O Ministério do Trabalho e Emprego aprovou uma nova resolução que estabelece limites para os custos das operações de crédito consignado no setor privado. A iniciativa foca no programa Crédito do Trabalhador e introduz parâmetros para evitar que encargos elevados prejudiquem os tomadores.
O Custo Efetivo Total de cada contrato digital poderá exceder a taxa de juros mensal em no máximo um ponto percentual. Essa margem permite a inclusão de tributos e do seguro prestamista, desde que este último conte com autorização expressa do trabalhador.
O ministério optou por não definir um teto nominal fixo para as taxas. Em vez disso, adota um sistema de monitoramento estatístico baseado no desvio padrão das operações para identificar eventuais abusos.
Caso a taxa média de mercado seja superada de maneira atípica, a instituição financeira receberá notificação e poderá ser suspensa do programa. O governo acredita que essa vigilância incentivará os bancos a reduzir suas margens sem comprometer a disponibilidade de crédito.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, esclareceu que juros remuneratórios, multas e mora permanecem permitidos. Todas as demais tarifas bancárias usuais ficam proibidas para garantir maior transparência no custo final ao tomador.
Conforme reportado pelo portal Metrópoles, o seguro prestamista deve ser opcional e cobrado apenas com concordância destacada do trabalhador. Essa medida busca evitar práticas de venda casada e proteger os direitos dos mutuários.
O acompanhamento das operações ocorrerá por meio de uma base de dados consolidada desde o lançamento do programa em março de 2025. O modelo se inspira em práticas de regulação do Banco Central, com ênfase na proteção do salário dos trabalhadores.
A regulamentação entra em vigor de imediato e as instituições financeiras contam com prazo curto para adequação. O descumprimento pode resultar na exclusão dos bancos da plataforma e na perda de acesso a uma carteira significativa de operações.
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Luciana Costa
03/05/2026
A medida é um paliativo bem-intencionado, mas não ataca a raiz do problema. Enquanto a concentração bancária e a carga tributária sobre o crédito não forem enfrentadas, o limite de juros vira uma canetada que os bancos contornam com tarifas ou simplesmente fecham a torneira para o tomador de maior risco. O ideal seria combinar essa regulação com estímulos reais à concorrência no setor.
Roberto Lima
03/05/2026
Pois é, Carlos Mendes, você tocou no ponto certo: o problema não é tabelar juro, é a carga tributária e a falta de concorrência de verdade. Esse governo adora intervir pra criar remendo, mas não tem coragem de fazer uma reforma tributária que diminua o peso nas costas de quem produz. Enquanto isso, o trabalhador continua pagando a conta de um estado inchado e ineficiente.
Carlos Mendes
03/05/2026
O Carlos Meirelles aí em cima defende o livre mercado como se bancos fossem santos, mas na prática o trabalhador pega 5% ao mês porque não tem alternativa. Tabelar juro é remendo, não reforma — o problema real é a carga tributária e a falta de competição bancária de verdade, que esse governo nunca enfrenta. Enquanto isso, a esquerda comemora controle de preço como se fosse solução, e o mercado para de emprestar pra quem mais precisa. Perde o pobre, ganha o discurso.
João Carlos Silva
03/05/2026
Pois é, Carlos Meirelles, mas na prática a gente vê banco cobrando 5% ao mês de quem já ganha pouco. Se não tiver um limite, o trabalhador vira refém. Agora, tomara que isso não vire mais uma burocracia que só encarece o processo e no final quem paga a conta é a gente.
Carlos Meirelles
03/05/2026
Mais uma intervenção que só prova como esse governo não confia no próprio trabalhador pra decidir onde pegar crédito. Tabelar juro nunca deu certo em lugar nenhum — o que acontece é que o banco simplesmente para de emprestar pra quem tem mais risco, e o mais pobre fica sem acesso. Enquanto isso, a máquina pública incha, os impostos sobem, e o cidadão que paga a conta continua sendo tratado como incapaz.
Bia Carioca
03/05/2026
Adriana, “comunista” é elogio vindo de você, mas o problema é que o trabalhador brasileiro não precisa de discurso pronto de coach de mercado — precisa de regra que impeça banco de cobrar 5% ao mês enquanto o salário mal dá pra comer. Essa resolução é um avanço tímido, mas pelo menos o governo Lula tá olhando pra quem realmente vive de salário, coisa que o mercado livre nunca fez.
Adriana Silva
03/05/2026
Faz o L, vai pra Cuba com esse papo de limitar juro, comunista!
Mariana Costa
03/05/2026
O Rodrigo aí em cima acha que tabelar juro é “intervenção ridícula”, mas a realidade é que sem regra nenhuma o trabalhador vira refém de banco. Não sou estatista, mas também não acho que deixar o mercado se autorregular resolva tudo — a gente viu aí nos últimos anos como as taxas do consignado privado dispararam sem nenhum critério claro. Se essa resolução pelo menos criar um teto razoável e for fiscalizada de verdade, já é um avanço.
Beatriz Lima
03/05/2026
Márcio, você fez o trabalho de casa e desmontou a fantasia neoliberal com dados, mas ainda acho que falta um passo: essa resolução do Ministério do Trabalho é um band-aid num sistema que sangra há décadas. O problema não é só a falta de concorrência real — é que o consignado privado sempre foi um produto desenhado para ser caro justamente porque o tomador não tem poder de barganha. O trabalhador CLT com carteira assinada está preso ao banco que o sindicato indicou ou ao que a empresa fez convênio. Isso não é escolha, é servidão financeira.
Rodrigo, seu comentário sobre “educação financeira” e cripto é um clássico de quem acha que o mundo se resolve com planilha de Excel e sorte no mercado de risco. Educação financeira é importante, sim, mas ela não impede que uma mãe solteira com dois empregos precários precise de crédito pra comprar remédio. E cripto? Por favor. A volatilidade de uma meme coin destruiria o orçamento de qualquer pessoa que não tem reserva de emergência. Esse papo de “quem nasceu pra 99% nunca vai ser o 1%” é derrotismo travestido de pragmatismo — e, convenhamos, é o argumento favorito de quem nunca precisou negociar taxa de juro na boca do caixa.
O que me incomoda nessa resolução é que ela ataca o sintoma, não a causa. O spread bancário brasileiro é um dos maiores do mundo não porque os bancos são maus, mas porque o sistema é oligopolizado e o risco de inadimplência é real num país onde o emprego é instável e a renda encolhe. Tabelar juro sem mexer na concentração bancária, sem criar alternativas reais de crédito (cooperativas de fato, não de fachada), e sem reduzir o custo Brasil que encarece a operação — isso é marketing político. O governo quer aparecer como protetor do trabalhador, mas não enfrenta o lobby bancário no Congresso.
Marcus, você reclama da intervenção estatal, mas o que temos hoje é o pior dos dois mundos: um mercado que não é livre porque é cartelizado, e um Estado que regula na ponta mas não desregula a entrada. Se fosse um mercado genuinamente competitivo, com novas fintechs podendo operar consignado sem amarras sindicais, a taxa cairia naturalmente. Mas aí o governo teria que enfrentar os sindicatos que vivem das taxas de administração e os bancos incumbentes que financiam campanha. Mais fácil fazer uma resolução bonita e esperar o próximo ciclo eleitoral.
Marcus Almeida
03/05/2026
Ah, o governo agora resolveu “proteger” o trabalhador contra juros abusivos, mas a verdade é que essa intervenção estatal só vai encarecer o crédito pra quem mais precisa. Enquanto isso, o mesmo governo que tabela juros não cansa de aumentar impostos e destruir a economia com gastança. O problema não é a taxa, é a falta de educação financeira e o Estado quebrado que empurra o cidadão pra esse tipo de empréstimo.
Ahmed El-Sayed
03/05/2026
Rodrigo, essa conversa de “educação financeira” e “cripto” é papo de quem nunca viu um pai de família honesto ter que pagar conta de luz com o salário apertado. O problema não é o trabalhador não saber fazer conta, é um sistema que normaliza a usura e ainda chama de “mercado”. Juros de 30% ao ano no consignado não é livre iniciativa, é exploração disfarçada de contrato. O Estado tem, sim, o dever moral de intervir quando a ganância desmedida corrói a dignidade do homem que trabalha.
Rodrigo RedPill
03/05/2026
Mais uma intervenção ridícula do Estado pra salvar quem não sabe fazer conta. Se o cara precisa de consignado é porque não estudou educação financeira nem investiu em cripto quando deu tempo. Quem nasceu pra 99% nunca vai ser o 1%, não adianta tabelar juro.
Marta Souza
03/05/2026
Fernando O., você tocou no ponto exato. Isso não é mercado livre, é cartel com selo de aprovação estatal. Enquanto o governo continuar tabelando juros e escolhendo vencedores, o spread bancário vai seguir esse absurdo. Se deixassem a concorrência real agir sem amarras, os bancos teriam que baixar as taxas para não perder cliente. Mas aí o estado perde o controle sobre o crédito, né? Prefere fingir que protege o trabalhador enquanto mantém o sistema quebrado.
Márcio Torres
03/05/2026
Marta, você levanta um ponto que merece ser desmontado com cuidado, porque ele mistura uma meia-verdade com uma fantasia de livre mercado que nunca existiu no setor bancário brasileiro. Você diz que “se deixassem a concorrência real agir sem amarras, os bancos teriam que baixar as taxas”. Isso pressupõe que o mercado de crédito no Brasil opera em condições próximas da concorrência perfeita, quando na verdade ele é um oligopólio com barreiras de entrada enormes — concentração de depósitos, custo regulatório altíssimo, controle do sistema de pagamentos e, principalmente, um spread que reflete o risco de calote e a inadimplência estrutural de uma economia com mercado de trabalho informal e salário mínimo defasado. Não é o tabelamento que cria o cartel; o cartel existe independentemente da tabela. O tabelamento, na prática, apenas limita o quanto esse cartel pode extrair de quem já está com a corda no pescoço.
A sua crítica de que o governo “prefere fingir que protege o trabalhador enquanto mantém o sistema quebrado” tem um núcleo de verdade: a resolução é um paliativo, não uma reforma estrutural. Mas a alternativa que você sugere — “concorrência real sem amarras” — é um exercício de fé em abstração econômica que ignora a assimetria de informação entre banco e tomador de crédito. Em qualquer lugar do mundo, crédito consignado é regulado justamente porque o tomador está em posição de vulnerabilidade: é um trabalhador que compromete parte do salário futuro, muitas vezes sem entender que a taxa composta vai comer o rendimento por anos. Nos Estados Unidos, o payday lending é um exemplo clássico de “mercado livre” no crédito de curto prazo — e o resultado são taxas anuais que chegam a 400%, com ciclos de endividamento perpétuo. O “mercado livre” que você defende já existe no Brasil para quem não tem acesso ao consignado: é o rotativo do cartão de crédito, que bate 400% ao ano. É isso que você quer expandir?
O problema real não é tabela versus livre mercado; é que o sistema financeiro brasileiro opera como um oligopólio com garantia estatal implícita (bancos grandes demais para quebrar) e um spread que embute não só risco de crédito, mas também lucro extraordinário e ineficiência operacional. A resolução do Ministério do Trabalho não resolve isso, concordo. Mas a sua saída liberal clássica — desregular e confiar na concorrência — ignora que, num oligopólio com altos custos de entrada, desregular significa apenas dar liberdade para os bancos cobrarem o que o tráfego suportar. O trabalhador não tem poder de barganha individual contra um sistema que conhece exatamente o seu limite de endividamento. Se a solução fosse “deixar o mercado agir”, o consignado privado já estaria com taxas baixas há décadas, porque a Selic caiu, a inflação cedeu e a inadimplência do consignado é a menor entre todas as modalidades. Por que não baixou? Porque não há concorrência real, Marta. Há cinco bancos controlando 80% do mercado e cobrando o que o regulador permitir. O tabelamento é uma tentativa canhestra de conter o estrago, não a causa dele.
Fernando O.
03/05/2026
Acho curioso como a Karina aponta a raiz do problema (salário baixo) e ainda assim a thread inteira ignora os números. O BC divulga todo mês o spread bancário do consignado: beira os 30% ao ano enquanto a Selic cai. Isso não é “mercado livre”, é cartel com aval do governo anterior. A resolução é um band-aid, mas pelo menos estanca o sangramento enquanto ninguém encara a reforma tributária de verdade.
Karina Libertária
03/05/2026
Ah, mais uma intervenção do estado pra “proteger” o trabalhador… Mas ninguém pergunta por que o trabalhador precisa de consignado pra sobreviver? Se o salário fosse decente, não tava todo mundo se endividando. Essas resoluções são só enxugar gelo. E outra: se querem juros baixos, que tal abrir o mercado pra competição de verdade, em vez de ficar regulando tudo? Mas isso daria trabalho, né? Melhor continuar tratando brasileiro como incapaz de decidir a própria vida.
João Santos
03/05/2026
Pedro Silva, você tem razão: banco nunca perde, sempre arruma taxa escondida. Mas pelo menos o governo tentou botar ordem na bagunça. O problema é que esse povo que defende mercado livre não vive na pele o juro que come o salário do trabalhador. Se fosse pra deixar solto, melhor chamar agiota logo. Bandido de terno também tem que ser preso.
Carlos Oliveira
03/05/2026
João, é exatamente isso. Eu vejo no dia a dia das corridas: o trabalhador pega um consignado pensando em respirar, mas no fim das contas o banco transforma a dívida numa bola de neve que come o resto do salário. Essa resolução é um paliativo, mas o que a gente precisa mesmo é de um sistema que trate crédito como direito, não como armadilha. Bandido de terno é tão criminoso quanto o de fuzil.
Pedro Silva
03/05/2026
Ah, lá vem o governo meter a mão de novo. Limitar juro é bonito no papel, mas duvido que os bancos vão perder dinheiro — eles arrumam jeito de cobrar em taxa de cadastro, seguro ou sei lá o quê. No fim, quem paga a conta é o trabalhador, como sempre.
Capitão Tavares 🇧🇷
03/05/2026
Luan, vai tomar vergonha na cara, rapaz. Esse papo de “deixa o mercado regular” é o que quebrou o país. Banco nenhum é santo, eles sugam o trabalhador até o osso e você ainda defende. O Brasil precisa de ordem e mão firme, não desse liberalismo vagabundo que só serve pra encher o bolso de banqueiro. Se o Exército tivesse no controle, isso aqui já tinha virado uma nação decente há muito tempo.
Mateus Silva
03/05/2026
Capitão, sua indignação com a usura bancária é certeira, mas trocar a caserna pelo mercado é repetir o mesmo autoritarismo de sempre com farda nova. O problema não é falta de mão firme, é a estrutura de classe que transforma crédito em armadilha — e isso não se resolve com general no ministério, mas com trabalhador organizado e Estado que regule a serviço de quem vive do salário, não de quem lucra com a dívida.
Luan Silva
03/05/2026
Intervenção do estado? Que piada. Deixa o mercado regular sozinho, próximo passo é tabelar preço de pão na padaria. Vai pra Cuba, comunista.
Lucas Andrade
03/05/2026
Cecília, seu argumento sobre “escassez de crédito” é o mesmo mantra que justifica agiotagem com CNPJ há décadas. A questão não é tabelar preço como se fosse banana, mas sim interromper um ciclo onde o trabalhador já chega desesperado e sai sangrando. Se o banco não quer emprestar com juro justo, que empreste menos mesmo — talvez assim a gente pare de tratar dívida como única política de renda.
Cecília Alves
03/05/2026
Marina, entendo sua indignação com juros altos, mas tabelar preço de crédito é repetir erro clássico: cria escassez. O banco não é obrigado a emprestar com teto artificial; quem sofre é o trabalhador com nome sujo, que fica sem acesso. O caminho é menos burocracia e mais competição entre bancos, não canetada do Ministério.
Rubens O Pescador
03/05/2026
Pois é, Paulo Rocha, o senhor deve ser daqueles que acha que banco é igreja, só quer o bem do povo. Lá no sítio, quando o PT tava no governo, o povo conseguia comprar uma geladeira nova, um fogão, sem ter que vender o rim pra pagar juro. Agora é isso, o trabalhador pega um empréstimo e vira escravo do banco. Essa medida é o mínimo, mas já é um alívio pro bolso do sofrido.
Marina Costa
03/05/2026
Ora, finalmente uma medida que olha para o trabalhador de verdade! Esse povo que chama de “intervenção” o que é simplesmente justiça tá acostumado a ver banco sugando o suor alheio sem piedade. Enquanto isso, a esquerda quer legalizar aborto e destruir a família, mas pelo menos acertaram em proteger o bolso de quem rala pra sustentar os filhos.
Paulo Ribeiro
03/05/2026
É sintomático observar a reação quase alérgica de alguns setores diante de uma medida que, em qualquer nação civilizada, seria tratada como o óbvio. O comentário do Paulo Rocha, por exemplo, reproduz o velho fetiche liberal de que o mercado, abandonado à própria sorte, autorregula-se de forma benéfica para todos. Isso é uma fantasia que a história econômica, de 1929 a 2008, já desmentiu repetidas vezes. O que vemos no crédito consignado privado é a expressão mais crua do que Gramsci chamaria de hegemonia do capital financeiro: o trabalhador, já submetido à extração da mais-valia na produção, é duplamente expropriado pelo sistema bancário que transforma sua necessidade imediata em instrumento de acumulação. Limitar juros abusivos não é “intervenção” no sentido pejorativo que o Paulo quer dar; é o Estado cumprindo sua função mínima de arbitragem entre forças desiguais.
A Maria Clara Lopes toca num ponto relevante sobre educação financeira, mas discordo que esse seja o cerne da questão. Colocar o foco no “ensinar o trabalhador a comparar taxas” é, no limite, uma forma sutil de responsabilizar a vítima pela própria exploração. É como pedir que o operário estude engenharia para não ser enganado pela ponte que caiu. A assimetria de informação e poder entre um banco munido de departamentos jurídicos e atuariais e um trabalhador que precisa do crédito para quitar uma dívida emergencial é estrutural, não se resolve com cartilha. A regulação de teto de juros, como a que o Ministério do Trabalho acertadamente propõe, ataca a raiz do problema: a usura institucionalizada. Não se trata de paternalismo, mas de reconhecer que o contrato de adesão bancário é, por definição, um instrumento de coerção disfarçado de livre acordo.
Aliás, o Lucas Gomes já apontou com precisão a armadilha da falsa dicotomia entre Estado e mercado. O que o neoliberalismo de araque, personificado no Paulo Rocha, jamais admite é que o “mercado livre” do crédito consignado já é profundamente regulado — só que regulado a favor dos bancos. O desconto em folha é uma garantia estatal que reduz o risco do credor a quase zero. Ora, se o Estado já oferece a muleta da consignação para assegurar o lucro bancário, é no mínimo coerente que também coloque um limite nesse lucro. Althusser nos lembraria que os Aparelhos Ideológicos de Estado atuam para naturalizar essas contradições: o trabalhador aprende a achar “natural” pagar 5% ao mês enquanto o banco tem taxa Selic básica como referência. A resolução do Ministério do Trabalho desnaturaliza essa relação, e por isso causa tanto espanto nos defensores do status quo.
Por fim, é preciso saudar a medida como um passo, ainda que tímido, na direção de um projeto de desenvolvimento que subordine o capital financeiro às necessidades produtivas e sociais do país. Mariátegui já dizia que a questão não é opor o “indivíduo” ao “Estado”, mas sim construir um Estado que seja expressão dos interesses das maiorias trabalhadoras. Essa resolução não vai resolver a desigualdade estrutural do sistema financeiro brasileiro, mas acerta ao lembrar que o crédito não pode ser uma extensão do garrote do capital sobre o trabalho. Que venham os próximos passos: regulação das taxas do rotativo do cartão e do cheque especial, e por que não, um debate sério sobre a estatização de um banco público que atue com taxas justas e missão social clara. Enquanto isso, fica o registro de que, pela primeira vez em muito tempo, o Estado brasileiro age para proteger quem realmente produz a riqueza do país.
Paulo Rocha
03/05/2026
Mais uma intervenção ridícula desse governo que adora controlar a vida alheia. Limitar juro é o primeiro passo pra acabar com o crédito e o trabalhador que se vire. Enquanto isso, o Lula e o PT fazem o L com nosso dinheiro em Cuba. Brasil pra brasileiros, não pra essa turma que só sabe estatizar e quebrar.
João Silva
03/05/2026
Paulo, essa sua indignação seletiva com “intervenção” é curiosa: quando o Estado soca banco com juro abusivo, é controlar a vida alheia; quando o mesmo Estado deixa o trabalhador virar refém de 5% ao mês, aí é liberdade. O problema não é Cuba, é a sua dificuldade em enxergar que, sem regulação, o lobo não almoça o governo — almoça o Paulo.
Maria Clara Lopes
03/05/2026
Acho que a galera está perdendo o ponto principal: o problema real não é se o Estado regula ou não, mas sim a falta de educação financeira e transparência nas condições dos contratos. Limitar juros abusivos é o mínimo, mas sem ensinar o trabalhador a comparar taxas e entender os riscos, qualquer medida vira só um curativo em ferida aberta.
Lucas Gomes
03/05/2026
Interessante como a discussão aqui rapidamente escorregou para a velha dicotomia entre “estado regulador” vs. “mercado livre”, como se essa fosse a única moldura possível para analisar a medida. Enquanto o Eduardo e o Lucas repetem o mantra neoliberal de que qualquer intervenção estatal é um atentado à liberdade, e a Mariana Ambiental acerta ao lembrar que liberdade sem regulação é o lobo solto no galinheiro, ninguém parece estar olhando para o cerne da questão: o consignado privado sempre foi um mecanismo de captura de renda do trabalhador, e essa resolução é apenas um paliativo dentro de um sistema que precisa ser repensado por completo.
A crítica que faço, e que acho que falta nessa thread, é que limitar juros abusivos no consignado privado é como colocar um curativo em uma ferida gangrenada. O problema estrutural não é a taxa em si, mas o fato de que o trabalhador brasileiro, especialmente o mais precarizado, recorre a esse crédito porque seu salário é insuficiente para cobrir as necessidades básicas. O capitalismo financeiro, na sua voracidade, criou um ciclo perpétuo de endividamento: o trabalhador pega empréstimo para pagar contas, o banco lucra com juros estratosféricos, e o Estado, quando age, faz uma regulação tímida que não enfrenta a raiz do problema, que é a concentração de renda e a financeirização da vida.
Vejo o Carlos Rocha reclamando de “jeitinho estatal”, mas ele ignora que o próprio “mercado funcionando” que ele defende é o mesmo que, nos Estados Unidos, gerou a crise de 2008 com hipotecas podres, e aqui no Brasil, transformou o crédito consignado em um dos produtos mais lucrativos dos bancos, com spreads que chegam a ser vergonhosos. A resolução do Ministério do Trabalho é um passo, sim, mas é um passo dentro da lógica do capital: o Estado intervém para salvar a face do sistema, não para transformá-lo. O que precisamos é de uma discussão muito mais ampla sobre salário mínimo, distribuição de terra, reforma tributária progressiva e, acima de tudo, sobre como desmercantilizar o acesso à moradia, saúde e educação. Enquanto o trabalhador precisar se endividar para sobreviver, qualquer teto de juros será apenas uma maquiagem em um modelo de exploração que é intrínseco ao capitalismo tardio. A verdadeira liberdade não é a do mercado para cobrar o que quiser, mas a do trabalhador de não precisar se submeter a esse jugo.
Eduardo Nogueira
03/05/2026
Lucas e Marina, dois lados da mesma moeda furada. Enquanto discutem teoria, o governo enfia a mão no bolso do trabalhador com imposto e agora quer regular até juro. Menos estado, mais liberdade.
Mariana Ambiental
03/05/2026
Eduardo, “menos estado” é exatamente o que transformou o consignado num vale-refeição pra banco. Liberdade sem regulação é o lobo solto no galinheiro, e o trabalhador já sabe quem vira almoço.
Lucas Moreira
03/05/2026
Marina, seu argumento sobre os 400% no rotativo é certeiro, mas a solução não é o governo tabelar mais um preço. Toda vez que o estado congela uma taxa, o mercado seca a oferta e quem paga a conta é exatamente o trabalhador que mais precisa. A conta é simples: menos estado, menos gasto público, menos inflação, juro baixo de verdade.
Carlos Rocha
03/05/2026
Mais um “jeitinho” estatal que só encarece o crédito pra quem já paga caro. Se o governo realmente quisesse acabar com juros abusivos, cortava gasto público, parava de imprimir dinheiro e deixava o mercado funcionar. Enquanto isso, o trabalhador continua refém de um sistema que o trata como incapaz de escolher o próprio financiamento.
Marina Silva
03/05/2026
Carlos, o “mercado funcionando” é exatamente o que te deu 400% de juro no rotativo, mas tudo bem, continua acreditando em Papai Noel neoliberal.
Pedro Neto
03/05/2026
Faz o L, vai pra Cuba ver se eles têm consignado privado, comunista.
Maura Santos
03/05/2026
Pedro Neto, o L que você manda fazer já deu mais crédito consignado e juro baixo pro trabalhador do que qualquer discurso seu de buteco. Cuba não tem consignado privado? Pois é, e também não tem 30% de juro no cartão de crédito. Vai ver o problema é outro, né?
Cíntia Alves
03/05/2026
Renato Professor, é exatamente isso. Fico pensando se essa resolução não vai virar só mais um “fez o mínimo, agora pode bater palma”. Enquanto o custo de vida não for atacado de verdade, o consignado continua sendo a corda no pescoço do trabalhador.
Renato Professor
03/05/2026
Ricardo Almeida, você tocou no ponto nevrálgico: o crédito consignado virou muleta de um salário que não fecha as contas. Enquanto o debate se limitar a regular o juro em vez de enfrentar a precarização do trabalho e a renda insuficiente, estaremos tratando o sintoma e ignorando a doença. É papel do Estado, sim, coibir a usura, mas a verdadeira política de crédito popular deveria vir acompanhada de valorização real do salário mínimo e de um fortalecimento das cooperativas de crédito, que historicamente praticam taxas justas.
Ricardo Almeida
03/05/2026
O problema não é só fiscalização, é a própria lógica do sistema. Enquanto o crédito consignado for tratado como solução mágica pra complementar renda, em vez de sintoma de um salário que não cobre o básico, vão continuar enxugando gelo. Resolução limita juro, mas não muda o fato de que o trabalhador precisa se endividar pra sobreviver.
Cecília Silva
03/05/2026
Beto Engenheiro, você resumiu o drama de milhões. Aqui na favela a gente vê parente pegando consignado pra pagar conta de luz e terminando com o nome sujo porque o banco come o salário inteiro. Enquanto não tiver educação financeira de verdade e punição pra banco que abusa, resolução vira enfeite de gaveta.
Beto Engenheiro
03/05/2026
Carlos Menezes, você tocou no ponto exato. Enquanto não houver auditoria real e punição de verdade pra banco que descumpre, isso aí é só papel bonito. Juros abusivo no Brasil é crônico, e o trabalhador que já vive no aperto continua sendo o fiador desse sistema.
Cecília Torres
03/05/2026
Carlos Menezes, é exatamente esse o ponto — o Brasil tem uma longa tradição de anúncios bonitos que viram pó na primeira fiscalização. O que me preocupa é que essa resolução nasce do mesmo governo que, nos bastidores, mantém os bancos públicos como locomotivas de lucro. Se não vier acompanhada de transparência real nas taxas e punição exemplar pra quem desrespeitar, vira só mais um papel com selo ministerial.
Carlos Menezes
03/05/2026
Vamos ver se essa resolução realmente pega ou se vai ser mais uma daquelas medidas que todo mundo aplaude na primeira semana e depois ninguém fiscaliza. O histórico de promessas de controle de juros no Brasil é longo, mas a eficácia costuma ser curta.
Ronaldo Silva
03/05/2026
Pois é, Luiz Carlos, falou tudo. Já cansei de ver passageiro reclamando que o salário mal dá pra pagar as parcelas do consignado, enquanto banco quebra recorde de lucro. Tomara que dessa vez não fique só no papel, porque o trabalhador já tá no osso com essa inflação e imposto que não acaba mais.
Luiz Carlos
03/05/2026
Mais uma medida pra tentar controlar o estrago que os bancos fazem. Juros sempre foram abusivos nesse país e ninguém fazia nada. Tomara que dessa vez fiscalizem de verdade, porque se depender dos bancos eles vão continuar comendo o trabalhador.
Lurdinha Deus Acima de Todos
03/05/2026
Amém João Batista 🙏 mas vão fechar as igrejas sim, é o que tão querendo, e esses juros abusivos é castigo de Deus mesmo, o povo se endivida e depois chora, bora orar Brasil 🇧🇷🇧🇷
Alice T.
03/05/2026
Amém, Lurdinha, mas castigo de Deus é o que os bancos aplicam no seu bolso com juros de 4% ao mês enquanto o banqueiro vai pra igreja de jatinho particular. Rezar não paga boleto, regulação sim.
João Martins
03/05/2026
Interessante ver o Ministério do Trabalho finalmente colocando um freio nos juros do consignado privado. Sempre achei curioso como o mesmo governo que defende a “livre iniciativa” deixa os bancos operarem com taxas que beiram a usura no desconto em folha. Dados do Banco Central mostram que, enquanto o consignado do INSS tem juros controlados pelo Conselho Nacional de Previdência Social (hoje na casa de 1,8% ao mês), o privado chegava a bater 3,5% ou mais. Isso é um spread abissal para um crédito com risco baixíssimo, já que a parcela sai direto do salário antes de o trabalhador colocar a mão. A resolução é um passo técnico correto, mas preciso ver a letra miúda para saber se o limite será de fato vinculante ou apenas uma recomendação.
O que me preocupa é o efeito colateral clássico desse tipo de intervenção: o racionamento de crédito. Se o teto de juros for muito apertado, os bancos simplesmente param de ofertar o produto para perfis de maior risco, como trabalhadores com carteira assinada em empresas pequenas ou com vínculos recentes. Estudos do Banco Mundial sobre tetos de juros em mercados emergentes mostram que, quando o limite fica abaixo do ponto de equilíbrio dos bancos, a oferta de crédito cai e o tomador marginal acaba migrando para fontes informais, com juros ainda mais altos. A dúvida é se o ministério fez a conta de elasticidade ou se agiu no impulso político, como costuma acontecer.
Outro ponto que passa batido é a assimetria de informação. O consignado privado tem uma particularidade que o público não tem: a portabilidade é mais burocrática e a taxa de juros varia muito conforme o convênio entre a empresa e o banco. Muitos trabalhadores nem sabem que podem comparar ofertas. A resolução poderia ter incluído uma obrigatoriedade de transparência, tipo um ranking mensal das taxas praticadas por CNPJ, algo que o Banco Central já faz para o crédito imobiliário. Sem isso, o limite vira uma medida isolada que não ataca a raiz do problema: a falta de concorrência real no setor.
Por fim, vale lembrar que o Crédito do Trabalhador, programa citado na notícia, já nasceu com promessa de juros baixos e na prática virou mais uma linha de margem consignável. A resolução me parece um remendo em um sistema que precisa de reforma estrutural, não de canetada. Vou acompanhar os dados de volume de contratação nos próximos trimestres. Se a oferta cair forte sem redução proporcional da inadimplência, aí teremos a prova de que a medida foi mais populista do que técnica.
João Batista Alves
03/05/2026
Minha gente, essa medida até que é bem-vinda, mas cadê a educação financeira e o planejamento familiar que a Bíblia tanto ensina? O problema não é só o banco ganancioso, é o povo que se endivida sem temor a Deus. Enquanto não voltarmos a valorizar o trabalho honesto e a poupança, qualquer resolução vira paliativo.
Miriam
03/05/2026
Mais uma resolução que vai ficar linda no Diário Oficial enquanto os bancões continuam operando do mesmo jeito. A pergunta que não quer calar: quem vai fiscalizar se as taxas estão sendo cumpridas na ponta? Porque tabelar sem auditoria é só enfeite burocrático.
Fernanda Oliveira
03/05/2026
Finalmente um passo, mas ainda é muito pouco. Enquanto a gente comemora resolução, tem gente se endividando com juros que são verdadeira violência financeira contra a classe trabalhadora. E cadê a fiscalização pra garantir que as empresas vão cumprir? Sem punição de verdade, isso vira só mais um papel bonito enquanto os bancos continuam lucrando com a desgraça alheia.
Dr. Thiago Menezes
03/05/2026
Luizinho, o problema não é duvidar de “qualquer avanço”, é saber que tabelamento de juros sem mecanismos de enforcement vira letra morta na primeira planilha de custos do banco. Se o ministério não criar uma base pública e auditável das taxas praticadas, essa resolução vai servir só pra alimentar release de assessoria.
Luizinho 16
03/05/2026
Sandra, seu “pé atrás” é o que o sistema quer: gente duvidando de qualquer avanço enquanto os bancos continuam lucrando bilhões. Resolução bonita no papel é melhor que nada, mas sem fiscalização de verdade é só maquiagem.
Sandra Martins
03/05/2026
Mariana, você trouxe uma lente necessária. Como cristã, acredito que justiça social também passa por proteger quem é mais vulnerável financeiramente, e isso atinge desproporcionalmente mulheres e negros. Mas confesso que fico com um pé atrás: já vi muita resolução bonita no papel que não sai do papel porque falta fiscalização de verdade.
Mariana Oliveira
03/05/2026
Marta, você trouxe um ponto que me fez pensar na dimensão racial e de gênero que quase sempre é apagada nessas discussões sobre crédito consignado. Quando bell hooks escrevia sobre a interseccionalidade das opressões, ela nos lembrava que o sistema financeiro não opera de forma neutra — ele atinge de maneiras distintas corpos negros, mulheres chefes de família e trabalhadores informais. A resolução do Ministério do Trabalho, embora bem-intencionada ao tentar conter juros que beiram a agiotagem, precisa ser lida com essa lente. A mulher negra que sustenta a casa sozinha, que já enfrenta o racismo estrutural no mercado de trabalho e a desigualdade salarial denunciada por Kimberlé Crenshaw, é quem mais recorre a esse crédito por falta de alternativa. Para ela, 38% ao ano não é só um número abstrato — é a diferença entre pagar o aluguel ou ficar na rua.
Rodrigo, você tocou num ponto válido sobre o tabelamento poder empurrar o crédito para canais informais, mas discordo que isso seja apenas um remendo. A história do crédito no Brasil, como você mesma lembrou, Marta, sempre foi marcada pela ausência de regulação para os mais pobres. O que a resolução faz, na prática, é reconhecer que o mercado financeiro nunca foi autorregulado para quem não tem poder de barganha. A assimetria de informação e poder que João Carlos mencionou é real: o trabalhador não senta na mesa de negociação sabendo que o banco já calculou exatamente o quanto pode extrair do seu salário sem que ele morra de fome. Isso não é mercado funcionando, é extração de valor disfarçada de serviço.
O que me preocupa, como feminista que estuda raça e classe, é que a fiscalização prometida não seja pensada para alcançar quem mais precisa. As agências bancárias em periferias e zonas rurais, onde o racismo ambiental e a precariedade de serviços se acumulam, dificilmente terão o mesmo escrutínio que as agências dos centros urbanos. Sem um recorte territorial e racial na aplicação da resolução, corremos o risco de ter uma regra linda no papel, mas que na prática continua permitindo que o trabalhador negro e a trabalhadora periférica sejam sangrados por juros que, como a Ana Souza bem lembrou, são uma máquina de sugar quem mais precisa.
No fim das contas, acho que a discussão não pode parar no teto de juros. Precisamos avançar para um debate sobre educação financeira que não seja culpabilizadora, como a bell hooks criticava nas pedagogias tradicionais — que ensinam o pobre a se virar num sistema feito para explorá-lo. O que o trabalhador precisa não é de aula de como não cair na armadilha do consignado, mas de políticas que garantam renda digna, emprego estável e acesso a crédito popular com juros justos. Enquanto a base da pirâmide continuar sendo tratada como risco e não como cidadã, qualquer resolução será paliativa. Mas, sim, é melhor ter um paliativo do que deixar a sangria correr solta.
Rodrigo Meireles
03/05/2026
Marta, concordo que o histórico do crédito consignado privado é problemático, mas essa resolução me parece mais um remendo do que solução estrutural. O mercado precisa de regras claras e fiscalização eficiente, não de tabelamento que muitas vezes empurra o crédito para canais informais. Vamos ver se o governo consegue fazer a máquina pública funcionar direito para variar.
Marta
03/05/2026
João Carlos, você tocou num ponto pedagógico que me fez lembrar dos meus anos de sala de aula. Quando a gente ensina história econômica do Brasil, vê que o crédito consignado privado sempre foi essa jabuticaba brasileira: um produto que nasceu com a promessa de juros baixos e virou instrumento de usura. Eu, como professora aposentada, já vi gerações de trabalhadores serem levados ao endividamento por falta de educação financeira, mas também por um sistema que se aproveita da necessidade alheia. Essa resolução do Ministério do Trabalho não é invenção de gabinete, é correção de rota. O que me preocupa é que os meninos mal-educados do mercado financeiro já estão chiando, dizendo que o governo está interferindo demais. Ora, se o mercado se autorregulasse, não precisaríamos de limites, mas a história mostra que banco não tem freio moral quando o lucro está em jogo.
A Ana Paula Conserva lembrou bem da questão cristã, e eu acrescento: qualquer pessoa que já tenha visto um trabalhador perder 40% do salário para pagar parcela de empréstimo sabe que aquilo não é contrato, é agiotagem com carimbo de banco. O Lula, quando criou o consignado em 2003, pensou em baratear o crédito para o trabalhador formal. O que aconteceu depois foi uma distorção: as taxas subiram, os bancos descobriram que podiam cobrar juros altíssimos porque o desconto vinha direto na folha, sem risco de calote. Isso não é mercado funcionando, é monopólio disfarçado de concorrência. Essa resolução vem para recolocar o trem nos trilhos, mas precisa de fiscalização séria, como o Ronaldo Pereira bem disse. De nada adianta limite no papel se o trabalhador continuar sendo empurrado para contratos obscuros.
O que me entristece, como educadora, é ver comentários de quem defende o “livre mercado” como se ele fosse uma entidade sagrada. Liberdade econômica sem regulação é liberdade do lobo devorar a ovelha. O Estado não está fazendo caridade, está cumprindo seu papel constitucional de proteger o hipossuficiente. Se o banco não pode sobreviver sem cobrar 50% ao ano, que feche as portas e dê lugar a cooperativas de crédito ou bancos públicos que realmente sirvam ao povo. O trabalhador não é gado para ser ordenhado, é cidadão que sustenta a economia real. Essa resolução é um passo, mas precisamos ir além: educação financeira nas escolas, fortalecimento das cooperativas e, principalmente, punição exemplar para quem descumprir os limites. O Brasil não precisa de mais bancos ricos às custas de trabalhadores endividados, precisa de justiça social com responsabilidade fiscal.
João Carlos da Silva
03/05/2026
Ronaldo Pereira, você tocou num ponto que é central no debate sobre educação financeira e cidadania: o trabalhador não tem poder de barganha diante de um sistema que conhece todas as assimetrias. O que me preocupa, como pedagogo, é que essa resolução trata do sintoma (juros altos), mas não enfrenta a causa estrutural, que é a ausência de uma formação crítica sobre consumo e endividamento nas escolas. Enquanto não ensinarmos Gramsci e a lógica do capital financeiro desde o ensino médio, o trabalhador continuará sendo tratado como objeto de extração de valor, não como sujeito de direitos.
Ana Souza
03/05/2026
Ronaldo, é exatamente isso. Quem já viu de perto sabe que o consignado privado virou uma máquina de sugar quem mais precisa. A resolução é um passo, mas a fiscalização precisa acompanhar, senão vira letra morta. E, Eduardo C., concordo que 38% ao ano não é mercado funcionando, é cartel disfarçado de risco.
Ana Paula Conserva
03/05/2026
Tiago Mendes, você citou a Bíblia e fez muito bem. O trabalhador não pode ser tratado como gado para banco lucrar, isso é contra qualquer princípio cristão de justiça. Apoio sim essa resolução, desde que não vire mais uma desculpa para o governo gastar sem controle. Família precisa de crédito justo, não de agiotagem disfarçada.
Ronaldo Pereira
03/05/2026
Ana Paula, você acertou em cheio ao falar de agiotagem disfarçada. Na fábrica onde eu comecei, o gerente dizia que juro alto era “risco do negócio”, mas na hora de descontar do salário do trabalhador o risco sumia. Essa resolução não é gasto público, é devolver dignidade pra quem sustenta esse país com suor.
Luiz Augusto
03/05/2026
Celio, você tem um ponto quando diz que banco não é ONG. Mas o problema é que o mercado de crédito consignado privado já estava com distorções graves, com taxas que beiram o agiota. O Estado não pode substituir o mercado, mas tem o dever de coibir abusos e garantir regras claras. Isso não é intervenção ideológica, é bom senso regulatório.
Eduardo C.
03/05/2026
Celio Fazendeiro, você reclama de canetada, mas os números do Banco Central que a Clarice trouxe são públicos e mostram que o mercado sozinho levou o juro a 38% ao ano. Isso não é mercado funcionando, é falha de mercado. Limitar não é quebrar nada, é corrigir uma distorção que já deveria ter sido resolvida há muito tempo.
Tiago Mendes
03/05/2026
Celio, com todo respeito, mas essa sua visão de que “banco não é ONG” é o tipo de pensamento que naturaliza a exploração. A Bíblia é bem clara em Êxodo 22:25 sobre não cobrar juros opressivos do pobre. O que o Ministério do Trabalho fez foi um ato de justiça, não de intervenção irresponsável. Quem defende juro alto esquece que o trabalhador não tem escolha quando precisa pagar conta no fim do mês.
Clarice Historiadora
03/05/2026
Celio Fazendeiro, vou te contar um segredo: banco não é ONG, mas também não é cassino. O consignado privado tinha juro médio de 38% ao ano em 2022, segundo dados do Banco Central que você pode consultar no site deles. Isso não é “mercado funcionando”, é extração de renda disfarçada de contrato. Se o trabalhador não consegue pagar, o problema não é a canetada — é o sistema que transforma necessidade básica em dívida impagável.
Francisco de Assis
03/05/2026
Celio Fazendeiro, você fala como se banco fosse santinho, mas a verdade é que eles lucram horrores em cima do suor do trabalhador. Essa resolução do Ministério do Trabalho é pra ontem, e ainda bem que o governo Lula tá olhando pro povo, não pros tubarões. Quem reclama é porque nunca precisou pegar um empréstimo pra pagar conta de luz e viu os juros comerem o salário todo.
Celio Fazendeiro
03/05/2026
Parece que o povo aqui nunca viu um juro de verdade na vida. Esse povo do governo acha que pode resolver tudo com canetada, mas só vai quebrar mais o mercado e aumentar o calote. Quem trabalha de verdade sabe que banco não é ONG, e se o trabalhador não consegue pagar, que arrume outro emprego em vez de ficar chorando por migalha.
Augusto Silva
03/05/2026
Luciana, 12% ainda é alto, mas antes era 15%, 18% — e o trabalhador não tinha nem para onde correr. O Ministério do Trabalho está fazendo o básico que o mercado nunca fez: botar rédea nos bancos que transformam consignado em máquina de lucro fácil. Enquanto isso, o tal “incentivo à poupança” que o Marcos Conservador defende só funciona se sobrar dinheiro no fim do mês, o que para a maioria dos brasileiros é ficção científica.
Luciana
03/05/2026
A Célia tem razão, 12% ainda é um absurdo pra quem já vive no aperto. Enquanto isso, a gente aqui vê o preço do gás e do arroz subindo e o salário não acompanha. Parece que tão brincando com o nosso desespero.
Célia Carmo
03/05/2026
12% de juro no consignado ainda é roubo, patrão! #MenosJurosMaisSalário
Marcos Conservador
03/05/2026
Mais uma intervenção do governo na vida do cidadão, querendo resolver problema que o próprio Estado criou com essa farra de dinheiro fácil. Juro abusivo é pecado, sim, mas cadê a educação financeira? Cadê o incentivo ao trabalho e à poupança? Só vejo mais amarra e menos liberdade.
João Batista
03/05/2026
Marcos, irmão, a Bíblia também condena quem explora o pobre com juros (Êxodo 22.25), e educação financeira não enche barriga de quem já está devendo até a alma. O problema não é a farra do dinheiro fácil, é o sistema que transforma o trabalhador em refém do banco.
Cristina Rocha
03/05/2026
A conversa já está num nível interessante, e acho que a Mariana Alves e o Caio Vieira tocaram num ponto crucial que precisa ser desdobrado. Essa resolução do Ministério do Trabalho, embora seja um alívio imediato para o bolso do trabalhador que já está sufocado por dívidas, não pode ser lida como uma vitória definitiva da classe trabalhadora. Pelo contrário, ela escancara a falência do modelo de proteção social baseado no endividamento. Vivemos numa sociedade onde o direito à moradia, à saúde e à educação foi transformado em mercadoria, e o crédito consignado virou o principal mecanismo de acesso a esses bens para quem não tem renda suficiente. O Estado, ao regular os juros, está apenas administrando a crise de um sistema que, na sua essência, é predatório. Não se trata de corrigir uma distorção, mas de suavizar os sintomas de uma doença estrutural chamada capitalismo financeirizado.
O que me preocupa, e aqui concordo com a apreensão da Mariana Lopes, é o efeito colateral que essa medida pode ter sobre os trabalhadores mais precarizados. A lógica do mercado é implacável: se o teto de juros reduz a margem de lucro dos bancos, eles simplesmente fecharão a torneira para os perfis de maior risco, que são justamente os mais pobres, as mulheres chefes de família, a população preta e periférica. Isso não é um acidente de percurso, é uma característica do sistema. O crédito consignado privado, diferentemente do público, não tem a mesma garantia de pagamento, e os bancos sempre encontrarão uma brecha para compensar a perda, seja elevando o spread para outros produtos, seja criando taxas de “análise de crédito” ou empurrando seguros embutidos. A resolução é uma vitória tática, como bem colocou o João Augusto, mas se não vier acompanhada de uma política de fiscalização rigorosa e, mais importante, de uma discussão sobre renda mínima e desmercantilização de serviços, ela será apenas um paliativo.
Além disso, acho que precisamos olhar para o patriarcado entranhado nessa lógica do endividamento. As mulheres são as maiores vítimas do crédito consignado abusivo, porque são elas que, historicamente, assumem o cuidado da casa e dos filhos, e muitas vezes precisam recorrer a empréstimos para cobrir despesas básicas ou emergenciais que o salário não cobre. A financeirização da vida cotidiana é uma faceta do patriarcado capitalista: enquanto o homem é visto como o provedor, a mulher é empurrada para o papel de gestora da escassez, e o cartão de crédito vira a extensão da sua função de cuidar. Essa resolução, ao não tratar de gênero de forma específica, ignora que o endividamento feminino tem causas e consequências diferentes. Uma política verdadeiramente emancipatória precisaria, no mínimo, vincular o limite de juros a programas de educação financeira com recorte de gênero e, acima de tudo, atacar a raiz: a desigualdade salarial e a dupla jornada de trabalho.
Por fim, não posso deixar de ironizar a contradição de um governo que se diz progressista e, ao mesmo tempo, mantém intacto o arcabouço fiscal que sufoca o investimento público. Enquanto o ministério aplaude uma resolução que limita os juros em 2,5% ao mês, a PEC do Teto de Gastos (ou o seu equivalente atual) continua impedindo que o Estado invista em creches, postos de saúde e transporte público de qualidade. Ou seja, o trabalhador continua refém do crédito para sobreviver, e o Estado, em vez de garantir direitos universais, se contenta em regular a usura. É a velha história do reformismo fraco: a gente comemora o passo à frente, mas sabe que a caminhada ainda é longa e que o chão continua minado. O debate não pode parar nessa resolução; ele precisa nos levar a questionar por que, num país tão rico, o trabalhador precisa se endividar para viver com dignidade.
João Augusto
03/05/2026
Mariana Alves, sua análise é precisa ao apontar o caráter contraditório dessa medida. Como diria Gramsci, o Estado burguês cede quando a correlação de forças se altera, mas sem jamais tocar na raiz da exploração. O limite de juros é uma vitória tática, não estratégica — enquanto o capital financeiro ditar as regras, a usura encontrará novos canais.
Mariana Alves
03/05/2026
Caio, sua análise capta bem o movimento tático do Estado burguês ao mesmo tempo que reconhece seu limite estrutural. É precisamente aí que precisamos aprofundar o debate, porque essa resolução, embora bem-intencionada na superfície, revela as contradições insolúveis de um sistema que precisa do endividamento das massas para se reproduzir. O consignado privado nunca foi um instrumento de inclusão financeira; ele nasceu como uma válvula de escape para a compressão salarial, permitindo que o trabalhador comprometa parcela significativa de sua renda futura para cobrir necessidades imediatas que o salário mínimo, congelado ou reajustado abaixo da inflação real, jamais cobre. Limitar os juros é o mínimo que o Estado pode fazer para conter a sangria mais escandalosa, mas isso não toca na raiz do problema: a financeirização da vida e a transformação do direito ao crédito em mecanismo de extração de mais-valia.
A discussão sobre a possível redução da oferta de crédito para trabalhadores de menor renda, que a Mariana Lopes levantou com razão, merece uma leitura de classe mais detida. Os bancos não vão deixar de emprestar; eles vão, sim, buscar novos mecanismos de compensação, como elevar tarifas, encurtar prazos ou empurrar produtos financeiros mais complexos e opacos. A lógica do capital financeiro é sempre encontrar o ponto de equilíbrio entre a taxa de exploração máxima e o risco de inadimplência. O que a resolução faz é apenas deslocar o locus da exploração, não eliminá-la. Enquanto a estrutura produtiva brasileira estiver assentada na superexploração da força de trabalho e na dependência do capital financeiro internacional, qualquer regulação setorial será um remendo em um tecido que já nasceu rasgado.
É emblemático que a medida venha do Ministério do Trabalho e Emprego, uma pasta que há décadas perdeu centralidade na formulação de políticas econômicas, reduzida a um apêndice do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Isso revela como o debate sobre o mundo do trabalho foi sequestrado pela agenda monetarista, onde a contenção da inflação e a meta fiscal se sobrepõem a qualquer política de distribuição de renda ou de proteção ao trabalhador. A resolução é um gesto político importante, mas não podemos cair no fetichismo da norma jurídica como se ela, por si só, transformasse as relações de produção. O Direito, na sociedade capitalista, é uma superestrutura que reflete e, ao mesmo tempo, tenta administrar as contradições da base material. Não se muda a lógica do capital por decreto.
Por fim, o comentário do Padre Antônio, embora parta de uma perspectiva moral que respeito, peca por individualizar o problema. A ganância não é um desvio de caráter de alguns banqueiros; é uma exigência sistêmica do capitalismo financeiro, onde o acionista exige rentabilidade a qualquer custo. Falar em conversão dos corações é ignorar que a usura não é uma aberração, mas a regra do jogo em um sistema que transforma tudo em mercadoria, inclusive o direito do trabalhador de ter um fôlego financeiro para chegar ao fim do mês. O que precisamos, na verdade, é de uma reorganização radical da economia que subordine o capital financeiro às necessidades sociais, e não de um capitalismo com rosto humano, que nunca existiu fora dos discursos de ocasião.
Caio Vieira
03/05/2026
Prezados comentaristas, permitam-me adentrar este debate com a perspectiva de quem, há décadas, observa as engrenagens do capitalismo periférico brasileiro. A aprovação da resolução pelo Ministério do Trabalho, limitando os juros do consignado privado, é, inegavelmente, um movimento tático no campo da luta de classes. Contudo, não podemos cair na armadilha de celebrar a medida como uma vitória definitiva da hegemonia popular sobre a financeirização da vida. Como bem apontou a Mariana Lopes, o risco de uma retração na oferta de crédito para os estratos mais vulneráveis da classe trabalhadora é real e deve ser monitorado com lupa gramsciana. O que temos aqui é uma disputa pela direção moral e intelectual do Estado: o capital financeiro, em sua ânsia por mais-valia absoluta, encontra agora uma barreira regulatória que, espera-se, não seja meramente cosmética.
A intervenção estatal, nesse sentido, opera como uma espécie de “cesarismo” progressista, para usar um conceito caro a Antônio Gramsci. O Estado, pressionado pela base social e por gestões municipais que, como lembrou o Marcos Andrade, tratam o trabalhador com dignidade, assume um papel de arbitragem que visa conter os excessos do capital sem, contudo, romper com a estrutura de acumulação. É uma política de conciliação que pode, sim, aliviar a sangria nos rendimentos do proletariado, mas que não toca na raiz do problema: a subsunção real do trabalho ao capital financeiro. Discordo frontalmente, portanto, da visão do Padre Antônio Rocha, que reduz a questão a uma falha moral individual. A usura não é fruto da “ganância desenfreada” de alguns maus agentes, mas sim um imperativo estrutural do capitalismo financeirizado, onde o lucro se descola da produção e se realiza na esfera da circulação, muitas vezes sobre o corpo do trabalhador endividado.
A resolução, ao estabelecer parâmetros para o programa Crédito do Trabalhador, insere-se no que poderíamos chamar de uma “hegemonia às avessas”: o Estado tenta, tardiamente, corrigir as distorções de um mercado que ele próprio ajudou a desregulamentar nas décadas de 1990 e 2000. É uma medida paliativa, sim, mas não no sentido moralista que o Padre lhe atribui. É paliativa porque opera no âmbito da distribuição secundária da renda, sem alterar a produção primária de desigualdade. A verdadeira conversão de que precisamos não é dos corações, mas da correlação de forças na sociedade civil. Precisamos de uma reforma tributária que taxe grandes fortunas e lucros e dividendos, e não de uma “conversão” dos banqueiros, que são agentes racionais dentro de um sistema que os premia pela exploração.
Por fim, à Maria Aparecida, que invoca a Palavra de Deus, digo que a teologia da libertação sempre nos ensinou que a justiça social é indissociável da fé. A fiscalização, como a senhora bem lembra, é o calcanhar de Aquiles de qualquer política pública no Brasil. Sem uma agência reguladora forte, com poder de sanção e autonomia frente ao lobby bancário, a resolução corre o risco de se tornar letra morta, um mero dispositivo jurídico que não altera a práxis social. O trabalhador, ao fim do mês, continuará refém da necessidade imediata de pagar contas, e o banco, com sua engenharia financeira, encontrará a brecha para seguir praticando a usura. A luta, portanto, não termina com a canetada ministerial; ela se desloca para o chão da fábrica, para o sindicato e para a organização popular. É lá que a verdadeira hegemonia se forja.
Mariana Lopes
03/05/2026
A medida parece acertada em princípio, mas fico na dúvida se não vai gerar o efeito oposto, com bancos reduzindo a oferta de crédito para trabalhadores de menor renda. Vamos ver na prática se a fiscalização será eficiente ou se vira mais uma regra bonita no papel.
Maria Aparecida
03/05/2026
Amém, João, é isso mesmo! O povo trabalhador não pode continuar sendo sangrado por juros que são verdadeira usura, isso é contra tudo que a Palavra de Deus ensina sobre justiça e misericórdia com os pobres. Agora falta fiscalizar de verdade e não deixar os bancos darem jeitinho, porque senão essa resolução vira letra morta enquanto o lucro deles continua subindo.
Padre Antônio Rocha
03/05/2026
É uma medida paliativa, mais uma tentativa do Estado de remediar o que a falta de formação moral e a ganância desenfreada causaram. O trabalhador honesto não deveria precisar de resolução para não ser explorado; precisamos é de uma conversão dos corações e do resgate da doutrina social da Igreja, que condena a usura e prega a justiça no trabalho.
Ana Karine Xavante
03/05/2026
Padre Antônio, com todo respeito que tenho pela sua trajetória e pela doutrina social da Igreja, que de fato condena a usura e defende o justo salário, preciso discordar do seu ponto. A senhora fala em conversão dos corações e resgate moral como se a exploração financeira fosse um fenômeno individual, fruto de uma escolha pessoal do banqueiro que um dia acorda mau e decide cobrar juros abusivos. Não é assim que o sistema funciona. O capitalismo financeiro não é movido por “ganância desenfreada” como um pecado isolado — ele é estrutural, racializado e colonial. A usura que vemos hoje no consignado privado é a mesma lógica que, historicamente, endividou comunidades indígenas e quilombolas, que expropriou terras e que, agora, transforma o salário do trabalhador em refém de um sistema de juros que não existe para gerar riqueza real, mas para extrair valor de quem já vive na corda bamba.
Quando a senhora chama a regulação de “paliativa”, está certa em parte — ela não resolve a raiz do problema. Mas a raiz não é a falta de formação moral individual; é a ausência de um Estado que trate crédito como direito, e não como mercadoria. Enquanto a Igreja pregar que a solução é a “conversão” dos banqueiros, os bancos vão continuar lucrando bilhões com a miséria alheia, porque o sistema não se baseia na ética pessoal, mas na lógica do lucro a qualquer custo. O trabalhador honesto ao qual a senhora se refere não precisa de esmola moral — precisa de regulação estatal forte, de controle social sobre o sistema financeiro e, principalmente, de um modelo econômico que não trate o endividamento como única saída para sobreviver.
A doutrina social da Igreja, que a senhora invoca, tem um potencial revolucionário quando fala em “justiça no trabalho” e “destinação universal dos bens”. Mas ela só se realiza se for acompanhada de políticas concretas que enfrentem o poder dos bancos e das corporações. Não adianta condenar a usura no púlpito e, na prática, aceitar que o Estado seja refém do mercado financeiro. O que precisamos não é só de conversão, mas de desobediência civil contra esse sistema que transforma o direito ao crédito em armadilha. E, sim, a resolução do Ministério do Trabalho é insuficiente — mas ela é fruto de luta, de pressão popular e de gestões que entendem que não dá para esperar a boa vontade de quem lucra com a exploração. A senhora pode chamar de paliativo; eu chamo de primeira trincheira.
João Carvalho
03/05/2026
Pois é, finalmente tão fazendo alguma coisa que presta! Esses bancos enfiam a faca no povo trabalhador, juro de agiota disfarçado de consignado. Tomara que essa resolução pegue mesmo, porque senão a gente continua pagando o pato enquanto eles lucram.
Marcos Andrade Niterói
03/05/2026
Concordo, João, mas não podemos esquecer que essa medida só veio por pressão popular e de gestões municipais que tratam o trabalhador com dignidade — enquanto isso, o governo estadual do Rio continua terceirizando responsabilidade e deixando os bancos agirem à vontade.