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Escritas cuneiformes de 4.000 anos revelam feitiços e segredos do cotidiano

0 Comentários🗣️🔥 Uma tabuleta de argila com escrita cuneiforme, datada de mais de 4.000 anos. (Foto: popularmechanics.com) Um conjunto de tabuletas de argila, mantido em segredo por mais de um século em um museu na Dinamarca, trouxe à luz segredos de civilizações ancestrais. Escritas em cuneiforme, considerada uma das formas de escrita mais antigas da […]

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Uma tabuleta de argila com escrita cuneiforme, datada de mais de 4.000 anos. (Foto: popularmechanics.com)

Um conjunto de tabuletas de argila, mantido em segredo por mais de um século em um museu na Dinamarca, trouxe à luz segredos de civilizações ancestrais. Escritas em cuneiforme, considerada uma das formas de escrita mais antigas da humanidade, essas relíquias datam de mais de 4.000 anos e revelam registros que vão de listas de reis lendários a encantamentos mágicos enigmáticos.

O projeto intitulado «Hidden Treasures: The National Museum’s Cuneiform Collection», conduzido pela Universidade de Copenhague, tem se dedicado à digitalização e decifração desses textos ancestrais. Entre os achados mais notáveis estão registros oriundos da antiga cidade síria de Hama, destruída pelos assírios em 720 a.C., que incluem descrições detalhadas de rituais mágicos e práticas médicas.

Troels Pank Arbøll, assiriólogo e um dos principais pesquisadores do projeto, ressaltou a singularidade dos textos provenientes de Hama. Segundo Arbøll, os escritos provavelmente integravam uma biblioteca de templo, contendo um vasto repertório de conhecimento sagrado e prático. Um dos textos mais fascinantes descreve um ritual contra feitiçaria, realizado em benefício da realeza assíria, que envolvia cânticos de exorcistas e a incineração de figuras de cera e argila.

Além dos registros místicos, as tabuletas também apresentam documentos administrativos e relatos do dia a dia, como transações comerciais e inventários de bens. Um exemplo curioso encontrado entre as tabuletas é um recibo para a compra de cerveja, demonstrando que a burocracia e os prazeres cotidianos já estavam profundamente entrelaçados na vida de há milênios.

Outro destaque entre os achados é uma lista de reis que combina figuras míticas e históricas, incluindo o renomado Gilgamesh, protagonista da célebre «Epopeia de Gilgamesh». Arbøll destacou que essa descoberta representa uma das raras evidências que indicam a possível existência histórica de Gilgamesh, tornando a lista um testemunho de valor inestimável para a arqueologia e a literatura.

O cuneiforme, criado há cerca de 5.000 anos na antiga Mesopotâmia, foi um marco essencial no desenvolvimento de sociedades complexas, cidades e tradições literárias. Conforme reportado pela Popular Mechanics, o trabalho do projeto dinamarquês tem desvendado aspectos até então obscuros dessas civilizações, revelando como a escrita desempenhava um papel crucial até mesmo em práticas rituais.

Os esforços contínuos de decifração prometem mais revelações sobre uma era em que o misticismo e a administração eram inseparáveis. Essas tabuletas não apenas testemunham a engenhosidade humana, mas também ecoam como um lembrete de que os vestígios do passado continuam a moldar nossa compreensão do presente.


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