Os caranguejos, com seu andar peculiar e lateral, intrigaram cientistas por décadas. Agora, uma pesquisa publicada na revista eLife revelou que esse comportamento evolutivo remonta a um único evento ocorrido há cerca de 200 milhões de anos, durante o período Jurássico.
Pesquisadores liderados por Yuuki Kawabata, professor associado da Universidade de Nagasaki, no Japão, analisaram os padrões de locomoção de 50 espécies de caranguejos verdadeiros (Brachyura). A equipe combinou observações diretas com dados filogenéticos para rastrear a origem do movimento lateral em um ancestral comum, ligado ao grupo Eubrachyura.
O estudo destacou que o andar lateral, ao contrário de outros traços evolutivos como a carcinização (a evolução repetitiva de formas semelhantes a caranguejos), surgiu apenas uma vez na história do grupo. Essa convergência única oferece vantagens significativas, como a capacidade de evadir predadores de forma imprevisível e rápida.
Ao filmar as espécies em ambientes controlados, os cientistas concluíram que 35 das 50 espécies estudadas adotam majoritariamente o movimento lateral, enquanto 15 caminham para frente. Ao mapear esses comportamentos em uma árvore evolutiva simplificada, foi possível confirmar que a locomoção lateral se consolidou como uma característica predominante entre os caranguejos verdadeiros.
Segundo Kawabata, a inovação do andar lateral desempenhou um papel crucial na colonização de diversos habitats por esses crustáceos. Atualmente, existem cerca de 7.904 espécies de caranguejos verdadeiros, ocupando ambientes terrestres, de água doce e até mesmo as profundezas dos oceanos.
O contexto ambiental também foi determinante para essa evolução. O período Jurássico, marcado pela fragmentação da Pangeia e pela expansão de habitats marinhos rasos, forneceu oportunidades ecológicas que favoreceram a diversificação dos caranguejos.
Embora o movimento lateral seja vantajoso, ele também apresenta desafios evolutivos. Os pesquisadores ressaltam que a locomoção lateral pode interferir em outros comportamentos essenciais, como a escavação e a alimentação, tornando sua evolução um fenômeno raro.
Para os autores do estudo, tais descobertas ampliam a compreensão sobre como os modos de locomoção evoluem e persistem ao longo do tempo. Combinando observações diretas e um arcabouço filogenético, o trabalho oferece novas perspectivas sobre a relação entre inovações comportamentais e o sucesso ecológico.
Mais detalhes sobre essa pesquisa podem ser encontrados na cobertura publicada pela SciTechDaily, que detalha as contribuições das equipes envolvidas, incluindo instituições no Japão, Taiwan e Estados Unidos.
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