O presidente da China, Xi Jinping, advertiu seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Pequim e Washington podem entrar em ‘conflito’ caso a Casa Branca lide de forma equivocada com a questão de Taiwan. A declaração foi feita durante o encontro de cúpula realizado no Grande Palácio do Povo, no coração da capital chinesa.
O termo empregado por Xi em mandarim não remete necessariamente a um confronto militar, podendo abranger também uma oposição diplomática e política de grande intensidade. A reunião entre os dois líderes durou cerca de duas horas e quinze minutos, conforme relataram jornalistas que acompanham a comitiva norte-americana em Pequim.
Antes do início das conversações, Xi Jinping estendeu o tapete vermelho a Trump em uma cerimônia de grande pompa, com revista militar ao som de salva de canhões e uma multidão de crianças agitando bandeiras dos dois países e gritando ‘bem-vindo, bem-vindo, calorosas boas-vindas’. A recepção foi cuidadosamente coreografada, com gestos protocolares destinados a sinalizar a relevância estratégica do encontro entre as duas maiores economias do planeta.
Logo após os rituais, os dois líderes passaram aos temas mais espinhosos da relação bilateral. Xi Jinping reforçou diante de Trump que ‘o independentismo taiwanês é incompatível com a paz no estreito de Taiwan’, conforme reportagem do portal RFI sobre a reunião de cúpula.
A China considera Taiwan uma de suas províncias, ainda não reunificada com o restante do território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949. Pequim defende uma incorporação pacífica, mas não descarta o uso da força caso a ilha avance rumo à independência formal.
Os Estados Unidos mantêm relações diplomáticas com Pequim e não com Taipé, mas figuram como o principal fornecedor de armas à ilha, situação que irrita as autoridades chinesas. Para o governo chinês, o apoio militar norte-americano às autoridades taiwanesas representa uma ingerência inaceitável na soberania nacional e um fator de instabilidade no estreito.
A China intensificou manobras militares em torno de Taiwan desde 2016, com a chegada à presidência da ilha de Tsai Ing-wen, sucedida em 2024 por Lai Ching-te, ambos categoricamente opostos às reivindicações do continente. Pequim cobra reiteradamente que Washington interrompa o respaldo militar e diplomático ao atual governo taiwanês, vinculado a um partido de credo tradicionalmente independentista.
Em paralelo, o governo de Taiwan afirmou que os Estados Unidos teriam reiterado a Pequim seu ‘apoio claro e firme’ à ilha durante a reunião. ‘A parte americana reafirmou em diversas ocasiões seu apoio claro e firme a Taiwan’, declarou uma porta-voz do governo taiwanês.
No campo econômico, Xi Jinping prometeu a um grupo de executivos americanos que acompanha Trump que ‘a porta da China continuará a se abrir cada vez mais ao mundo’. O presidente chinês destacou que ‘as empresas americanas estão profundamente envolvidas na reforma e na abertura da China, e ambas as partes obtêm benefícios disso’.
Trump, que aposta na construção de vínculos pessoais com líderes de grandes potências, abriu o encontro proclamando ser ‘uma honra estar ao lado’ de Xi e classificando o anfitrião como ‘um grande dirigente’. ‘As relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca. Nós vamos ter juntos um futuro fabuloso’, afirmou o presidente norte-americano, em tom contrastante com o histórico recente de guerra tarifária promovida por Washington contra a economia chinesa.
Após a primeira rodada de conversações, Trump visitou o Templo do Céu, sítio histórico de Pequim inscrito no patrimônio mundial da humanidade. A agenda prevê continuidade dos encontros entre os dois líderes nos próximos dias, em meio às tensões estratégicas ainda longe de resolvidas entre as duas potências.
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