Menu

Áudio de Flávio com Vorcaro expõe elo milionário entre o caso Master e o clã Bolsonaro

0 Comentários🗣️🔥 A revelação de que Flávio Bolsonaro teria negociado R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro abriu uma nova crise no entorno do clã bolsonarista. Reportagem do The Intercept Brasil afirma que mensagens, áudios, comprovantes e tabelas de pagamento indicam que o dono do Banco Master se comprometeu […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

A revelação de que Flávio Bolsonaro teria negociado R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro abriu uma nova crise no entorno do clã bolsonarista.

Reportagem do The Intercept Brasil afirma que mensagens, áudios, comprovantes e tabelas de pagamento indicam que o dono do Banco Master se comprometeu a repassar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para bancar uma produção internacional sobre o ex-presidente. Parte das negociações, segundo o site, foi conduzida diretamente por Flávio Bolsonaro.

O caso é politicamente explosivo porque Vorcaro está preso, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, e o senador do PL é pré-candidato à Presidência da República em 2026. A conexão revelada pelo Intercept atinge, ao mesmo tempo, a campanha bolsonarista, o sistema financeiro e a narrativa pública de Flávio, que vinha tentando afastar a direita do escândalo Master.

Segundo a investigação jornalística, pelo menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, já teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O valor não corresponde ao total negociado, mas mostra que o projeto não ficou apenas no campo das conversas.

Os recursos, de acordo com o Intercept, teriam sido destinados ao filme Dark Horse, uma produção biográfica sobre Jair Bolsonaro prevista para estrear antes do fim de 2026. Parte do dinheiro teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

A reportagem afirma que o envolvimento de Vorcaro foi negociado com a participação de intermediários como Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, Thiago Miranda e Fabiano Zettel. Zettel é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro, segundo os registros citados pelo Intercept.

O trecho mais sensível está no áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, de setembro de 2025. Nele, segundo o Money Times, o senador cita um “momento dificílimo” vivido por ele e por Vorcaro, fala em parcelas atrasadas e demonstra preocupação com um possível calote a atores e equipe de produção.

Em outra mensagem, enviada em 16 de novembro de 2025, um dia antes da primeira prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero, Flávio teria escrito ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

O conteúdo contrasta com declarações públicas recentes do senador. Flávio havia tentado negar relação política da direita com o Banco Master e chegou a dizer que essa associação era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”. Também afirmou anteriormente que “Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.

Questionado pelo Intercept na manhã desta quarta-feira, 13 de maio, após reunião com o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, Flávio negou a informação. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, respondeu, antes de rir e deixar o local da entrevista.

A negativa do senador não encerra o caso. O Intercept afirma ter verificado o material por meio de cruzamento com dados bancários, telefônicos, registros do Congresso, inquéritos policiais e redes sociais. A defesa de Daniel Vorcaro, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e outros citados não havia respondido até a publicação da reportagem.

A primeira aproximação registrada teria ocorrido em dezembro de 2024, quando o empresário Thiago Miranda organizou um encontro entre Flávio e Vorcaro em Brasília. Na mensagem, segundo o Intercept, Miranda disse que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$” e acrescentou que “Flavio está ciente de tudo”.

O SBT respondeu ao Intercept que “nunca teve qualquer tipo de contrato com o Banco Master” e afirmou que o produto CredCesta, ligado ao Grupo Master, realizou ações comerciais em programas da emissora entre fevereiro e dezembro de 2024, dentro de uma relação de comercialização publicitária como a de qualquer anunciante.

O episódio amplia a pressão sobre Flávio Bolsonaro em um momento decisivo. O senador aparece como principal herdeiro eleitoral do bolsonarismo para 2026 e tenta se consolidar como candidato presidencial. A revelação de uma negociação milionária com o dono de um banco investigado coloca sua pré-campanha em uma zona de risco.

O caso também reacende o debate sobre o Banco Master. A instituição deixou de ser apenas um problema financeiro e passou a ocupar o centro de uma crise política que envolve nomes do Centrão, personagens do bolsonarismo e suspeitas de influência junto a figuras de poder.

Do ponto de vista jurídico, a reportagem não representa condenação. Flávio nega a acusação e os fatos ainda precisam ser apurados pelas autoridades competentes. Mas, politicamente, o dano é imediato: a narrativa de distância entre o clã Bolsonaro e Vorcaro ficou mais difícil de sustentar diante de áudios, mensagens e pagamentos apontados pela investigação jornalística.

Para o bolsonarismo, a crise chega em um momento especialmente sensível. Jair Bolsonaro está fora da disputa direta, Flávio tenta herdar seu capital político, e o campo da direita busca manter unidade em torno de uma candidatura competitiva contra Lula.

A revelação do Intercept atinge exatamente esse ponto. Um filme internacional sobre Bolsonaro, financiado com recursos ligados a Vorcaro, teria valor político evidente às vésperas da eleição. Não seria apenas uma obra audiovisual. Seria uma peça de propaganda, memória e mobilização em torno do ex-presidente.

O caso agora deve produzir novas perguntas: qual foi a origem exata dos recursos, quem controlava o fundo no exterior, quais contratos foram assinados, quais parcelas foram pagas, quem autorizou as transferências e qual era o papel real de Flávio Bolsonaro na operação.

Enquanto essas respostas não aparecem, uma coisa já está clara: o escândalo Master chegou mais perto do núcleo bolsonarista do que Flávio dizia publicamente. E, se os documentos revelados forem confirmados em investigação oficial, o impacto poderá atravessar a fronteira entre crise de imagem e problema jurídico-eleitoral.

Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes