Menu

Analistas árabes acusam EUA de sacrificar segurança do Golfo para favorecer Israel

76 Comentários🗣️🔥 Líderes árabes e o ex-presidente dos EUA Donald Trump em cúpula do GCC-USA. (Foto: aljazeera.com) Dirigentes e especialistas do Golfo concluem que continuar despejando recursos políticos, militares e financeiros na aliança com Washington se tornou um investimento de risco elevado para a própria sobrevivência regional. O estopim foi a decisão dos Estados Unidos […]

76 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Líderes árabes e o ex-presidente dos EUA Donald Trump em cúpula do GCC-USA. (Foto: aljazeera.com)

Dirigentes e especialistas do Golfo concluem que continuar despejando recursos políticos, militares e financeiros na aliança com Washington se tornou um investimento de risco elevado para a própria sobrevivência regional.

O estopim foi a decisão dos Estados Unidos de priorizar Israel em uma nova ofensiva contra a República Islâmica do Irã, ignorando pedidos de moderação de parceiros árabes. As rotas vitais do Estreito de Ormuz e de Bab al-Mandeb passaram a operar sob ameaça permanente.

Segundo análise publicada pelo portal Al Jazeera, a Casa Branca demonstrou que, sempre que houver divergência, a prioridade estratégica norte-americana será proteger a agenda expansionista de Benjamin Netanyahu. Essa percepção atinge em cheio monarquias como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Bahrein.

Esses países abrigam dezenas de milhares de soldados dos EUA, financiam títulos do Tesouro norte-americano e movimentaram mais de cento e vinte bilhões de dólares em trocas comerciais bilaterais em 2024. Em troca, esperavam três garantias centrais: estabilidade política para atrair capital, diversificação econômica além do petróleo e proteção de rotas energéticas.

O ponto alto dessa relação ocorreu na cúpula de Riade de 2025, quando pacotes de investimentos cruzados romperam a barreira de dois trilhões de dólares. Fundos soberanos da região direcionaram setenta bilhões de dólares adicionais a ativos estadunidenses.

A opção de Washington por uma escalada bélica que ameaça justamente esses pilares foi interpretada como sinal inequívoco de que o Golfo continuará sendo moeda de troca sempre que os interesses israelenses exigirem. O risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta, disparou prêmios de seguro, encareceu fretes e dificulta os planos de transição industrial desenhados por Arábia Saudita e Emirados.

A decisão dos Emirados Árabes Unidos de abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo foi lida por diplomatas como recuo que enfraquece a coesão regional e facilita a tática colonial clássica do dividir para conquistar. Analistas lembram que projetos de autossuficiência militar e tecnológica já são testados por Turquia e República Islâmica do Irã, demonstrando que iniciativas domésticas articuladas com alianças intra-árabes podem oferecer blindagem mais eficaz do que bases estrangeiras sujeitas a cálculos eleitorais em Washington.

Para antigos embaixadores sauditas, o caminho passa por reaproximação estrutural entre países do Conselho de Cooperação do Golfo e retomada de diálogos energéticos com o Iraque. A convergência econômica com potências emergentes dos BRICS também é apontada como rota para reduzir gradualmente a dependência do dólar e dos arsenais fabricados nos EUA.

O cálculo político, afirmam estudiosos da Universidade do Catar, é simples: somente uma rede de segurança construída por atores nativos poderá garantir fluxos de petróleo, estabilidade monetária e a própria sobrevivência de governos que viram a Primavera Árabe de perto. A geografia e a demografia continuarão ditando esse imperativo.

A tentativa do presidente Donald Trump de reabrir conversas com Teerã sem sequer consultar aliados do Golfo reforça a desconfiança de que os árabes servem apenas de linha de passe na disputa maior entre Washington e Tel Aviv. Esse descompasso diplomático já se converte em movimento financeiro, com fundos soberanos transferindo fatias crescentes de reservas para infraestruturas verdes na Ásia e para acordos de moeda local com a China.

A China mantém postura pública de respeito à integridade territorial dos Estados árabes e incentiva cadeias de valor compartilhadas. O contraste com a postura norte-americana não passa despercebido nas capitais do Golfo.

O dilema colocado aos monarcas é escolher entre dobrar a aposta em um guarda-chuva norte-americano cheio de furos ou investir no fortalecimento de uma arquitetura regional capaz de acomodar diferenças políticas sem abrir espaço para intervenções externas. Para consultores energéticos baseados no Kuwait, o enfraquecimento da confiança mútua com Washington deve acelerar iniciativas como redes elétricas unificadas e estaleiros conjuntos.

Programas de defesa aérea integrados que dispensam radares e mísseis mantidos sob código-fonte restrito pelo Pentágono também estão na pauta. A autonomia tecnológica surge como condição inegociável para qualquer projeto de soberania duradoura.

A longo prazo, conclui a análise da Al Jazeera, somente a coesão árabe poderá diluir desequilíbrios de poder que hoje perpetuam instabilidade. Depender de frotas ancoradas a milhares de quilômetros significa abdicar da própria capacidade de definir prioridades nacionais.

Sem abandonar relações diplomáticas e comerciais com os EUA, estrategistas defendem reequilíbrio que subordine a presença militar estrangeira a normas claras e a contrapartidas tangíveis nos campos de tecnologia, educação e industrialização voltada para a era pós-petróleo. O modelo atual, avaliam, já demonstrou seus limites.

A crise instalada após as tensões com o Irã serviu de alerta final de que lealdade cega a Washington não é seguro de vida, mas sim convite permanente a novos ciclos de tensão e bloqueio de rotas marítimas. A volatilidade de preços corrói as finanças públicas do Golfo e expõe a fragilidade de uma dependência construída ao longo de décadas.

Se a sinalização for ignorada, alertam os comentaristas, a próxima convulsão poderá empurrar os mesmos aliados a disputas entre si. Potências externas estariam prontas para ditar preço, ritmo e destino de cada barril extraído daquela que segue sendo a maior província petrolífera do planeta.


Leia também: Irã denuncia países do Golfo por cumplicidade em ataques dos EUA e Israel


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Cíntia Ribeiro

03/05/2026

Dr. Thiago, você tocou no ponto central: a surpresa é que causa estranhamento justamente porque os países do Golfo sempre jogaram o jogo realista, mas subestimaram o quanto o tabuleiro mudou com a aproximação entre Israel e os EUA. O custo de oportunidade de manter essa aliança está ficando alto demais para quem precisa diversificar parceiros, e acho que veremos mais movimentos em direção à China e à Rússia nos próximos anos.

Dr. Thiago Menezes

03/05/2026

Rick Ancap foi direto ao ponto, mas a constatação é mais banal do que parece: qualquer estudante de relações internacionais sabe que alianças são instrumentais, não afetivas. O que me surpreende é a surpresa — os países do Golfo realmente achavam que os EUA agiriam contra os próprios interesses eleitorais e do complexo militar-industrial? Dados da Brookings e do Council on Foreign Relations já mostravam esse padrão desde os anos 90.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, Carlos, você falou tudo. No fim das contas, quem é pequeno sempre acaba sendo peça de xadrez nesse jogo dos grandes. A gente aqui no Brasil também sente na pele quando os países ricos viram as costas e o preço sobe pra todo mundo, seja no combustível ou na comida.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Pois é, Mariana Lopes, você resumiu bem. A real é que a política externa americana sempre foi pragmática, e o que estamos vendo é o preço que os árabes estão pagando por terem apostado todas as fichas numa superpotência que age por interesse próprio. O problema não é só a aliança em si, mas a falta de alternativas viáveis para a região.

Mariana Lopes

03/05/2026

O Rick Ancap foi grosseiro, mas no fundo tem razão: a Renata parece esquecer que política externa sempre foi sobre interesses, não sobre justiça. Dito isso, acho que os analistas árabes não estão descobrindo nada novo — só constatando o óbvio: aliança com superpotência é como aluguel, você paga enquanto o senhorio quiser renovar o contrato. O problema é que o Golfo agora não tem para onde correr.

Rick Ancap

03/05/2026

Renata Oliveira, para de rezar e abre um livro de história. Geopolítica não é novela da Globo.

Renata Oliveira

03/05/2026

Gente, fico triste em ver como a geopolítica vira um jogo de interesses onde os mais fracos sempre perdem. Os EUA deveriam ser um mediador justo, não um aliado que escolhe lados baseado em conveniência. Oremos para que prevaleça o diálogo e a paz, não a exploração.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Os caras estão descobrindo agora que aliança geopolítica não é filantropia. EUA sempre usaram o Golfo como posto de gasolina e agora tão trocando de fornecedor. Se os árabes querem segurança, que parem de financiar terrorismo com petrodólar e construam economia de verdade, sem viver de renda petrolífera. Enquanto isso, o contribuinte americano paga a conta.

John Marshall

03/05/2026

A Fernanda Oliveira tocou no ponto central: a realpolitik nunca foi sobre princípios, mas sobre interesses. Desde Hobbes sabemos que alianças são instrumentos de sobrevivência, não de virtude. O que os analistas árabes estão fazendo é um cálculo racional de custo-benefício — e constatar que o fiador americano se tornou um risco, não uma garantia. Quem ainda enxerga isso como disputa moral entre “civilização” e “barbárie” deveria reler Maquiavel antes de comentar.

Fernanda Oliveira

03/05/2026

É curioso como a discussão sempre cai no maniqueísmo: de um lado pintam Israel como salvador da civilização, do outro como único vilão do Oriente Médio. A realpolitik é mais cinzenta — os países do Golfo sabem que Washington sempre vai equilibrar seus compromissos conforme a conveniência doméstica, e a atual prioridade dada a Tel Aviv não é exatamente novidade, é continuidade de uma política que existe desde 1948. O problema é que os árabes agora estão descobrindo que ser aliado dos EUA significa aceitar que a segurança deles vem depois dos interesses eleitorais americanos e israelenses, e isso é um choque de realidade tardio.

Cecília Torres

03/05/2026

Silvia, sua análise ignora um dado concreto: os Acordos de Abraham foram celebrados justamente porque os países do Golfo perceberam que a segurança regional não pode depender de um fiador que muda de prioridade a cada eleição. Dados do Stockholm International Peace Research Institute mostram que os EUA reduziram em 15% sua presença militar no Golfo desde 2020, enquanto Israel recebeu aumento de 20% em ajuda militar americana. Não é questão de “valores”, é matemática de poder.

Marina Costa

03/05/2026

Silvia, você está certíssima. Israel é o único farol de civilização e valores bíblicos naquela região cheia de regimes opressores e intolerância islâmica. Enquanto os países do Golfo tratam a aliança como um mal necessário, Israel honra seus compromissos e defende a liberdade. O problema é que essa esquerda da Marina Silva prefere defender terroristas a reconhecer a verdade.

Pedro Almeida

03/05/2026

Silvia Ramos, sua leitura ignora que a própria criação de Israel como projeto colonial na região já nasceu sob a lógica de “dividir para reinar”, típica do imperialismo britânico e depois estadunidense. Os Acordos de Abraham não passam de uma tentativa de normalizar a dominação, não de construir paz. Enquanto os EUA tratarem o Golfo como mero curral eleitoral para garantir o fluxo de petróleo e a hegemonia de Israel, a segurança regional continuará sendo uma miragem.

Marina Silva

03/05/2026

Silvia, esse papo de “valores judaico-cristãos” é cortina de fumaça pra justificar genocídio e roubo de terra. Enquanto isso, os EUA despejam bilhões em bombas enquanto a população do Golfo sofre com crise hídrica e falta de escola.

Silvia Ramos

03/05/2026

O que esses analistas árabes esquecem é que Israel é o único aliado confiável dos EUA no Oriente Médio, uma nação que compartilha valores judaico-cristãos e defende a liberdade. Enquanto os países do Golfo brincam de equilibrar-se entre o Ocidente e regimes autoritários, Israel permanece firme como a luz das nações, como está escrito em Isaías. Quem critica essa aliança deveria olhar para o próprio quintal e ver quantos direitos humanos são respeitados por aí.

Maria Antonia

03/05/2026

Luiz Carlos, você resumiu bem: no fim, quem paga a conta é o cidadão que trabalha. Mas acho que o problema é mais embaixo. Enquanto os governos da região tratarem aliança como dependência e não como parceria de interesses, vão continuar sendo peças no tabuleiro alheio. Cada um que cuide do seu quintal com responsabilidade, sem esperar que tio Sam resolva tudo.

    Jeferson da Silva

    03/05/2026

    Maria Antonia, concordo que cada um cuide do seu, mas enquanto o trabalhador brasileiro tiver que pagar gasolina a preço de ouro e o governo abrir mão de refinar nosso próprio petróleo, quem manda no nosso quintal é o mercado internacional, não o povo.

Luiz Carlos

03/05/2026

Tadeu, você tocou no ponto que interessa. No fim das contas, quem paga a conta é o povo brasileiro no posto de gasolina. Enquanto esses governantes brincam de geopolítica, a gente aqui trabalhando duro pra encher o tanque. Imposto alto e gasolina cara é o que sobra pra nós.

Tadeu

03/05/2026

Ah, mais uma treta geopolítica que no fim das contas vai mexer é no preço do petróleo e na minha carteira. Enquanto esses caras discutem aliança com EUA e Israel, o que me preocupa é se o barril vai disparar de novo e comer minha rentabilidade. No fim, o mercado sempre dá um jeito de precificar esse teatrinho todo.

Luiz Augusto

03/05/2026

Samara e Tiago, vocês tocam num ponto crucial. O problema não é Israel existir ou ter alianças, é o custo dessa aliança unilateral recair sobre terceiros sem contrapartida estratégica clara. Um liberal de verdade defende que cada nação busque seus interesses, mas com responsabilidade fiscal e geopolítica. Despejar recursos em alianças que geram instabilidade e não trazem retorno mensurável é irresponsabilidade, não diplomacia. O Brasil que aprenda com isso antes de repetir o erro.

Samara Oliveira

03/05/2026

Tiago Mendes, você foi cirúrgico ao citar Salmos. A paz que a Bíblia ensina não se constrói com alianças que privilegiam um povo em detrimento de outro. Essa história de EUA sacrificar a segurança do Golfo por Israel é mais um capítulo de como o poder econômico e militar corrompe até as relações internacionais. O povo simples, tanto aqui no Brasil quanto lá no Oriente Médio, é quem sempre paga o preço dessa geopolítica suja.

Tiago Mendes

03/05/2026

Adriana, com todo respeito, mas chamar isso de “conspiração globalista” é ignorar o histórico de décadas dos EUA no Oriente Médio. A Bíblia nos ensina a buscar a paz e a justiça para todos os povos (Salmos 122:6), não a defender alianças que só alimentam guerras e desigualdade. Enquanto os sheiks fazem hedge de risco, o povo simples paga com sangue e instabilidade.

Adriana Silva

03/05/2026

Faz o L, vai pra Cuba, seus comunistas! Isso aí é conspiração globalista pra enfraquecer os EUA e fortalecer o Hamas.

Carlos Oliveira

03/05/2026

O José dos Santos tocou no que realmente importa, e o Lucas Moreira, com sua linguagem de mercado, esquece que a geopolítica não é um jogo de planilha. Enquanto os sheiks fazem hedge, o povo do Oriente Médio e o nosso aqui no Brasil pagam a conta com sangue e gasolina cara. A aliança cega com Israel não é só um risco para o Golfo, é um sintoma do mesmo imperialismo que drena recursos das nossas escolas públicas.

José dos Santos

03/05/2026

Pô, o Lucas Moreira falou bonito com esses termos de mercado, mas no fim do dia quem vai sentir o tranco é o motorista de app que nem sabe onde fica o Golfo. Enquanto eles fazem hedge de risco soberano, aqui a gasolina não para de subir e a gente segurando bandeira vermelha. Pra mim isso tudo é briga de gente grande que nunca pegou um trânsito na vida.

Rodrigo RedPill

03/05/2026

Lucas Moreira falou tudo. Enquanto a turma do mimimi chora “imperialismo”, os caras do Golfo tão fazendo exatamente o que qualquer trader esperto faria: hedge de risco geopolítico. Israel é o único aliado real dos EUA na região que entrega resultado, o resto é custo operacional. Quem não diversifica, morre na mão de petroestado falido.

Maria Aparecida

03/05/2026

O Lucas Moreira fala em “diversificar risco soberano” como se fosse só planilha de investimento, mas a Bíblia já diz: “Ai dos que decretam leis injustas” (Isaías 10.1). Os EUA tratam o Golfo como escada pra seus interesses e depois jogam fora, enquanto o povo pobre da região paga o preço em guerras e refugiados. Aliança que sacrifica a vida dos pequenos não é contrato racional, é pecado estrutural.

Lucas Moreira

03/05/2026

Ora, o João Carvalho resumiu bem: aliança geopolítica é contrato, não casamento. Os países do Golfo estão fazendo a lição de casa de qualquer investidor racional — diversificar risco soberano. Enquanto a esquerda chora imperialismo, o mercado já precifica que manter 100% dos ativos de segurança atrelados a Washington virou posição de alto risco. Se querem sobrevivência regional, que tratem a própria defesa como portfólio: menos concentração, mais eficiência.

João Carvalho

03/05/2026

A Maria Clara tocou num ponto que o pessoal mais ideologizado parece ignorar: alianças geopolíticas não são casamento, são contratos de curto prazo. O que a notícia mostra é justamente o custo de uma relação assimétrica em que os EUA tratam o Golfo como mero posto avançado de seus interesses, especialmente os ligados a Israel. O realismo político, desde Morgenthau, já nos ensina que quando o custo de uma aliança supera o benefício, o rompimento ou o realinhamento é questão de tempo.

Maria Clara Lopes

03/05/2026

É interessante ver como essa discussão já escalou para os dois lados do ringue político. Acho que o ponto central aqui não é demonizar os EUA nem passar pano pra ninguém, mas reconhecer que alianças geopolíticas sempre têm custos e que o Oriente Médio está cansado de ser tratado como peça de tabuleiro. O pragmatismo deveria falar mais alto que ideologia.

Paula Santos

03/05/2026

É preocupante ver como alianças geopolíticas se tornam tão voláteis quando interesses particulares se sobrepõem ao bem comum. Como cristã, acredito que a honestidade e a justiça deveriam guiar as relações entre as nações, não apenas acordos de conveniência. Que possamos orar por líderes sábios que busquem a paz verdadeira, sem favorecer uns em detrimento de outros.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

Ora, os árabes agora descobriram que aliança tem preço? Enquanto isso, a esquerda brasileira chama os EUA de imperialistas e passa pano pra ditadura e terrorismo. Ordem e soberania se constroem com valores firmes, não com esse mimimi geopolítico de quem quer benefício sem compromisso.

João Martins

03/05/2026

Interessante como a Célia e o Lucas já trouxeram dois polos opostos da discussão: um reducionismo anti-imperialista de um lado, e uma tentativa de análise mais fria do outro. Mas acho que ambos perdem um dado crucial que está na entrelinha dessa notícia: a “aliança” EUA-Golfo sempre foi um contrato de seguro com cláusulas abusivas, e os sheiks estão só fazendo a matemática básica agora. O que mudou não foi a moralidade americana — isso sempre foi questionável —, mas o custo-benefício. Desde o acordo de paz de Abraão, em 2020, ficou claro que Washington tratava a normalização com Israel como prioridade máxima, mesmo que isso significasse engolir a expansão de assentamentos e a violência na Cisjordânia. Para os sauditas e emiratis, que esperavam que a superpotência freasse o projeto israelense de hegemonia regional em troca de petróleo barato e bases militares, o tiro saiu pela culatra.

O que me parece mais sintomático é que essa conclusão dos analistas árabes não veio de um surto de consciência política, mas de dados concretos. Basta olhar os números de transferência de armas dos EUA para Israel em 2023-2024 versus o aumento de ataques a infraestrutura energética do Golfo por proxies iranianos. Enquanto Tel Aviv recebeu pacotes de defesa antimísseis e munição guiada de precisão, os Emirados e a Arábia Saudita tiveram que se virar com sistemas Patriot que, segundo relatórios do GAO americano, têm taxa de interceptação duvidosa contra drones de baixo custo. A conta não fecha: você paga a apólice, mas o seguro só cobre o carro do vizinho. Não é ideologia, é planilha de Excel.

Agora, o Adalberto com seu espantalho comunista e o Gabriel Teen com seu cinismo adolescente só embaralham o debate. A realpolitik do Golfo nunca foi sobre “ocidente vs oriente” ou “democracia vs terrorismo”. Foi sempre sobre garantir que o fluxo de gás e petróleo não fosse interrompido, e que as monarquias sobrevivessem às primaveras árabes. Se os EUA estão agora usando a influência que têm na região para blindar Israel — inclusive contra as próprias demandas de segurança dos países do GCC —, o movimento racional é diversificar parceiros. A China já é o maior importador de petróleo saudita, e Pequim não exige que Riad condene o Hamas ou normalize com Tel Aviv como condição para negócios. O custo de oportunidade de ficar ao lado dos EUA está ficando alto demais.

No fim, acho que o Lucas tocou no ponto certo quando criticou o reducionismo, mas faltou mencionar um estudo recente do Brookings Doha Center que mostra que 68% dos cidadãos do Golfo entre 18 e 35 anos consideram a aliança com os EUA “prejudicial” à segurança regional. Não é um movimento de cúpula, é pressão de baixo para cima. Se a Casa Branca continuar tratando o Golfo como um mero trampolim logístico para operações israelenses, não vai demorar para vermos acordos de defesa com a Rússia ou a China saindo do papel. E aí, o “sacrifício” que os EUA estão fazendo hoje para favorecer Israel pode custar caro em termos de influência global — mas isso é um problema que eles mesmos criaram.

Adalberto Livre

03/05/2026

ISSO E O COMUNISMO!!! QUEREM DESTRUIR O OCIDENTE E AINDA FICAM DE CHORO PORQUE OS EUA NAO DEIXAM OS TERRORISTAS TOMAR CONTA!!! ACORDA POVO!!!

    Lucas Pinto

    03/05/2026

    Adalberto, seu comentário é um prato cheio para quem quer entender como o discurso anticomunista funciona como muleta intelectual. Você reduziu uma análise geopolítica complexa a um grito de guerra da Guerra Fria, como se “comunismo” fosse um espantalho que explica tudo. Não é. O que os analistas árabes estão apontando não é uma defesa do socialismo, mas uma constatação empírica: os EUA tratam a região como um tabuleiro onde as peças são descartáveis, e Israel é o jogador que nunca sai do jogo. Chamar isso de “comunismo” é ignorar que a própria lógica do capitalismo imperialista, com suas bases militares e contratos de armas, é o que sustenta essa dinâmica. Gramsci já alertava que o senso comum é fragmentário e acrítico; seu grito é a prova viva de como a ideologia dominante transforma qualquer crítica ao poder em heresia.

    Você fala em “terroristas tomarem conta”, mas quem define quem é terrorista? Os mesmos EUA que armaram a Arábia Saudita no Iêmen, que bombardearam a Síria sem mandato da ONU, que tratam o Hezbollah como inimigo mas negociam com talibãs quando convém. A categoria “terrorista” é um dispositivo biopolítico, como Foucault mostrou: serve para classificar, hierarquizar e justificar intervenções. Enquanto você repete slogans de “defesa do Ocidente”, os sheiks do Golfo estão descobrindo na prática que ser aliado dos EUA é pagar a conta e ainda levar a culpa. Não é comunismo, é lucro. É a manutenção de uma ordem que precisa de inimigos para se reproduzir.

    E sobre “destruir o Ocidente”: o Ocidente já se destrói sozinho quando financia ditaduras, promove guerras por recursos e trata vidas palestinas como dano colateral. Seu medo do comunismo é, no fundo, o medo de perder os privilégios que essa ordem lhe garante. Mas a história não para. Enquanto você berra “acorda povo”, o povo já está acordando para o fato de que o verdadeiro terrorismo é o que vem de cima, com bandeira e juros.

Célia Carmo

03/05/2026

EUA tratando o Golfo como curral de Israel, que novidade! #ForaYankees #PalestinaLivre #ImperialismoNuncaMais

Maura Santos

03/05/2026

Ah, Gabriel Teen, o único que falou algo com sentido nessa thread. O resto aqui parece que tá escrevendo artigo de opinião pra revista da igreja. A real é que os sheiks tão descobrindo que ser “aliado” dos EUA é que nem andar de busão em SP: você paga a passagem, mas quando o motorista resolve fechar a porta na sua cara, você fica a pé. Quem avisou que terceirizar segurança nacional pra quem só pensa em petróleo e eleição daria nisso?

Gabriel Teen

03/05/2026

Ah lá, mais um textão de quem acha que geopolítica se resolve com versículo da Bíblia, vai dormir que amanhã tem aula.

Marcus Almeida

03/05/2026

João Batista, o senhor acertou em cheio. Enquanto esses governos árabes terceirizam a segurança nacional para potências estrangeiras, esquecem do Salmo 118: “É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem”. O que estamos vendo é a falência moral de alianças que trocam princípios por conveniência política e petrodólares.

    Ana Karine Xavante

    03/05/2026

    Marcus, eu respeito sua fé e entendo o conforto que ela traz, mas preciso discordar do ângulo que você e João Batista estão usando aqui. Quando a gente reduz a geopolítica do Golfo a uma questão de “falência moral” ou de “confiança no homem versus confiança em Deus”, a gente corre o risco de apagar a materialidade histórica do que está em jogo. Não são os sheiks que estão trocando princípios por petrodólares por uma escolha espiritual equivocada — eles estão operando dentro de um sistema montado pelo colonialismo ocidental há mais de um século. As fronteiras desses países foram desenhadas a régua e caneta por Londres e Paris depois da queda do Império Otomano. As monarquias do Golfo, em grande parte, foram mantidas no poder justamente porque aceitaram ser postos de gasolina do império americano. A “terceirização da segurança” que você critica não é um desvio moral individual; é a condição de existência desses Estados desde o início. O problema não é que eles confiam no homem em vez de confiar em Deus; é que o “homem” em quem confiam é o mesmo que bombardeia o Iêmen, que sustenta o apartheid israelense e que extrai o sangue da terra deles há gerações.

    E aqui eu preciso puxar a discussão para um lugar que acho que está faltando nessa thread inteira: o colonialismo estrutural não é apenas sobre o que os EUA fazem no Oriente Médio, é sobre como a gente, no Brasil, reproduz a mesma lógica. Enquanto vocês discutem se a culpa é do imperialismo americano, do livre mercado ou da falta de fé, a gente esquece que o Brasil também tem suas próprias relações coloniais com o Sul Global. O agronegócio brasileiro, que empurra a soja e o gado sobre os territórios indígenas e quilombolas, está alimentando as mesmas cadeias de destruição climática que afetam desproporcionalmente o mundo árabe e a África. A soja que destrói o Cerrado vai parar nos portos do Golfo. O minério de ferro extraído das terras dos povos originários no Pará vira aço nos arranha-céus de Dubai. Não existe “falência moral” que se resolva com salmos ou com planilhas de Excel enquanto a gente não enfrentar o fato de que o capitalismo extrativista é uma máquina de moer povos inteiros, independente da religião deles.

    Outra coisa que me incomoda nessa leitura é como ela isenta Israel e os EUA de responsabilidade. Dizer que os governos árabes “colhem o que plantaram” por confiar em alianças terrenas soa, ainda que sem intenção, como uma culpabilização da vítima. Quem está sendo sacrificado na mesa de negociações não são os sheiks com seus palácios e contas na Suíça — são os povos palestinos, os curdos, os yazidis, os trabalhadores migrantes do Sudeste Asiático nos Emirados. A “segurança do Golfo” que os analistas árabes mencionam no artigo nunca foi sobre proteger gente comum; foi sempre sobre proteger o fluxo de petróleo e os lucros das elites locais e estrangeiras. Quando os EUA favorecem Israel, eles não estão apenas “trocando lealdade por conveniência” — estão afirmando abertamente que a vida de um israelense vale mais que a de um palestino ou de um sírio. Isso não é geopolítica, é racismo estrutural com tanques e mísseis.

    Por fim, Marcus, acho que a gente precisa tomar cuidado para não transformar a crítica à aliança com os EUA numa espécie de puritanismo geopolítico. Não existe nação que sobreviva sem alianças — o problema é com quem e em que termos. O que falta no Golfo não é mais fé ou mais moralismo; é soberania popular de verdade, é distribuição de riqueza, é fim dos regimes autocráticos que vendem o país como se fosse uma fazenda particular. E isso, infelizmente, não se resolve com salmos nem com discursos de coach de mercado. Se a gente quer falar de princípios, vamos falar de justiça climática, de reparação histórica e do direito dos povos de decidirem seu próprio futuro sem serem bombardeados ou sufocados por sanções econômicas.

João Batista Alves

03/05/2026

Minha nossa, Clotilde, a senhora tem toda razão em ficar alarmada! É o que eu sempre digo na minha loja: quando o homem troca a lealdade por conveniência política, a casa desaba. Esses sheiks estão colhendo o que plantaram ao confiar mais em alianças terrenas do que na providência divina. O Brasil que se cuide para não cair na mesma armadilha.

Marta Souza

03/05/2026

Pois é, Cecília, você tocou no ponto certo. Enquanto esses sheiks choramingarem por proteção barata dos EUA, vão continuar sendo peões no tabuleiro alheio. Se cada monarquia do Golfo tivesse coragem de cortar o desperdício público e investir em defesa própria com seriedade, não estariam agora reféns de um jogo que não controlam. Livre mercado e responsabilidade fiscal resolvem isso, não choro geopolítico.

    Bia Carioca

    03/05/2026

    Marta, o livre mercado não resolve nada quando o jogo é de poder e petróleo. Responsabilidade fiscal sozinha não paga tanque de guerra nem constrói ferrovia — isso é papo de coach de geopolítica. O que falta é soberania de verdade, não planilha de Excel.

Clotilde Pátria

03/05/2026

Meu Deus, é o fim dos tempos mesmo! Os Estados Unidos virando as costas pro Golfo pra agradar Israel, e ninguém fala nada? Isso é a prova que o comunismo já está infiltrando até a política externa americana, querem destruir o mundo judaico-cristão!

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    Clotilde, com todo respeito, a senhora está invertendo a polaridade da análise. O que estamos vendo não é o “comunismo infiltrando a política externa americana” — pelo contrário, é a mais pura expressão do imperialismo capitalista em sua fase de decadência. Os EUA não estão virando as costas ao Golfo por influência de Moscou ou Pequim, mas porque o capital financeiro internacional, hegemonizado pelo complexo militar-sionista dentro do próprio Estado americano, redefiniu as prioridades estratégicas. Não há nada de “judaico-cristão” em jogo: há petróleo, bases militares e a manutenção da taxa de lucro dos grandes conglomerados. Se Israel é privilegiado, é porque funciona como o posto avançado do imperialismo no Oriente Médio, não por uma suposta conspiração cultural.

    A senhora toca num ponto que merece ser aprofundado: essa narrativa de “fim dos tempos” e “destruição do mundo judaico-cristão” é exatamente o que Gramsci chamaria de crise de hegemonia ideológica. Quando o guardião imperial começa a mostrar as garras abertamente, abandonando a máscara da “ordem internacional baseada em regras”, os setores mais conservadores entram em pânico moral. Mas o que está em colapso não é uma civilização — é a capacidade dos EUA de seguir administrando as contradições do capitalismo global. O “mundo judaico-cristão” nunca existiu como projeto real; foi sempre uma cortina de fumaça para justificar invasões, golpes e pilhagem. Agora que a cortina rasga, a senhora vê o palco vazio e acha que é o Apocalipse. É só o capitalismo mostrando sua face nua e crua.

    O problema real, e aí concordo com o João Augusto, é que as monarquias do Golfo estão colhendo o que plantaram: terceirizar soberania para o império em declínio. Mas não caiamos na armadilha de achar que o “comunismo” tem algo a ver com isso. O comunismo, se quisesse infiltrar a política externa americana, estaria defendendo o fim das bases militares no Oriente Médio, a nacionalização do petróleo e a autodeterminação dos povos árabes — exatamente o oposto do que Washington faz. O que a senhora chama de “comunismo” é, na verdade, a crise terminal da hegemonia burguesa americana. E, se me permite a provocação, talvez o verdadeiro “fim dos tempos” seja o fim da ilusão de que os EUA agem por valores. Eles sempre agiram por interesses de classe. Israel é só o nome que esse interesse recebe hoje.

João Augusto

03/05/2026

Rubens, a metáfora do trator emprestado é precisa. O que os analistas árabes estão diagnosticando, em termos gramscianos, é o colapso da hegemonia estadunidense no Golfo: quando o guardião imperial deixa claro que a segurança regional é negociável diante dos interesses de Tel Aviv, a subalternidade deixa de ser um cálculo racional. As monarquias petroleiras agora percebem que sua integração subordinada ao complexo militar-industrial americano não oferece mais nem a contrapartida da proteção — é puro desgaste de soberania sem retorno.

Cecília Alves

03/05/2026

Os sheiks do Golfo querem mordomia e segurança sem pagar o preço de se virar sozinhos. Terceirizar defesa pra Washington sempre foi um mau negócio: você entrega soberania e ainda fica refém de prioridades alheias. Se cada monarquia investisse pesado em suas próprias forças armadas, em vez de depender de ajuda externa, essa crise nem existiria.

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Cecília, lá na roça quando o patrão queria mandar no colono ele começava emprestando ferramenta. Depender dos EUA é igual pegar trator emprestado do grileiro: um dia ele volta pra cobrar com juro e terra.

Francisco de Assis

03/05/2026

Pois é, Diego, você tocou no ponto certo: essa tal de “terceirizar segurança” sempre foi um engodo. Os caras acham que vão ter proteção americana de graça e ainda ficam de mimimi com Israel, mas esquecem que os EUA tão pouco se lixando pro Golfo, o negócio deles é garantir o domínio sionista na região. Enquanto isso, o Brasil do Lula mostra que dá pra ter soberania sem ser capacho de ninguém, fazendo acordos com quem respeita a gente de verdade.

Diego Fernández

03/05/2026

Márcio, acho que você deixou passar o ponto central: não é que uma tese exclui a outra, é que a “hipocrisia dos sheiks” e a “exploração imperialista” são duas faces da mesma moeda. Enquanto as monarquias do Golfo acharem que podem terceirizar segurança e ainda ditar regras, vão continuar sendo peças no tabuleiro de Washington. O problema não é moral, é estrutural: dependência econômica e militar gera subordinação, sempre.

Márcio Torres

03/05/2026

Acho curioso como essa discussão sempre escorrega para o mesmo lugar: ou se culpa a “hipocrisia dos sheiks” ou a “exploração imperialista”, como se fossem teses mutuamente excludentes. Mariana e Luciana, vocês duas estão certas em partes, mas acho que perderam o fio da meada estrutural. O que temos aqui não é um desentendimento diplomático entre parceiros iguais — é a consequência lógica de décadas de terceirização de soberania. Os países do Golfo construíram seus estados modernos em cima de um tripé: petrodólares, mão de obra importada e um guarda-chuva de segurança americano. Quando você monta um país assim, a autonomia real é uma ficção. Você não pode esperar que Washington trate Riad como tratou Londres ou Paris. A relação sempre foi de protetorado disfarçado de aliança.

Agora, sobre a provocação da Alice T. no comentário inicial — ela tem um ponto que merece ser levado a sério, mesmo que mal colocado. A crítica à “vassalagem” não pode ser seletiva. Se vamos apontar o dedo para monarquias do Golfo que aceitam bases americanas em troca de segurança, precisamos aplicar o mesmo critério para qualquer governo que faça acordos assimétricos com potências estrangeiras. O problema não é ideológico, é matemático: quando um país pequeno ou médio depende de uma grande potência para sua defesa, ele perde poder de barganha. E perder poder de barganha em uma região volátil como o Oriente Médio é jogar roleta-russa com a própria existência.

O que me irrita profundamente nessa thread é a tendência de tratar Israel como mero “peão” ou “instrumento” dos EUA, como o Ronaldo fez. Isso é uma simplificação que não resiste a cinco minutos de análise histórica. Israel tem seu próprio lobby, sua própria agenda de segurança, sua própria capacidade de arrastar os EUA para conflitos que Washington preferiria evitar. A relação é simbiótica, não hierárquica. Se fosse só um peão, não teria conseguido pautar a política externa americana no Oriente Médio por décadas, inclusive contra os interesses explícitos de aliados árabes. Tratar Israel como fantoche dos EUA é subestimar tanto a capacidade de agência israelense quanto a complexidade do jogo geopolítico.

No fim das contas, a conclusão dos analistas árabes mencionada na manchete é a mais sensata que li até agora: investir na aliança com Washington se tornou um risco elevado. Mas não porque os EUA são “traidores” ou porque Israel é “manipulador”. É porque a estrutura da relação nunca foi desenhada para beneficiar os países do Golfo quando houver conflito de interesses. E agora que o tabuleiro está mudando — com a China entrando na região, a Rússia se reposicionando e os EUA perdendo hegemonia energética —, os sheiks estão redescobrindo uma verdade elementar das relações internacionais: aliança não é família, é contrato. E contratos podem ser rescindidos.

Luciana Costa

03/05/2026

Mariana, a hipocrisia é dos dois lados mesmo, mas acho que o problema de fundo é mais estrutural. Os países do Golfo sempre jogaram o jogo de equilibrar segurança americana com autonomia política, e agora descobrem que Washington não tem mais disposição (ou capacidade) de gerenciar esse equilíbrio. O erro deles foi acreditar que a aliança era incondicional.

Mariana Costa

03/05/2026

Ana, acho que o problema não é só a lógica de classes, mas a hipocrisia de ambos os lados. Os sheiks do Golfo querem proteção americana sem engolir os desaforos de Israel, e Washington quer bases militares na região sem precisar ouvir críticas. Enquanto isso, quem paga a conta é a população local, que vive entre a repressão das próprias monarquias e os bombardeios de um conflito que não pediu. Equilíbrio mesmo seria esses países diversificarem suas alianças, em vez de ficarem reféns de um só parceiro.

Ana Souza

03/05/2026

Ronaldo, você tocou num ponto que me faz pensar: será que essa lógica de “patrão contra operário” se aplica tão diretamente assim? Os países do Golfo não são exatamente classe trabalhadora, são monarquias absolutas com bilhões de petrodólares. O problema real pra mim é que eles próprios escolheram esse jogo de alianças e agora reclamam que as regras mudaram. Mas concordo que os EUA sempre jogaram os interesses deles em primeiro lugar, não dá pra fingir surpresa.

Ronaldo Pereira

03/05/2026

É a mesma lógica do patrão que joga um operário contra o outro pra enfraquecer a luta. Os EUA usam Israel como peão pra desestabilizar a região, enquanto os sheiks do Golfo acham que vão escapar ilesos. Enquanto a classe trabalhadora árabe não se unir contra essa exploração imperialista, vão continuar sendo massa de manobra.

Eduardo Nogueira

03/05/2026

O Tonho Patriota já chegou espumando porque o sonho dele era ver o Bolsonaro ditador vendendo o Brasil pros americanos igual esses sheiks fazem. E a Cristina com esse papinho de “naturalização da terceirização” parece que saiu de um livro da Djamila Ribeiro. O problema é que os árabes tão descobrindo que ser vassalo dos EUA custa caro, mas querer bancar o progressista no Oriente Médio é piada pronta.

    Alice T.

    03/05/2026

    Eduardo, a ironia é que você critica quem “terceiriza soberania” mas defendeu um governo que literalmente ofereceu a Base de Alcântara pra NASA de graça. O problema não é ser progressista no Oriente Médio, é achar que vassalagem tem lado certo.

Cristina Rocha

03/05/2026

Cristina, 60, SP:

Miriam e Paulo Gestor RJ trouxeram pontos importantes, mas acho que precisamos ir além da constatação de que os países do Golfo terceirizaram a segurança. Isso é óbvio. O que me parece mais grave é a naturalização com que tratamos a ideia de que uma nação pode subcontratar sua própria defesa como quem contrata um serviço de limpeza. Isso não é geopolítica, é colonialismo travestido de aliança estratégica. Desde a Doutrina Truman, os EUA vendem a ilusão de que protegem parceiros regionais, quando na verdade o que fazem é garantir a circulação do petróleo em dólares e a hegemonia do complexo militar-industrial. O Golfo está descobrindo agora, tardiamente, que o guarda-costas virou o algoz.

O que me chama atenção é o silêncio sobre o papel de Israel nessa equação. Não é segredo que o lobby sionista em Washington opera há décadas para que a política externa americana no Oriente Médio sirva prioritariamente aos interesses de Tel Aviv, mesmo que isso custe a estabilidade de aliados históricos como Arábia Saudita e Emirados. Os Acordos de Abraão foram a cereja do bolo: normalizaram a relação com Israel sem exigir um centímetro de recuo na ocupação da Palestina. Os analistas árabes estão certos ao dizer que os EUA sacrificam a segurança do Golfo, mas falta nomear o beneficiário direto desse sacrifício: o projeto expansionista israelense, apoiado por uma direita cristã americana que vê no Armagedom uma meta teológica.

E não venham com o papo de que isso é “anti-semitismo”, como a direita adora gritar. Sou a primeira a reconhecer o direito de existência do Estado de Israel dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital da Palestina. O que critico é o sionismo de ocupação, que transforma os palestinos em reféns de um projeto colonial que os EUA bancam com bilhões de dólares em ajuda militar anual. Os países do Golfo, ao aceitarem o papel de vassalos, permitiram que essa dinâmica se consolidasse. Agora que o tabuleiro está sendo virado, com a China mediando a reaproximação entre Irã e Arábia Saudita, o barato saiu caro.

O Tonho Patriota, com sua gritaria histérica, é a prova viva de que o debate público brasileiro ainda engatinha quando o assunto é geopolítica. Reduzir uma análise estrutural das relações de poder no Oriente Médio a uma disputa eleitoral local é, no mínimo, patético. Enquanto ele berra “Faz o L”, os petromonarquias estão repensando séculos de subserviência ao Ocidente. Talvez seja hora de o Brasil, que também sofre com a mesma dependência militar americana, aprender com esse movimento de diversificação de parcerias. O mundo não é bipolar há 30 anos, mas nossa elite diplomática insiste em agir como se a Guerra Fria ainda ditasse as regras.

Miriam

03/05/2026

O Tonho Patriota claramente não leu a notícia, só veio descarregar a política doméstica dele num assunto de geopolítica do Oriente Médio. Mas o Paulo Gestor RJ tem um ponto: os países do Golfo terceirizaram a segurança por décadas e agora estão vendo o custo disso. É o básico do jogo de poder, nada de surpreendente.

Pedro Neto

03/05/2026

Vai pra Cuba, Tonho Patriota, pelo menos lá eles sabem quem manda de verdade.

Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Renato, você tocou num ponto crucial: sem soberania industrial e estratégica, qualquer aliança vira dependência. Os países do Golfo estão colhendo o que plantaram ao terceirizar a própria segurança. O pragmatismo manda diversificar parceiros e investir em capacidade própria, não ficar chorando traição depois.

Tonho Patriota

03/05/2026

ISSO É FAKE NEWS PURA! OS EUA NUNCA SACRIFICARAM NINGUÉM, ESSES ÁRABES TÃO DE CHORORÔ PORQUE O BOLSONARO NÃO GANHOU! FAZ O L COMUNISTA!

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

E esses “analistas árabes” agora acordaram pra vida, né? Enquanto o petróleo jorrava, vendiam a alma pro Tio Sam e faziam vista grossa pra tudo. Agora que o jogo virou e Israel é prioridade máxima, choram “traição”. Mas é simples: ou o Brasil acorda e fortalece suas próprias Forças Armadas pra não depender de ninguém, ou vai ser sempre refém dessas alianças podres. Intervenção militar já!

    Renato Professor

    03/05/2026

    Capitão, o senhor tem razão no diagnóstico, mas a solução de “intervenção militar já” ignora que o Brasil não tem indústria bélica soberana nem projeto estratégico próprio — fortalecer Forças Armadas sem romper a subordinação ao complexo industrial americano é apenas trocar de corrente.

Carlos Mendes

03/05/2026

Agora os sheiks descobrem que lealdade incondicional a Washington é mau negócio? Ora, venderam soberania por petrodólares e proteção militar, e se surpreendem quando o Tio Sam escolhe Israel em vez deles. Livre mercado ensina: diversifique seus parceiros e não ponha todos os ovos na cesta de um Estado intervencionista que age por interesses próprios. Corrupção e dependência geram esse resultado previsível.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Carlos, sua analogia de livre mercado é sugestiva, mas reduz a geopolítica a uma escolha de portfólio. O problema não é que os sheiks tenham falhado em diversificar parceiros, e sim que a hegemonia americana nunca operou por lógica concorrencial: ela exige subordinação, não equilíbrio de forças. Trocar de cesta não muda o fato de que o sistema interestatal, como Gramsci nos ensina, funciona por hegemonia, não por contrato.

João Batista

03/05/2026

A Bíblia já advertia: “Maldito o homem que confia no homem” (Jeremias 17.5). Esses sheiks descobriram na pele que vender a alma por petrodólares e proteção militar vira pó quando o império decide trocar de parceiro. Enquanto o Tio Sam abençoa Israel com mísseis e vetos na ONU, o Golfo fica com as cinzas da guerra. Quem planta vento, colhe tempestade — e o vento agora sopra do deserto.

Cecília Ramos

03/05/2026

Mariana, você tocou no ponto central: o problema nunca foi o tamanho do Estado, e sim a quem ele serve. Essas monarquias do Golfo sempre foram aliadas fiéis dos EUA enquanto o petróleo jorrava, mas agora que a conta chegou, descobrem que lealdade incondicional não é via de mão dupla. Como cristã, fico pensando na hipocrisia de ver países que se dizem muçulmanos terceirizando a própria segurança para uma potência que bombardeia civis em Gaza — cadê a justiça que a nossa fé tanto prega?

Maria Silva

03/05/2026

Essa turma do Golfo acordou tarde demais. Gastar rios de dinheiro e ainda levar chumbo trocado por promessa de amigo é negócio que só trouxa fecha. Quem nasce pra ser capacho morre pisado, e os árabes tão sentindo na pele o que a gente já sabe: Estado grande e paternalismo só cria dependência. Hora de cada um cuidar do próprio pasto e parar de bancar soldado dos outros.

    Mariana Santos

    03/05/2026

    Maria, discordo do seu individualismo de “cada um no seu pasto”. A lógica de que Estado forte é sinônimo de dependência ignora que o problema não é o tamanho do Estado, mas a quem ele serve. As monarquias do Golfo nunca foram paternalistas com seus povos, e sim com as corporações ocidentais e com Israel.

João Santos

03/05/2026

Pois é, Letícia, mas no fim das contas tudo se resume a grana e poder. Esses sheiks árabes acham que são espertos, mas tão sendo passados pra trás pelos americanos faz tempo. Quem manda no Oriente Médio é Israel, e ponto final. O Brasil que se cuide pra não entrar nessa roubada.

    Julia Andrade

    03/05/2026

    João, você toca num ponto que ecoa um certo senso comum que me incomoda profundamente: a ideia de que Israel “manda” no Oriente Médio como se fosse um ator monolítico, onipotente, pairando acima da história e da geopolítica regional. Essa narrativa, além de simplificar demais as relações de poder, acaba por isentar os próprios regimes do Golfo de sua agência e responsabilidade. Não se trata de sheiks ingênuos sendo passados para trás por americanos espertos. Trata-se de um jogo calculado de alianças instáveis, onde cada monarquia do Golfo negocia sua sobrevivência política interna e externa. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, normalizaram relações com Israel pelos Acordos de Abraão não por serem otários, mas porque viram ali uma via para conter o expansionismo turco e iraniano, acessar tecnologia de defesa israelense e, acima de tudo, garantir a sucessão de Mohammed bin Zayed com a benção de Washington. Eles não estão sendo coagidos; estão fazendo escolhas, por mais cínicas que sejam.

    O problema central, a meu ver, não é que Israel “manda” e os árabes obedecem, mas que o próprio conceito de “segurança do Golfo” sempre foi um eufemismo para a segurança das elites governantes e do fluxo ininterrupto de petróleo para o Ocidente. Os EUA não estão sacrificando a segurança do Golfo para favorecer Israel; estão sacrificando a vida de populações inteiras — palestinas, iemenitas, sírias — para manter um arranjo regional que beneficia a indústria armamentista americana, a estabilidade do dólar petróleo e a hegemonia israelense. Quando analistas árabes acusam Washington disso, eles estão, na verdade, disputando os termos de como essa subordinação acontece, não a subordinação em si. É uma briga de família entre elites que compartilham o mesmo projeto de exploração, só discordam sobre quem senta à cabeceira da mesa.

    E sobre o Brasil “se cuidar para não entrar nessa roubada”: concordo em parte, mas discordo do tom fatalista. O Brasil não precisa se posicionar como vítima passiva de um jogo alheio. Temos uma tradição diplomática que nos permite, sim, atuar como ponte — desde que não seja uma ponte para servir de tapete. O erro histórico da nossa política externa recente foi justamente abdicar da autonomia para abraçar alinhamentos automáticos, seja com Washington, seja com Tel Aviv. A saída não é ficar de fora, mas entrar com a consciência de que qualquer relação com o Golfo ou com Israel precisa vir acompanhada de cláusulas firmes de respeito ao direito internacional e à autodeterminação dos povos. Caso contrário, viramos coadjuvantes de uma coreografia que sempre termina com os mesmos corpos no chão.

    Marcos Andrade Niterói

    03/05/2026

    João, essa visão de que Israel “manda” no Oriente Médio ignora as contradições internas da região e o papel dos próprios Estados árabes, que também jogam seus jogos de poder. Reduzir tudo a uma conspiração simplista só favorece quem quer evitar discutir a complexidade real do conflito e as responsabilidades locais.

    Marta

    03/05/2026

    João Santos, meu filho, senta aqui que a vovó vai te dar uma aula de história. Dizer que “quem manda no Oriente Médio é Israel, e ponto final” é um reducionismo que nem os manuais da Guerra Fria usavam mais. Israel é um ator relevante, sim, mas não é o único e nem sempre o mais poderoso. Você está ignorando o papel da Arábia Saudita, que há décadas financia wahhabismo pelo mundo e compra armas dos EUA como quem compra pão na padaria. Ignora o Irã, que tem um projeto regional próprio e disputa influência com Israel via Hezbollah e os houthis. Ignora a Turquia do Erdogan, que não perde uma oportunidade de se meter na Síria e no Iraque. Reduzir tudo a “Israel manda” é o mesmo que dizer que o Brasil é governado pelo Jardim Botânico porque tem muita árvore no Rio de Janeiro. A geopolítica não é um jogo de botão onde um time decide tudo, João.

    E sobre os sheiks árabes estarem “sendo passados pra trás pelos americanos”, você tem razão em parte, mas falta contexto. Eles sabem muito bem que os EUA usam a região como posto avançado para Israel e para o petróleo. Não são ingênuos, são realistas. Vendem o petróleo em dólar, mantêm bases americanas, e em troca recebem segurança contra ameaças internas e externas. É uma relação de exploração mútua, não de enganação. O problema é que, quando os EUA decidem que a prioridade é Israel, os árabes pagam a conta. Mas achar que eles são vítimas passivas é subestimar a capacidade de manobra de regimes que sobrevivem há séculos jogando xadrez enquanto a gente joga dama.

    Agora, sobre o Brasil “se cuidar pra não entrar nessa roubada”, concordo plenamente, mas discordo do tom. O Brasil não precisa se isolar, precisa ter uma política externa soberana, como o Lula tentou fazer. Não é se afastar do mundo, é não ser capacho de ninguém. O Brasil pode e deve dialogar com todos os lados, desde que defenda a paz e a autodeterminação dos povos. O que não pode é repetir o erro de achar que alinhamento automático com os EUA ou com Israel nos traz vantagem. A história mostra que quem se alia cegamente a potências hegemônicas acaba sendo usado como peça descartável. A vovó já viu esse filme na Guerra do Vietnã e no Golfo de 1991. O final é sempre o mesmo: o povo paga o pato.

Carlos Rocha

03/05/2026

Mais um capítulo da hipocrisia geopolítica. Os árabes achavam que os EUA estavam lá para proteger eles? Ingenuidade. Washington sempre usou o Golfo como posto avançado para garantir os interesses de Israel e o fluxo de petróleo. Quem paga a conta são os contribuintes americanos e, agora, os próprios governos locais. Se querem segurança de verdade, que parem de comprar armas dos EUA e comecem a construir economias livres, com impostos baixos e respeito à propriedade privada — aí sim terão força para se defender sozinhos.

    Letícia Fernandes

    03/05/2026

    Carlos, você toca num ponto central que merece um desdobramento mais radical do que a mera denúncia da hipocrisia estadunidense. Quando você sugere que a saída para os países do Golfo é “construir economias livres, com impostos baixos e respeito à propriedade privada”, você reproduz, sem perceber, a mesma armadilha ideológica que mantém essas nações reféns do imperialismo. O problema não é que os EUA tenham “traído” a confiança dos árabes — eles nunca estiveram ali para proteger ninguém, a não ser os fluxos de capital que alimentam a acumulação primitiva do Ocidente. A sua prescrição liberal, de um capitalismo “puro” e descentralizado, ignora que a própria noção de propriedade privada no Golfo é uma construção colonial, imposta sobre estruturas tribais e rentistas que foram deliberadamente mantidas atrofiadas para facilitar a extração de petróleo pelas multinacionais.

    A aposta em “impostos baixos e respeito à propriedade privada” como caminho para a soberania é uma fantasia que esconde a realidade material: as monarquias do Golfo não são Estados-nação no sentido burguês clássico, mas sim entidades pré-capitalistas deformadas pelo rentismo petrolífero, cuja “força” militar é inteiramente importada e cuja economia depende da importação de mão de obra barata e da exportação de uma única commodity. Elas não podem “se defender sozinhas” porque sua estrutura econômica foi moldada para ser complementar ao capitalismo central, não autônoma. O que você chama de “liberdade econômica” é, na prática, a liberdade de corporações ocidentais e locais explorarem sem mediação estatal — e isso, historicamente, só aprofunda a dependência.

    Por fim, a sua crítica aos contribuintes americanos que pagam a conta é justa, mas insuficiente. O verdadeiro custo não é fiscal, é humano: as guerras, os golpes, a desestabilização de regimes laicos (como o Iraque de Saddam, que antes de ser demonizado era um aliado tático dos EUA contra o Irã) e a manutenção de um apartheid na Palestina. Enquanto a esquerda e a direita liberal disputarem se a solução é “menos Estado” ou “mais intervenção”, o capital continuará a ditar os termos. A saída não é reformar o capitalismo no Golfo, mas sim romper com a lógica da acumulação que transforma petróleo em sangue e soberania em mercadoria. Enquanto isso, os analistas árabes que você menciona no título acertam ao apontar o dedo para Washington, mas erram ao achar que Moscou ou Pequim agiriam de forma diferente se tivessem a mesma hegemonia. O problema é estrutural, não conjuntural.


Leia mais

Recentes

Recentes