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Israel acelera projeto de ‘Grande Jerusalém’ e avança sobre vilarejos palestinos na Cisjordânia

0 Comentários🗣️🔥 Manifestantes com bandeiras de Israel participam da “marcha das bandeiras” em Jerusalém. (Foto: AFP – AHMAD GHARABLI) Enquanto colonos israelenses de extrema direita se preparam para a tradicional ‘marcha das bandeiras’ em Jerusalém, celebrando a anexação da parte oriental palestina da cidade após a guerra de 1967, o governo de Israel intensifica em […]

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Manifestantes com bandeiras de Israel participam da "marcha das bandeiras" em Jerusalém. (Foto: AFP - AHMAD GHARABLI)

Enquanto colonos israelenses de extrema direita se preparam para a tradicional ‘marcha das bandeiras’ em Jerusalém, celebrando a anexação da parte oriental palestina da cidade após a guerra de 1967, o governo de Israel intensifica em ritmo acelerado um plano sistemático de expansão territorial. Os setores mais radicais da política israelense já tratam abertamente do projeto conhecido como ‘Grande Jerusalém’, que avança sobre territórios palestinos ocupados nos arredores da cidade santa.

Entre as iniciativas mais emblemáticas figura o projeto E1, concebido para criar continuidade territorial entre as colônias israelenses e Jerusalém. Israel multiplica empreendimentos semelhantes em toda a zona metropolitana, conforme documentado pela organização israelense de defesa dos direitos humanos Ir Amim, que acaba de publicar um relatório sobre o tema, segundo apurou a correspondente da RFI em Jerusalém.

Para compreender a engenharia dessa expansão, é preciso voltar ao recorte estabelecido pelos Acordos de Oslo, que dividiram a Cisjordânia em três zonas. As zonas A estão sob controle civil e militar palestino, as zonas B sob administração mista, e as zonas C, que representam cerca de 60% do território, permanecem sob controle direto de Israel, onde palestinos e colonos convivem lado a lado.

Segundo Aviv Tatarsky, pesquisador da Ir Amim, quatro novas colônias surgiram recentemente nos arredores de Jerusalém, entre elas Mishmar Yehuda e Yatziv. ‘O que mostramos é que existem etapas sistemáticas que fazem parte de um plano preestabelecido para se apropriar da zona C e expulsar os palestinos’, explicou o pesquisador, detalhando a construção de novas colônias, a expansão das antigas, a criação de postos avançados e a infraestrutura viária correspondente.

Tatarsky também denuncia o componente violento dessa estratégia, que combina ação estatal e milicianismo dos colonos. ‘Há também a violência de Estado contra os palestinos, que visa empurrá-los para fora da zona alvo, por meio da demolição de casas, da violência do exército e do terrorismo dos colonos’, afirmou o pesquisador da organização israelense.

No vilarejo de Battir, próximo a Jerusalém, o guia palestino Kamal descreve uma pressão permanente sobre as comunidades locais. ‘Acho que existe um plano, e esse plano é a Grande Jerusalém. Eles avançam pouco a pouco. Não faz muito tempo, uma casa foi destruída em Al-Khader. E em Al-Walaja, foram três ou quatro casas demolidas nos últimos meses’, relatou o guia palestino.

Kamal denuncia ainda o mecanismo burocrático que serve de pretexto para as demolições nos territórios ocupados. ‘Talvez elas não tivessem as licenças corretas, mas a verdade é que, quando você pede uma licença, nunca a recebe’, afirmou, expondo o instrumento administrativo que impede legalmente os moradores palestinos da região de construir.

O acesso aos vilarejos palestinos tornou-se ainda mais complicado nos últimos meses, com a instalação de dezesseis novas barreiras metálicas amarelas que bloqueiam as estradas que ligam cidades e povoados palestinos na região de Jerusalém. Para Tatarsky, essas instalações permitem ao exército israelense fechar localidades inteiras em questão de segundos, transformando cada povoado em um espaço isolado e controlado.

‘Isso significa que cada cidade, cada vilarejo, pode ser fechado pelo exército israelense de um minuto para o outro, e as saídas proibidas por longos períodos’, alertou o pesquisador da Ir Amim. Kamal descreve a situação como surreal, comparando-a a um retrocesso histórico: ‘Há uma barreira, uma porta para cada vilarejo. Temos a impressão de ter voltado à Idade Média. Quando ligo para um amigo, digo: onde podemos nos encontrar? Na porta da cidade’.

O conjunto dessas medidas converge para um único objetivo estratégico, segundo as fontes ouvidas pela RFI: estender a presença israelense sobre o território ocupado e criar enclaves palestinos sem qualquer continuidade territorial. A ‘marcha das bandeiras’ surge, portanto, não apenas como ato de afirmação nacionalista, mas como expressão simbólica de uma anexação concreta que avança diariamente sobre Belém, Al-Walaja, Battir e dezenas de outras localidades palestinas pressionadas pela política de ocupação.


Leia também: Colonos israelenses incendeiam vilas palestinas e avançam anexação na Cisjordânia


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