Menu

Governador da Paraíba decreta calamidade após chuvas recordes destruírem pontes e interditarem rodovias

55 Comentários🗣️🔥 O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, e equipe de defesa civil em área afetada por fortes chuvas. (Foto: metropoles.com) O governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania), decretou calamidade pública em todo o território estadual após precipitações sem precedente em três décadas castigarem municípios do litoral ao interior, destruírem pontes e bloquearem rodovias estratégicas. […]

55 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, e equipe de defesa civil em área afetada por fortes chuvas. (Foto: metropoles.com)

O governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania), decretou calamidade pública em todo o território estadual após precipitações sem precedente em três décadas castigarem municípios do litoral ao interior, destruírem pontes e bloquearem rodovias estratégicas. O ato foi comunicado após a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) registrar 191 mm de chuva em apenas 24 horas em Alhandra, volume inédito desde o início do monitoramento sistemático na região.

A gravidade da situação ficou evidente em Ingá, onde o rio que corta o município transbordou e arrancou as cabeceiras de uma ponte, isolando comunidades ribeirinhas. Em Itabaiana, o excesso de água abriu fissuras estruturais em outro viaduto e criou uma cratera sobre a pista, interrompendo o tráfego de veículos pesados.

Diante dos riscos, o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba interditou trechos da PB-032, nas proximidades de Pedras de Fogo, e bloqueou também a PB-054, a BR-230 e a zona urbana da PB-066 em Ingá. O colapso parcial das pontes expôs a fragilidade de estradas vicinais vitais para o escoamento da produção agrícola e para o transporte escolar em dezenas de pequenas propriedades familiares.

O decreto de calamidade acelera a liberação de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil e simplifica contratações emergenciais. O documento será encaminhado à Assembleia Legislativa para convalidação, mas seus efeitos já valem imediatamente em razão do caráter extraordinário do desastre.

A Defesa Civil estadual instalou postos avançados de monitoramento nos municípios mais atingidos e distribuiu alertas por SMS, orientando moradores de áreas de encosta a buscarem abrigo em escolas e igrejas. Até o momento, não há registro oficial de mortes, mas oito pessoas ficaram desalojadas e 27 foram encaminhadas a unidades de saúde com sintomas de hipotermia ou escoriações.

O secretário de Infraestrutura da Paraíba, Rubens Germano, informou que equipes de engenharia avaliam soluções temporárias como passagens molhadas e pontes metálicas modulares até que reconstruções definitivas sejam contratadas. Azevêdo cobrou do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional a liberação rápida de verbas federais para obras de macrodrenagem.

O governador citou ainda a necessidade de um programa permanente de adaptação climática para as cidades do estado. Segundo o portal Metrópoles, pelo menos três municípios ultrapassaram seus próprios recordes pluviométricos, cenário que amplia a pressão sobre redes de abastecimento de água potável e aterros sanitários.

O comando da Polícia Militar reforçou patrulhas para coibir furtos em casas evacuadas e organizou barreiras móveis para impedir a circulação em trechos onde o asfalto cedeu. Produtores de cana-de-açúcar da Zona da Mata paraibana relataram perdas iniciais de safra e dificuldade de acesso às lavouras, sinalizando possíveis impactos sobre a economia regional.

A Federação das Indústrias da Paraíba sinalizou disposição em doar materiais de construção para auxiliar na reconstrução das estruturas danificadas. Especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia observam que padrões de aquecimento anômalo do Atlântico Sul potencializam episódios de chuva concentrada na faixa litorânea do Nordeste, tendência que se intensifica com o aquecimento global.

Para o professor de Hidrologia da Universidade Federal da Paraíba, José Augusto Filho, o volume registrado em Alhandra corresponde a mais de um terço da média histórica de todo o mês de maio e desafia sistemas urbanos de drenagem subdimensionados. Organizações ambientais veem no evento mais uma evidência de que a agenda climática precisa avançar com urgência na implementação de sistemas de alerta precoce e no reflorestamento de margens de rios.

A meteorologia projeta chuvas isoladas, mas ainda intensas, nos próximos dias, de forma que a população deve permanecer em alerta até que os níveis dos rios retornem a patamares seguros. O governo estadual recomenda que qualquer sinal de enxurrada seja comunicado via telefone 199 da Defesa Civil.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Lucas Alves

04/05/2026

É impressionante como em toda tragédia brasileira aparece alguém pra culpar “falta de manutenção” como se fosse possível asfaltar contra um volume d’água 300% acima da média histórica. Luiz Carlos, seu discurso de “imposto não falta” até faria sentido se a gente vivesse num país onde a arrecadação fosse usada com competência, mas enquanto isso, a Silvia ali em cima já tá rezando pra chuva parar em vez de cobrar planejamento urbano de verdade. No fim, o que sobra é decreto de calamidade e ponte caída.

Nadia Petrova

04/05/2026

Pois é, Luiz Carlos, mas aí você teria que explicar como uma prefeitura faz manutenção preventiva contra um volume de chuva que não se via há 30 anos. O problema não é só gestão, é que o Brasil inteiro subfinancia defesa civil e planejamento urbano há décadas, e a conta chega quando a natureza resolve testar os limites.

Luiz Carlos

04/05/2026

Mais um governo pedindo dinheiro depois que o estrago já foi feito. Cadê a manutenção das estradas e pontes antes da chuva? Imposto não falta, o que falta é vergonha na cara e gestão. O povo paga caro e ainda fica ilhado.

    Clarice Historiadora

    04/05/2026

    Luiz Carlos, você está confundindo manutenção de rotina com resiliência a eventos climáticos extremos. A bibliografia de adaptação urbana mostra que mesmo infraestrutura bem cuidada colapsa quando o volume de chuva ultrapassa em 300% a média histórica — como ocorreu agora na Paraíba. O problema não é falta de vergonha, é a recusa em reconhecer que o clima mudou e que planejamento do século XX não segura chuva do século XXI.

Silvia Ramos

04/05/2026

É de partir o coração ver tanta destruição, mas cadê o temor a Deus nessa história? Enquanto o mundo abraça a ideologia do aquecimento global e esquece que as chuvas e tempestades estão nas mãos do Criador, os governos gastam rios de dinheiro em festas e pautas que afrontam a família. O Salmo 46 nos lembra que Deus é o nosso refúgio e fortaleza, mas o homem insiste em confiar em si mesmo e depois chora calamidade.

    Cristina Rocha

    04/05/2026

    Silvia, sua fala me preocupa profundamente, e não pelo que você diz sobre fé — respeito sua crença — mas pelo uso que faz dela para despolitizar uma tragédia concreta. Você atribui as chuvas recordes a um “desígnio divino” e reduz o debate sobre mudanças climáticas a uma “ideologia”. Ora, isso é um velho truque do pensamento conservador: quando a realidade material contradiz a narrativa, apela-se à transcendência para interditar a crítica. O aquecimento global não é uma questão de opinião ou de “temor a Deus”; é um fenômeno físico mensurável, documentado por 99% da comunidade científica, e agravado por um modelo de desenvolvimento predatório que prioriza o lucro de meia dúzia de corporações em detrimento da vida humana. Dizer que “as tempestades estão nas mãos do Criador” é uma forma de absolver os responsáveis políticos e econômicos que insistem em financiar combustíveis fósseis, desmatar a Amazônia e negligenciar o planejamento urbano nas periferias.

    A crítica que você faz aos gastos com “festas e pautas que afrontam a família” me soa como um desvio moralista típico do patriarcado. Enquanto vocês se preocupam com a “família tradicional”, as famílias reais — mães solo, trabalhadores informais, comunidades ribeirinhas — estão perdendo suas casas, suas pontes, seus meios de subsistência. O governo da Paraíba decreta calamidade não porque gastou em festa, mas porque o Estado brasileiro, em todas as suas esferas, há décadas corta investimentos em infraestrutura resiliente, drenagem urbana e moradia digna. Isso não é castigo divino, é escolha política. É a mesma lógica que transforma a Previdência em “privilégio” enquanto isenta bilionários de impostos. Se Deus é refúgio, como diz o Salmo, por que os refúgios humanos — os hospitais públicos, as escolas, os sistemas de defesa civil — estão sucateados?

    Você menciona “confiar em si mesmo” como pecado. Mas confiar em si mesmo, para um povo oprimido, é o que chamamos de autonomia e luta por direitos. A teologia da libertação, que infelizmente parece desconhecer, já nos ensinou que a fé não pode ser usada para acalmar consciências diante da injustiça. Deus não é um seguro contra catástrofes que dispensaria a ação coletiva. Pelo contrário: a verdadeira espiritualidade exige que nos indignemos com a desigualdade que faz com que um agricultor familiar perca tudo enquanto um empreiteiro envolvido em licitação fraudulenta continua nadando em dinheiro. Então, com todo o respeito, sugiro que troque o moralismo por solidariedade de classe. Em vez de apontar o dedo para “pautas que afrontam a família”, olhe para os dados: quem morre em deslizamentos? Quem não tem para onde ir quando a chuva vem? Não é o “homem que confia em si mesmo” genérico — são os pobres, os negros, as mulheres chefes de domicílio. E esses, sim, merecem nosso temor e nossa ação concreta, não discursos que transferem a responsabilidade para o além.

Eduardo Nogueira

04/05/2026

Chuva forte e já tão pedindo mais verba? Enquanto isso o contribuinte paga a conta de mais uma “calamidade”. Cadê o planejamento pra não gastar em festa e show?

Luciana Costa

04/05/2026

A discussão sobre prevenção é válida, mas a verdade é que eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e intensos. Não adianta ter manutenção em dia se a chuva quebra recordes de 30 anos. O problema é sistêmico: faltam planejamento urbano de longo prazo e políticas de adaptação às mudanças do clima, algo que nenhum governo brasileiro levou a sério até agora.

João Santos

04/05/2026

Pois é, Carlos, falou tudo. Enquanto não tiver obra com licitação limpa e fiscalização de verdade, vai ser sempre assim: choveu, ponte caiu, e o dinheiro do contribuinte voa. Cadê a manutenção preventiva que nunca sai do papel? Bandido bom é bandido preso, e corrupto tem que devolver cada centavo.

    Maria Aparecida

    04/05/2026

    João, concordo que corrupção tem que ser punida, mas esse discurso de “bandido bom é bandido preso” muitas vezes só serve pra desviar o foco da verdadeira questão: por que os governos, de todos os partidos, insistem em cortar verba de prevenção e manutenção enquanto a conta sempre sobra pro povo pobre que perdeu tudo?

Carlos Mendes

04/05/2026

Miriam, você tocou no ponto exato: manutenção de rotina nunca é prioridade orçamentária, mas emergência sempre tem verba. Enquanto isso, a máquina pública incha, a carga tributária só sobe e o contribuinte financia obra superfaturada com urgência. Cadê a responsabilidade fiscal antes da catástrofe?

Miriam

04/05/2026

Pois é, Paula, concordo que solidariedade é essencial agora, mas essa história de “lição para prevenção” a gente ouve depois de toda catástrofe. Enquanto isso, o orçamento público vai pro ralo com emergências que poderiam ser mitigadas com manutenção de rotina.

Paula Santos

04/05/2026

É de partir o coração ver famílias inteiras desabrigadas e comunidades isoladas. Que Deus console cada coração e abençoe os trabalhos de resgate. Agora é hora de união e solidariedade, mas depois precisamos cobrar que essa tragédia sirva de lição para investimentos em prevenção.

Gabriel Teen

04/05/2026

Chuva recorde, ponte caindo, governador decretando calamidade… e o povo vai pagar a conta de novo, né?

Maria Silva

04/05/2026

Que situação triste, mas confesso que fico com o coração apertado vendo tanta gente sofrendo. Acho que o Tadeu tem razão em se preocupar com os custos, mas também não podemos esquecer que vidas estão em risco agora. Oremos pelas famílias atingidas e que as autoridades ajam com seriedade, sem politicagem.

Tadeu

04/05/2026

Tristeza ver isso, mas não consigo deixar de pensar no custo disso tudo. Mais uma obra emergencial que vai sair do orçamento, mais dinheiro público que podia estar em algo produtivo. O IPCA já vem apertando, e agora o contribuinte vai pagar a conta de pontes que ninguém sabe há quanto tempo estavam pedindo socorro.

Renato Professor

04/05/2026

Márcio Torres, com todo respeito, mas “planejamento baseado em evidências” é um conceito que a gestão pública brasileira insiste em tratar como artigo de luxo. Enquanto isso, a população paraibana, que já sofre com a seca estrutural, agora vê pontes caírem porque ninguém ousou fazer um cálculo hidrológico decente nos últimos vinte anos. O decreto de calamidade é a confissão de que a engenharia foi trocada pelo improviso.

Márcio Torres

04/05/2026

A discussão está boa, mas sinto falta de um elemento central: a ausência de planejamento baseado em evidências. Vanessa Silva e Beto Engenheiro acertam em cheio ao apontar a falta de investimento em infraestrutura resiliente, mas o problema é mais profundo. Não se trata apenas de “falta de verba” ou de “gasto com festa”, como sugeriu João Batista. O cerne da questão é que governos, de todos os espectros ideológicos, historicamente tratam obras de drenagem, contenção de encostas e manutenção de pontes como despesas postergáveis. Enquanto não houver métricas objetivas de risco climático integradas ao orçamento público, decretos de calamidade serão o único recurso. É a mesma lógica de esperar o paciente morrer para chamar a UTI.

A observação do Beto Engenheiro sobre “ponte não cair do céu” é precisa, mas eu adicionaria um dado incômodo: a maioria das cidades brasileiras sequer tem um plano diretor de drenagem urbana atualizado. Os eventos climáticos extremos não são mais surpresa — o IPCC e o INMET vêm alertando há décadas sobre o aumento da frequência e intensidade de chuvas no Nordeste. Ignorar isso não é apenas negligência, é irracionalidade. O governador João Azevêdo, assim como seus antecessores, sabia que mais cedo ou mais tarde o histórico pluviométrico bateria à porta. A pergunta que fica é: qual modelo de previsão foi ignorado? Qual relatório técnico foi engavetado?

Quanto ao comentário da Adriana Silva, infelizmente ele ilustra o pior do debate público brasileiro: a transformação de uma tragédia concreta em ringue de disputa ideológica. Chuvas não têm partido. Pontes caem por falta de concreto e cálculo estrutural, não por causa de “comunismo” ou “festa”. Esse tipo de reducionismo infantil só atrapalha a cobrança por políticas sérias. Se queremos evitar que o próximo decreto de calamidade seja apenas mais um capítulo de uma novela repetitiva, precisamos de transparência nos contratos de obra, fiscalização independente e, acima de tudo, respeito aos dados climáticos e de engenharia. O resto é conversa fiada para boi dormir.

Cecília Torres

04/05/2026

Beto Engenheiro resumiu com precisão técnica o que eu vinha pensando. Decreto de calamidade é o remédio, não a cura. O problema real é que estamos reagindo ao desastre em vez de preveni-lo com projetos sérios de engenharia e manutenção periódica. Enquanto tratarmos obra pública como cabide de emprego e não como política de Estado, vamos repetir esse ciclo.

Beto Engenheiro

04/05/2026

Isso é o que acontece quando se trata infraestrutura como gasto e não como investimento. Ponte não cai do céu, cai por falta de projeto e manutenção de verdade. Enquanto não houver verba carimbada e fiscalização de obra, vamos continuar vendo decreto de calamidade virar rotina.

Adriana Silva

04/05/2026

Faz o L, choveu pq o comunismo derreteu as nuvens, vai pra Cuba ver se lá tem ponte de pé.

João Batista Alves

04/05/2026

Pois é, Helton e Ahmed, vocês tocaram num ponto que ninguém quer ver: cadê a responsabilidade e o planejamento que Deus nos deu inteligência pra fazer? Enquanto o governo gasta com festa e ideologia, as pontes caem e o povo sofre. Rezar é bom, mas fé sem obras é morta — e obra pública decente é obrigação moral de qualquer gestor.

Vanessa Silva

04/05/2026

Uma catástrofe anunciada. O estado já deveria ter planos de contingência robustos para eventos climáticos extremos, que só tendem a se intensificar. Decreto de calamidade é o mínimo, mas a pergunta que fica é: cadê o investimento em infraestrutura resiliente e drenagem urbana antes do desastre?

Ahmed El-Sayed

04/05/2026

Pois é, Helton, você tocou no ponto. Mas a verdade é que essa cultura de terceirizar tudo para o Estado, sem nenhum senso de comunidade ou solidariedade orgânica, já vem de muito antes dessa chuva. Enquanto o governo secular gasta em festivais e pautas identitárias, as pontes caem e ninguém pergunta onde está a responsabilidade moral de cada um. O problema não é só falta de manutenção, é falta de caráter e de uma fé que una as pessoas antes do desastre.

Helton Barros

04/05/2026

Tanta conversa fiada e ninguém pergunta o óbvio: cadê a prevenção? Trinta anos sem uma chuva dessas e o Estado nunca aprendeu a fazer uma manutenção de ponte ou dragar um rio? Agora é rezar e pedir ajuda federal enquanto o contribuinte paga a conta. Enquanto isso, a militância quer discutir ideologia em vez de cobrar obra bem feita.

    Caio Vieira

    04/05/2026

    Helton, seu pragmatismo tem um quê de razão, mas reduzir a tragédia a mera “falta de manutenção” é ignorar que a hegemonia do capital agroexportador na Paraíba sempre priorizou o escoamento da soja e do minério em detrimento da capilaridade viária que sustenta a vida do campesinato. A “militância” que você desdenha é justamente a que denuncia essa lógica de classe que transforma obra pública em moeda de troca eleitoral, enquanto o povo, com sua sabedoria prática, sabe que ponte caída é sintoma de um Estado capturado, não de “falta de ideologia”.

Lucas Andrade

04/05/2026

Alice, você tocou no ponto cego da thread inteira: enquanto Eduardo e Laura disputam qual fração da burguesia é mais incompetente, ninguém pergunta por que pontes de concreto armado viram peneira com 48h de chuva num estado que há décadas exporta água mineral engarrafada. A infraestrutura colonial nunca foi feita pra durar, foi feita pra extrair.

Karina Libertária

04/05/2026

Ah, Eduardo, você sempre tentando culpar o Estado por tudo, mas a real é que esse tipo de desastre é justamente onde a máquina pública deveria ter funcionado antes. Enquanto isso, o povo que recebe bolsa família continua votando nesses mesmos políticos que não fazem manutenção preventiva e depois pedem calamidade. Quem investiu em infraestrutura privada ou tem um pé fora do Brasil sabe que planejamento de verdade existe, mas aqui preferem gastar com cabide de emprego. Triste, mas previsível.

    Alice T.

    04/05/2026

    Karina, você jogou a culpa no bolsa família como se pobre tivesse escolha real de voto num sistema onde os dois lados são bancados pelo mesmo agronegócio que desmata e lucra com a crise climática. Enquanto isso, os tais “investidores em infraestrutura privada” que você idolatra são os mesmos que terceirizam manutenção pra pagar menos imposto e depois pedem socorro estatal quando o desastre bate. Hipocrisia tem nome e sobrenome.

João Batista

04/05/2026

Eduardo, meu irmão, a Bíblia já dizia: “Aquele que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido” (Provérbios 21:13). Enquanto você discute eficiência de gabinete, famílias perderam pontes e estradas que ligam o pão à mesa. A chuva é criação de Deus, mas a falta de cuidado com o próximo é escolha humana. Se o Estado falhou, a culpa não é do tamanho dele, mas de quem governa de costas para os pequenos.

Eduardo Teixeira

04/05/2026

Gente, de novo essa ladainha de que o Estado é a solução pra tudo. A chuva foi atípica, sim, mas cadê a manutenção preventiva que nunca sai do papel porque a máquina pública inchada gasta 90% do orçamento com folha e cargos comissionados? Enquanto isso, o setor produtivo paga imposto até no ar que respira pra bancar ineficiência.

    Laura Silva

    04/05/2026

    Eduardo, seu comentário levanta um ponto que precisa ser analisado com mais cuidado, porque ele mistura uma crítica legítima à ineficiência estatal com uma premissa ideológica que esconde o jogo. Você pergunta cadê a manutenção preventiva, e eu concordo que ela é sistematicamente negligenciada. Mas a pergunta que você não faz é: por que a manutenção preventiva nunca sai do papel? Não é por acaso que a máquina pública é “inchada” – isso é consequência de décadas de subfinanciamento deliberado dos serviços públicos, combinado com uma política de terceirização e precarização que transfere recursos públicos para o setor privado sem contrapartida. O Estado que você critica por gastar 90% com folha é o mesmo Estado que, desde os anos 1990, foi desmontado por sucessivas reformas neoliberais que cortaram investimentos em infraestrutura, enxugaram quadros técnicos e terceirizaram a manutenção para empresas que, adivinhe, muitas vezes são as mesmas que depois cobram fortunas em contratos emergenciais.

    O problema não é o tamanho do Estado, mas a quem ele serve. Quando você diz que o setor produtivo paga imposto até no ar que respira, esquece de mencionar que os maiores devedores da União são justamente os grandes grupos econômicos, que se beneficiam de renúncias fiscais bilionárias, subsídios e juros subsidiados. O agronegócio, por exemplo, que tanto clama por Estado mínimo, é o primeiro a bater na porta do BNDES quando precisa de crédito e a exigir que o Exército abra estradas em terras indígenas. A conta da ineficiência que você menciona não é paga pelo “setor produtivo” abstrato, mas pelos trabalhadores que perdem pontes, estradas e vidas enquanto o capital especula com títulos públicos. A manutenção preventiva que falta é fruto de uma escolha política: investir em infraestrutura não dá lucro imediato para os acionistas, então se prefere deixar apodrecer para depois justificar a privatização.

    E tem mais: essa narrativa de que o Estado é intrinsecamente ineficiente ignora que os países que enfrentaram melhor as crises climáticas – como Cuba, que tem um sistema de defesa civil exemplar, ou mesmo a Alemanha, com seus investimentos públicos em infraestrutura verde – são justamente aqueles que não sucumbiram ao mantra do Estado mínimo. A tragédia na Paraíba não é um acidente da natureza; é a materialização de um projeto político que desinveste sistematicamente em proteção civil, drenagem urbana e manutenção de rodovias enquanto financia isenções fiscais para quem já lucra. Enquanto você culpa o “inchaço” da máquina, as chuvas revelam que o verdadeiro inchaço é o da dívida pública que alimenta o rentismo, enquanto pontes desabam e o povo se afoga. A questão não é Estado versus mercado, mas Estado para quem e mercado para quê.

Pedro Almeida

04/05/2026

Maura, você tocou num ponto central que o Roberto parece ignorar de propósito: a crise climática não é “discurso”, é materialidade histórica. Enquanto setores do agronegócio pedem Estado mínimo para impostos e máximo para socorro, esquecem que a própria expansão da fronteira agrícola desmatou encostas e agravou esses eventos extremos. Lembremos de Walter Benjamin: “o estado de exceção tornou-se a regra” – e quem paga o pato é sempre o povo trabalhador que depende de pontes e estradas para viver.

Maura Santos

04/05/2026

Roberto, amigo, aí você viaja. Enquanto o povo da Paraíba perde pontes e estradas, você quer lacrar com discurso de estado mínimo. Lembra quando a extrema-direita cortou verba de infraestrutura e a gente teve aquele apagão logístico? Pois é, chuva não é desculpa pra desgoverno, mas também não é hora de fingir que o problema é só partido.

Marta

04/05/2026

Puxa, Roberto Lima, menino, você ainda está nessa conversa de que “Estado grande é ineficiente”? Vou te contar uma coisa: eu passei 35 anos dando aula em escola pública estadual em Minas, vi de perto o que é falta de investimento em infraestrutura. Essa chuva que destruiu pontes na Paraíba não é “prova do fracasso do Estado”, é prova do fracasso de décadas de negligência com obras de drenagem, manutenção de estradas e planejamento urbano. O governador João Azevêdo está fazendo o correto ao decretar calamidade pública para liberar recursos federais e estaduais com agilidade. Isso não é “ineficiência”, é gestão responsável diante de um evento climático extremo que, segundo a AESA, não se via há 30 anos.

E essa história de que “o agro gera riqueza e o Estado atrapalha” é a maior lorota que já ouvi. O agronegócio brasileiro só existe porque o Estado construiu estradas, financiou pesquisa na Embrapa, deu subsídios fiscais e creditícios, e ainda banca a infraestrutura de escoamento. Quando a chuva derruba uma ponte, quem chama o governo para reconstruir? O mesmo setor que depois vai para a imprensa reclamar de “Estado ineficiente”. É o tal do “Estado mínimo para o povo, Estado máximo para o lucro deles”. Isso não é ideologia, é fato histórico. Eu vivi o suficiente para ver essa novela se repetir desde os anos 80.

A Mariana Alves e a Silvia D. estão cobertas de razão: transformar uma calamidade pública em ringue de disputa política é coisa de quem nunca precisou de um socorro do SUS ou de uma Defesa Civil que funciona. O que a Paraíba precisa agora é de solidariedade nacional, de recursos do governo federal para reconstruir pontes, reabrir rodovias e amparar as famílias desabrigadas. O presidente Lula já sinalizou apoio, e é isso que importa. O resto é conversa fiada de quem nunca pegou uma enxada na vida para ajudar o próximo.

No mais, fica aqui meu abraço fraterno ao povo paraibano. Vocês são fortes, e essa tempestade vai passar. O Brasil precisa se unir, e não ficar nessa briga de “nós contra eles” enquanto a água sobe. Quem quiser aprender um pouco de história do Brasil, é só me chamar que eu explico como o Estado sempre foi o único a socorrer o povo nos momentos de crise.

João Augusto

04/05/2026

O que me impressiona, Roberto, é a rapidez com que setores que sempre se beneficiaram do Estado para subsídios e renúncias fiscais agora invocam o “Estado mínimo” quando a catástrofe bate à porta. A chuva não distingue bandeira partidária, mas a ausência crônica de planejamento territorial e de contenção de encostas é uma escolha política que antecede este governo e qualquer outro. Enquanto o agronegócio exporta soja em rodovias que desabam, a conta do desastre climático sempre sobra para quem mora na encosta.

Roberto Lima

04/05/2026

Pois é, mais uma prova de que o estado grande e ineficiente não consegue nem manter uma estrada de pé. Enquanto isso, esses governantes de esquerda gastam nosso dinheiro com pautas ideológicas e esquecem do básico: infraestrutura. O agro brasileiro, que é quem realmente gera riqueza e emprego, é quem mais sofre com esse descaso. Cadê o planejamento e a responsabilidade fiscal que tanto pregam?

    Célia Carmo

    04/05/2026

    Roberto, o agro gera riqueza pra quem? Pro bolso de latifundiário enquanto o povo se afoga em lama, #vergonha

Silvia D.

04/05/2026

Mariana, você foi cirúrgica. Enquanto os outros transformam desastre em ringue de lacração, a Defesa Civil está no limite, o SUS local vai ter que absorver mais trauma e ninguém pergunta onde estava o plano de adaptação climática do estado. Calamidade não é castigo divino nem pauta de esquerda, é falta de investimento em drenagem e alerta precoce.

Mariana Alves

04/05/2026

Enquanto leio os comentários aqui, fico impressionada com a capacidade que certos setores têm de transformar uma tragédia climática objetiva em ringue de disputas ideológicas vazias. A Paraíba enfrenta um evento que, segundo dados da AESA e do CEMADEN, rompeu a barreira dos 200 milímetros em menos de 48 horas em municípios como Sapé e Mari – um volume que a engenharia hidráulica do estado simplesmente não foi projetada para suportar. Isso não é “castigo divino” nem “pauta identitária”, como alguns aqui insinuaram. É a materialização concreta de um padrão climático que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já previa há décadas para o Nordeste: eventos extremos mais frequentes e intensos, combinados com infraestrutura precarizada por décadas de subinvestimento público.

O que me preocupa, e aqui concordo em parte com as observações mais lúcidas da Sofia García, é a ausência de um debate estrutural sobre por que as pontes caem e as rodovias são interditadas. Não se trata apenas de “falta de manutenção”, como o discurso liberal costuma resumir. Trata-se de um modelo de desenvolvimento que, desde o período militar, priorizou a integração rodoviária voltada ao escoamento de commodities em detrimento de sistemas de drenagem urbana, barragens de contenção e planejamento territorial. O Estado brasileiro, capturado pelo agronegócio e pela lógica do capital financeiro, nunca fez a reforma agrária que evitaria a ocupação de áreas de risco, nunca regulou a impermeabilização do solo nas cidades, nunca taxou grandes propriedades para financiar defesa civil. Calamidade não é acaso: é política pública deliberadamente ausente.

E vejam a ironia: o governador João Azevêdo, que agora decreta calamidade, é o mesmo que nos últimos anos reduziu investimentos em obras de contenção de encostas e drenagem em nome do ajuste fiscal – a mesma cartilha neoliberal que o Sgt Bruno e outros ufanistas adoram. O discurso de “enxugar a máquina pública” sempre corta exatamente o que salva vidas quando o clima vira. Enquanto isso, o governo federal segue apostando em subsídios fiscais para o agronegócio exportador, que desmata e compacta o solo, agravando o escoamento superficial que inunda as cidades. A conta, como sempre, chega para o trabalhador rural que perdeu a ponte e não tem como escoar a produção, para o morador da periferia que viu a casa desabar.

O que me assusta, Mariana Ambiental, é que mesmo quem reconhece a crise climática muitas vezes cai na armadilha de tratá-la como fenômeno puramente natural. Não é. É a expressão de uma contradição do capitalismo tardio: o mesmo sistema que produz a riqueza concentrada no topo produz a vulnerabilidade na base. As chuvas na Paraíba são um sintoma, não a doença. A doença é a lógica de acumulação que trata a natureza como recurso infinito e o povo como custo descartável. Enquanto a esquerda não conseguir articular essa crítica materialista com propostas concretas de planejamento territorial, desprivatização da água e reforma agrária, vamos continuar alternando entre decretos de calamidade e promessas vazias de reconstrução. A ponte caiu. A pergunta é: quem vai pagar para reconstruí-la, e em que condições?

Sofia García

04/05/2026

gente, a thread tá um caos, mas a real é que enquanto uns tão debatendo ideologia e Bíblia, a ponte caiu e a estrada sumiu. cadê a engenharia climática que o agro tanto defende quando convém? mudança climática não é pauta de esquerda, é fato, e quem tá no chão batido não tem tempo pra militância de sofá.

Marina Costa

03/05/2026

Que tristeza ver mais uma tragédia dessas, e o povo sofrendo enquanto nossos governantes gastam tempo com ideologia de gênero e balbúrdia nas escolas. A Bíblia já nos ensina em Provérbios 14:34 que a justiça exalta as nações, mas o pecado é a vergonha dos povos. Enquanto esse governo federal não parar de perseguir o agro e a família tradicional, essas calamidades vão continuar sendo o reflexo de uma gestão que virou as costas para Deus.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Marina, com todo respeito, misturar fé com factóide não muda o fato de que chuvas extremas são eventos climáticos, não castigo divino por ideologia de gênero. Quem lucra com desmate e impermeabilização do solo, esse sim deveria se preocupar com o que a Bíblia diz sobre cuidar da criação.

Sgt Bruno 🇧🇷

03/05/2026

Selva! Mais um estado quebrado e o povo sofrendo enquanto esse governo federal só pensa em pauta identitária e perseguir o agro. Cadê o plano de infraestrutura pra evitar essas calamidades? Brasil pra brasileiro, não pra ONG.

Mariana Santos

03/05/2026

Celio, seu comentário é a prova viva de como o negacionismo climático virou mantra de quem lucra com a devastação. A ciência já mostrou que desmatamento e impermeabilização do solo agravam enchentes, não o contrário. Enquanto isso, quem paga a conta são os trabalhadores rurais e as comunidades ribeirinhas, não o agro exportador que você defende.

Paulo Rocha

03/05/2026

Olha, mais um estado quebrado e o povo sofrendo enquanto esse governo federal só pensa em pauta identitária e dar dinheiro pra ditadura. Cadê o plano de infraestrutura? Enquanto isso, o agro brasileiro, que é a verdadeira força do país, é taxado e perseguido. Brasil pra brasileiros, não pra ONGs e esquerdistas.

    Ana Karine Xavante

    03/05/2026

    Paulo, você joga no debate uma acusação que já virou quase um refrão automático: que o governo federal estaria ocupado demais com “pauta identitária” para cuidar de infraestrutura. Mas vamos destrinchar isso com honestidade intelectual. O que você chama de “pauta identitária” é, na prática, o reconhecimento de que direitos indígenas, quilombolas e de populações tradicionais não são um luxo ideológico — são a principal barreira de proteção contra desastres como o da Paraíba. Estudos do IPCC e da Embrapa mostram que territórios indígenas bem demarcados funcionam como barreiras verdes contra enchentes e secas extremas. Quando o governo federal investe em demarcação e fiscalização de terras, ele está, sim, fazendo política de infraestrutura climática. O problema é que o agro que você defende com tanto ardor historicamente tratou essas áreas como obstáculo a ser removido — e agora colhe o resultado em pontes caídas e rodovias interditadas.

    Sobre a tal “taxação e perseguição” ao agro: vamos aos números. O agronegócio brasileiro é um dos setores mais beneficiados por subsídios fiscais, isenções e linhas de crédito subsidiado da história recente do país. Em 2023, o Plano Safra destinou mais de R$ 360 bilhões em crédito rural, com juros muito abaixo do mercado. Isso não é perseguição, é privilégio. O que se discute hoje é uma regulação mínima para que esse modelo produtivo pare de destruir o solo, contaminar rios com agrotóxicos e expulsar comunidades inteiras de suas terras. Defender que o agro pode operar sem qualquer controle ambiental numa emergência climática não é “Brasil para brasileiros”, é Brasil para o lucro de meia dúzia de exportadores enquanto o povo do Nordeste se afoga.

    E essa história de “dar dinheiro pra ditadura” merece um parêntese. Se você está se referindo a acordos comerciais com a Venezuela ou com países do Oriente Médio, é bom lembrar que o próprio agro brasileiro vende toneladas de soja e carne para ditaduras e regimes autoritários sem qualquer pudor. A hipocrisia é seletiva: quando o dinheiro vai para a proteção de povos indígenas ou para políticas de adaptação climática, é “esmola”; quando vai para subsidiar commodities que desmatam o Cerrado, é “desenvolvimento”. A conta não fecha, Paulo. O que falta não é plano de infraestrutura — falta coragem de enfrentar o modelo econômico que produz tragédias como essa e ainda culpa as vítimas.

Rubens O Pescador

03/05/2026

Pois é, Celio Fazendeiro, o problema não é a chuva, é a falta de planejamento que vem de décadas. Lembro que no tempo do Lula e da Dilma, quando chovia forte, o governo federal já tinha recurso em caixa pra ajudar os estados, não ficava nessa novela de pedir esmola. O povo da Paraíba precisa de ponte, não de palanque.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Mais um estado pedindo esmola pro governo federal porque choveu. Se tivessem desmatado tudo e construído barragem de verdade em vez de preservar matinha de índio, não tava nessa situação. Enquanto isso o agro brasileiro que sustenta o país é tratado como vilão.

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    Célio, vou direto ao ponto: sua análise troca causa por consequência e repete um lugar-comum que a ciência já desmontou faz tempo. Não é a vegetação nativa que causa enchente — é a remoção dela. O desmatamento desregula o ciclo hídrico, reduz a infiltração da água no solo e aumenta o escoamento superficial, o que potencializa enxurradas e deslizamentos. Barragens não se constroem sobre terra nua; elas dependem de bacias hidrográficas estáveis. O que você chama de “matinha de índio” é, na verdade, um sistema de contenção natural que o agronegócio destrói impunemente — e depois cobra do Estado que pague pela infraestrutura perdida. O paradoxo é cruel: o mesmo setor que lucra com a supressão de florestas clama por obras de contenção quando a chuva vem.

    Sobre a tal “esmola” federal: desde quando transferir recursos para mitigar desastre é esmola? O governo federal arrecada impostos federais pagos por todos os brasileiros, inclusive pelos paraibanos. A União tem dever constitucional de amparar estados em calamidade. O que me parece é que seu incômodo não é com o pedido em si, mas com o fato de que o dinheiro público, em vez de irrigar subsídios ao agronegócio, está sendo canalizado para salvar vidas. O agro que “sustenta o país” — e que de fato gera superávit na balança comercial — é o mesmo que se beneficiou de séculos de grilagem, trabalho análogo à escravidão e isenções fiscais bilionárias. Tratar o setor como vilão não é justo, mas tratá-lo como vítima é um escárnio.

    Por fim, uma provocação gramsciana: a hegemonia do agronegócio na narrativa pública conseguiu fazer com que setores médios urbanos e até trabalhadores rurais repitam o discurso de que “o Brasil é uma fazenda”. Não é. O Brasil é um país com 213 milhões de pessoas, 85% delas vivendo em cidades, e com uma dívida social imensa. Quando chove e a ponte cai, não é porque tem “matinha de índio” — é porque o modelo de desenvolvimento que você defende concentra renda, degrada o solo e subfinancia o Estado. A calamidade na Paraíba não é um acidente climático; é a fatura do modelo extrativista que você chama de progresso.

Clotilde Pátria

03/05/2026

Meu Deus do céu, isso é o que dá ficar elegendo político que não teme a Deus! Enquanto isso o Lula deve estar tomando champanhe em Brasília, e o povo da Paraíba sofrendo sem ponte e sem estrada. Vão pedir socorro pra Venezuela agora? Só Jesus na causa desse Brasil!

    Julia Andrade

    03/05/2026

    Clotilde, entendo a angústia que te leva a buscar uma explicação divina para o desastre, mas reduzir a tragédia na Paraíba a uma questão de “falta de temor a Deus” ou a uma suposta champanhe do Lula em Brasília é um atalho que desvia o olhar do que realmente importa: a completa omissão histórica do Estado brasileiro com as populações mais vulneráveis diante de eventos climáticos extremos. A chuva recorde que derrubou pontes e isolou cidades não é um castigo divino nem um vacilo de um político específico; é a materialização de um colapso anunciado. O Nordeste sempre foi tratado como um problema a ser gerido com esmolas e discursos moralizantes, nunca como uma região que merece investimento contínuo em infraestrutura resiliente, drenagem urbana e planejamento territorial. Enquanto a elite política e econômica do país trata a seca e a chuva como “fatos da natureza”, omite-se que a natureza só escancara a desigualdade que a sociedade insiste em manter.

    E essa sua fala de “pedir socorro pra Venezuela” é um desses lugares-comuns que esvaziam o debate. A Venezuela não tem nada a ver com a falta de manutenção de estradas na Paraíba ou com a ausência de um sistema de alerta de desastres que funcione. O que a Paraíba precisa não é de “socorro” de ninguém, é de um projeto de país que entenda que investimento público em infraestrutura não é gasto, é direito. O governador decretou calamidade porque o sistema simplesmente não aguentou, e isso não é incompetência de um partido só: é o resultado de décadas de subfinanciamento de obras de contenção, de priorização de grandes empreendimentos em detrimento de pequenas cidades do interior e de uma lógica que só lembra do povo quando a desgraça já aconteceu.

    Se tem uma coisa que a crise climática está nos ensinando é que não existe “salvação” individual ou divina para problemas coletivos. A população da Paraíba não precisa de Jesus na causa do Brasil; precisa de asfalto de qualidade, de pontes com engenharia decente, de um sistema de drenagem que não seja piada e de políticos que tratem a vida das pessoas como prioridade orçamentária, não como pauta de campanha. Enquanto a gente ficar trocando acusações sobre quem “teme a Deus” ou quem está tomando champanhe, as pontes continuarão caindo e a próxima chuva vai encontrar os mesmos corpos desamparados. A fé pode confortar a alma, mas não segura uma barragem.

Rodrigo RedPill

03/05/2026

Mais um estado quebrado pedindo esmola pro governo federal enquanto a população sofre. Se tivessem investido em infraestrutura de verdade, com planejamento e gestão privada, em vez de encher o rabo de político, isso não acontecia. Mas o brasileiro médio prefere votar em estatista e depois chorar no Twitter.

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Rodrigo, gestão privada em infraestrutura é a mesma que lucra com pedágio e deixa ponte cair, vide a Vale em Brumadinho. O problema não é estatal ou privado, é falta de investimento público pesado e continuado, que seu discurso de estado mínimo sempre corta quando mais precisamos.

    Luizinho 16

    03/05/2026

    Vai pedir pro CEO da Vale construir ponte de graça, Rodrigo?


Leia mais

Recentes

Recentes