Escavações em St. Mary’s City, primeira capital da colônia de Maryland, revelaram os restos de um menino de cerca de 8 anos com ancestralidade predominantemente africana, sepultado no mesmo cemitério reservado à elite colonial britânica do século 17.
O estudo genético, publicado recentemente, identifica o garoto como parte da primeira geração de descendentes africanos nas Américas, com entre 25% e 30% de ancestralidade europeia. Segundo a cientista Éadaoin Harney, do Instituto 23andMe, trata-se da primeira aplicação bem-sucedida de DNA antigo para reconstruir a história de indivíduos sem registros históricos.
Análises de 49 esqueletos confirmaram identidades de figuras históricas, como Thomas Greene, segundo governador colonial, e Philip Calvert, quinto governador, enterrado em caixão de chumbo. O menino, sepultado com rituais europeus, desafia a narrativa de segregação racial absoluta na época.
Douglas Owsley, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, destaca que o projeto, desenvolvido ao longo de décadas, mostra que a distinção entre servidão e escravidão era mais flexível no século 17 do que em períodos posteriores.
O geneticista David Reich, da Universidade de Harvard, explica que os dados genéticos preenchem lacunas deixadas pelos registros oficiais das potências coloniais. Entre os esqueletos analisados, três indivíduos — dois imigrantes irlandeses e o menino — revelam as duras condições de vida das classes subalternas, independentemente da origem étnica.
Historiadores como Anna Suranyi, do Endicott College, ressaltam que a descoberta reforça a tese de que o racismo institucionalizado se consolidou apenas no final do século 17, enquanto a servidão por contrato — comum entre 80% dos imigrantes europeus — criava condições materiais similares às dos africanos escravizados.
O estudo também esclarece migrações históricas, como a concentração de descendentes genéticos de Maryland no Kentucky após a Guerra Revolucionária, demonstrando como a ciência genômica pode resgatar histórias marginalizadas pelos cronistas oficiais.
Leia mais sobre o assunto na livescience.com.
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João Batista
17/05/2026
Mais uma prova de que Deus não faz acepção de pessoas, ao contrário do que a esquerda prega com seu vitimismo racial. O menino foi sepultado com dignidade ao lado da elite porque, naquela época, ainda havia algum resquício de ordem natural e respeito à imagem de Deus em cada ser humano. Hoje, a esquerda quer destruir até a história para impor sua agenda identitária e relativista.
Bia Carioca
17/05/2026
O que o DNA revela é justamente o contrário: uma criança negra enterrada com a elite era a exceção que confirma a regra da escravidão e da hierarquização racial. Se a ordem natural fosse tão bonita assim, por que a imensa maioria dos afrodescendentes foi jogada em valas comuns?
João Silva
17/05/2026
João Batista, o problema é justamente esse: chamar de “ordem natural” o que era uma exceção calculada. Enterrar uma criança negra com a elite não prova harmonia racial — prova que o sistema sabia fazer concessões simbólicas para perpetuar a estrutura. É a velha lógica do paternalismo senhorial, não o reino de Deus na Terra.