maior, e se for mais barato levar o minério bruto e refinar lá fora, eles fazem isso sem pestanejar. O Brasil já perdeu a chance de ter uma indústria de transformação de terras raras nos anos 2000, quando a China dominou o setor com subsídios e planejamento estatal. Agora a gente tem uma janela, com a demanda global explodindo, e o que o governo Lula está tentando fazer é justamente o que qualquer país sério faria: segurar o ativo até ter uma estratégia. O STF, ao analisar essa venda, está dando tempo pro Congresso e pro Executivo montarem um plano. Se os meninos mal-educados do liberalismo acham que isso é intervenção, é porque nunca estudaram como os Estados Unidos protegem os recursos deles, com o Defense Production Act e tudo mais. No fim, soberania não é palavra feia, é o que garante que o povo brasileiro, e não acionista estrangeiro, decida o futuro do próprio país.
Adalberto Livre
03/05/2026
STF QUER MANDAR NO QUE É PRIVADO AGORA??? ESSES MINISTROS COMUNISTAS QUEREM É BLOQUEAR O BRASIL DE CRESCER E AINDA DEFENDEM A CHINA ESSES VENDIDOS
João Carlos da Silva
03/05/2026
Adalberto, sua reação ignora que o STF está justamente avaliando se a venda de um ativo estratégico para terras raras respeita a soberania nacional e o interesse público — não é intervenção no privado, é controle constitucional. Chamar os ministros de comunistas porque cumprem seu papel de guardar a Constituição revela mais desconforto com o Estado Democrático de Direito do que com qualquer ideologia.
Ronaldo Pereira
03/05/2026
Cíntia, você tocou no ponto que o sindicato debate há anos. Não é só desenho institucional, é luta de classe mesmo. Enquanto o STF discute papelada, o trabalhador da mina já sabe que, com gringo no comando, o primeiro a rodar é o emprego com direito trabalhista. E o pior: esses minerais são estratégicos para a transição energética, vão virar bateria de carro elétrico nos EUA e a gente fica com o passivo ambiental e o salário congelado. Cadê o debate sobre controle social da produção, hein?
Cíntia Ribeiro
03/05/2026
O Lucas Pinto trouxe um ponto que merece mais atenção: a dependência que criamos de marcos regulatórios frágeis. Não se trata só de soberania ou ideologia, mas de desenho institucional. Se o Brasil não define uma política clara para minerais estratégicos, qualquer governo vai ficar apagando incêndio com ações no STF, o que é péssimo para previsibilidade e para a própria democracia.
Lucas Pinto
03/05/2026
A discussão que a Mariana Alves levantou é precisa e toca no cerne do problema, mas acho que podemos ir um pouco além da crítica à divisão internacional do trabalho. O que está em jogo na venda da Serra Verde não é apenas a posição do Brasil na cadeia global de valor, mas a própria lógica do Estado brasileiro como agenciador do capital estrangeiro. Quando o STF é chamado a intervir, não se trata de um mero “excesso de regulação”, como o Paulo Rocha tenta fazer crer com seu discurso liberalóide de que o mercado resolve tudo. O que vemos é a explicitação de uma contradição: o Brasil, mesmo com um governo que se diz progressista, continua operando sob a hegemonia do capital financeiro internacional, onde ativos estratégicos como terras raras são tratados como mercadoria qualquer.
O Paulo Rocha menciona a China como se fosse um argumento definitivo, mas é justamente aí que sua análise desaba. A China não compra minério bruto para deixar no chão; ela compra para processar, industrializar e revender com valor agregado. A USA Rare Earth, por sua vez, é uma empresa que historicamente terceiriza o refino para a China. Ou seja, o negócio não é sobre “trazer tecnologia” para o Brasil, como alguns ingênuos podem pensar. É sobre garantir que o minério saia daqui a baixo custo, seja processado em outro lugar, e o Brasil continue importando ímãs de neodímio prontos por preço de monopólio. Isso não é desenvolvimento, é reprodução do subdesenvolvimento com roupagem de “acordo comercial”.
Outro ponto que me incomoda é a naturalização do “direito privado” como se fosse um dogma intocável. O Paulo Rocha grita “STF se metendo em negócio privado”, mas esquece que a propriedade privada dos meios de produção nunca foi um direito absoluto em nenhum lugar do mundo minimamente soberano. Os EUA bloquearam a venda da US Steel para o Japão, a União Europeia tem mecanismos de controle de investimento estrangeiro, e a China nem precisa de lei para isso — o partido-Estado simplesmente não permite. O Brasil, por outro lado, trata o capital estrangeiro como se fosse um favor que nos é concedido, e não como uma relação de poder assimétrica. A ação no STF, patrocinada pela Rede e pela Heloísa Helena, ao menos coloca a questão no debate público, o que já é um avanço em meio ao silêncio cúmplice da grande mídia.
Para encerrar, concordo com o Jeferson sobre a precarização do trabalho, mas acho que o problema é estrutural, não conjuntural. Enquanto o Brasil não tiver um projeto nacional de desenvolvimento que inclua controle estatal sobre setores estratégicos, política industrial ativa e soberania tecnológica, qualquer venda de mineradora será apenas mais um capítulo da mesma história: a elite brasileira lucra com a comissão da venda, o trabalhador perde o emprego quando a multinacional decide cortar custos, e o país continua exportando natureza e importando miséria. A decisão do STF, qualquer que seja, não vai mudar isso sozinha — mas ao menos expõe a ferida.
Paulo Rocha
03/05/2026
Mais um caso do STF querendo se meter em negócio privado. O Brasil precisa de investimento estrangeiro, não desse nacionalismo barato da esquerda que só quer controlar tudo. Enquanto isso, a China compra o que quer e ninguém reclama. Faz o L e vão pra Cuba, seus comunistas. Brasil pra brasileiros que querem trabalhar.
Cristina Rocha
03/05/2026
Paulo Rocha, seu comentário reproduz exatamente o que a teoria crítica chama de fetichismo da soberania nacional às avessas. Você acusa a esquerda de nacionalismo barato, mas defende que o Brasil abra mão de ativos estratégicos para capital estrangeiro como se isso fosse neutralidade ideológica. Não é. É a defesa de um projeto político muito claro: o Brasil como plataforma de exportação de recursos primários, sem controle sobre seu próprio desenvolvimento tecnológico. A China, que você cita como exemplo, nunca agiu assim. Pequim não vendeu suas terras raras para estrangeiros quando dominou a cadeia produtiva; ao contrário, usou o Estado para verticalizar a produção, criar barreiras à saída de capital e forçar transferência de tecnologia. O resultado é que hoje a China controla 60% da produção global e dita os preços. O Brasil, se vender agora a preço de banana para um grupo americano, estará repetindo o ciclo histórico da cana-de-açúcar, do ouro, do café e do minério de ferro: riqueza natural que sai, miséria que fica.
Você diz que o STF está se metendo em negócio privado. Ora, desde quando a soberania nacional sobre recursos minerais é assunto exclusivamente privado? A Constituição de 1988, no artigo 176, estabelece que as jazidas são bens da União e que a exploração deve atender ao interesse nacional. O STF está, sim, cumprindo seu papel ao analisar se uma venda dessa magnitude atende a esse interesse. Chamar isso de comunismo é um argumento preguiçoso que esvazia o debate. O que está em jogo não é ideologia, é geopolítica. O capital estrangeiro não vem para cá por filantropia; vem porque as terras raras são insumos críticos para a indústria de defesa, energia limpa e semicondutores. Vender sem contrapartidas tecnológicas é entregar de graça o que a China levou décadas para construir com planejamento estatal.
E sobre o tal “Brasil pra brasileiros que querem trabalhar”: quem trabalha neste país não é o capitalista que compra a mineradora, são os mineiros que vão continuar recebendo salário de subsistência enquanto o lucro vai para o exterior. O nacionalismo que você critica não é o mesmo que defende direitos trabalhistas e desenvolvimento interno? O nacionalismo barato, como você chama, é o único que historicamente permitiu ao Brasil criar empresas como a Petrobras e a Embrapa. O nacionalismo dos que querem vender tudo para estrangeiro sem contrapartida é que é barato, porque não custa nada para quem já está no topo da pirâmide. O debate não é entre comunismo e liberdade econômica; é entre desenvolvimento soberano e subordinação colonial renovada. Seu argumento de que “a China compra o que quer e ninguém reclama” só prova que você confunde subserviência com pragmatismo. A China compra porque tem Estado forte e capital organizado; o Brasil vende porque tem Estado capturado pelo rentismo e pela ideologia do mercado total. A diferença é de projeto de nação, não de ideologia.
Marcos Andrade Niterói
03/05/2026
A Mariana Alves tocou num ponto que me tira do sério: a naturalização do Brasil como mero exportador de matéria-prima. Enquanto isso, o governo do estado do Rio de Janeiro, que deveria pensar em desenvolvimento, fica de braços cruzados. Rodrigo Neves mostrou em Niterói que é possível pensar infraestrutura e futuro; pena que essa visão não chegue à esfera federal. Perder o controle sobre terras raras é repetir o erro histórico do minério de ferro.
Mariana Alves
03/05/2026
A leitura dos comentários até agora me provoca uma inquietação que vai além da dicotomia entre “vender ou não vender”. O que me parece sintomático, e o Jeferson da Silva tangenciou bem, é a naturalização com que tratamos a posição do Brasil na divisão internacional do trabalho. Não se trata de um mero negócio entre iguais. A USA Rare Earth não está vindo para cá como uma sócia no desenvolvimento; está vindo para extrair minério bruto ou semiprocessado, agregar valor em solo estadunidense e, eventualmente, nos vender de volta os produtos industrializados a preços de mercado internacional. Isso não é parceria, é espoliação.
O argumento de que “os EUA pagam bem” ignora a assimetria estrutural. O capital financeiro internacional opera com lógicas de curto prazo e maximização de lucro que são incompatíveis com qualquer projeto de soberania energética e tecnológica. O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, minerais essenciais para a transição energética, para a indústria de defesa e para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia. Entregar o controle dessa cadeia a um grupo estrangeiro, sem garantias robustas de transferência tecnológica e de industrialização local, é repetir o ciclo histórico da exploração colonial: exportamos commodites com baixo valor agregado e importamos tecnologia cara.
O Luiz Augusto levantou a questão da transferência de tecnologia, e é por aí que a análise precisa se aprofundar. O que a ação da Rede Sustentabilidade e da deputada Heloísa Helena questiona, ao meu ver, não é o investimento estrangeiro em si, mas a ausência de condicionantes que protejam o interesse nacional. O Estado brasileiro, em vez de atuar como mero espectador ou facilitador desse tipo de operação, deveria usar seu poder regulatório para exigir contrapartidas concretas: construção de plantas de processamento e separação de terras raras em território nacional, formação de mão de obra qualificada, e participação acionária garantida em toda a cadeia produtiva. Sem isso, a venda é simplesmente a entrega de um patrimônio estratégico.
Por fim, não posso deixar de notar o tom de certos comentários que tratam a preocupação com a soberania como “ideologia” ou “atraso”. Isso é um reflexo do pensamento neoliberal hegemônico que, desde os anos 1990, tenta nos convencer de que o mercado é neutro e que qualquer intervenção estatal é ineficiente. A história mostra o contrário: todos os países que se industrializaram tardiamente e romperam a armadilha da renda média — Coreia do Sul, China, Alemanha no século XIX — o fizeram com forte presença estatal, protecionismo estratégico e controle sobre seus recursos naturais. O Brasil insiste em repetir o papel de exportador de matéria-prima, e cada vez que vendemos uma joia como essa a preço de banana, estamos hipotecando o futuro das próximas gerações. A ação no STF é, antes de tudo, um grito de alerta contra essa lógica suicida.
Luiz Augusto
03/05/2026
João Martins tocou no ponto certo: isso é geopolítica, não ideologia. O Brasil tem 17% das reservas mundiais de terras raras e não pode tratar isso como mercadoria qualquer. Quem defende venda irrestrita esquece que a China já domina 60% da produção global e não abre mão desse controle. Se o STF quer intervir, que exija contrapartidas reais de transferência de tecnologia e industrialização aqui, e não um bloqueio ideológico vazio.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Luiz, concordo com você na parte da transferência de tecnologia, mas na prática, o que a gente vê é o seguinte: enquanto o sindicalista e o trabalhador brasileiro são tratados como custo descartável, o minerador americano chega aqui com promessa de emprego e, três anos depois, fecha a porta e manda todo mundo pro olho da rua. Já vi isso acontecer na minha fábrica e em meia dúzia de outras. Exigir contrapartida é o mínimo, mas sem controle sindical forte e fiscalização de verdade, vira só papel bonito pra justificar a entrega do patrimônio.
João Martins
03/05/2026
O Célio Fazendeiro e o Paulo Ribeiro já colocaram os dois polos do debate, mas acho que ambos perdem o ponto central: o que está em jogo aqui não é ideologia, é geopolítica e cadeia de valor. Dados do US Geological Survey mostram que o Brasil detém cerca de 17% das reservas globais de terras raras, atrás apenas da China e do Vietnã. O problema é que, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração, menos de 3% da produção global de terras raras processadas sai daqui. A Serra Verde é um dos poucos projetos brasileiros com capacidade de produzir óxidos de terras raras separados, não apenas concentrado bruto. Vender isso para uma empresa americana que depende de fornecedores chineses para 60% do seu suprimento atual não é “progresso”, é trocar um monopólio por outro.
A discussão sobre soberania nacional sempre cai em dois extremos: ou vira ufanismo barato ou é tratada como obstáculo ao livre mercado. Mas os fatos são mais chatos. A USA Rare Earth não é uma mineradora tradicional; é uma empresa de private equity que montou um portfólio de ativos críticos para a cadeia de defesa dos EUA. O próprio Departamento de Defesa americano já injetou dezenas de milhões de dólares em projetos similares no país deles, via Defense Production Act. Ou seja, eles têm uma estratégia industrial clara. Nós? O Brasil não tem uma política nacional para minerais estratégicos desde 2011, quando o Plano Nacional de Mineração 2030 foi lançado e nunca saiu do papel. A ANM está sucateada e o setor mineral brasileiro opera no fio do bigode há anos.
A Luciana Costa tocou num ponto sensível: travar a venda por decreto pode gerar insegurança jurídica e afugentar investimento estrangeiro em outros setores. Mas a pergunta que fica é: que investimento? Se for para continuarmos exportando minério bruto ou semiprocessado enquanto importamos imãs de neodímio, turbinas eólicas e componentes de veículos elétricos a preço de ouro, esse “investimento” tem custo de oportunidade altíssimo. Um estudo do BNDES de 2022 estimou que o Brasil poderia capturar até US$ 12 bilhões anuais em valor agregado se integrasse a cadeia de terras raras até a produção de ligas metálicas e imãs permanentes. Vender a Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, sem contrapartidas claras de industrialização local, é liquidar esse potencial por uma fração do que ele vale.
No fim, a ação no STF me parece mais um sintoma do que uma solução. O tribunal vai decidir sobre legalidade societária, não sobre política industrial. Enquanto não tivermos um debate sério no Congresso sobre uma lei de minerais críticos, com regras claras para participação estrangeira, cláusulas de conteúdo local e incentivos à verticalização, vamos continuar nesse pingue-pongue: de um lado, negócios de ocasião que entregam o patrimônio mineral a preço de banana; do outro, intervenções pontuais que geram incerteza e não constroem nada. O que me irrita é que ambos os lados sabem disso, mas preferem o teatro político ao trabalho de formiga de construir uma política de Estado.
Celio Fazendeiro
03/05/2026
Essa gente do STF e da Rede Sustentabilidade não cansa de atrapalhar o progresso. Terras raras são importantes, mas se os EUA querem comprar e pagam bem, é negócio fechado. Enquanto esses ecochatos ficam com esse papo de “soberania”, o Brasil perde dinheiro e investimento. Deixem o mercado funcionar e parem de tratar o país como reserva indígena.
Paulo Ribeiro
03/05/2026
Célio, seu comentário revela uma compreensão bastante limitada do que está em jogo quando falamos de terras raras e soberania nacional. Você reduz a discussão a uma equação simplória de mercado: se os EUA pagam bem, é negócio fechado. Mas essa lógica, que você chama de “progresso”, é exatamente a mesma que manteve o Brasil como exportador de commodities por cinco séculos. Não é progresso, é repetição do nosso velho papel na divisão internacional do trabalho, que o economista Celso Furtado já denunciava: vender barato o que a natureza nos deu e comprar caro o que os outros industrializam. Terras raras não são soja nem minério de ferro comum. São insumos estratégicos para a produção de turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de defesa e equipamentos médicos de ponta. Permitir que a Serra Verde seja vendida a um grupo estrangeiro sem qualquer contrapartida de agregação de valor local é repetir o erro histórico de entregar o nióbio a preço de banana enquanto a Alemanha fabrica superligas com ele.
Você chama de “ecochatos” aqueles que defendem a soberania sobre nossos recursos. Mas o problema não é ambientalismo, é geopolítica. O governo dos EUA, através do Departamento de Defesa e do Inflation Reduction Act, está subsidiando pesadamente a cadeia de terras raras para reduzir a dependência chinesa. O Brasil, que tem a segunda maior reserva do mundo, aparece nessa equação como mero fornecedor de matéria-prima bruta. Não há nenhum plano de criar aqui uma refinaria de óxidos de terras raras, nenhum projeto de desenvolver ímãs permanentes ou catalisadores. A venda para os EUA, do jeito que está desenhada, consolida exatamente essa posição subalterna. Não se trata de “atrapalhar o progresso”, mas de perguntar: progresso para quem? Para os acionistas que embolsam os 2,8 bilhões de dólares e vão embora, ou para o povo brasileiro que fica com o passivo ambiental e a perda de um ativo estratégico?
O conceito de “deixar o mercado funcionar” que você defende ignora que o mercado de terras raras nunca foi livre. A China domina 90% do processamento global porque o governo chinês, desde os anos 1990, planejou e subsidiou essa cadeia. Os EUA estão fazendo o mesmo agora. Só o Brasil insiste em acreditar que o “livre mercado” vai resolver. Isso não é liberalismo, é ingenuidade ou, pior, conivência com a desindustrialização. O STF e a Rede Sustentabilidade podem ter falhas, mas ao menos colocam a questão certa: o Brasil precisa de uma política industrial soberana para terras raras, não de um leilão de nossas reservas para o maior comprador do momento. Chamar isso de “tratar o país como reserva indígena” é um argumento rasteiro que só revela o desconforto com a ideia de que o Estado tem, sim, o dever de proteger o interesse público contra a ganância de curto prazo. O verdadeiro atraso é achar que progresso se mede apenas pelo fluxo de capital estrangeiro, sem perguntar o que fica para o país.
Luciana Costa
03/05/2026
A Alice tem um ponto importante, mas acho que o caminho não é simplesmente travar a venda por decreto. O problema é que o Brasil, de fato, não tem uma estratégia industrial para terras raras, então qualquer negociação acaba sendo desfavorável. Em vez de um bloqueio que gera insegurança jurídica, o STF deveria cobrar do governo um plano claro de desenvolvimento tecnológico e contrapartidas reais nesse tipo de transação.
Alice T.
03/05/2026
Cecília, linda, “direito dos acionistas” é o novo nome pra vender o futuro do país por 2,8 bi de dólares enquanto a gente importa tecnologia que podia ser feita aqui. Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e vai virar só o quintal dos EUA de novo? Fala sério, isso não é protecionismo, é o mínimo de soberania.
Cecília Alves
03/05/2026
Mais um caso clássico de Estado querendo decidir com quem o cidadão pode fazer negócio. Se a Serra Verde achou melhor proposta nos EUA, é direito dos acionistas venderem. Esse protecionismo travestido de soberania só espanta investimento e engessa a economia.
Ricardo Almeida
03/05/2026
Cecília, o direito dos acionistas venderem é inquestionável, mas a discussão relevante é outra: terras raras são insumos críticos para defesa e tecnologia — se o Brasil não tem uma política industrial que agregue valor aqui, virarmos mero exportador de minério bruto é um péssimo negócio, não protecionismo.
Pedro Neto
03/05/2026
Vai vender tudo pros gringo mesmo, Brasil país entreguista.
João Carvalho
03/05/2026
Pedro, entendo a frustração, mas acho que a questão é mais complexa do que um simples entreguismo. Precisamos discutir se o marco legal da mineração e a política industrial brasileira estão preparados para garantir que a exploração de terras raras gere desenvolvimento interno, em vez de apenas reproduzir a velha lógica de extração primária para o benefício de capitais estrangeiros, como já apontava Celso Furtado.