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Startup europeia QuTwo alcança US$ 380 milhões e reforça soberania tecnológica

3 Comentários🗣️🔥 A startup finlandesa QuTwo, fundada por Peter Sarlin, ex-CEO da Silo AI, atingiu uma avaliação de €325 milhões (aproximadamente US$ 380 milhões) após levantar €25 milhões em uma rodada de investidores-anjo, conforme apurou o TechCrunch. O avanço reflete o fortalecimento de iniciativas europeias em inteligência artificial e computação quântica, desafiando o domínio dos […]

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Foto: techcrunch.com / Divulgação

A startup finlandesa QuTwo, fundada por Peter Sarlin, ex-CEO da Silo AI, atingiu uma avaliação de €325 milhões (aproximadamente US$ 380 milhões) após levantar €25 milhões em uma rodada de investidores-anjo, conforme apurou o TechCrunch. O avanço reflete o fortalecimento de iniciativas europeias em inteligência artificial e computação quântica, desafiando o domínio dos EUA no setor.

A QuTwo desenvolve o QuTwo OS, uma camada de orquestração que distribui tarefas entre arquiteturas clássicas, quânticas ou híbridas. A abordagem “inspirada em quântica” simula comportamentos quânticos em chips convencionais, oferecendo maior confiabilidade para aplicações empresariais. A empresa já garantiu US$ 23 milhões em receita com parcerias, como a varejista Zalando, para quem desenvolveu assistentes de IA.

O fundador Peter Sarlin reforça que o foco da QuTwo é IA, tratando computação quântica como uma tecnologia complementar. Ele também destacou a decisão de evitar o caminho de “OpenAI europeia”, preferindo um crescimento estratégico e sustentável. Essa postura contrasta com movimentos mais agressivos, como o recente financiamento de US$ 1,1 bilhão para a startup Ineffable Intelligence, liderada por um ex-pesquisador da DeepMind.

A ascensão de startups europeias como a QuTwo e a busca por soberania tecnológica no continente indicam uma reconfiguração no cenário global. Para o Sul Global, o exemplo europeu demonstra a viabilidade de estratégias que combinam inovação local com independência tecnológica.


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Sargento Bruno

06/05/2026

Mais 380 milhões de dólares para uma startup europeia enquanto aqui no Brasil o governo esquerda queima dinheiro com festival cultural e aparelhamento ideológico. Enquanto eles investem em soberania tecnológica, a gente fica refém de big tech americana e ainda paga imposto pra financiar doutrinação. Cadê o nosso projeto nacional de computação quântica? Só vejo discurso e nada de ação.

    Ana Karine Xavante

    06/05/2026

    Sargento Bruno, com todo respeito, mas sua análise peca por um viés seletivo que ignora a complexidade do debate sobre soberania tecnológica. Você aponta o dedo para festivais culturais como se eles fossem a causa do atraso tecnológico brasileiro, quando na verdade o problema é estrutural e vem de décadas de colonialismo digital. A Europa não construiu essa startup quântica do nada: ela se beneficiou de um ecossistema de pesquisa pública robusto, com universidades centenárias financiadas por impostos e uma política industrial coordenada que o Brasil nunca teve. Enquanto isso, o que vemos por aqui é um projeto de país que sempre terceirizou sua inteligência para o Norte Global, seja na era dos mainframes da IBM, seja hoje com a hegemonia da AWS e do Google. O dinheiro que você chama de “queimado” em cultura muitas vezes sustenta a cosmovisão de povos originários que guardam saberes sobre biomas inteiros — saberes que poderiam, sim, alimentar inovações tecnológicas genuinamente brasileiras, se houvesse vontade política de integrá-los a um projeto nacional.

    Você pergunta cadê o projeto nacional de computação quântica. Eu pergunto: você já ouviu falar do Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em Campinas? Ou do projeto de supercomputador Santos Dumont? Eles existem, sim, mas são tratados como ilhas de excelência, não como espinha dorsal de uma política de Estado. O problema não é o festival cultural ou o “aparelhamento ideológico” — isso é cortina de fumaça. O problema é que o Brasil nunca rompeu com a lógica de fornecedor de commodities, inclusive commodities intelectuais. Enquanto a Europa discute regulação de big tech e financia pesquisa básica com fundos soberanos, a gente ainda debate se universidade pública deve ou não fazer ciência. A QuTwo captou 380 milhões porque há um ecossistema que valoriza risco calculado e investimento de longo prazo. Aqui, qualquer startup que ouse pensar fora da caixa de aplicativos de delivery é tratada como caso de polícia fiscal.

    Por fim, acho curioso que você critique o “refém de big tech americana” mas repita o discurso neoliberal que desmontou justamente as capacidades estatais que poderiam nos libertar dessa dependência. O BNDES, a Petrobras, a Embraer — todas foram atacadas como “aparelhamento” em algum momento, e hoje vemos o resultado: importamos até software de gestão de floresta. Enquanto a esquerda que você critica tenta, com todos os defeitos, reconstruir um mínimo de política industrial e proteção territorial, a direita que você representa só oferece subsídio para agronegócio e isenção fiscal para big tech. Quer soberania tecnológica de verdade? Comece defendendo orçamento para ciência básica, valorização dos saberes tradicionais e regulação séria das plataformas. Festival cultural não tira o pão de ninguém; a falta de projeto de país, essa sim, nos deixa reféns.

    Marta

    06/05/2026

    Sargento Bruno, meu filho, senta aqui que a tia Marta vai te dar uma aula de história econômica. Você compara uma startup europeia que recebeu investimento privado de fundos de venture capital com políticas públicas brasileiras como se fossem a mesma coisa. A QuTwo não é fruto de governo nenhum, é uma empresa que captou dinheiro no mercado porque apresentou um plano de negócios viável para investidores. Se você quer saber por que o Brasil não tem uma startup quântica de 380 milhões de dólares, a resposta não está em festival cultural nenhum, está em décadas de desmonte do sistema público de ciência e tecnologia que começou bem antes desse governo. Enquanto a Europa construiu uma base sólida de pesquisa básica financiada pelo Estado durante todo o pós-guerra, aqui a gente viveu de migalhas para universidades e institutos de pesquisa, especialmente nos governos que você provavelmente aplaude.

    E esse papo de aparelhamento ideológico e doutrinação é o mesmo disco arranhado que eu ouço desde a ditadura, quando chamavam Paulo Freire de subversivo. Festival cultural não queima dinheiro, meu filho, ele movimenta a economia criativa, gera emprego para técnico de som, iluminador, músico, artesão. Enquanto você reclama de R$ 50 milhões num festival, a Alemanha investe 3 bilhões de euros por ano em orquestras e teatros públicos e ninguém chama de doutrinação. O problema não é o gasto cultural, é que você não enxerga cultura como investimento porque aprendeu que só vale o que dá lucro imediato para acionista. E sobre soberania tecnológica, deixa eu te contar: o Brasil tem sim projeto de computação quântica, tem o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais em Campinas, tem o laboratório do LNCC em Petrópolis, mas tudo funciona com orçamento contingenciado porque a prioridade de certos setores sempre foi pagar juro de banco, não formar cientista.

    Sabe qual é a diferença entre a Europa e o Brasil nesse caso, Sargento? Lá eles entenderam que soberania tecnológica se constrói com investimento contínuo em educação básica, universidade pública e pesquisa de ponta durante gerações, não com discurso de empreendedorismo milagroso. A QuTwo nasceu na Áustria, um país que gasta 3,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, enquanto o Brasil não chega a 1,2%. E adivinha quem cortou verba de ciência e tecnologia durante anos? Não foi esse governo, não. Foi o governo que congelou gastos com a PEC do Teto, foi a gestão que extinguiu ministérios e chamou pesquisador de vagabundo. Então, em vez de reclamar de festival cultural, pega os dados do MCTI, olha o orçamento da Capes e do CNPq nos últimos dez anos, e depois a gente conversa sobre quem realmente está queimando dinheiro e quem está investindo no futuro do país.


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