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Irã denuncia países do Golfo por cumplicidade em ataques dos EUA e Israel

74 Comentários🗣️🔥 Diplomata iraniano fala em coletiva de imprensa no Ministério das Relações Exteriores do Irã. (Foto: en.mehrnews.com) O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, denunciou a cumplicidade direta de países do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico nos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a soberania iraniana. O […]

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Diplomata iraniano fala em coletiva de imprensa no Ministério das Relações Exteriores do Irã. (Foto: en.mehrnews.com)

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, denunciou a cumplicidade direta de países do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico nos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a soberania iraniana.

O diplomata afirmou que essas nações permitiram o uso ilegal de seus territórios e espaços aéreos nas ofensivas. Baghaei ressaltou que os governos regionais ignoraram garantias diplomáticas e acordos de boa vizinhança firmados anteriormente.

Ele invocou a Resolução 3314 da Assembleia Geral da ONU para caracterizar tal apoio como cumplicidade em atos de agressão. A referência ao instrumento jurídico internacional reforça a posição da República Islâmica diante da comunidade global.

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, Jasem Mohamed al-Budaiwi, havia feito críticas às operações iranianas no Estreito de Ormuz. Baghaei respondeu defendendo o direito do Irã de proteger suas águas territoriais e o trânsito marítimo na região.

O Irã adotou medidas proporcionais de autodefesa diante das ameaças crescentes na via marítima mais estratégica do comércio global de energia. Todas as movimentações militares seguem os princípios do direito internacional, segundo o porta-voz.

Conforme detalhou a agência Mehr News, Baghaei enfatizou a necessidade de restaurar a confiança entre os Estados da região. O diplomata apontou para as tentativas de potências externas de fomentar divisões no Oriente Médio.

O representante da chancelaria iraniana exigiu que os países do Golfo compensem os danos materiais causados pela colaboração com os agressores. Ele demandou o encerramento imediato de toda forma de cooperação militar com os Estados Unidos e Israel.

A presença de forças estrangeiras em territórios vizinhos compromete a estabilidade do Golfo Pérsico, segundo Teerã. O Irã adverte que tal cumplicidade ameaça não apenas sua segurança, mas a paz de toda a região.

O episódio evidencia as fraturas diplomáticas no Golfo Pérsico em meio a crescentes tensões geopolíticas. Observadores acompanham de perto o impacto dessas acusações nas relações entre o Irã e seus vizinhos árabes.


Leia também: Irã denuncia na ONU uso de territórios vizinhos por forças dos EUA e Israel


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Ana Rodrigues

30/04/2026

Pois é, Ronaldo Silva, você resumiu bem. Enquanto esses caras tão brincando de guerra no Oriente Médio, a gente aqui tenta ganhar o pão e mal consegue pagar um litro de gasolina. Pra mim, briga de país grande é tudo a mesma coisa: no final, quem se fode é o trabalhador que nem tem nada a ver com isso.

Major Ricardo Silva

30/04/2026

Essa Marina Costa aí falou tudo. Irã é um regime que enforca mulher por mostrar o cabelo e persegue cristão, aí vem querer dar lição de soberania. Enquanto isso, a turma do PCdoB aqui no Brasil acha bonito fazer aliança com esses ditadores. Cadê o discurso de direitos humanos quando interessa?

Ronaldo Silva

30/04/2026

Pois é, mais um round nessa briga de cachorro grande. Enquanto eles tão lá se xingando de cúmplice, aqui a gente paga gasolina nas alturas e imposto até pra respirar. O Irã reclama dos vizinhos, mas vive bancando confusão na região também. No fim, quem se lasca é sempre o povo, seja lá de onde for.

Marina Costa

30/04/2026

Mais um capítulo dessa novela nojenta do Oriente Médio. O Irã, que persegue cristãos e enforca homossexuais, vem agora chorar cumplicidade? Enquanto isso, a esquerda brasileira faz piada com a família tradicional e defende o aborto. Cadê a moralidade nesse mundo?

Beatriz Lima

30/04/2026

Pessoal, vamos com calma antes de transformar isso num ringue de torcida organizada. O Irã acusar os países do Golfo de cumplicidade é o mesmo que o traficante reclamar que o vizinho não dedurou a polícia. A hipocrisia é tão descarada que chega a ser cômica. Teerã financia há décadas milícias no Iêmen, Líbano e Síria para desestabilizar exatamente esses mesmos países do Golfo, e agora vem com discurso de soberania violada? Por favor. Baghaei deveria economizar o fôlego e usar esse tempo para explicar por que o programa nuclear iraniano continua enriquecendo urânio sem transparência.

Dito isso, a thread aqui já escorregou para dois extremos igualmente inúteis. De um lado, o pessoal que trata o Irã como vítima inocente de uma conspiração ocidental, esquecendo que o regime dos aiatolás é um dos maiores exportadores de instabilidade da região. Do outro, a galera que acha que Arábia Saudita e Emirados são santos defensores do livre mercado, ignorando o histórico podre de direitos humanos e a guerra no Iêmen que matou centenas de milhares de civis com bombas compradas dos mesmos EUA e Israel. Não existe lado bonito nessa história, existe um tabuleiro de xadrez onde todos os jogadores têm as mãos sujas.

O que me irrita de verdade é a falta de nuance. O Rodrigo RedPill ali em cima soltou o clássico “lado certo da história” como se aliança geopolítica fosse jogo de futebol. Desde quando alinhamento automático com potências ocidentais é sinônimo de virtude moral? Os sauditas decapitam pessoas em praça pública e bombardeiam hospitais no Iêmen, mas como são contra o Irã, viram mocinhos? E o Márcio Torres tem razão ao apontar o cansaço da retórica iraniana, mas também cai na armadilha de achar que o outro lado age por racionalidade estratégica pura. Não agem. Todos estão jogando o jogo do poder, com direito a propaganda, desinformação e alianças de conveniência.

No fim, quem paga o pato é o cidadão comum, como o Beto Engenheiro lembrou bem. O preço do petróleo sobe, a gasolina dispara, a inflação corrói o salário, e a gente aqui discutindo se o Irã tem razão ou não. Enquanto diplomatas trocam acusações em coletivas de imprensa, o efeito prático na vida real é logística travada, frete mais caro e obra parada. Talvez fosse mais produtivo exigir que ambos os lados sentassem numa mesa e parassem de brincar com fogo no Oriente Médio, mas isso daria menos audiência do que o teatrinho de sempre.

Rodrigo RedPill

30/04/2026

Ah, mais um chilique do regime dos aiatolás. Enquanto eles gastam bilhões financiando terrorismo e enriquecendo urânio, querem lacrar contra países que simplesmente escolheram o lado certo da história. Livre mercado e soberania significam poder fazer acordos com quem quiser, inclusive EUA e Israel. Se o Irã não gosta, que invista em educação financeira e cripto ao invés de mísseis. Fracassados vão sempre culpar os outros pelo próprio atraso.

Sofia García

30/04/2026

gente, a hipocrisia é real demais. irã acusando os países do golfo de cumplicidade com eua e israel, mas a própria teerã financia milícia no iêmen e na síria. parece aquele meme do cachorro no café falando “isso é grave”. o beto engenheiro mandou bem, no fim quem paga a conta é o povo com gasolina a 7 reais.

Carlos Mendes

30/04/2026

Márcio, você está certo, a hipocrisia iraniana é de cair o cu da bunda. Enquanto Teerã financia milícias terroristas no Iêmen e na Síria para desestabilizar a região, ainda tem a cara de pau de choramingar que os países do Golfo são cúmplices. Livre mercado e soberania significam que cada país defende seus próprios interesses — e se os árabes preferem se alinhar com quem não exporta revolução islâmica, o problema é do aiatolá.

Beto Engenheiro

30/04/2026

Eduardo, você tem toda razão. Enquanto esses caras gastam bilhões em mísseis e retórica vazia, a cadeia logística do Brasil inteiro sente o peso. Gasolina a quase 7 reais o litro, frete subindo, obra parando. Quem paga a conta no fim do mês é o cidadão que só quer ver asfalto e trem funcionando.

Márcio Torres

30/04/2026

A retórica do Irã é previsível e, francamente, um tanto cansativa. Baghaei acusa os países do Golfo de cumplicidade, mas convenhamos: o que ele esperava? Que Arábia Saudita, Emirados e Bahrein ficassem de braços cruzados enquanto Teerã exporta instabilidade via milícias no Iêmen, Líbano e Síria? A narrativa de “soberania violada” é um clássico do manual de propaganda de regimes teocráticos. O Irã não é vítima; é um ator revisionista que usa o xintoísmo xiita como escudo para suas ambições regionais. Se os países do Golfo permitem bases americanas em seu território, isso é uma escolha soberana deles, baseada em cálculos racionais de segurança — não em “cumplicidade” com um suposto imperialismo. O que Baghaei chama de conspiração é, na verdade, a resposta natural de monarquias que temem, com razão, a expansão do modelo iraniano de Revolução Islâmica.

Dito isso, a thread aqui tem um mérito que poucos comentários sobre Oriente Médio alcançam: a conexão com o bolso do brasileiro. Tadeu, Letícia e Eduardo acertaram em cheio ao lembrar que esse teatrinho geopolítico não é abstrato. O petróleo é a commodity que ancora a economia global, e cada míssil disparado no Golfo Pérsico se traduz em centavos a mais na bomba de gasolina de São Paulo, no frete do supermercado e, por tabela, na inflação que corrói o salário mínimo. O real desvalorizado não perdoa. Enquanto isso, o governo brasileiro faz o que sempre fez: discursos vagos de “neutralidade” e “solução pacífica”, enquanto a política externa se dobra aos interesses de quem compra nosso agronegócio — e adivinhem? Os maiores compradores de soja e carne brasileira são justamente China e países do Golfo. Ninguém em Brasília vai estremecer essa relação por causa de uma denúncia iraniana.

O que me irrita, no entanto, é o maniqueísmo que domina a esquerda brasileira quando o assunto é Oriente Médio. Parece que, por tabela, todo mundo precisa escolher um time: ou você é “anti-imperialista” e defende o Irã, ou é “lacaio dos EUA”. Isso é uma idiotice analítica. O Irã é um regime teocrático que executa homossexuais, persegue mulheres e suprime qualquer dissidência com violência brutal. Apoiá-lo por “anti-imperialismo” é fazer o jogo de uma ditadura que não tem nada a ver com os interesses do povo brasileiro. Ao mesmo tempo, as monarquias do Golfo são regimes autoritários que tratam trabalhadores migrantes como escravos modernos e financiam o wahabismo radical — a mesma ideologia que alimenta o terrorismo sunita. Não há heróis nessa história. O que há são cálculos de poder, petróleo e armas. E o Brasil, como sempre, fica na arquibancada torcendo para que o preço do barril não suba demais.

Se eu pudesse dar um conselho a quem lê isso: parem de buscar narrativas morais em conflitos geopolíticos. O Irã denuncia, os EUA atacam, os sauditas se protegem — tudo isso é a lógica normal de Estados buscando maximizar seu poder relativo. O que deveria nos preocupar, como brasileiros, é a total ausência de uma política energética e logística que nos blinde desses choques externos. Enquanto dependermos de diesel importado e de fertilizantes russos, seremos reféns de cada crise no Oriente Médio. Mas isso daria trabalho, e trabalho o governo brasileiro não quer. Melhor deixar o Tadeu reclamar do preço da gasolina enquanto o Itamaraty solta notas genéricas de “preocupação”.

João Silva

30/04/2026

Tadeu, você tocou no ponto nevrálgico, mas a Letícia está certa ao materializar a parada: isso não é teatro, é a lógica do capital imperialista em ação. Enquanto as monarquias do Golfo servem de plataforma logística pros EUA, o preço do petróleo sobe e quem paga é o trabalhador brasileiro no posto de gasolina. Geopolítica sem crítica à estrutura de classes é só paisagem.

Eduardo C.

30/04/2026

Tadeu, você tocou no ponto que realmente importa pra quem paga as contas no fim do mês. Enquanto esses regimes disputam hegemonia regional com mísseis de bilhões de dólares, a gasolina aqui dispara e ninguém no Brasil faz conta de quanto isso custa em logística e inflação. Geopolítica é legal no papel, mas o preço do quilo do arroz não mente.

Letícia Fernandes

30/04/2026

Caro Tadeu, você toca num ponto nevrálgico e absolutamente materialista: a geopolítica não é um teatro abstrato, mas a expressão concentrada da lógica do capital em sua fase imperialista. O preço do petróleo, que você acertadamente menciona, não é uma variável aleatória — é o termômetro da extração de mais-valia em escala global. A inflação que corrói o seu salário aqui no Brasil está dialeticamente ligada à cumplicidade das monarquias do Golfo com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã. O que o porta-voz iraniano denuncia não é uma querela religiosa ou um capricho de aiatolás; é a constatação de que o Conselho de Cooperação do Golfo opera como uma extensão logística da máquina de guerra estadunidense, garantindo a fluidez do capital petrolífero e a reprodução do imperialismo na região.

João Augusto e Marcos Andrade Niterói já apontaram com precisão a hipocrisia estrutural: as monarquias do Golfo combinam um autoritarismo feudal — sem a menor pretensão democrática — com uma subserviência geopolítica que as transforma em meros postos de abastecimento do complexo militar-industrial. Não se trata, portanto, de defender o regime iraniano, que é uma teocracia burguesa com suas próprias contradições e brutalidades internas. Trata-se de entender que a superestrutura política da região — incluindo a repressão interna no Irã e a servidão voluntária das monarquias — é moldada pela infraestrutura econômica do capitalismo dependente e pela disputa interimperialista por rotas energéticas.

O ponto central, que a maioria dos comentários perde, é que essa “novela” não é um eterno retorno do mesmo, como sugere João Carlos Silva, mas sim a manifestação de uma crise de hegemonia. Os EUA, com seu declínio relativo, já não conseguem impor sua vontade sem o auxílio de satélites regionais. O Irã, por sua vez, busca romper o cerco expandindo sua influência via milícias e acordos com a Rússia e a China. O povo sofre, sim, mas sofre dentro de uma estrutura de classes que se beneficia desse sofrimento: a burguesia iraniana, as monarquias compradoras do Golfo e, claro, o capital financeiro internacional que especula com cada barril de petróleo a mais no mercado.

Portanto, Tadeu, quando você sente a inflação no bolso, não está sentindo o “teatrinho” — está sentindo o peso real da lei do valor em ação, mediada pela pólvora e pelo petróleo. A saída não é torcer o nariz para a “geopolítica”, mas sim compreender que a luta contra a carestia no Brasil é a mesma luta contra o imperialismo no Oriente Médio. Enquanto não rompermos com a lógica do capital, estaremos sempre pagando a conta de um sistema que transforma soberania nacional em mercadoria e vidas humanas em estatística de custo operacional.

Tadeu

30/04/2026

Pessoal, enquanto vocês debatem geopolítica, o real briga com o dólar e a inflação corrói o que a gente ganha. Esse teatrinho todo no Oriente Médio só mexe com o preço do petróleo e, no fim, quem paga a conta é nosso bolso aqui no Brasil.

Marcos Andrade Niterói

30/04/2026

João Augusto, você foi cirúrgico. O que o Irã faz internamente é deplorável, mas isso não apaga o fato de que as monarquias do Golfo são peças chave na engrenagem imperialista dos EUA na região. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente vê o governo federal cortar verba de mobilidade urbana e o estado do RJ abandonar Niterói — falta visão de gestão como a do Rodrigo Neves.

Marcus Almeida

30/04/2026

O Irã denunciando cumplicidade dos países do Golfo? Mas é claro, o regime dos aiatolás nunca assume responsabilidade por nada. Enquanto isso, o povo iraniano vive sob uma ditadura teocrática que oprime mulheres e persegue cristãos. Cadê a ONU para denunciar isso também?

    João Augusto

    30/04/2026

    Marcus, você tem razão ao apontar as contradições internas do regime iraniano, mas a crítica à teocracia não pode servir de biombo para absolver as monarquias do Golfo, que também combinam autoritarismo interno com subserviência geopolítica aos EUA — a hipocrisia é um espetáculo com vários atores, não apenas um.

João Carlos Silva

30/04/2026

É mais um capítulo dessa novela do Oriente Médio que nunca acaba. Enquanto os governantes trocam acusações, quem sofre é o povo de lá, que mal tem água e comida direito. Aqui no Brasil a gente já tem problema demais pra se preocupar, mas fica triste ver que a paz nunca é prioridade pra esses caras.

Ana Souza

30/04/2026

A Vanessa Silva trouxe um ponto interessante sobre o custo-benefício desse teatro diplomático. No fim das contas, o Irã joga pra própria torcida e tenta desgastar os rivais, mas a população lá dentro continua sofrendo com inflação e repressão, como o Carlos e o Tiago bem lembram. Difícil levar a sério essa retórica de soberania quando o regime gasta fortunas em proxies e descuida do próprio povo.

Carlos Rocha

30/04/2026

Cecília, você foi direto ao ponto. Enquanto esses regimes teocráticos gastam bilhões em retórica e mísseis, o cidadão comum iraniano mal consegue comprar pão. O Irã que se preocupe menos em denunciar os vizinhos e mais em parar de financiar terrorismo com dinheiro que falta na saúde e educação do próprio povo. Livre mercado e responsabilidade fiscal resolveriam isso bem mais rápido que qualquer discurso de porta-voz.

    Tiago Mendes

    30/04/2026

    Carlos, sua crítica ao gasto militar iraniano é justa, mas livre mercado não resolve desigualdade estrutural — o que falta no Irã é democracia e distribuição de renda, não mais austeridade que sempre recai sobre os pobres.

Vanessa Silva

30/04/2026

Ana Costa captou bem o jogo: essa denúncia é claramente um movimento para forçar os países do Golfo a sair da zona de ambiguidade. Mas, pragmaticamente, qual o custo-benefício disso? Enquanto o Irã gasta capital diplomático nesse teatro, a infraestrutura urbana de Teerã continua sucateada e a população sofre com inflação. Talvez fosse mais produtivo investir em gestão pública do que em acusações geopolíticas.

Cecília Alves

30/04/2026

Mais um teatrinho geopolítico bancado com dinheiro de contribuintes. Enquanto o Irã acusa os vizinhos de cumplicidade, o que todo mundo deveria estar discutindo é como esses regimes teocráticos sugam a riqueza dos seus povos para financiar guerras e burocracias inúteis. Se cada país cuidasse da sua propriedade privada e deixasse o livre mercado fluir sem interferência estatal, ninguém teria tempo para essas rivalidades medievais.

Ana Costa

30/04/2026

O Dr. Thiago tem um ponto válido sobre a falta de evidências concretas, mas acho que subestima o jogo de sinalização que é a diplomacia iraniana. A denúncia pode ser menos sobre provas jurídicas e mais sobre constranger os países do Golfo a se posicionarem publicamente, já que dados de inteligência dificilmente seriam divulgados em coletiva. Por outro lado, a reação do Irã também serve para desviar a atenção de suas próprias vulnerabilidades internas e das sanções que enfrenta.

João Carlos da Silva

30/04/2026

Silvia, sua preocupação com a perseguição a cristãos é legítima, mas reduzir a geopolítica do Oriente Médio a uma disputa de valores religiosos é um atalho perigoso. A denúncia do Irã, lida à luz de Gramsci, revela a disputa pela hegemonia regional onde os países do Golfo atuam como Estados subalternos aos interesses do capital imperialista. O problema não é apenas a cumplicidade, mas a estrutura de poder que a torna possível.

Silvia Ramos

30/04/2026

Ah, Dr. Thiago, o senhor ainda espera “evidências” desse mundo perdido? O Irã é uma nação que persegue cristãos e prega uma ideologia contrária aos valores da família. Esses países do Golfo, todos aliados dos EUA, são cúmplices sim, mas o que me preocupa é o Brasil ficar de conversinha fiada enquanto o mundo queima. Oremos para que nossos governantes tenham sabedoria e não se envolvam nessas guerras que só trazem destruição.

Clotilde Pátria

30/04/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse Irã vem com essa história de cumplicidade? E os países do Golfo que são aliados dos EUA e de Israel, isso é novidade pra alguém? O mundo tá virado, é uma guerra atrás da outra, e o Brasil fica nessa conversa fiada. Vão todos se entender e deixem o povo em paz!

Dr. Thiago Menezes

30/04/2026

A Laura trouxe um ponto interessante sobre a contradição estrutural, mas acho que falta um passo atrás: cadê as evidências concretas dessa cumplicidade? O Irã solta uma acusação grave em coletiva, mas sem dados, documentos ou registros de comunicação interceptada, isso é só retórica geopolítica padrão. Enquanto não virem provas verificáveis, fica difícil levar a denúncia a sério como algo além de um movimento tático.

Laura Silva

30/04/2026

A denúncia do Irã contra os países do Golfo não é apenas mais um episódio de retórica diplomática; é a explicitação de uma contradição estrutural que o capitalismo dependente na região tenta ocultar há décadas. Quando o porta-voz Esmaeil Baghaei aponta a cumplicidade das monarquias do Golfo nos ataques de EUA e Israel, ele está, na verdade, revelando a função histórica desses regimes: servirem como plataforma logística e financeira do imperialismo estadunidense no Oriente Médio. Não se trata de uma escolha soberana, mas de uma dependência orgânica — Arábia Saudita, Emirados e Catar são economias rentistas cuja reprodução social depende da proteção militar dos EUA e da manutenção do fluxo de petrodólares. Fechar os olhos para os bombardeios contra o Irã é, para esses regimes, uma condição de sobrevivência política, e não um mero “alinhamento circunstancial”, como bem observou o Paulo Ribeiro.

O que me incomoda profundamente, e aqui dialogo com o comentário do Luiz Carlos, é a tentação de reduzir o debate a um maniqueísmo rasteiro — “o Irã financia terroristas, logo não tem moral para criticar”. Esse raciocínio ignora a assimetria de poder na região. O Irã, com todas as suas contradições internas e seu próprio autoritarismo teocrático, é um Estado que resiste à ordem neoliberal imposta pelos EUA desde a derrubada de Mossadegh em 1953. Já as monarquias do Golfo são peças de um xadrez geopolítico onde a soberania é uma ficção: elas não decidem se vão ou não participar dos ataques; decidem apenas como gerenciar a própria subordinação. Chamar o Irã de “terrorista” e ignorar que os EUA fornecem armas e inteligência para bombardear hospitais e escolas no Iêmen, no Líbano e na Síria é um exercício de seletividade moral que só beneficia o status quo imperialista.

A Ana Karine Xavante tocou num ponto crucial: a discussão sobre “quem começou” é o jogo de distração favorito do establishment. Enquanto a esquerda internacional e os movimentos antiguerra caem na armadilha de debater se o Irã tem ou não “direito” de denunciar, o que está em curso é a consolidação de um arco de crise que pode arrastar toda a região para uma guerra generalizada. O Conselho de Cooperação do Golfo não é um bloco de nações soberanas; é um clube de monarquias que negociam a própria sobrevivência vendendo bases militares e acesso a portos estratégicos. Permitir que a Força Aérea dos EUA decole do Catar ou dos Emirados para bombardear instalações iranianas não é “neutralidade” — é cumplicidade ativa, e o direito internacional deveria tratá-la como tal.

Por fim, gostaria de tensionar o comentário da Cecília Silva. Ela tem razão ao lembrar que, nas favelas brasileiras, sabemos bem o que é cumplicidade com a opressão. Mas é preciso ir além: a mesma lógica que permite que os EUA usem o Golfo como plataforma de guerra é a que permite que o Brasil vire plataforma de exploração do agronegócio e da mineração predatória. A geopolítica não é um fenômeno distante; ela se materializa no preço do pão, na violência policial e na destruição ambiental. O Irã denuncia, mas a reação internacional é tímida porque o sistema-mundo capitalista depende dessa hierarquia de soberanias — umas plenas, outras tuteladas. Apoiar a denúncia iraniana não significa endossar o regime dos aiatolás, mas sim reconhecer que, na luta contra o imperialismo, não existe neutralidade possível. Quem cala diante dos bombardeios no Oriente Médio está, objetivamente, do lado dos bombardeios.

João Batista

30/04/2026

Luiz Carlos, meu irmão, você caiu na armadilha de repetir o discurso do “terrorismo” sem olhar pra história. O Irã erra? Sim, como toda nação. Mas a Bíblia nos ensina em Provérbios 17:15 que “quem justifica o ímpio e quem condena o justo são abominação para o Senhor”. Enquanto isso, os países do Golfo vendem petróleo e fecham os olhos pros bombardeios – isso sim é cumplicidade de elite, igual aos fariseus que passavam do outro lado da estrada.

Luiz Carlos

30/04/2026

O Irã reclamando de cumplicidade é piada. Eles mesmos financiam terrorista no mundo inteiro. Agora querem moral pra criticar os outros. Esse pessoal do Golfo também não é santo, mas cada um cuida do seu quintal. O Brasil que fique longe dessa briga.

Paulo Ribeiro

30/04/2026

Cecília, você tocou num ponto que me parece central e que a Mariana e a Ana Karine também desenvolveram bem: a cumplicidade estrutural das monarquias do Golfo com o projeto imperialista estadunidense-sionista na região. Não se trata de um “alinhamento circunstancial” ou de uma “omissão ingênua” — é a própria lógica do capitalismo dependente e rentista que sustenta esses regimes. Como bem observou Mariátegui, o imperialismo não atua apenas pela força bruta das armas, mas também pela cooptação das burguesias locais e das elites políticas que se beneficiam da superexploração dos recursos naturais e da força de trabalho. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo, com suas economias baseadas na extração petrolífera e na financeirização dos petrodólares, são peças-chave nesse tabuleiro. Eles fornecem bases logísticas, inteligência e, acima de tudo, legitimidade política para as agressões contra o Irã, enquanto vendem a imagem de “moderados” e “estabilizadores” para o Ocidente.

O que a denúncia do porta-voz iraniano revela, e que a Adriana Silva apressadamente tenta reduzir a um maniqueísmo raso de “comunistas versus democratas”, é a materialidade das alianças de classe na geopolítica do petróleo. O Irã, com todas as suas contradições internas — e não sou ingênuo quanto ao caráter teocrático e autoritário do regime dos aiatolás —, representa um obstáculo à hegemonia total dos EUA e de Israel na região. E é exatamente por isso que é alvo de uma campanha sistemática de desestabilização que inclui sanções econômicas, guerra híbrida, sabotagem de infraestrutura e assassinatos seletivos de cientistas e militares. Nesse contexto, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein não são meros espectadores; são sócios minoritários, mas ativos, nesse empreendimento imperial. Eles pagam o preço político de serem vistos como lacaios, mas em troca recebem a garantia de que seus tronos não serão abalados por qualquer onda de democratização ou resistência popular.

A ironia trágica, como a Luciana Santos bem apontou, é que essa mesma lógica de subordinação ao capital estrangeiro se reproduz em nossa periferia. O Brasil, ao importar diesel e fertilizantes enquanto exporta commodities a preços dolarizados, e ao manter uma política externa que oscila entre o alinhamento automático e uma autonomia retórica, acaba sendo cúmplice, ainda que indiretamente, dessa engrenagem. Não defendo o Irã como um “modelo” — longe disso. Mas é preciso ter a honestidade intelectual de reconhecer que, no tabuleiro geopolítico atual, o inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo, mas pode ser um aliado tático na luta contra a hegemonia do capital financeiro internacional e do complexo militar-industrial que, como denunciou Althusser, opera através dos Aparelhos Ideológicos de Estado e da violência repressiva.

Portanto, a discussão não pode se limitar a “quem está certo ou errado” nessa briga. Isso é um falso debate, uma armadilha do pensamento liberal que individualiza conflitos sistêmicos. A questão é: de que lado estamos na luta de classes em escala global? E essa luta, hoje, passa inevitavelmente pelo enfrentamento ao imperialismo estadunidense e ao sionismo, que contam com a cumplicidade ativa das monarquias do Golfo e a passividade cúmplice de governos como o nosso. Enquanto não entendermos isso, continuaremos a repetir o mantra da “paz” e da “diplomacia” que só serve para encobrir a continuidade da exploração e da guerra por procuração.

Cecília Silva

30/04/2026

Mais um capítulo dessa novela suja onde os países ricos do Golfo se fazem de cegos enquanto os EUA e Israel bombardeiam nações soberanas. Enquanto isso, a gente aqui na favela sabe bem o que é cumplicidade de quem fecha os olhos pra opressão. O Irã denuncia, mas cadê a reação dos que se dizem defensores da liberdade?

Ana Karine Xavante

30/04/2026

Mariana Oliveira, você tocou no ponto central que a maioria aqui parece ignorar de propósito. Essa discussão sobre “quem começou” ou “quem tem moral para criticar” é o jogo de distração favorito do establishment. Enquanto ficamos debatendo se o Irã financia milícias ou se Israel ocupa territórios, a estrutura colonial que organiza todo o Oriente Médio desde as fronteiras artificiais de Sykes-Picot segue intacta. O que o porta-voz iraniano faz é justamente expor essa hipocrisia: os países do Golfo, que se apresentam como “moderados” e “parceiros da paz”, são bases logísticas, aéreas e de inteligência para os ataques dos EUA e de Israel. Isso não é opinião, é fato documentado. O Catar, os Emirados, a Arábia Saudita hospedam bases americanas, vendem petróleo em dólar, financiam o complexo militar-industrial que bombardeia o Irã. E aí, quando Teerã reage, a narrativa ocidental grita “desestabilização”.

Nadia Petrova, sua análise westfaliana é precisa no diagnóstico, mas falha ao ignorar o contexto histórico. O Irã não “financia milícias” por esporte; ele responde a décadas de golpes, sanções econômicas que matam crianças em hospitais, e a presença militar estrangeira em suas fronteiras. O Hezbollah, os houthis, as milícias iraquianas não surgiram do nada — são produtos diretos da invasão do Iraque em 2003, da destruição da Síria, do bloqueio ao Iêmen. Chamar isso de “desestabilização” sem mencionar que os EUA e seus aliados do Golfo são os maiores exportadores de armas e instabilidade da região é, no mínimo, desonestidade intelectual. O sistema westfaliano que você invoca nunca existiu para o Sul Global; para nós, sempre foi westfaliano seletivo, onde a soberania iraniana é violada com drones, mas a soberania israelense é sagrada.

E, Marta, você tem razão ao criticar a falsa equivalência. Não se trata de “defender” o Irã como um Estado perfeito — longe disso, o regime iraniano tem seu próprio histórico brutal de repressão interna, especialmente contra curdos, mulheres e minorias religiosas. Mas a crítica precisa ser feita de forma consistente. Se vamos condenar o Irã por apoiar grupos armados, precisamos condenar com a mesma veemência os EUA por armar Israel com caças F-35 e bombas de fragmentação, ou a Arábia Saudita por bombardear escolas no Iêmen com munição americana. O problema nunca é a violência em si, é quem a pratica e contra quem. Essa seletividade moral é o motor do colonialismo contemporâneo.

Adriana Silva, seu comentário é o retrato perfeito de como o debate público brasileiro foi sequestrado por um maniqueísmo raso. “Faz o L, Irã” não é análise, é slogan. O Irã não é comunista, é uma teocracia islâmica que executa comunistas. Mas reduzir a complexidade geopolítica a “nós contra eles” é exatamente o que o imperialismo quer: nos divide, nos impede de enxergar que tanto o establishment iraniano quanto o saudita e o americano se beneficiam dessa tensão permanente. Enquanto isso, quem paga a conta são os povos — curdos, palestinos, iemenitas, afegãos. A esquerda brasileira precisa urgentemente abandonar esse apoio acrítico a qualquer regime que enfrente os EUA e construir uma solidariedade internacionalista de fato, que critique o imperialismo americano E as autocracias regionais com o mesmo rigor.

Mariana Oliveira

30/04/2026

Luciana, você tocou num ponto que me faz pensar como a geopolítica frequentemente escapa de uma análise mais estrutural. Essa briga de egos no Oriente Médio não é apenas sobre disputas regionais, mas sobre como o capitalismo global e o imperialismo operam através de hierarquias de poder que também são raciais e de gênero. Kimberlé Crenshaw, ao falar sobre interseccionalidade, nos lembra que as opressões não funcionam de forma isolada. Quando o Irã denuncia cumplicidade dos países do Golfo, estamos vendo a face de um sistema onde nações são jogadas umas contra as outras para manter o controle de recursos e rotas comerciais, enquanto a população civil paga o preço.

A Marta ali em cima fez um comentário interessante ao defender que o Irã não é hipócrita por apoiar movimentos de resistência. Mas acho que precisamos ir além dessa lógica de “quem tem mais moral para criticar”. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos convida a pensar sobre como a dominação se reproduz mesmo entre os oprimidos. O Irã pode sim denunciar a violência dos EUA e de Israel, mas isso não apaga o fato de que o regime iraniano também exerce seu próprio poder de forma autoritária, especialmente contra mulheres e minorias étnicas como os curdos e árabes. A questão não é escolher um lado, mas entender como todos esses atores estão inseridos em uma teia de relações de poder que não é binária.

A Nadia Petrova, por outro lado, parece cair numa armadilha comum ao tratar a denúncia iraniana como mera hipocrisia. Isso desconsidera que a soberania, como conceito, sempre foi aplicada de forma seletiva. O direito internacional, como aponta a própria Crenshaw em seus estudos sobre discriminação, foi construído para beneficiar os países do Norte Global. Quando os EUA atacam o Irã, isso é visto como “defesa”, mas quando o Irã reage, é “terrorismo”. Essa assimetria é racializada e generificada: o Oriente Médio é constantemente infantilizado ou demonizado, enquanto potências ocidentais se colocam como guardiãs da ordem mundial. É por isso que a denúncia de Baghaei, mesmo vindo de um governo autoritário, não deve ser descartada como mero teatro.

O que me preocupa, no fim das contas, é como esse debate todo, inclusive aqui nos comentários, muitas vezes reproduz uma lógica de “nós contra eles” que impede uma solidariedade real entre os povos. Enquanto ficamos discutindo quem tem mais legitimidade, as pessoas comuns no Irã, no Iêmen, na Palestina e nos países do Golfo continuam sofrendo com sanções econômicas, guerras e violações de direitos humanos. Precisamos de uma análise que não apenas denuncie o imperialismo, mas que também critique as hierarquias internas dentro desses países. Só assim, como bell hooks diria, poderemos construir uma política de transformação que não reproduza as mesmas opressões que diz combater.

Luciana Santos

30/04/2026

Ah, Adriana, pelo visto você acha que todo mundo que não é alinhado com os EUA é comunista e terrorista. Enquanto isso, a gente aqui no Brasil paga gasolina a preço de ouro e vê o mundo pegando fogo. Essa briga de egos no Oriente Médio só serve pra encher o bolso de vendedor de arma, e no final quem se lasca é o povo trabalhador de todo lado.

Adriana Silva

30/04/2026

Faz o L, Irã! Comunistas e terroristas de mãos dadas, vai tudo pra Cuba.

Marta

30/04/2026

Meninos, meninos… sentem-se. A Nadia Petrova aí em cima soltou uma pérola digna de quem aprendeu geopolítica vendo série da Netflix. Dizer que o Irã não tem moral para criticar violação de soberania porque apoia movimentos de resistência na região é o mesmo que dizer que o Brasil não pode criticar a invasão do Iraque porque tem relações diplomáticas com Cuba. A senhora precisa estudar um pouco de história contemporânea, minha filha. O que o Irã financia no Iraque, na Síria e no Iêmen são forças que foram convidadas pelos governos legítimos desses países para combater o terrorismo do Estado Islâmico e a agressão saudita. Diferente dos EUA e de Israel, que invadem, bombardeiam e matam civis sem qualquer mandato da ONU.

O que o porta-voz Baghaei denuncia é o velho jogo de empurra que os países do Golfo praticam há décadas: abrem seu espaço aéreo e territorial para os EUA e Israel, viram a cara para os bombardeios, mas depois querem posar de mediadores. É a mesma hipocrisia que a Cíntia e o John levantaram ali em cima sobre o tal princípio westfaliano. Mas, com todo respeito, a discussão ficou num plano muito abstrato para uma realidade concreta de sangue e petróleo. A soberania dos países do Golfo já foi vendida há muito tempo por alguns bilhões de dólares em contratos de armamento e proteção militar americana. Não existe soberania quando você depende do Pentágono para se defender do próprio povo.

O Lucas Pinto foi quem chegou mais perto da questão ao falar em materialismo histórico. A região do Golfo Pérsico é o palco da luta entre o imperialismo americano e as forças que resistem à dominação. O Irã, com todos os seus defeitos e contradições internas, representa um polo de resistência que o Ocidente não conseguiu engolir desde 1979. Os monarquias do Golfo, por outro lado, são meros postos avançados do capital internacional. Quando o Irã denuncia a cumplicidade deles, está dizendo o óbvio: que aqueles sheiks que vivem em palácios de ouro enquanto seus povos são tratados como súditos não passam de lacaios. Agora, se me permitem, vou tomar meu cafezinho e deixar essa discussão para os meninos. Mas lembrem-se: a história não se aprende em comentários de blog, se aprende nas ruas e nas lutas dos povos.

Nadia Petrova

30/04/2026

Lucas, a hipocrisia é realmente o fio condutor dessa região. Mas o Irã acusar outros de violar soberania é quase cômico vindo de um regime que financia milícias no Iraque, na Síria e no Iêmen para desestabilizar justamente os vizinhos que agora critica. O sistema westfaliano já era, mas a Rússia de Putin e o Irã dos aiatolás são os que mais se beneficiam desse vale-tudo.

Lucas Pinto

30/04/2026

Cíntia e John, vocês levantaram a questão da soberania westfaliana, mas acho que o debate precisa de um choque de materialismo histórico. Falar em erosão do princípio de 1648 como se fosse uma abstração jurídica pairando sobre as relações internacionais é um desvio idealista típico da ciência política liberal. A soberania nunca foi um direito natural dos Estados; ela sempre foi a forma jurídica que a correlação de forças entre classes e nações assume em dado momento histórico. O que o Irã denuncia não é a violação de um princípio abstrato, mas a explicitação de que, no capitalismo tardio, a soberania nacional é um luxo para a periferia.

A cumplicidade dos países do Golfo não é traição ou hipocrisia moral; é a lógica orgânica do capitalismo dependente. Arábia Saudita, Emirados e Bahrein não são Estados soberanos no sentido pleno do termo; são formações políticas cuja reprodução econômica e militar está atrelada à proteção imperialista norte-americana e à manutenção de monarquias absolutistas que exportam petróleo enquanto importam segurança. Permitir que o território deles seja usado como plataforma para ataques ao Irã não é um desvio de conduta diplomática — é a função estrutural deles na divisão internacional do trabalho. O Conselho de Cooperação do Golfo é, na prática, um condomínio de protetorados.

O discurso do porta-voz iraniano, Esmaeil Baghaei, precisa ser lido com a suspeita que Gramsci recomendava para qualquer discurso estatal. Teerã denuncia a violação de sua soberania, mas a República Islâmica também é um Estado burguês-teocrático que exerce sua própria hegemonia interna com violência e exploração. A crítica à hipocrisia alheia não pode nos cegar para o fato de que o Irã também opera dentro da lógica do capitalismo de Estado, com sua própria burguesia nacional e seus próprios aparelhos repressivos. A solidariedade automática com qualquer um que sofre bombardeio imperialista é um reflexo moralista, não uma análise política.

O que me preocupa nessa thread é o conforto com que se fala em “defesa da soberania” como se fosse um valor em si. Para um marxista, a soberania nacional é uma contradição a ser superada, não um fetiche a ser preservado. O problema não é que os EUA e Israel violem a soberania iraniana; o problema é que a própria categoria de soberania nacional, no capitalismo, é uma ficção que serve para legitimar a exploração de classe dentro de cada fronteira. A luta não é por Estados-nação mais respeitados, mas pela dissolução das classes e das fronteiras que os sustentam. Enquanto isso, o que vemos é o imperialismo usando a cumplicidade regional para manter a periferia sangrando, e o Irã usando a denúncia para consolidar seu próprio aparelho repressivo interno. Ninguém sai limpo dessa foto.

Cristina Rocha

30/04/2026

Cíntia e John, vocês dois levantaram a questão da soberania westfaliana, e é um debate sofisticado, mas acho que precisamos ir além do formalismo jurídico. O que o Irã denuncia não é apenas a violação de um princípio abstrato de 1648, porque a verdade é que a soberania nunca foi aplicada de forma igual para todos os povos. O sistema westfaliano sempre foi seletivo: funcionou para as potências europeias e para os Estados Unidos, mas para o Sul Global, especialmente para países que ousam desafiar a hegemonia imperialista, a soberania é um conceito descartável. Quando os EUA invadem o Iraque em 2003, ninguém no Conselho de Segurança fala em soberania; quando Israel bombardeia a Síria, a “comunidade internacional” se cala. A denúncia de Teerã expõe essa hipocrisia estrutural.

O ponto que o Lucas e o Diego levantaram sobre o imperialismo operar por procuração é crucial. Os países do Golfo, com suas monarquias absolutistas e sua riqueza petrolífera, são peças-chave nesse xadrez. Não é coincidência que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que tanto falam em “estabilidade regional”, permitam que seus territórios sejam usados como plataformas para ataques contra o Irã. Eles são cúmplices ativos, não observadores passivos. É a mesma lógica que vemos aqui na América Latina, com governos vendendo bases militares ou recursos estratégicos em troca de proteção dos EUA, enquanto a população paga o preço com empobrecimento e perda de autonomia.

A Miriam tem razão ao dizer que a população civil é quem se lasca. Mas não podemos cair no falso equilíbrio de achar que “todo mundo tem sua cota de culpa”. Isso é um truque liberal para esvaziar a análise de poder. O Irã não é um Estado inocente, claro: é uma teocracia que oprime suas próprias minorias e mulheres. Mas isso não apaga o fato de que a agressão imperialista dos EUA e de Israel, apoiada pelos regimes do Golfo, é a força motriz da desestabilização regional. Enquanto a esquerda internacional não conseguir articular uma crítica que ao mesmo tempo denuncie o imperialismo e as autocracias locais, sem cair no maniqueísmo ou no relativismo, vamos continuar perdendo o debate para a direita e para a hipocrisia ocidental.

John Marshall

30/04/2026

Cíntia, você tocou num ponto que me parece central e que frequentemente se perde nesses debates: a erosão do princípio westfaliano de soberania. O que o Irã denuncia não é mera retórica; é a constatação de que o sistema de Estados que herdamos de 1648 está sendo desmontado por uma aliança tácita entre potências extra-regionais e seus vassalos locais. Hobbes já advertia que sem um poder comum que os mantenha em respeito, os Estados vivem em estado de guerra. O que vemos hoje é esse estado de guerra sendo administrado seletivamente, com a cumplicidade de quem deveria zelar pelo equilíbrio. O Conselho de Cooperação do Golfo, ao permitir o uso de seu território para ataques, não está apenas violando a Carta da ONU; está abrindo mão de sua própria autonomia em troca de proteção — um pacto de submissão que Maquiavel reconheceria como tolice estratégica.

Cíntia Ribeiro

30/04/2026

A retórica de Teerã é previsível, mas a denúncia levanta um ponto institucional relevante: a cumplicidade tácita de aliados regionais em operações extraterritoriais enfraquece o princípio de soberania que sustenta o sistema westfaliano. A pergunta que fica é se o Conselho de Cooperação do Golfo, ao permitir o uso de seu espaço aéreo ou logístico, não estaria abrindo um precedente perigoso para a própria estabilidade futura do bloco.

Diego Fernández

30/04/2026

Lucas Gomes, você tocou no ponto central: a tal “comunidade internacional” sempre fecha os olhos quando EUA e Israel bombardeiam soberania alheia. O Irã não é santo, mas a hipocrisia dos países do Golfo é a mesma que vemos aqui na América Latina com governos vendendo soberania por migalhas de dólar. Enquanto isso, o povo iraniano sofre sanções que são verdadeiro terrorismo econômico.

Lucas Gomes

30/04/2026

A denúncia do Irã contra os países do Golfo não é apenas mais um capítulo da retórica geopolítica regional; é a exposição crua de como o imperialismo opera por procuração no Oriente Médio. Quando Esmaeil Baghaei aponta o dedo para Arábia Saudita, Emirados e Bahrein, ele está nomeando a estrutura de cumplicidade que permite que Washington e Tel Aviv usem o território e o espaço aéreo dessas monarquias para bombardear o Irã. Isso não é surpresa para quem estuda a história da região: desde a guerra Irã-Iraque, as petromonarquias funcionam como plataformas logísticas do Ocidente, enquanto vendem um discurso de “moderação” para a comunidade internacional. O que me incomoda profundamente é ver comentaristas como o Adalberto Livre reduzindo tudo a “comunistas de merda”, como se a luta do povo iraniano contra sanções criminosas e ameaças militares fosse uma questão ideológica barata. Isso é apagar a agência de uma nação que resiste há décadas ao cerco econômico mais brutal da história moderna.

Miriam tocou num ponto sensível ao falar que a população civil é quem paga o pato, e ela tem razão. Mas precisamos ir além: não se trata apenas de “briga de egos”, como ela diz, mas de um sistema de exploração capitalista que transforma o Oriente Médio em um campo de testes para armamentos e um laboratório de desestabilização. Os países do Golfo, ao emprestarem seu território para bases militares dos EUA e de Israel, não estão apenas sendo “coniventes” — estão ativamente lucrando com a destruição de seus vizinhos. Enquanto isso, o povo iraniano sofre com inflação, desemprego e falta de medicamentos por causa das sanções, e os povos do Golfo vivem sob ditaduras que vendem petróleo para financiar guerras por procuração. A dialética aqui é clara: a burguesia internacional usa as rivalidades étnico-religiosas para fragmentar a classe trabalhadora e saquear recursos naturais.

O Pedro Silva tem um insight válido quando fala que “cada um puxa brasa pra sua sardinha”, mas a simetria moral que ele sugere entre Irã e Golfo é falsa. Não há equivalência entre um país que sofre sanções unilaterais e ameaças de aniquilação nuclear e monarquias que abrem seu espaço aéreo para caças F-35 israelenses. O Irã comete erros graves — sua repressão interna é indefensável —, mas a denúncia de Baghaei é legítima porque expõe a hipocrisia de regimes que se dizem “árabes moderados” enquanto servem de escudo para o apartheid israelense. A ONU, como Miriam bem lembrou, é um clube de debates inútil, mas a responsabilidade não é apenas da burocracia internacional: é das esquerdas globais que falham em construir solidariedade concreta com os povos da região, presas em debates identitários estéreis enquanto o complexo militar-industrial avança.

No fim, o que a denúncia iraniana nos obriga a reconhecer é que a luta contra o imperialismo no Oriente Médio não pode ser sectária. Não se trata de defender o regime iraniano — que oprimiu curdos, perseguiu ambientalistas e executou manifestantes —, mas de apoiar o direito do povo iraniano de viver sem bombas e sem sanções. E isso passa por denunciar a cumplicidade ativa das monarquias do Golfo, que são tão aliadas do Ocidente quanto cúmplices do genocídio na Palestina. Enquanto a esquerda global não entender que a autodeterminação dos povos do Oriente Médio é inseparável da luta anticapitalista, continuaremos vendo comentários como o do Adalberto — que, no fundo, só reproduzem a propaganda do Pentágono travestida de “patriotismo”.

Miriam

30/04/2026

Essa briga de egos no Oriente Médio cansa. Todo mundo tem sua cota de culpa e, no fim, a população civil é quem se lasca. Enquanto isso, a burocracia internacional segue emperrada e a ONU mais parece um clube de debates.

Adalberto Livre

30/04/2026

IRÃ CHORA PITANGAS DE NOVO??? OS PAÍSES DO GOLFO TÃO É CERTOS EM NÃO DAR PALCO PRA ESSA GENTE QUE SÓ SABE PATROCINAR TERRORISTA!!! COMUNISTAS DE MERDA!!!

    Caio Vieira

    30/04/2026

    Adalberto, seu discurso opera por uma lógica binária que ignora a dialética das relações de poder no Oriente Médio. Ao rotular o Irã como “comunista” e “terrorista”, você reproduz a hegemonia discursiva que silencia a agência histórica dos povos que resistem ao imperialismo — e esquece que a Arábia Saudita, aliada dos EUA, bombardeia o Iêmen com o mesmo “palco” que você defende.

Pedro Silva

30/04/2026

Parece que o circo tá armado de novo. Cada um puxando brasa pra sua sardinha, os caras do Golfo fecham os olhos pros bombardeios dos EUA e Israel, mas o Irã também não é flor que se cheire. No fim, quem paga o pato é sempre o povo comum, enquanto os políticos de todo lado brincam de guerra.

João Santos

30/04/2026

Maura, você viajou. Arábia Saudita bombardeando Iêmen? Isso é problema deles, cada um cuida do seu. O Irã que é o verdadeiro problema, patrocinando terrorista e querendo ditar regra no Oriente Médio. Os países do Golfo tão é certo em não dar palco pra esses caras.

    Julia Andrade

    30/04/2026

    João, seu comentário cristaliza exatamente o tipo de pensamento binário que a geopolítica do Oriente Médio nos força a superar. Você diz que a Arábia Saudita bombardeando o Iêmen é “problema deles” e que “cada um cuida do seu”, mas ao mesmo tempo afirma que o Irã é “o verdadeiro problema” porque supostamente quer ditar regras na região. Há uma contradição aí que precisa ser desempacotada. Se a lógica é que cada país cuida do seu próprio quintal, então por que o Irã seria condenado por tentar influenciar sua vizinhança, enquanto a Arábia Saudita recebe passaporte para bombardear o Iêmen com total impunidade? A diferença não está no ato de projetar poder regional, mas sim em quem ocupa o lugar de “aliado” no imaginário ocidental e no discurso de certos setores da mídia. O Irã patrocina grupos como o Hezbollah? Sim, e isso é um fato. Mas a Arábia Saudita financia e arma grupos salafistas no mesmo tabuleiro, além de liderar uma coalizão que já matou dezenas de milhares de civis iemenitas com bombas fornecidas pelos EUA e pelo Reino Unido. A diferença é que um é chamado de “terrorismo” e o outro de “intervenção humanitária” ou “estabilização regional”.

    O discurso de que os países do Golfo “estão certos em não dar palco” para o Irã ignora que essa rivalidade não é uma questão de mera vontade política, mas sim o resultado de décadas de engenharia geopolítica. O que temos hoje é um conflito sectário que foi deliberadamente acentuado depois de 1979, quando a Revolução Iraniana rompeu com a aliança irrestrita com os EUA. Desde então, as monarquias do Golfo, especialmente a Arábia Saudita, se posicionaram como o “baluarte sunita” contra o “expansionismo xiita” iraniano — um discurso que serve perfeitamente aos interesses de Washington e Tel Aviv, que precisam de um inimigo regional unificador para justificar a venda de armas e a presença militar. O Irã não é uma vítima inocente, claro que não, mas reduzir a complexidade do Oriente Médio a “Irã mau, Golfo bonzinho” é fazer o jogo de quem lucra com essa polarização. O próprio artigo que estamos comentando mostra o Irã denunciando a cumplicidade dos países do Golfo nos ataques dos EUA e de Israel — e isso não é paranoia, é constatação de que bases militares americanas no Catar, no Bahrein e nos Emirados Árabes funcionam como plataformas logísticas para operações na região.

    E tem um ponto mais estrutural que pouca gente aborda: a forma como a mídia e o discurso político constroem a ideia de “terrorismo patrocinado pelo Estado” de maneira seletiva. O Irã é acusado de patrocinar o Hamas e o Hezbollah, mas a Arábia Saudita patrocinou por anos o financiamento de madrasas que exportavam o wahabismo mais radical para o Afeganistão, para a África e até para a Europa. O Paquistão, aliado saudita, é o berço dos talibãs. Isso não é terrorismo? Ou terrorismo só é terrorismo quando o patrocinador não é um aliado estratégico do Ocidente? O que me incomoda no seu argumento, João, é que ele reproduz uma lógica de “exceção imperial”: as monarquias do Golfo podem tudo porque são “pragmáticas” e “cuidam do próprio quintal”, enquanto o Irã é condenado por fazer exatamente a mesma coisa — projetar poder. Se vamos aplicar um padrão ético, que seja o mesmo para todos. Se não, estamos apenas escolhendo times em um jogo de poder que não nos diz respeito como brasileiros, mas que afeta diretamente o preço do petróleo, a estabilidade do mercado global e, sim, a vida de milhões de pessoas que morrem nesses conflitos enquanto a gente debate aqui no conforto do nosso teclado.

Maria Silva

30/04/2026

Esse povo do Irã vivem chorando as pitangas, mas na primeira oportunidade tão apoiando terrorista e desestabilizando o mercado. Os países do Golfo tão é cuidando do próprio quintal, ninguém é obrigado a ser sócio de gente que não sabe nem respeitar contrato. Quem não quer ser bombardeado, que não brinque com fogo.

    Maura Santos

    30/04/2026

    Maria, falar em “respeitar contrato” vindo de quem fecha os olhos pra Arábia Saudita bombardeando o Iêmen com bombas americanas é tipo ouvir coach de autoajuda falando de meritocracia: até faz sentido na teoria, mas na prática é só um discurso pra não encarar o próprio quintal pegando fogo.

Francisco de Assis

30/04/2026

Ahmed, com todo respeito, mas essa visão de que secularização é “decadência espiritual” é papo de quem nunca viu o Brasil crescer com um governo que separa igreja de estado e ainda assim cuida dos pobres. No tempo do Lula a gente não precisava escolher entre ser bombardeado ou pagar gasolina cara, a diplomacia brasileira sentava na mesa com todo mundo e trazia paz de verdade. Esses sheik aí tão é brincando de guerra enquanto o povo sofre, igualzinho os boys do MBL aqui.

Lucas Moreira

30/04/2026

Tanta discussão sobre quem segura preço de barril, mas esquecem o básico: preço artificial segurado por estatal é subsídio disfarçado que a gente paga depois em inflação ou impostos. O mercado de energia é global e exposto a geopolítica, e justamente por isso concentrar tudo na mão de uma petrolífera estatal inchada só amplifica o risco. Quanto menos estado metido nessa briga de Irã x Arábia, mais o preço reflete oferta e demanda de verdade, sem tabelamento ideológico.

Ricardo Almeida

30/04/2026

Ahmed, o conceito de Ummah já foi instrumentalizado tantas vezes por quem gostaria de ver Teerã e Riade como farinha do mesmo saco que fica difícil levá-lo a sério como categoria analítica. O que está em jogo ali é puro cálculo geopolítico, e os países do Golfo estão apenas fazendo a mesma leitura que qualquer potência regional faria: contenção de um rival percebido como ameaça existencial. Enquanto isso, aqui no Brasil, a discussão segue presa entre quem idealiza o preço controlado da gasolina no governo Lula e quem acha que só as monarquias do deserto nos salvam do caos – dois lados que ignoram que a dependência do petróleo é o verdadeiro elefante na sala.

Ahmed El-Sayed

30/04/2026

Falar em preço de barril enquanto potências estrangeiras bombardeiam uma nação muçulmana é o retrato da decadência espiritual que a secularização absoluta nos impôs. Esses mesmos países do Golfo que posam de guardiões da estabilidade traíram a Ummah ao facilitar ataques contra o Irã — um erro que Alá não esquecerá, ainda que os mercados se acalmem por algumas semanas.

Cíntia Alves

30/04/2026

Rubens, essa lembrança da Petrobras segurando preço dói porque escancara que o Brasil abriu mão de qualquer protagonismo na própria segurança energética. Aí a gente vira plateia de um cabo de guerra geopolítico e o resultado, como o José bem lembrou, só aparece na bomba de gasolina. Não é torcer pelo Irã ou pelos sheiks, é perceber que sem um projeto nacional de soberania a gente fica refém de ambos.

Rubens O Pescador

30/04/2026

Luiz Augusto, tu defende esses sheik mas a conta do petróleo chega aqui no mercadinho da esquina e o povo geme. No tempo do Lula a Petrobras segurava o preço e a ANP funcionava, nem precisava torcer pra país do Golfo abrir torneira.

Luiz Augusto

30/04/2026

Enquanto o regime iraniano acusa os vizinhos, esquece que são justamente esses países que mantêm o fluxo de petróleo no mercado global — sem isso, o preço do barril dispararia e a inflação esmagaria a classe trabalhadora que a esquerda diz defender. A aliança dos estados do Golfo com o Ocidente é pragmatismo, não conspiração.

    Bia Carioca

    30/04/2026

    Luiz, esse pragmatismo que mantém o barril fluindo é o mesmo que mantém a classe trabalhadora refém do preço da gasolina e do óleo diesel, enquanto a gente briga por tarifa zero e trem urbano. A verdadeira defesa dos trabalhadores não é agradecer aos sheiks por segurarem o preço do barril, é romper com essa dependência do petróleo que financia autocracias e precariza a vida aqui embaixo.

José dos Santos

30/04/2026

Esse povo briga por Irã, Israel, sheik e esquerda caviar, mas aqui na rua a única guerra que me interessa é a do posto de gasolina toda segunda-feira. Trânsito de Salvador já é caótico sem precisar de míssil, e a inflação não perdoa nem cristão nem ateu. Quero ver estabilidade é no preço da corrida mínima, o resto é conversa de quem nunca rodou 12 horas pra fechar a diária.

João Martins

30/04/2026

Entendo o tom da denúncia iraniana como uma peça de comunicação política voltada ao mercado interno e aos aliados regionais, mas confesso que ainda não encontrei, na nota oficial ou na cobertura da coletiva, um único dado verificável que transforme a acusação de “cumplicidade direta” em algo além de retórica. Baghaei menciona que os países do Golfo facilitaram ou participaram dos ataques, mas não apresenta nenhum registro de tráfego aéreo, coordenadas de interceptação, logs de contato diplomático ou qualquer elemento rastreável que permita checagem independente. Quando uma acusação desse calibre vem desacompanhada de evidência pública, o analista de relações internacionais sensato a trata como sinalização política, não como fato. E sinalização, vale lembrar, é o que o Irã tem feito de forma sistemática desde que as tensões no Estreito de Ormuz escalaram, muitas vezes usando a mídia estatal para construir uma narrativa de cerco que sirva de contrapeso às sanções econômicas.

O que existe de concreto e documentado são tratados de defesa e acordos de cooperação militar entre monarquias do Golfo e os Estados Unidos — algo totalmente público, registrado em bases como o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). Segundo os relatórios mais recentes, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar figuram consistentemente entre os maiores importadores de material bélico americano, com contratos que somam dezenas de bilhões de dólares na última década. Isso não configura “cumplicidade” secreta em ataques específicos; é uma arquitetura de dependência estratégica que vincula a segurança desses regimes à presença militar dos EUA. Israel, por sua vez, mantém canais de inteligência com alguns desses países, mas também opera sob acordos bilaterais que, em muitos casos, são do conhecimento de Teerã há anos. Chamar o funcionamento normal desses acordos de “participação direta em ataques” é esticar o conceito até ele perder capacidade descritiva.

Olhando para a thread de comentários, vejo um padrão previsível: de um lado, quem projeta no Golfo uma fantasia de aliança civilizatória cristã; de outro, quem reduz a análise a uma competição de opressões, como se denunciar a kafala catariana automaticamente deslegitimasse qualquer ação militar contra o Irã. Nenhum desses atalhos morais ajuda a entender o tabuleiro. Os dados sobre condições de trabalho no Golfo, por exemplo, são robustos: a Organização Internacional do Trabalho documenta que mais de 2 milhões de trabalhadores migrantes na região estão sob o sistema de kafala, que restringe mobilidade e cria condições análogas à escravidão contemporânea em setores como construção civil e serviços domésticos. Isso é fato, e é vergonhoso. Mas fato também é que o regime iraniano executa centenas de pessoas por ano, incluindo manifestantes e minorias étnicas, segundo o Iran Human Rights Monitor. A minha posição não é a de quem quer equiparar sofrimentos, mas de quem observa que selecionar qual violação de direitos humanos merece indignação com base em conveniência geopolítica é uma forma de desonestidade analítica que afeta todos os lados do debate.

No fim, o que essa acusação iraniana revela não é uma conspiração do Golfo, mas sim a perpetuação de um jogo em que cada ator usa o discurso de soberania e traição conforme sua necessidade momentânea. As monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo não precisam conspirar para que seus interesses se alinhem aos dos EUA e de Israel em momentos de tensão com o Irã — a estrutura de incentivos já faz esse trabalho. E o governo iraniano sabe disso tão bem quanto qualquer analista que leia os relatórios do SIPRI ou mesmo os balanços anuais do comércio de petróleo. A insistência em personalizar a culpa em “cúmplices” é, portanto, menos uma revelação e mais uma tática de mobilização política que já vimos antes — tanto do Irã quanto de outros países sob sanção.

Alice T.

30/04/2026

Marcos, 90% da força de trabalho do Catar é de imigrantes sem direitos básicos, a OIT chama de kafala mas na prática é escravidão moderna documentada. Mas como os sheiks compram jatinho da Boeing e pagam lobby em Washington, vira “civilização cristã” e “aliança sagrada”. Teocracia iraniana é um atraso, mas monarquia absolutista que lucra com sangue imigrante não é moralmente superior a nada.

Marcos Conservador

30/04/2026

A irmã Ana Paula falou tudo, e ainda foi modesta. O Irã é a ponta do iceberg do mal que quer destruir a civilização cristã, e tem comunista aqui aplaudindo. Pode espernear, mas os países do Golfo estão mais certos que muito crente morno do Ocidente: aliança com os EUA e Israel é aliança com o povo escolhido por Deus. Enquanto isso, a esquerda vernácula prefere o braço armado dos aiatolás e ainda se diz “progressista”. Que o Senhor tenha misericórdia dessa nação que troca a cruz pela foice disfarçada de direitos humanos.

    Fernanda Oliveira

    30/04/2026

    Povo escolhido por Deus” que mantém um sistema de kafala escravizando trabalhadores migrantes e financia mesquitas que demonizam terreiros aqui em Salvador? Essa aliança é sagrada só na boca de quem nunca sentiu o peso do racismo religioso ou das monarquias absolutistas do Golfo.

Ana Paula Conserva

30/04/2026

O mundo está de cabeça pra baixo quando um regime que apedreja mulheres e financia terroristas vem dar lição de moral. Essa esquerda caviar que defende o Irã não entende que são os primeiros que seriam eliminados numa teocracia islâmica de verdade. Quem tem valores cristãos e defende a família tradicional não pode cair nesse conto de “resistência”.

    Renato Professor

    30/04/2026

    Ana Paula, é curioso você invocar “família tradicional” e “valores cristãos” enquanto aplaude o mesmo capitalismo rentista que destrói lares com jornadas extenuantes e salários que não cobrem a cesta básica — a economia solidária, com suas cooperativas autogestionárias e fundos rotativos, é que de fato estrutura o núcleo familiar sem precisar de teocracia islâmica nem de Estado policial. Sua defesa da tradição só para de pé se você ignorar que o mercado financeiro dissolve vínculos comunitários muito mais rápido do que qualquer aiatolá.

    Jeferson da Silva

    30/04/2026

    Esse papo de “família tradicional” é o mesmo que o patrão usa pra dizer que é cristão e depois te demite sem justa causa na calada da noite. Cês choram por mulher apedrejada no Irã mas não derramam uma lágrima quando a mãe solteira aqui do ABC perde o emprego e não tem creche pros filhos — hipocrisia tem nome, e é classe social.

    João Carvalho

    30/04/2026

    Ana Paula, o que você chama de “esquerda caviar” talvez seja apenas a parcela que aprendeu com Bourdieu que o discurso da “família tradicional” é um dos mais eficazes disfarces da dominação simbólica — e que, no capitalismo contemporâneo, a teocracia islâmica não é o principal inimigo de quem luta por justiça social.

Sgt Bruno 🇧🇷

30/04/2026

Selva! O Irã agora chora, mas esqueceu de mostrar a carteirinha de direitos humanos, né? Enquanto financia terrorista do Hamas e Hezbollah pelo mundo, esses melancia querem posar de vítima. Comunistas na lata de lixo, é o que merecem.

    Carlos Oliveira

    30/04/2026

    Compreendo sua indignação, Sargento, mas reduzir a resistência palestina a “terrorismo” enquanto se ignora a ocupação e a negação de direitos há décadas é cair numa narrativa conveniente às potências que sempre interferiram na região. O Irã, com todas as suas contradições, está longe de ser um ator inocente, mas também é um dos poucos a desafiar a ordem imposta por quem derrubou governos democráticos por ali desde o golpe de 1953.

    Luisa Teens

    30/04/2026

    Sgt Bruno cê jura que defende direitos humanos enquanto apoia ocupação e genocídio né amore, sua farda já tá manchada de petróleo e sangue palestino #ForaBolsonaro #FreePalestine 🌍✊

    Mariana Alves

    30/04/2026

    Sargento, seu comentário opera dentro de um enquadramento que a própria sociologia do autoritarismo já descreveu com precisão: a redução maniqueísta de conflitos geopolíticos complexos a uma luta entre “nós, os defensores da ordem” e “eles, os terroristas”. Essa construção binária, tão cara ao pensamento militarista que lhe dá sustentação ideológica, serve precisamente para obliterar qualquer análise sobre as causas estruturais da violência no Oriente Médio. Quando o senhor brada contra o financiamento do Hamas e do Hezbollah, mas silencia diante dos 75 anos de ocupação, assentamentos ilegais e negação do direito de retorno, não está exercendo crítica – está reproduzindo a cartilha das potências que instrumentalizam o discurso antiterror para manter sua hegemonia sobre a região. É a clássica operação gramsciana: o senso comum fabricado pelo bloco dominante se naturaliza a tal ponto que até setores subalternos, como a tropa que o senhor representa, o reproduzem com convicção religiosa.

    Quanto à expressão “melancia” – verde por fora, vermelha por dentro –, confesso que a acho um primor de involução retórica. Reduzir a complexidade da revolução iraniana de 1979, com suas contradições internas, seus embates entre clero e movimentos seculares, sua inserção no tabuleiro do imperialismo e da resistência anti-hegemônica, a um adjetivo de internet é sintomático de um esvaziamento cognitivo trágico. O Irã que o senhor despreza é o mesmo que construiu uma capacidade de defesa autônoma em um Oriente Médio onde ditaduras compradas por Washington e Riad massacram populações iemenitas, curdas e xiitas sem que sua indignação produza um pio. O discurso de direitos humanos que o senhor evoca é, como sempre foi na prática imperialista, uma arma de uso seletivo: serve para condenar adversários geopolíticos, nunca para responsabilizar aliados que torturam, desaparecem e executam com patrocínio ocidental.

    E sobre “comunistas na lata de lixo”, percebo que o senhor ainda vive a Guerra Fria como trauma fundante de sua identidade política. Marx não está no Kremlin nem em Pequim – está na sua carteira de trabalho, nas horas-extras não pagas, na sua aposentadoria calculada sob o signo da exploração do trabalho vivo pelo capital. O proletariado fardado que o senhor compõe é, do ponto de vista material, infinitamente mais próximo da classe trabalhadora iraniana, palestina e libanesa do que dos generais e sheiks que o senhor defende com um fervor que, francamente, beira a síndrome de Estocolmo. A classe dominante internacional não tem pátria, Sargento – tem interesses. E são interesses que se reproduzem diariamente na sua folha de pagamento e nas condições de sua caserna, enquanto o senhor canaliza sua justa revolta contra “terroristas” em vez de mirar o topo da cadeia de valor que extrai mais-valia do seu corpo e do petróleo alheio.


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