Ganimedes, a maior lua de Júpiter e do sistema solar, é a única lua conhecida a gerar seu próprio campo magnético interno.
Um estudo publicado na revista Science Advances sugere que esse campo é sustentado por um núcleo que ainda está em formação. A nova hipótese contraria modelos anteriores, que atribuíam o fenômeno à convecção de neve de ferro em um núcleo já consolidado.
Segundo a pesquisa, o ferro continua a se separar do manto e a afundar, gerando o movimento fluido essencial para o dínamo. Os autores empregaram modelos térmicos unidimensionais para reproduzir a história térmica de Ganimedes.
Diferentes cenários de composição inicial, conteúdo de água e aquecimento por marés foram testados nos cálculos. Os resultados demonstram que a formação prolongada do núcleo de ferro e sulfeto de ferro mantém o dínamo magnético ativo.
Essa liga apresenta temperatura de fusão mais baixa, permitindo que o processo se estenda por bilhões de anos. O calor de decaimento radioativo, a energia gravitacional da diferenciação e as forças de maré fornecem a energia necessária ao sistema.
O manto aquecido gradualmente libera ferro derretido, que se acumula no núcleo em crescimento. Essa dinâmica tem consequências diretas para outras luas de Júpiter, como Europa e Calisto.
Europa provavelmente experimentou uma evolução térmica mais intensa, tornando improvável a manutenção de um núcleo em formação contínua. Calisto, embora grande, possui maior proporção de gelo em relação à rocha, o que desfavorece a criação de um dínamo magnético duradouro.
A pesquisa contribui para o entendimento mais profundo dos processos de evolução planetária. Os cientistas podem agora explorar melhor como campos magnéticos surgem em corpos celestes diversos.
O trabalho detalha os fatores que permitem a evolução lenta do núcleo por bilhões de anos. Mais informações estão disponíveis no portal Phys.org.
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