O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, expressou profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, apontando ações hostis que ocorrem simultaneamente a negociações diplomáticas.
Em conversa telefônica com o presidente da França, Emmanuel Macron, o líder iraniano reforçou o compromisso de seu país em resolver pendências dentro do marco do direito internacional. A troca marcou um momento raro de diálogo direto entre as duas capitais.
Pezeshkian criticou duramente as constantes obstruções por parte dos EUA, incluindo a reimposição de sanções que desviaram os esforços diplomáticos de um diálogo construtivo para uma abordagem de pressão e ameaças. Ele destacou que o Irã busca apenas seus direitos legítimos e que negociações eficazes dependem do fim de conflitos e de garantias sólidas contra novas medidas hostis.
No que diz respeito à segurança marítima, o presidente iraniano afirmou que o Irã desempenha papel crucial na manutenção da estabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Ele acusou as operações navais dos EUA e a apreensão de embarcações iranianas de comprometerem a confiança regional e impactarem negativamente o comércio internacional.
Pezeshkian também refutou alegações sobre supostas ações militares iranianas contra os Emirados Árabes Unidos, garantindo que qualquer iniciativa militar de seu país seria anunciada de forma pública e transparente. Ele defendeu o princípio da boa vizinhança, pedindo aos países da região que evitem permitir o uso de seus territórios para ameaças contra o Irã.
O líder iraniano alertou que respostas defensivas do Irã a provocações não devem ser vistas como escalada de tensões ou desestabilização. Ele ainda cobrou dos países europeus que alinhem suas declarações diplomáticas a ações concretas, especialmente no que tange ao alívio das sanções.
Macron reafirmou o compromisso da França com a preservação de um quadro de cessar-fogo e defendeu a manutenção da livre navegação no Estreito de Ormuz por meio de esforços diplomáticos. O presidente francês expressou a disposição de Paris em continuar as negociações, incluindo questões relacionadas ao programa nuclear iraniano, e se colocou à disposição para apoiar o alívio de sanções e promover garantias multilaterais para a estabilidade regional.
As declarações de Pezeshkian reforçam a posição da República Islâmica de condicionar a segurança no Estreito de Ormuz ao fim de bloqueios e sanções impostas pelos EUA, que o país considera injustas e desestabilizadoras. Conforme reportado pelo Tehran Times, a rota marítima segue sendo um ponto nevrálgico para os interesses globais, especialmente no transporte de petróleo.
A troca de posicionamentos entre os dois líderes evidencia os desafios persistentes no Oriente Médio, onde questões de soberania e segurança marítima continuam a influenciar as relações internacionais. O Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia expressiva do petróleo mundial, permanece no centro das disputas estratégicas entre potências regionais e globais.
As tensões envolvendo sanções econômicas e a presença militar estrangeira na região agravam o cenário, enquanto o Irã busca consolidar sua soberania e proteger seus interesses nacionais. Pezeshkian deixou claro que, sem concessões significativas por parte dos EUA e seus aliados, a estabilidade no Estreito de Ormuz seguirá ameaçada.
Com informações de EN.
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