O professor da Universidade de Teerã Seyed Mohammad Marandi afirmou que a delegação dos Estados Unidos, chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, participou das negociações com o Governo do Irã sem qualquer autonomia para tomar decisões concretas. A avaliação foi apresentada em entrevista ao programa Sanchez Effect, em material publicado pelo portal RT, em que o acadêmico detalhou bastidores das tratativas recentes entre Washington e Teerã.
Marandi relatou que Vance permanecia constantemente ao telefone na mesa de negociações, recorrendo a ligações para autoridades de Israel, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Para o professor, essa dinâmica deixava evidente que a delegação norte-americana não tinha capacidade decisória real e dependia de consultas externas para qualquer avanço substantivo.
Segundo o acadêmico, o comportamento de Vance contrastava com a postura adotada pelos representantes iranianos, que chegaram ao encontro com mandato claro e disposição para uma solução diplomática. Marandi destacou que o lado iraniano apresentou posições consistentes, enquanto os enviados dos EUA recuavam diante de cada ponto sensível à espera de orientação vinda de fora da sala.
Na avaliação de Marandi, a incapacidade dos EUA de construir consensos decorre do fato de que o presidente Donald Trump estaria mal assessorado e excessivamente influenciado por setores alinhados a Israel. O professor afirmou que decisões estratégicas vêm sendo tomadas com base em percepções distorcidas da realidade regional, em vez de análises diplomáticas objetivas.
Ele argumentou que dirigentes em Washington teriam se deixado influenciar pela própria propaganda, o que dificulta uma leitura clara dos limites do poder americano. Para Marandi, esse descompasso prejudica iniciativas diplomáticas que poderiam reduzir tensões e abrir espaço para soluções negociadas no Oriente Médio.
Diante do impasse, o professor sugeriu que outros atores internacionais assumam papel mais ativo na mediação, mencionando a importância crescente de países como a Rússia. Marandi avaliou que potências fora do eixo ocidental podem oferecer um ambiente diplomático mais equilibrado do que o oferecido pela dupla Washington–Tel Aviv, que opera sob lógica de imposição.
O professor enfatizou que o interesse de Teerã permanece centrado em garantir estabilidade regional e respeito ao direito internacional, especialmente diante de ações unilaterais que ferem a soberania de países do Oriente Médio. Para ele, o comportamento dos EUA nas negociações demonstra a dificuldade de Washington em lidar com a nova realidade multipolar do tabuleiro global.
Marandi também afirmou que a presença de figuras politicamente próximas a Trump na delegação norte-americana evidenciou a natureza politizada das tratativas, que deixavam em segundo plano a diplomacia profissional. Esse cenário, segundo ele, reforçou a percepção iraniana de que os EUA não buscavam um diálogo equilibrado, mas tentavam impor seus interesses sem levar em conta as necessidades de segurança da região.
Ao final, o professor reiterou que o Irã continua aberto a negociações desde que sejam conduzidas com respeito mútuo e autonomia decisória entre as partes. Ele avaliou que apenas uma mediação equilibrada poderá reduzir o clima de confrontação e impedir que ações unilaterais aprofundem ainda mais a instabilidade regional.
A análise de Marandi, conhecido por sua proximidade com círculos diplomáticos iranianos, oferece uma janela rara sobre os bastidores de uma rodada de conversas que terminou sem resultados concretos. O professor sustentou que, enquanto a Casa Branca continuar refém de pressões externas, qualquer esforço de aproximação entre Teerã e Washington tende a fracassar antes mesmo de produzir efeitos práticos.
Com informações de RT.
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Julia Andrade
04/05/2026
Lucas, você tocou num ponto interessante sobre a ineficiência e o gasto de dinheiro público, mas acho que essa leitura, embora válida no nível mais imediato, deixa escapar a dimensão política mais profunda do gesto. Não se trata apenas de um vice-presidente viajando a passeio ou de um “teatro” inócuo, como alguns colegas colocaram. O que Marandi denuncia é a materialização de uma assimetria de poder tão brutal que o outro lado nem se dá ao trabalho de fingir que a negociação é de fato uma troca entre iguais. Enviar uma figura de alto escalão, mas sem autonomia decisória, é uma mensagem calculada: “Estamos aqui para ditar os termos, não para ouvi-los.” É a diplomacia como encenação da hegemonia, e não como busca de entendimento.
A Laura fez uma excelente ponte com Bourdieu, e eu gostaria de tensionar um pouco mais essa ideia. A “violência simbólica” aqui não está só no gesto em si, mas na naturalização dele. Quantas vezes vimos potências ocidentais enviarem representantes com “mandato limitado” para negociar com o chamado “Sul Global”? A estrutura das relações internacionais é desenhada para que o Irã, ou qualquer país que desafie a ordem unipolar, esteja sempre em posição de suplicante, enquanto os EUA se colocam como o adulto responsável na sala, mesmo quando agem de má-fé. O que Marandi está fazendo, ao expor essa falta de autonomia, é justamente desnaturalizar o jogo, mostrar que as regras não são universais — elas foram escritas por quem detém o poder de definir o que é “negociação”.
O Major Ricardo tem razão ao apontar que isso alimenta a narrativa de “diálogo” enquanto as sanções continuam. E aqui entra um ponto que acho crucial e que ninguém mencionou ainda: essa tática de enviar negociadores sem poder é uma forma de ganhar tempo e desgastar o outro lado. Enquanto Vance está em uma sala em algum lugar do Oriente Médio “ouvindo” as demandas iranianas, o Departamento de Tesouro dos EUA pode estar fechando mais um cerco financeiro, ou o Pentágono reposicionando navios no Golfo. A diplomacia vira uma cortina de fumaça para a continuidade da política de pressão máxima por outros meios. É o que a cientista política Cynthia Enloe chama de “a política do não-dito” — o que importa não é o que se fala na mesa, mas o que se faz enquanto se fala.
Por fim, acho que a reação do Irã, ao expor isso publicamente através de Marandi, é um movimento inteligente dentro do campo simbólico. Ao denunciar a ausência de autonomia de Vance, Teerã não está apenas criticando os EUA; está, na verdade, reposicionando a si mesma como um ator racional que busca uma negociação séria, em contraste com um interlocutor que não leva o processo a sério. É uma forma de inverter o estigma, jogando a pecha de “intransigente” de volta para o lado americano. No frigir dos ovos, o que essa notícia nos mostra é que a política externa raramente é sobre o que está na superfície; ela é um jogo de camadas, onde o gesto vazio é, paradoxalmente, carregado de significado.
Lucas Moreira
04/05/2026
Laura, com todo respeito à citação erudita, mas acho que você está superanalisando. A real é simples: mandar um vice-presidente sem poder de decisão é ineficiência pura. O contribuinte americano bancou uma viagem internacional para um encontro que não resolve nada. Isso é o estado inchado que a gente critica: gastam recursos em teatro diplomático enquanto poderiam simplesmente não ter ido. Liberdade econômica e responsabilidade fiscal começam com cortar esse tipo de desperdício.
Major Ricardo Silva
04/05/2026
Tiago Mendes, você falou em “teatro diplomático” e acertou em cheio. Esse vice-presidente americano indo negociar sem poder decidir nada é a prova de que os EUA não querem paz com o Irã, só querem manter a narrativa de “diálogo” enquanto continuam financiando terrorismo e desestabilizando o Oriente Médio. Aqui no Brasil a esquerda faz o mesmo: fala em diálogo, mas na prática só quer impor a agenda comunista. Enquanto não houver respeito mútuo e soberania real, essa negociação é palhaçada.
Laura Silva
04/05/2026
Major Ricardo, sua análise sobre o teatro diplomático americano é precisa e bem-vinda. O envio de um vice-presidente sem poder de decisão não é apenas um gesto vazio — é a materialização daquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu chamaria de “violência simbólica”: uma encenação que legitima a dominação ao mesmo tempo que a oculta. Os EUA, desde a derrubada de Mossadegh em 1953, nunca negociaram de boa-fé com o Irã. Cada rodada de “diálogo” serviu para redefinir os termos da subordinação, não para construir soberania mútua. A falta de autonomia do Vance expõe o que sempre esteve latente: a diplomacia americana é um braço da política de contenção imperial, e não um instrumento de paz.
Contudo, preciso discordar do seu paralelo com a “esquerda brasileira”. Essa associação é um atalho retórico que empobrece o debate. O que vemos no Brasil não é uma esquerda que “impõe agenda comunista” — essa é uma fantasia da direita radical que ignora a realidade concreta. O governo Lula, por exemplo, negocia com o Irã justamente porque entende que sanções e isolamento só aprofundam o sofrimento do povo iraniano, como você mesmo apontou que as sanções fazem. A esquerda brasileira, em sua maioria, defende a autodeterminação dos povos e a não intervenção — o oposto do que os EUA praticam. Se há teatro diplomático aqui, é o dos liberais que pregam austeridade enquanto seus filhos estudam na Europa.
O cerne da questão é que, enquanto os EUA tratarem o Irã como inimigo existencial, qualquer negociação será uma farsa. Mas reduzir isso a um “comunismo vs. liberdade” é cair na armadilha do próprio discurso imperial. A soberania iraniana não é negociável, e a autonomia de qualquer negociador — seja ele americano ou brasileiro — depende da correlação de forças que representa. O que falta ao Vance não é vontade, é mandato popular: ele representa um Estado que há décadas patrocina golpes e terrorismo, do Chile à Síria. Enquanto isso, a esquerda brasileira, com todos os seus defeitos, ao menos defende que o povo iraniano tenha o direito de decidir seu destino sem bombas ou sanções. Essa é a diferença entre diplomacia de verdade e encenação de poder.
Luiz Augusto
04/05/2026
Ana, sua analogia com o fiscal de prefeitura foi boa, mas o problema é mais grave: um vice-presidente sem autonomia é a prova de que o establishment de Washington trata esses encontros como mera cortina de fumaça para a agenda intervencionista que sempre praticaram. Enquanto isso, o contribuinte americano financia essa encenação e o mercado livre sofre com as sanções econômicas que nunca funcionaram.
Tiago Mendes
04/05/2026
Luiz, você tem razão ao dizer que sanções econômicas são um fracasso — elas não derrubam regimes, só empurram o povo iraniano pra mais pobreza e radicalização. O que me incomoda é ver esse teatro diplomático enquanto os EUA ignoram o próprio histórico de intervenções que desestabilizam o Oriente Médio. Enquanto a direita prega mercado livre, esquece que a guerra e o embargo são o maior ataque à vida e à dignidade humana.
Ana Rodrigues
04/05/2026
Pois é, Dr. Thiago, o senhor tem razão nesse ponto de que os EUA tratam o Irã como inimigo há décadas, mas essa história de “falta de autonomia” me lembra quando a prefeitura manda um fiscal lá na praça e ele não pode multar ninguém sem ligar pro chefe. Perde tempo, gasolina e paciência. Pra nós, motorista, que vive de renda curta, esse teatrinho diplomático é só mais um motivo pra gasolina subir na bomba.
Dr. Thiago Menezes
04/05/2026
Ricardo, você tocou num ponto raro por aqui: reconhecer que desregulamentação cega também não é bala de prata. Mas a conversa sobre “autonomia decisória” do Vance é quase irrelevante — o que importa é que os EUA continuam tratando o Irã como inimigo existencial desde 1979, e qualquer negociação sem mudança estrutural nessa política é só coreografia. Enquanto isso, zero evidência de que o Irã tenha oferecido algo concreto além de retórica.
Marta Souza
04/05/2026
Marcus, cirúrgico nada, você foi complacente. Falta autonomia porque o Estado americano é uma máquina de fazer dívida e gastar dinheiro dos outros, igualzinho ao Brasil. Enquanto esse teatrinho diplomático rola, o mercado livre sangra com regulação e imposto. Se o Vance não decide nada, é porque o sistema inteiro é um cabide de emprego e controle. Quer resolver? Menos Estado, mais liberdade.
Ricardo Almeida
04/05/2026
Marta, você acertou no diagnóstico do Estado como máquina de dívida e controle, mas tropeçou na solução: menos Estado não resolve se o mercado privado também opera com assimetria de poder e informação, como mostram os ciclos de bolha e crise que nenhuma desregulamentação evitou. O problema não é só o tamanho do Estado, mas quem captura as decisões — e aí tanto o cabide público quanto o privado se alimentam do mesmo clientelismo.
Marcus Almeida
04/05/2026
Sandra, sua comparação com a igreja foi cirúrgica. O problema é que esse teatro diplomático só serve para desviar a atenção do que realmente importa: a família brasileira sendo sufocada por impostos enquanto o governo brinca de geopolítica. Falta autonomia porque falta caráter — e isso vale para os dois lados da mesa.
Sandra Martins
04/05/2026
Sofia, sua analogia me fez rir, mas no fundo é triste. Essa falta de autonomia do Vance me lembra quando a igreja manda um representante para mediar um conflito na comunidade, mas ele não pode decidir nada sem consultar o pastor. Aí a reunião vira teatro. Se é para negociar de verdade, que mandem alguém com poder de fato, senão é só encenação diplomática enquanto o povo paga a conta.
Rick Ancap
04/05/2026
Sofia, pior que tu foi no shopping sem cartão e ainda pagou o café pros outros, enquanto o Vance foi de jatinho particular bancado pelo contribuinte.
Sofia García
04/05/2026
O cara foi lá, sentou na mesa, mas sem caneta pra assinar nada. É tipo eu indo no shopping sem cartão, só pra passar vergonha mesmo. Enquanto isso o povo aqui discutindo se o café vai subir de novo.
Mariana Santos
04/05/2026
Carlos, você tem razão sobre o cansaço, mas acho que o problema é mais embaixo. Essa falta de autonomia do Vance não é só um jogo de cartas marcadas entre potências; é a prova de que o imperialismo americano opera como uma máquina de moer soberanias, inclusive a dos próprios aliados. Enquanto isso, o povo iraniano sofre com sanções criminosas e a gente aqui paga o pato com a carestia.
Carlos A. Mendes
04/05/2026
Mariana, é exatamente por isso que essa “diplomacia” me cansa. Mandam um vice-presidente que não pode decidir nada, o Irã sabe disso, e todo mundo perde tempo enquanto os problemas reais – inflação, emprego, logística – ficam sem solução. Parece mais um jogo de cartas marcadas do que negociação de verdade.
Mariana Costa
04/05/2026
Jeferson, você tocou num ponto que me faz pensar: será que essa “falta de autonomia” do Vance não é, na verdade, o modus operandi padrão da diplomacia americana? Mandam alguém com poder limitado justamente para não se comprometerem de verdade, enquanto mantêm o controle total nos bastidores. O problema é que, no fim das contas, quem paga o pato somos nós, com a economia instável e a vida cada vez mais cara.
Jeferson da Silva
04/05/2026
Luciana, é exatamente isso. Enquanto eles brincam de diplomacia com avião particular e salário em dólar, a gente aqui na porta de fábrica vendo patrão querer acabar com hora extra e terceirizar tudo. Esse teatrinho do Vance sem autonomia é o retrato do império americano: muito blá-blá-blá e zero compromisso com povo trabalhador, seja lá de que país for.
Luciana Santos
04/05/2026
Tadeu, você tá preocupado com a volatilidade do mercado, e eu com o preço da passagem que não baixa nunca. Esse teatrinho diplomático aí é só mais um capítulo da novela global enquanto a gente aqui se vira com ônibus lotado e salário atrasado. Política externa pra eles é jogo de xadrez, pra nós é conta no vermelho.
Tadeu
04/05/2026
Beto, concordo que isso é mais teatro do que negociação de verdade. Mas sinceramente, o que me preocupa mesmo é o efeito disso nos mercados. Enquanto ficam nessa coreografia diplomática, a volatilidade sobe e o petróleo dá umas oscilações que quebram qualquer carteira bem montada. No fim das contas, o que importa é como isso mexe com o meu bolso.
Beto Engenheiro
04/05/2026
Márcio, você acertou em cheio: isso é coreografia de poder, não negociação de verdade. Enquanto ficam nesse teatrinho diplomático, o mundo real precisa de obras, estradas, ferrovias. Perdem tempo com reunião de fachada enquanto a infraestrutura do planeta vai pro brejo.
Márcio Torres
04/05/2026
A Beatriz Lima já capturou bem o essencial: a coreografia. O que Marandi descreve não é um deslize tático, é a estrutura do jogo. Um vice-presidente dos EUA não vai a uma mesa de negociação com o Irã sem saber exatamente qual é o seu papel. Se ele não tinha autonomia decisória, isso não foi um acidente ou um sinal de fraqueza da administração americana. Foi um termômetro calibrado. Washington mandou alguém com poder de fogo simbólico suficiente para manter a seriedade das conversas, mas sem a caneta que poderia criar um fato consumado que desagradasse os falcões do próprio partido ou de Israel.
O que me fascina nessa dança é a assimetria de expectativas. De um lado, um Irã que há décadas negocia como quem joga xadrez em várias tabuleiros simultaneos – com a Rússia, com a China, com o eixo da resistência. Do outro, uma delegação americana que parece estar ali mais para ouvir, mapear e reportar do que para fechar um acordo. Isso não é humilhação, como a Clotilde Pátria sugeriu num voo retórico que mistura alhos com bugalhos. É método. Você não expõe seu negociador principal – no caso, o presidente ou o secretário de Estado – a um fracasso precoce ou a um vazamento tático. Manda o vice para testar as águas, ver se o regime iraniano está disposto a ceder algo concreto ou se vai apenas repetir as exigências de sempre.
Dito isso, a avaliação de Marandi precisa ser lida com o grão de sal que todo analista de geopolítica deve ter. Ele é um acadêmico iraniano alinhado ao establishment de Teerã. A declaração dele serve também a um propósito interno: mostrar que o Irã não se curvou, que quem veio pedir foi o lado americano e que, mesmo assim, veio sem autoridade. É propaganda de guerra, sim, mas propaganda apoiada em fatos observáveis. O problema real é que esse tipo de negociação de baixa intensidade, sem mandato claro, só prolonga o impasse. Enquanto Vance faz turismo diplomático em Teerã sem poder decidir, os centrifugadores continuam girando, as sanções continuam apertando o povo iraniano, e a região segue à beira de um conflito direto que ninguém – nem os falcões de Washington, nem os aiatolás – parece ter pressa de começar. Mas também não tem pressa de evitar.
Clotilde Pátria
04/05/2026
Gente, pelo amor de Deus, isso é a prova de que os Estados Unidos estão se desmanchando! Mandar um vice-presidente sem poder de decisão é humilhação na certa. E enquanto isso, o Lula e o STF preparam o terreno pra implantar o comunismo aqui no Brasil. Já viram que o PT não fala nada sobre isso? Tá na hora de uma intervenção divina mesmo, porque a humanidade perdeu o rumo!
Francisco de Assis
04/05/2026
Clotilde, minha filha, intervenção divina é o que o povo brasileiro precisa pra abrir os olhos e ver que esse papo de comunismo é cortina de fumaça pra esconder o desmonte que fizeram no país. Enquanto você fala em STF e Lula, os Estados Unidos tão se humilhando sozinhos no cenário internacional — isso sim é prova de que o império tá cambaleando, e nós aqui crescendo com soberania.
Beatriz Lima
04/05/2026
Ah, a velha coreografia de poder em que o “número dois” vai pra mesa de negociação com as mãos amarradas nas costas. Marandi não está dizendo nada que um observador minimamente atento já não suspeitasse, mas é sempre bom ver alguém de dentro do jogo confirmar o óbvio. Mandar um vice sem autonomia decisória é um clássico da diplomacia de fachada: você mostra a cara, acena pra opinião pública, mas mantém a carta na manga com quem realmente decide. É o equivalente geopolítico de um gerente de loja que precisa ligar pro dono pra autorizar desconto.
Maria Silva, você tocou num ponto crucial sobre o “gado berrando” – mas discordo que seja só barulho. Esse tipo de teatro tem uma função muito específica: criar a ilusão de que há negociação enquanto se ganha tempo. O Irã não é bobo, eles sabem que Vance estava ali pra fazer média, não pra fechar acordo. A pergunta que fica é: por que os EUA precisam desse circo agora? Pode ser pressão interna, pode ser para testar águas, pode ser para justificar uma escalada futura (“tentamos negociar, mas eles não cederam”). O problema é que o público médio engole o enredo e acha que a novela das oito é documentário.
Letícia Fernandes, sua abordagem sobre a engrenagem é certeira. Esse vice desautorizado não é um acidente, é um produto de um sistema que terceiriza a responsabilidade enquanto centraliza o poder. É a mesma lógica do “presidente não sabia” ou do “ministro não foi informado”. A diferença é que, na diplomacia internacional, o blefe fica mais exposto porque os interlocutores também jogam o mesmo jogo. No fim, o que temos é uma coreografia que serve mais para consumo doméstico do que para resultados concretos. E enquanto isso, o mundo real – com sanções, inflação e guerra – continua girando independente do teatrinho.
Maria Silva
04/05/2026
Gente, pelo amor de Deus, esse povo fica filosofando sobre teatro e coreografia de poder, mas esquece o óbvio: mandaram um vice sem cacife pra negociar porque o jogo já estava decidido nos bastidores. É igual boi ladrão que soltam no pasto alheio só pra fazer barulho enquanto o dono da terra já vendeu o gado. Perda de tempo.
Rubens O Pescador
04/05/2026
Maria Silva, cê tem razão no fundo, mas discordo que é perda de tempo. Lá no meu sítio, quando o gado berra é porque tem fome — esse berreiro todo do vice é sinal que o povo brasileiro tá sentindo falta do tempo em que a comida chegava na mesa sem esse teatrinho de poder.
Maria Aparecida
04/05/2026
Maria Silva, amada, a sua indignação é justa e o seu olho clínico viu o que muitos não veem. Mas o problema é que esse “gado” que o dono da terra já vendeu não é só o vice — somos nós, o povo, trocado por migalhas enquanto a elite faz o verdadeiro negócio. É por isso que a nossa fé nos manda lutar por justiça e não aceitar esse teatro como normal.
Luiz Carlos
04/05/2026
É mais um teatro da política externa americana. Mandam um vice-presidente que não pode decidir nada, só pra enrolar. E o povo brasileiro paga a conta com impostos altos enquanto esses caras brincam de diplomacia.
João Carvalho
04/05/2026
Luiz Carlos, sua leitura capta bem o cinismo da engrenagem, mas acho que o problema é mais estrutural: a falta de autonomia do vice não é um acidente de percurso, é a regra num sistema onde o Departamento de Estado e o complexo militar-industrial definem os limites do jogo. O teatro existe, sim, mas o custo para o Brasil não está nos impostos — está na nossa própria subordinação a essa coreografia, que nos impede de construir uma política externa soberana e republicana.
Lucas Andrade
04/05/2026
Luiz Carlos, sua indignação é legítima, mas o teatro não é só pra enrolar — é uma coreografia de poder que transforma o contribuinte brasileiro em plateia pagante de um espetáculo onde a soberania já foi roteirizada antes do primeiro ato.
Alice T.
04/05/2026
Luiz Carlos, o teatro é real, mas o problema não é só o vice desautorizado — é que enquanto eles “brincam”, o Brasil sustenta o superávit primário pra pagar juros da dívida pública que financia justamente esse complexo militar-industrial deles. Quer saber onde seu imposto foi parar? Olha o orçamento dos EUA pra defesa e vê se não tem um pedaço nosso lá.
Letícia Fernandes
04/05/2026
Luiz Carlos, sua leitura capta com precisão o desconforto que todos sentimos diante desse teatro diplomático, mas eu gostaria de deslocar o foco do cinismo individual dos atores para a engrenagem que os produz. A figura do vice-presidente desautorizado não é um acidente de percurso nem um mero desrespeito protocolar — é a manifestação concreta de uma superestrutura política onde a aparência de negociação serve para ocultar a ausência de qualquer margem de manobra real. O que você chama de enrolação é, na verdade, a forma como o capitalismo tardio administra suas contradições: cria espaços de fachada para que a hegemonia pareça negociada, quando na verdade já foi decidida nos conselhos de administração do complexo militar-industrial e nas salas fechadas do Departamento de Estado.
A sua indignação com os impostos brasileiros financiando esse circo é absolutamente legítima, e aqui precisamos aprofundar a crítica. O superávit primário que o Brasil sustenta religiosamente não é uma fatalidade técnica — é uma escolha política que drena recursos da saúde, da educação e da infraestrutura para alimentar a ciranda financeira que, entre outras coisas, financia a dívida pública americana e, por tabela, o próprio complexo militar que envia vices sem autonomia para negociar com o Irã. O que parece uma brincadeira de diplomatas é, na verdade, a ponta visível de uma corrente que prende o Sul global a uma posição estrutural de subordinação: pagamos para que eles possam brincar, e ainda somos chamados de parceiros estratégicos.
O que me parece mais grave, e que os comentários anteriores tocaram com sensibilidade, é que esse teatro não engana mais ninguém, mas continua sendo encenado porque cumpre uma função ideológica precisa. Ele naturaliza a hierarquia entre nações, transforma a soberania em conceito abstrato e faz com que a população, cansada e descrente, aceite a política externa como um jogo de cartas marcadas. A verdadeira tragédia não é que o vice não possa decidir — é que o sistema como um todo foi desenhado para que nenhum representante do Sul global tenha poder decisório real, a menos que aceite as regras do cassino imperial. Enquanto isso, o povo brasileiro continua pagando a conta, não só com impostos, mas com a própria ilusão de que um dia terá voz nessa mesa.