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Lula sinaliza que não sancionará PL da Dosimetria e deixa promulgação para Alcolumbre

66 Comentários🗣️🔥 O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em evento oficial. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria aprovado pelo Congresso, sinaliza que não exercerá a prerrogativa de promulgar o texto após a derrubada do veto pelos parlamentares. Caso o […]

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O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em evento oficial. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria aprovado pelo Congresso, sinaliza que não exercerá a prerrogativa de promulgar o texto após a derrubada do veto pelos parlamentares.

Caso o Palácio do Planalto mantenha a decisão, a promulgação caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conforme estabelece o artigo 66 da Constituição, que fixa prazo de 48 horas para cada autoridade responsável.

A manobra respeita a prática política de chefes do Executivo evitarem chancelar projetos que rejeitaram formalmente. Essa postura também preserva a coerência do governo diante das críticas feitas ao conteúdo da proposta.

Ao deslocar a assinatura para Alcolumbre, Lula reforça que as divergências de mérito permanecem, mas evita confronto direto com o Legislativo. A estratégia preserva a governabilidade numa Casa onde tramita uma agenda de interesse do Executivo.

O PL altera o cálculo das penas por golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, unificando ambos os crimes e modificando os parâmetros para progressão de regime. A mudança pode reduzir sentenças já aplicadas e beneficiar réus processados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a processo no Supremo Tribunal Federal.

Segundo o relator da matéria no Congresso, o deputado Paulinho da Força, as novas regras poderiam reduzir significativamente a pena que viesse a ser aplicada a Bolsonaro. A hipótese permitiria eventual progressão de regime antes do calendário eleitoral de 2026.

A perspectiva reacendeu tensões políticas e mobilizou a bancada petista, que já articula ação direta de inconstitucionalidade assim que a lei for promulgada. A redução de penas não ocorreria de forma automática, pois cada sentença precisaria ser recalculada e referendada pelo STF.

O STF avaliará se as mudanças atendem ao princípio da individualização da pena. Juristas ouvidos pelo Congresso avaliam que não existe, no momento, ambiente para que a Corte declare a inconstitucionalidade de ofício, o que transfere a disputa para ações diretas a serem apresentadas por partidos ou entidades legitimadas.

O Partido dos Trabalhadores pretende acionar o STF assim que a nova lei for promulgada, argumentando que o Congresso fatiou o veto integral de Lula de modo a preservar trechos que, na visão do governo, poderiam alcançar crimes como feminicídio e outras infrações hediondas. A estratégia jurídica será liderada pelo deputado Pedro Uczai, chefe da bancada na Câmara, em articulação com o senador Lindbergh Farias.

Especialistas em direito penal observam que o dispositivo que exige cumprimento de apenas 20% da pena antes da progressão poderá pressionar os sistemas prisional e judiciário, ao multiplicar pedidos de revisão apresentados por quase 850 réus. O movimento também gera incerteza sobre a jurisprudência, pois o STF ainda avalia se o delito de golpe de Estado comporta concurso formal com outras tipificações.

Ministros da Suprema Corte evitam antecipar posição, mas reforçam a importância de preservar a legalidade, lembrando que mudanças penais não podem retroagir para prejudicar réus — apenas para beneficiá-los. Para juristas ligados à academia, o episódio revela como o Congresso pode redirecionar políticas criminais em curtíssimo prazo, inclusive quando a motivação é claramente circunstancial.

A oposição de esquerda argumenta que esse tipo de casuísmo descredibiliza o combate a atentados contra a democracia. Setores conservadores alegam que as penas originais seriam excessivas e careceriam de parâmetro equivalente.

O bolsonarismo celebra a derrubada do veto como vitória política e jurídica, apostando que a revisão das sentenças reforçará o discurso de perseguição e ampliará a mobilização de sua base à medida que 2026 se aproxima. Nos bastidores, líderes governistas repetem que a proposta nasceu para corrigir eventuais desproporções punitivas, porém foi redigida de forma a favorecer quem tentou arruinar o processo democrático — motivo suficiente para o veto integral de Lula.

Independentemente da promulgação por Alcolumbre, a lei poderá enfrentar controle concentrado de constitucionalidade, o que tende a prolongar o impasse até que o plenário do STF examine o mérito. Até lá, os réus interessados devem apresentar recursos individuais, e cada ministro relator decidirá se suspende ou aplica a nova metodologia.

Essa situação pode gerar decisões divergentes e acelerar o envio da matéria ao plenário. Conforme análise publicada pelo Diário do Centro do Mundo, a condução do caso por Alcolumbre não altera a validade da norma, mas cria novo capítulo na disputa entre o campo progressista e o bloco bolsonarista sobre os desdobramentos do 8 de janeiro.

Ao delegar a assinatura, Lula mantém coerência com seu veto original e preserva o capital político junto à base progressista, colocando o Senado no centro das atenções. O desfecho dependerá da disposição do STF de arbitrar rapidamente a controvérsia e da capacidade do governo de unir forças no Congresso para bloquear eventuais tentativas de novos retrocessos na responsabilização dos golpistas.


Leia também: Congresso derruba veto de Lula e mantém PL da Dosimetria


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Paulo Ribeiro

04/05/2026

Caro Luizinho 16, você tocou num ponto nevrálgico que a maioria dos comentários aqui, inclusive o da Clotilde Pátria, insiste em ignorar: a seletividade penal do Estado brasileiro. Não se trata de “defender bandido”, como o reacionarismo de ocasião adora repetir como mantra, mas de compreender que o Direito Penal nunca foi neutro. Gramsci já nos alertava sobre a hegemonia cultural: as classes dominantes controlam não apenas os meios de produção, mas também os aparelhos ideológicos, e o sistema judiciário é um dos mais eficazes. Esse PL da Dosimetria, aprovado por um Congresso que representa o agro, o latifúndio e a bancada da bala, não visa a justiça — visa a gestão punitiva da pobreza.

O que Lula faz aqui é um movimento taticamente compreensível, mas estrategicamente preocupante. Ao sinalizar que não promulgará o texto, ele joga a responsabilidade para Alcolumbre, que é um articulador do centrão, um representante típico do que Florestan Fernandes chamaria de “burguesia dependente”. Isso não é isenção, é covardia política. Lula poderia usar o veto para travar o projeto e, em seguida, encaminhar uma proposta alternativa que levasse em conta os estudos criminológicos críticos — como os de Vera Malaguti Batista ou Nilo Batista — que mostram que o encarceramento em massa não reduz a criminalidade, apenas aprofunda o abismo social. Mas não, prefere o jogo de empurra.

A Mariana Santos tem razão quando aponta que o sistema penal é um instrumento de controle racial e de classe. Basta olhar os dados do Infopen: a população carcerária brasileira é majoritariamente negra, jovem e com baixa escolaridade. Esse PL, ao endurecer regras de dosimetria sem tocar nas causas estruturais da violência — desigualdade, falta de acesso à terra, precarização do trabalho —, é um tiro no pé de qualquer projeto minimamente progressista. Althusser diria que o Estado age por seus Aparelhos Repressivos, e o judiciário é um deles. O que vemos é a esquerda no governo cedendo à pauta punitivista por medo de ser chamada de “conivente”.

Por fim, acho revelador que a Clotilde Pátria e o Ronaldo Silva repitam o discurso do “bandido solto” enquanto o preço da gasolina sobe. Isso é o que Mariátegui chamava de “mistificação ideológica”: desviar o debate das contradições materiais para um pânico moral fabricado pela grande mídia. O problema não é o bandido solto, é o sistema que produz o bandido e depois lucra com sua captura. Enquanto a esquerda não tiver coragem de enfrentar o senso comum punitivista com uma pedagogia política sólida — como fez o próprio Mariátegui ao articular luta de classes e cultura —, ficaremos nesse eterno jogo de empurra entre Executivo e Legislativo, enquanto o povo pobre apodrece nas cadeias superlotadas.

Mariana Santos

04/05/2026

Luizinho 16, você tocou no ponto central: esse PL é mais um instrumento pra encarcerar pobre e preto enquanto o sistema segue intacto. Lula lavar as mãos e passar a batata quente pro Alcolumbre não é “jogo de empurra”, é a prova de que o governo não tem coragem de enfrentar o Congresso reacionário de frente. Enquanto isso, a esquerda institucional faz concessão atrás de concessão e o povo trabalhador continua pagando a conta.

Clotilde Pátria

04/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse Lula tá cada dia pior! Vetou um projeto que ia punir bandido de verdade e agora ainda quer empurrar a responsabilidade pro Alcolumbre? Isso é jogo de empurra pra beneficiar vagabundo! Parece até que querem transformar o Brasil numa Cuba, com bandido solto e cidadão de bem preso em casa. Alguém avisa esses políticos que o povo tá cansado de tanta palhaçada?

Luizinho 16

04/05/2026

Paulo Rocha, “defende bandido” é o bordão de quem nunca leu um processo penal na vida. Enquanto isso o Congresso aprova projeto pra encher cadeia de pobre e o Lula lava as mãos. Revolucionário? Não, conivente.

Ronaldo Silva

04/05/2026

Pois é, mais uma novela política pra gente pagar imposto. Enquanto eles brincam de empurra-empurra com projeto de lei, o preço da gasolina não para de subir e o bandido tá solto na rua. Quero ver é resultado, não esse toma-lá-dá-cá de Brasília.

Paulo Gestor RJ

04/05/2026

Pessoal, o Renato Professor tem um ponto válido sobre o mérito jurídico, mas acho que a discussão se perde nesse maniqueísmo todo. Do ponto de vista de gestão, o que me preocupa é o custo político e fiscal desse vai e vem entre Executivo e Legislativo. Se o texto é realmente problemático, melhor o Lula não promulgar e deixar o Alcolumbre arcar com a decisão, mas isso não resolve o problema de fundo da segurança pública, que é de gestão, não de canetada.

Paulo Rocha

04/05/2026

Renato Professor, seu discurso é o típico mimimi acadêmico que defende bandido. Esse PL é pra punir criminoso de verdade, não pra ficar com esse papo de “ciência criminal”. Esse governo só quer proteger marginal e destruir o Brasil. Faz o L, vagabundo! Vai pra Cuba!

Renato Professor

04/05/2026

Adriana, querida, seu comentário é um primor de simplificação ideológica. O problema não é Cuba ou o Foro de São Paulo, é que o PL da Dosimetria é uma aberração jurídica que confunde pena com vingança e ignora décadas de ciência criminal. Lula sinalizar que não vai promulgar é apenas constatar que o texto é inconstitucional; se o Congresso quer passar por cima do veto, que assuma a paternidade da criança.

Cláudio Ribeiro

04/05/2026

O Fernando O. captou bem a jogada: Lula recua para não desgastar a relação com o Congresso, mas ao mesmo tempo joga a responsabilidade para Alcolumbre. É a velha arte de governar por delegação, típica de um presidencialismo de coalizão que prefere evitar o confronto direto com o Legislativo. Gramsci já alertava que a hegemonia se mantém também por essas pequenas concessões táticas.

Adriana Silva

04/05/2026

Faz o L, comunista! Tudo culpa do PT e do Foro de São Paulo, querem soltar bandido e destruir o Brasil. Vai pra Cuba, Lula!

Fernando O.

04/05/2026

Pura jogada de bastidor. Lula sabe que o PL é um desastre técnico e jurídico, mas ao jogar a batata quente pro Alcolumbre, evita o desgaste direto com o Congresso. Vamos ver se o Davi vai ter coragem de promulgar um texto que o próprio presidente chamou de inconstitucional.

Luciana

04/05/2026

Ah, Maria Antonia, você tem razão sobre o jogo de empurra, mas a real é que enquanto essa turma briga pra ver quem assina o papel, eu tô aqui preocupada com o juro do cartão que não baixa e o botijão de gás que subiu de novo semana passada. Dosimetria pra mim é saber se vou conseguir fechar as contas do mês sem estourar o limite.

Evelyn Olavo

04/05/2026

Zé do Povo, amigão, respira fundo e tira o Bolsonaro da boca por um minuto. Essa novela da dosimetria é só mais um capítulo do toma-lá-dá-cá entre os poderes, e ficar gritando “vergonha nacional” não muda o fato de que o Congresso e o Planalto estão trocando farpas enquanto a gente paga a conta. O problema não é partido A ou B, é o sistema inteiro que joga pra plateia.

Zé do Povo

04/05/2026

LULA É UM VERGONHA NACIONAL! 😡😡 ESSE DESGRAÇADO SÓ SABE DESTRUIR O BRASIL! CADÊ A DOSIMETRIA? ELE QUER É PROTEGER BANDIDO! VOLTA, BOLSONARO!

Maria Antonia

04/05/2026

Lula empurrando a responsabilidade pro Alcolumbre é mais do mesmo: jogo de empurra enquanto o país precisa de regras claras e punição de verdade pra quem comete crime, seja pobre ou rico. O problema não é a dosimetria em si, é a falta de vontade política de enfrentar a impunidade de verdade. Enquanto isso, o cidadão que trabalha e paga imposto continua refém desse circo.

    Lucas Gomes

    04/05/2026

    Maria Antonia, concordo que o jogo de empurra é desgastante, mas a verdadeira impunidade que assola este país não se resolve com mais cadeia para pobres — ela se resolve desmatando o poder dos grandes latifundiários e mineradores que financiam esse circo político enquanto devastam a Amazônia e os direitos dos povos originários.

João Carlos Silva

04/05/2026

Pois é, mais uma vez a política empurrando com a barriga. Enquanto eles decidem quem promulga o que, a gente aqui na rua vê a violência crescendo e o preço do quilo do arroz nas alturas. Queria ver se fosse filho de político sendo assaltado, será que a dosimetria ia ser tão complicada assim?

Mariana Alves

04/05/2026

Cíntia, você tocou num ponto central quando observa que o encarceramento em massa de pobres não rompe o ciclo, apenas o realimenta. A discussão sobre o PL da Dosimetria, no entanto, revela algo mais profundo do que um simples jogo de empurra entre Lula e Alcolumbre. O que estamos testemunhando é a encenação de um conflito institucional que, na prática, serve para esvaziar o debate substantivo sobre o sistema penal brasileiro. Lula sabe que um veto integral a um projeto aprovado pelo Congresso será derrubado; Alcolumbre sabe que receberá a batata quente. Ambos jogam o jogo da governabilidade enquanto a população mais pobre continua sendo o alvo preferencial da seletividade penal.

A direita, representada aqui nos comentários pelo Luiz Carlos, insiste no mantra da “punição dura” como se o problema da violência no Brasil fosse a leniência da lei. Isso é uma falácia teórica e empírica. O Brasil já tem uma das populações carcerárias mais numerosas do mundo, com taxa de ocupação que ultrapassa 150% em diversos estados. O que falta não é punição, é política pública de prevenção, educação e, sobretudo, justiça social. O PL da Dosimetria, na forma como foi aprovado, não enfrenta a raiz do problema — ele apenas reorganiza a burocracia da punição, mantendo intacta a lógica que criminaliza a pobreza e absolve o colarinho branco.

O gesto de Lula de não promulgar o texto após a derrubada do veto é sintomático de um governo que, preso à correlação de forças do presidencialismo de coalizão, recua diante do enfrentamento necessário. Não se trata de coragem individual, mas de uma análise objetiva: a base governista no Congresso é heterogênea e reflete os interesses do agronegócio, do setor financeiro e das bancadas punitivistas. Avançar numa pauta progressista para o sistema penal exigiria romper com essa base, o que o governo Lula, preso à lógica fiscalista e ao centro político, não está disposto a fazer.

Por fim, é preciso lembrar que a criminologia crítica já demonstrou há décadas que o sistema penal não existe para combater o crime, mas para administrar a conflitualidade social de forma seletiva. Enquanto a esquerda institucional seguir tratando a segurança pública como um tema menor, relegado ao “jogo político”, e a direita seguir explorando o medo para aprovar mais leis penais, o ciclo se repetirá. A verdadeira dosimetria que precisamos não é de penas, mas de justiça distributiva. O resto é teatro para manter tudo como está.

Cíntia Alves

04/05/2026

Marina e Cecília já trouxeram o ponto principal, né? A galera do “bandido bom é bandido morto” sempre esquece que cadeia lotada de pobre não resolve nada, só mantém o ciclo. Lula passar a batata pro Alcolumbre é típico desse jogo político que cansa qualquer um, mas o PL em si é mais do mesmo: punitivismo pra quem não tem QI.

Luiz Carlos

04/05/2026

Mais um joguinho político que a gente paga pra ver. Lula não quer sujar a mão, Alcolumbre que se vire. Enquanto isso, o cidadão de bem continua pagando imposto pra sustentar bandido. Cadê a punição dura de verdade?

    Marina Silva

    04/05/2026

    Punição dura de verdade” pra pobre, né, Luiz? Enquanto isso o colarinho branco continua soltando pipa na praia.

Marta Souza

04/05/2026

Mais um joguinho de empurra-empurra que custa caro ao contribuinte. Enquanto Lula e Alcolumbre brincam de quem assume o desgaste, o cidadão que paga imposto continua vendo o Estado gastar fortunas com um sistema penal ineficiente e cheio de brechas. Cadê a responsabilidade fiscal nessa novela?

    Cecília Silva

    04/05/2026

    Marta, com todo respeito, mas essa conversa de “contribuinte” e “responsabilidade fiscal” sempre aparece quando o assunto é punir pobre. Enquanto vocês discutem gasto público, a realidade é que esse PL da Dosimetria é mais um jeito de encher cadeia de gente preta e favelada. O sistema já é ineficiente porque foi desenhado pra ser seletivo, não por falta de fiscalização.

Carlos Meirelles

04/05/2026

Mais um capítulo da novela: Lula joga a batata quente no colo do Alcolumbre porque não quer desgastar a própria imagem. Enquanto isso, o contribuinte que financia essa farra continua vendo o Estado gastar rios de dinheiro com um sistema penal que não resolve nada. Cadê a responsabilidade fiscal e a segurança jurídica que tanto prometem?

Mateus Silva

04/05/2026

Gabriel, seu “meme sem fim” é sintoma de um cansaço real, mas também de um cinismo que paralisa. A dança das cadeiras entre Lula e Alcolumbre não é apenas fisiologismo; é a expressão nua e crua de um Estado que, na ponta do lápis, sempre dosou a pena do pobre com rigor e a do rico com colher de chá. Enquanto a esquerda se apega a vetos e promulgações, a direita comemora o beco sem saída de um sistema penal que nunca foi sobre justiça, e sim sobre gestão da miséria.

Gabriel Teen

04/05/2026

Lula empurrando com a barriga de novo, e o Alcolumbre pegando o bolo queimado. Vai tomar no cu, política brasileira é um meme sem fim.

Ana Souza

04/05/2026

A leitura técnica que o Lucas e o Jeferson trouxeram é o que realmente importa nessa discussão. Enquanto a galera se apega a narrativas de “covardia” ou “jogo de empurra”, o fato concreto é que a dosimetria penal é um dos nós cegos do nosso sistema judiciário, e esse jogo político em Brasília só escancara como a pauta criminal é tratada como moeda de troca, não como política pública séria.

Jeferson da Silva

03/05/2026

Lucas, você foi certeiro. Enquanto essa turma fica de mimimi sobre quem vai promulgar ou vetar, o chão de fábrica continua vendo a Justiça tratar patrão que sonega direito trabalhista com mão de pelica e trabalhador que luta por dignidade com mão de ferro. Essa novela da dosimetria é só mais um capítulo do teatro pra esconder que o sistema penal sempre foi desenhado pra proteger quem manda e esmagar quem obedece.

Lucas Pinto

03/05/2026

João Carlos, sua intervenção foi cirúrgica ao apontar o beco sem saída do moralismo penal. O problema de fundo não é se Lula é covarde ou se Alcolumbre é oportunista — isso é psicologização barata que esconde a engrenagem. A dosimetria da pena nunca foi, e nunca será, uma questão técnica de “justiça”. Ela é o ponto nevrálgico onde o Estado decide quem merece ser esmagado e com quantos anos de cela. O PL em questão não tratava de revisar o sistema carcerário, mas de reafirmar a lógica punitivista que já sabemos a quem serve: à manutenção do exército industrial de reserva atrás das grades.

A manobra de Lula ao vetar e depois recusar a promulgação é um clássico gramsciano de hegemonia pelo deslocamento. Ele não quer o desgaste de sancionar uma lei que a base do PT sempre criticou, mas também não quer romper com o Centrão — então empurra a batata quente para Alcolumbre, que por sua vez vai devolver ao Congresso. É o Estado burguês em sua forma mais pura: a responsabilidade se dilui numa teia de procedimentos que ninguém assume, enquanto o sistema penal continua operando como máquina de moer corpos pretos e pobres.

A discussão sobre “famílias protegidas” e “punição ao crime” que o Adalberto e a Silvia levantaram é justamente a cortina de fumaça ideológica. O discurso da segurança pública nunca é sobre proteger todos, é sobre proteger a propriedade privada e a ordem do capital. Enquanto a esquerda institucional ficar nesse jogo de empurra em vez de enfrentar a bancada da bala e desmontar a lógica do encarceramento em massa, estaremos apenas trocando a cor da gravata de quem aperta o botão da caneta. Foucault já nos alertou: o sistema penal não existe para eliminar o crime, mas para geri-lo de forma desigual. Esse PL é só mais um capítulo dessa gestão biopolítica.

Silvia Ramos

03/05/2026

Adalberto, o senhor tem toda razão. Lula vetou o PL e agora foge da responsabilidade como Pilatos lavando as mãos. Enquanto isso, o Brasil precisa de leis justas que protejam as famílias e punam o crime, não desse jogo de empurra entre políticos que só pensam em si mesmos.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Silvia, sua indignação com o jogo de empurra é legítima, mas a metáfora de Pilatos esconde uma armadilha: a ideia de que leis “justas” que “protejam as famílias e punam o crime” existe num vácuo, como se o Direito Penal não fosse, desde sempre, o campo onde o Estado decide quem merece ser tratado como cidadão e quem merece ser tratado como inimigo. Enquanto o debate se reduz a “quem lava as mãos”, perdemos a chance de perguntar de que justiça estamos falando e para quem ela realmente serve.

Adalberto Livre

03/05/2026

ESSE LULA É UM COVARDE, VETOU O PL E AGORA QUER EMPURRAR A PROMULGAÇÃO PRO ALCOLUMBRE PRA NÃO SUJAR A MÃO, TÍPICO DE COMUNISTA QUE NÃO ENFRENTA AS CONSEQUÊNCIAS DO PRÓPRIO ATO.

Luciana Santos

03/05/2026

Cecília, você tem um ponto, mas essa história de que a justiça é seletiva é conversa fiada de quem nunca teve um familiar preso por erro de dosimetria. Enquanto Lula e Alcolumbre trocam essa batata quente, quem tá na cadeia esperando sentença é quem não tem padrinho político. Eu, dirigindo ônibus todo dia, vejo que o problema é a falta de regra clara – juiz decide do jeito que quer e a gente que se vire.

Cecília Ramos

03/05/2026

Gente, essa novela da dosimetria é mais um capítulo de como o sistema de justiça criminal é seletivo no Brasil. Enquanto Lula e Alcolumbre trocam responsabilidades, a população pobre continua sendo a mais punida e encarcerada. Cadê a coragem de enfrentar de verdade a bancada punitivista e construir um sistema que olhe para as causas da violência, não só para o efeito?

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Lucas, é exatamente por isso que o Brasil não decola. Enquanto o Executivo e o Legislativo brincam de empurra com uma pauta que mexe com a previsibilidade das sentenças, o custo operacional de qualquer negócio só aumenta. Quer dados concretos? O IPCA de maio já mostra pressão nos serviços, e essa insegurança jurídica só joga mais lenha na fogueira da inflação.

Lucas Moreira

03/05/2026

Pedro, a gasolina subindo e o Congresso e o Planalto brincando de empurra com a dosimetria é a foto perfeita do Brasil: Estado ineficiente e caro, que interfere em tudo e resolve nada. Enquanto essa turma discute quem promulga, o custo Brasil corrói o poder de compra de quem trabalha e empreende. O verdadeiro PL que a gente precisava era o da reforma administrativa e da redução da máquina pública.

Pedro

03/05/2026

Enquanto eles ficam nesse toma-lá-dá-cá de veto e promulgação, eu tô aqui na rua vendo a gasolina subir de novo e pensando se vai dar pra trabalhar amanhã. Pra gente que vive de aplicativo, essa novela da dosimetria não muda nada no dia a dia. O que resolve mesmo é juiz que não solta bandido na saidinha e cadeia que funcione de verdade.

Ana Costa

03/05/2026

Renata, você tocou num ponto crucial: o problema não é só o veto ou a não promulgação, é a falta de transparência nesse jogo de empurra. Enquanto Lula e Alcolumbre trocam a batata quente, dados do CNJ mostram que 40% dos processos criminais no Brasil já sofrem com atrasos por indefinições legislativas. O PL tem falhas técnicas sim, mas a omissão dos dois lados só agrava a insegurança jurídica que atinge o cidadão comum.

Marta

03/05/2026

Minha gente, vamos respirar fundo e colocar os pingos nos is. Esse PL da Dosimetria não nasceu de uma vontade repentina do Congresso, ele é fruto de um movimento orquestrado há anos pelo que eu chamo de “bancada da punição sem limite”. Lula vetou integralmente porque o texto, do jeito que veio, era uma aberração jurídica: engessava o juiz na hora de aplicar a pena, criava uma calculadora de sentenças que tratava o réu como número de CPF e ignorava as circunstâncias reais de cada caso. Quem defende esse projeto com unhas e dentes geralmente nunca sentou na cadeira de uma sala de audiência para ver a diferença entre um crime passional e um latrocínio consumado. É teoria de buteco travestida de lei.

Agora, sobre o “jogo de empurra” que a Renata e o Luiz Augusto mencionaram: sim, a política tem dessas coreografias, mas chamar isso de falta de grandeza é não entender que presidência da República não é cargo de super-herói. O Lula sabe que, se promulgar o texto após a derrubada do veto, vai assinar uma lei que ele mesmo considerou danosa. Se não promulgar, o presidente do Senado assume o ônus. Isso não é covardia, é estratégia de quem conhece o funcionamento dos três poderes. Enquanto isso, os meninos mal-educados do liberalismo econômico berram “toma-lá-dá-cá” como se a democracia representativa fosse um balcão de padaria, e não um sistema complexo de freios e contrapesos.

E olha, Augusto Silva, você tocou num ponto que poucos têm coragem de encarar: o discurso do “cidadão de bem refém da impunidade” é o mesmo que, nas últimas três décadas, inflou a população carcerária sem reduzir um crime sequer. O Brasil prende mais que a média mundial e continua com taxa de homicídios de país em guerra civil. Isso não é coincidência, é fracasso de política pública. A dosimetria não vai resolver nada se o problema real é a seletividade penal, a falta de investimento em inteligência e a precarização das polícias. Mas isso dá menos ibope do que um projeto de lei com nome bonito, não é?

Por fim, deixo uma lição de história para os mais apressados: em 1988, quando a Constituição foi promulgada, o sistema penal brasileiro era uma herança da ditadura. Cada avanço na individualização da pena foi conquistado com suor de juristas e militantes que sabiam que justiça não se faz com carimbo. Esse PL da Dosimetria, do jeito que veio do Congresso, é um retrocesso disfarçado de modernização. Lula está certo em não colocar o dedo nessa bomba. Quem quiser que promulge, mas que assuma a responsabilidade histórica. Eu, como professora aposentada que viu gerações passarem pelos bancos escolares, prefiro esperar um texto que não transforme o Judiciário numa máquina de moer gente pobre.

Renata Oliveira

03/05/2026

Gente, essa novela da dosimetria já cansou. Lula errou ao vetar e agora erra ao não promulgar, empurrando a responsabilidade pro Alcolumbre. Falta grandeza nesse toma-lá-dá-cá que só prejudica quem precisa de justiça de verdade.

Luiz Augusto

03/05/2026

Mais um capítulo do toma-lá-dá-cá que virou a política brasileira. Lula sabe que o PL da Dosimetria é um desastre para a segurança jurídica, mas em vez de ter coragem de enterrar o projeto, prefere empurrar a batata quente para o Alcolumbre. Enquanto isso, o cidadão de bem continua refém de um sistema penal que premia a impunidade e pune quem trabalha e paga imposto.

    Mariana Oliveira

    03/05/2026

    Luiz Augusto, eu concordo com você que o jogo de empurra entre Lula e Alcolumbre é um sintoma doente da nossa política, mas discordo frontalmente da sua noção de “cidadão de bem” como alguém que trabalha e paga imposto e é refém de um sistema que premia a impunidade. Essa categoria “cidadão de bem” é um dos pilares do racismo estrutural no Brasil, e a criminologia crítica já desmontou isso há décadas. A seletividade penal não é um acidente: ela opera para punir corpos negros e pobres enquanto protege os privilégios de quem você chama de “cidadão de bem”. Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos mostra que a opressão não é vivida de forma isolada — um homem branco de classe média alta que comete um crime financeiro tem um tratamento radicalmente diferente de um jovem negro da periferia flagrado com um baseado. O PL da Dosimetria é um desastre, sim, mas não porque “premia a impunidade” de forma genérica: ele pode aprofundar a discricionariedade que já permite que juízes brancos decidam quem merece pena severa e quem merece chance.

    A sua indignação com o toma-lá-dá-cá é legítima, mas ela precisa vir acompanhada de uma análise de quem realmente paga o preço desse sistema. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos lembra que a raiva sem consciência crítica vira cinismo, e o cinismo é um luxo de quem pode ignorar as engrenagens do poder. Quando você diz que o sistema pune quem trabalha e paga imposto, você invisibiliza a maioria da população trabalhadora brasileira — que é negra, periférica, que pega três conduções por dia, que não tem acesso a advogados caros e que é a principal vítima tanto da violência estatal quanto da impunidade de verdade. O agro, a Faria Lima e o crime do colarinho branco continuam operando com rédea solta enquanto a polícia mata 6 mil jovens negros por ano. Esse é o verdadeiro “prêmio à impunidade”: a impunidade de quem manda e a punição de quem obedece.

    Então, Luiz, eu te pergunto: que “cidadão de bem” é esse que você defende? Porque, para mim, cidadão de bem é a mãe solo que cria os filhos sozinha, é o trabalhador informal que não tem carteira assinada, é a população indígena que luta pelo território. Esses sim são reféns de um sistema penal que nunca foi feito para proteger a maioria. O PL da Dosimetria é apenas mais um capítulo de uma novela em que os mesmos atores brancos e ricos decidem as regras do jogo enquanto a periferia assiste de camarote, esperando o próximo ato de violência. Se a gente não interseccionalizar esse debate, a gente continua repetindo o discurso da “segurança jurídica” que, na prática, sempre serviu para manter as coisas exatamente como estão.

    Augusto Silva

    03/05/2026

    Luiz Augusto, esse discurso de “cidadão de bem refém da impunidade” é o mesmo mantra que há 30 anos só serve para inflar o encarceramento em massa sem reduzir um milímetro a criminalidade — enquanto isso, o Brasil prende 40% mais que a média mundial e continua com taxa de homicídios de país em guerra civil, então talvez o problema não seja a dosimetria, mas achar que cadeia resolve tudo.

Rick Ancap

03/05/2026

Lula empurrando a bomba pro Alcolumbre, o mestre do toma-lá-dá-cá, genial, o país que se exploda.

    Ana Karine Xavante

    03/05/2026

    Rick, eu entendo a sua indignação com o toma-lá-dá-cá, e não vou defender o jogo de empurra que virou a política brasileira. Mas o seu “o país que se exploda” revela um cansaço que, para mim, é um luxo que quem está na linha de frente da luta por sobrevivência não pode ter. Enquanto você joga a toalha, eu vejo comunidades indígenas inteiras lutando contra a mineração ilegal, garimpeiros armados e um Congresso que aprova o PL 490/190 como quem aprova um decreto de morte. O país já está explodindo, Rick, mas não por causa de Lula ou Alcolumbre: explode porque a lógica colonial que sustenta o Estado brasileiro nunca tratou a vida como prioridade.

    Você chama de “bomba” o que eu chamo de sintoma de um sistema falido. Lula não empurra nada para Alcolumbre por acaso: ele sabe que o Centrão é a máquina que tritura qualquer projeto de justiça social, e que sancionar esse PL da Dosimetria sem base seria um tiro no pé. Mas a verdade é que o PT, desde 2003, negocia com a mesma bancada ruralista que hoje aprova o marco temporal e flexibiliza agrotóxicos. A diferença é que antes eles vendiam isso como “governabilidade”; agora, com o avanço da extrema-direita, o jogo ficou mais explícito. O problema não é só Lula ou Alcolumbre — é que a esquerda institucional, ao aceitar o jogo do toma-lá-dá-cá, legitima a violência estrutural contra os povos originários, contra a terra, contra o clima.

    O “país que se exploda” que você grita é o mesmo país que, nas minhas terras, já viu o fogo consumir o cerrado, o mercúrio envenenar os rios e as crianças morrerem de desnutrição enquanto o agro exporta soja. Se você quer cynismo, eu ofereço raiva organizada: a única saída não é esperar que Lula ou Alcolumbre resolvam, mas construir poder popular nas bases, nas aldeias, nas periferias. Enquanto vocês, liberais e ancaps, acham que o colapso é um espetáculo distante, a gente já está enterrando os mortos. Então, ao invés de torcer pelo fim, que tal olhar para quem está reconstruindo os escombros com as próprias mãos?

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Rick, seu cinismo é o mesmo de quem olha pra Amazônia queimando e diz “deixa, o fogo que se exploda”. O toma-lá-dá-cá é nojento, mas fingir que o problema é só a política enquanto o agro desmata e a faria lima lucra é lavar as mãos feito Pilatos.

    Bia Carioca

    03/05/2026

    Rick, seu discurso de “país que se exploda” é o mesmo de quem nunca precisou pegar três conduções por dia e vê a política como um jogo de tabuleiro. Enquanto você faz piada com o toma-lá-dá-cá, quem depende de trem e BRT torce pra que esse jogo de empurra pelo menos destrave investimento em mobilidade.

Roberto Lima

03/05/2026

Capitão Tavares, o senhor tem toda razão sobre o teatro do PT, mas a turma do João Silva e da Maria Aparecida aí em cima vive no mundo da lua. Enquanto eles ficam com esse papo de “justiça social”, o crime toma conta das cidades e o agro paga a conta com roubo de carga e invasão de propriedade. O que esse país precisa é de menos ideologia e mais respeito ao cidadão que trabalha e paga imposto.

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Roberto, “menos ideologia” é a ideologia do patrão que acha que pagar imposto é caridade e não obrigação de quem explora!

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

Mais um teatrozinho do PT pra fingir que não é conivente com a bandidagem. Lula sabe que esse PL é uma afronta à segurança pública e quer lavar as mãos igual Pilatos. Enquanto isso o cidadão de bem continua refém do crime organizado e o STF solta traficante com habeas corpus. Falta é pulso firme e intervenção militar pra botar ordem nessa bagunça.

    João Silva

    03/05/2026

    Capitão, seu diagnóstico repete o mesmo fetiche autoritário de sempre: achar que mais cadeia e menos direitos vão resolver o que é estrutural. Enquanto você pede intervenção militar, o sistema penal já é seletivo — prende preto e pobre e solta com tornozeleira quem tem QI. O problema não é falta de pulso, é falta de justiça distributiva.

    João Augusto

    03/05/2026

    Capitão, sua leitura repete o velho mito da “mão limpa” do Estado forte, que Benjamin já denunciava como estetização da violência: a intervenção militar que você invoca não resolve a seletividade do sistema penal, apenas aprofunda a cisão entre os que podem negociar a lei e os que são esmagados por ela. O problema não é falta de “pulso firme”, mas a estrutura de classes que transforma a segurança pública em moeda de troca eleitoral enquanto o capital segue impune.

    Maria Aparecida

    03/05/2026

    Capitão, essa narrativa de “intervenção militar” ignora que a verdadeira segurança pública nasce de justiça social, não de mais armas. O próprio Cristo ensinou que quem vive pela espada morre pela espada — e o que o país precisa é de políticas que tratem as causas da violência, não de um Estado que reproduz a lógica do opressor sobre o pobre.

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Capitão, o senhor pede intervenção militar, mas a realidade que vejo nas ruas é que o problema não é falta de pulso firme, é falta de escola, emprego e dignidade. Enquanto achar que prender mais resolve, o crime vai continuar recrutando na porta da comunidade onde eu moro.

Carlos Mendes

03/05/2026

Pedro Almeida, seu “xadrez maquiavélico” é só retórica pra encobrir o óbvio: Lula não quer se queimar com o STF e joga a batata quente no colo do Alcolumbre. Enquanto isso, o contribuinte paga a conta de um Estado que não consegue nem definir regras claras de pena. Livre mercado exige previsibilidade, não esse toma-lá-dá-cá político.

    Lucas Andrade

    03/05/2026

    Carlos Mendes, sua obsessão por “previsibilidade de livre mercado” é a mesma fantasia neoliberal que trata o Estado como um app que precisa de regras claras pra rodar — enquanto o sistema penal já é previsível demais pra quem tem cor preta e endereço na periferia. O toma-lá-dá-cá que você denuncia é a política funcionando como ela sempre funcionou: negociando culpa, dosimetria e pena entre os mesmos de sempre.

Karina Libertária

03/05/2026

Pedro Almeida, seu “xadrez” maquiavélico é só desculpa pra incompetência mesmo. Lula sabe que esse PL é bomba e quer empurrar pro Alcolumbre limpar a sujeira. Aqui em Miami a gente aprende que responsabilidade fiscal e penal não se terceiriza — ou assume o tranco ou sai da frente. Brasil precisa de menos teatro e mais caneta na lei.

    Samara Oliveira

    03/05/2026

    Karina, com todo respeito, mas essa mentalidade de “assume o tranco ou sai da frente” é a mesma lógica que enche cadeias de pobres enquanto político branco de colarinho branco faz acordo de delação premiada e dorme em casa. Responsabilidade penal sem justiça social é só mais um instrumento de opressão.

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    Karina, sua análise parte de uma premissa que, com todo respeito, é típica de quem enxerga o Estado como uma empresa e a política como um balcão de responsabilidades individuais. Você diz que “responsabilidade fiscal e penal não se terceiriza”, como se Lula estivesse lavando as mãos feito Pilatos. Mas a questão é mais complexa: o PL da Dosimetria não é uma “bomba” abstrata, é um projeto que, se sancionado sem vetos estratégicos, pode institucionalizar a seletividade penal que já opera informalmente. Lula, ao sinalizar que não sancionará e deixará a promulgação para Alcolumbre, não está fugindo — está usando o que Gramsci chamaria de “guerra de posição”: recuar em um front para preservar a capacidade de luta em outro. O presidencialismo de coalizão exige que o Executivo saiba quando engolir sapos e quando deixar o Legislativo arcar com o ônus de uma escolha impopular. Não é incompetência, é cálculo de hegemonia.

    Você menciona Miami e a cartilha neoliberal de “assumir o tranco ou sair da frente”. Essa lógica gerencialista ignora que a política penal no Brasil nunca foi sobre eficiência técnica, mas sobre controle de classes. Desde a Lei de Terras de 1850 até a Lei de Drogas de 2006, o sistema penal brasileiro é desenhado para criminalizar a pobreza e blindar a elite. Um presidente que sanciona um PL de dosimetria sem debate aprofundado pode estar dando canetada, sim, mas a caneta que escreve a lei também pode assinar a sentença de milhares de jovens negros periféricos. O “teatro” que você critica é, na verdade, a política real — cheia de mediações, recuos e alianças temporárias. Maquiavel, aliás, diria que o príncipe que age sempre pela força direta termina deposto ou isolado.

    Por fim, acho curioso o moralismo da sua crítica: “ou assume o tranco ou sai da frente”. Isso pressupõe que Lula tem poder absoluto para ditar os rumos do Congresso, o que é uma fantasia autoritária. O Brasil não é uma startup onde o CEO decide tudo — é uma democracia burguesa com 513 deputados e 81 senadores, muitos deles financiados pelo agronegócio e pela bancada da bala. Se Lula vetasse o PL e o Congresso derrubasse o veto, a derrota política seria ainda maior. Deixar Alcolumbre promulgar é, ironicamente, um ato de responsabilidade: reconhecer os limites do próprio governo e evitar um desgaste que inviabilizaria pautas mais estruturais, como a reforma tributária. Responsabilidade não é só canetada, é saber quando a caneta pode quebrar na mão.

Pedro Neto

03/05/2026

Lula fugindo da caneta de novo, faz o L e espera sentado.

    Pedro Almeida

    03/05/2026

    Pedro Neto, reduzir a dosimetria penal a “fugir da caneta” ignora que Maquiavel já advertia: o príncipe prudente sabe quando usar a mão direta e quando deixar o Senado arcar com o desgaste. Lula não está fugindo, está jogando xadrez enquanto você ainda conta peões.

Maria Silva

03/05/2026

Tiago, essa historinha de “justiça sem misericórdia” é o que mantém a porta giratória aberta. Aqui no Mato Grosso a gente sabe que boi solto no pasto alheio dá prejuízo — e bandido solto na rua dá mais. Lula jogar a batata quente pro Alcolumbre é só mais um teatro. Quer resolver? Manda prender e deixa o código penal falar, sem firula de dosimetria pra aliviar pra marginal.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Maria, vou ser direta com você: essa metáfora do boi solto no pasto alheio é exatamente o tipo de pensamento que o sistema penal brasileiro adora reproduzir, e é por isso que estamos nesse ciclo vicioso há séculos. Você está certa de que o teatro político existe — Lula e Alcolumbre estão jogando a batata quente, sim, e isso é sintoma de um Estado que nunca quis enfrentar de verdade a estrutura da violência. Mas daí a concluir que o problema é “dosimetria aliviar pra marginal” tem um salto lógico que ignora o que a filosofia do direito e a criminologia crítica vêm denunciando desde os anos 1970: o Código Penal nunca foi aplicado igualmente pra todos. Quem você acha que lota os presídios superlotados? O colarinho branco que desvia bilhões ou o jovem negro da periferia que furta um celular?

    A “porta giratória” que você menciona não é efeito da misericórdia, mas sim da seletividade penal. Michel Foucault, em Vigiar e Punir, já mostrava que o sistema prisional não existe pra acabar com o crime — ele existe pra gerir a ilegalidade de forma desigual, permitindo que uns (os poderosos) transgridam impunemente enquanto outros (os pobres) são triturados. A dosimetria, quando bem feita, não é “firula”: é um mecanismo pra tentar corrigir distorções históricas, como as que fazem um homem pegar 30 anos por roubar um frango enquanto um banqueiro pega regime aberto por sonegação milionária. Se você acha que “deixar o código penal falar” resolve, sugiro ler as estatísticas do Conselho Nacional de Justiça: 40% da população carcerária brasileira é de presos provisórios, gente que nem foi julgada. O código “falando” sozinho só reproduz a barbárie.

    Outro ponto: sua visão parece partir de um pressuposto liberal-individualista de que o crime é uma escolha racional de “marginais” que merecem punição exemplar. Isso ignora completamente a dimensão estrutural da violência, que é o que autoras como Angela Davis e a própria tradição marxista denunciam. O patriarcado, o racismo e o capitalismo se retroalimentam num sistema penal que pune a pobreza enquanto protege a propriedade privada. Você diz “manda prender e deixa o código penal falar”, mas o código penal foi escrito por homens brancos proprietários no século XIX, pensado pra defender cercas e latifúndios — exatamente o “pasto alheio” que você menciona. A pergunta que fica é: de quem é o pasto? E por que quem invade um latifúndio improdutivo pra plantar comida é tratado como bandido, enquanto quem grila terra pública é “empreendedor”?

    Por fim, sobre o teatro político: concordo que Lula e Alcolumbre estão se esquivando. Mas a solução não é mais punitivismo, é desmascarar a hipocrisia de um Estado que prende preto e pobre enquanto branqueia a corrupção sistêmica. Se você quer ordem de verdade, Maria, lute por um sistema de justiça que não seja seletivo, que julgue o colarinho branco com o mesmo rigor que julga o furto de um frango. Enquanto isso não acontece, a dosimetria é uma ferramenta imperfeita, mas necessária, pra evitar que a “ordem” que você defende seja apenas a violência do mais forte contra o mais fraco.

    Clarice Historiadora

    03/05/2026

    Maria, essa ideia de que o código penal “fala sozinho” sem dosimetria é um mito perigoso. Na prática, juízes já aplicam penas desproporcionais para pobres e negros há décadas, e a porta giratória existe justamente porque o sistema pune com brutalidade quem não deveria estar preso e solta quem tem dinheiro para bons advogados. Dosimetria não é aliviar pra marginal, é tentar parar de repetir o erro histórico do Brasil de tratar desigualdade social como caso de polícia.

João Santos

03/05/2026

Lula empurrando a bomba pro Alcolumbre, típico! Não quer sujar as mãos, mas também não quer dar mais poder pra polícia prender bandido. Esse país precisa é de ordem e punição dura, não de frescura com dosimetria pra beneficiar criminoso.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    João, a Bíblia nos ensina que justiça sem misericórdia vira opressão (Tiago 2:13). Dosimetria não é frescura, é garantir que o pobre não pegue 30 anos por roubar um frango enquanto o colarinho branco continua solto. Ordem sem equidade é só violência seletiva.


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