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Cientistas confirmam Zealandia, o oitavo continente que emergiu das profundezas do Pacífico

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Cientistas confirmam Zealandia, o oitavo continente que emergiu das profundezas do Pacífico. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A maioria de nós aprendeu a mesma lista na escola: sete continentes, com a ocasional fusão arbitrária entre Europa e Ásia por preferência do professor de geografia. África, Antártida, Austrália, Ásia, Europa, América […]

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Ilustração editorial sobre Cientistas confirmam Zealandia, o oitavo continente que emergiu das profundezas do Pacífico. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A maioria de nós aprendeu a mesma lista na escola: sete continentes, com a ocasional fusão arbitrária entre Europa e Ásia por preferência do professor de geografia. África, Antártida, Austrália, Ásia, Europa, América do Norte, América do Sul — ponto final, assunto encerrado.

Em algum lugar sob o Oceano Pacífico Sul, submersa por mais de um quilômetro de água salgada, repousa uma massa de terra maior que a Índia. Ela possui montanhas, bacias sedimentares e formações rochosas ancestrais que contam uma história de dezenas de milhões de anos.

A escala do achado é difícil de conceber. Geólogos confirmaram a existência da Zealandia sob o Oceano Pacífico Sul, uma massa de terra submersa que cobre aproximadamente cinco milhões de quilômetros quadrados, com noventa e cinco por cento de sua superfície sob as ondas.

Em perspectiva, com quase dois milhões de milhas quadradas, este continente submerso é maior que a Índia e quase dois terços do tamanho da Austrália. As únicas partes onde se pode pisar são as ilhas que rompem o nível do mar, como a Nova Zelândia e a Nova Caledônia.

O que separa a Zealandia de um pedaço aleatório de crosta submersa é sua geologia única. A crosta oceânica, o tipo que compõe o assoalho da maioria dos oceanos, é tipicamente fina, escura e vulcânica, mas a Zealandia é radicalmente diferente.

Cientistas do GNS Science enfatizaram que a massa de terra atende a todos os quatro critérios usados para definir um continente: elevação acima da crosta oceânica circundante, características geológicas únicas, uma massa de terra coerente e uma crosta significativamente mais espessa que a do fundo do oceano. Diferente da crosta oceânica, que normalmente mede 7 quilômetros de espessura, a crosta continental da Zealandia tem em média 20 quilômetros, apresentando rochas graníticas, xistos e bacias sedimentares típicas da geologia continental.

A história de como a Zealandia afundou começa muito antes da existência humana. Sua formação está ligada ao antigo supercontinente Gondwana, que, há mais de 100 milhões de anos, incluía os territórios atuais da América do Sul, África, Antártida, Austrália e partes da Ásia.

Cerca de 85 milhões de anos atrás, a Zealandia começou a se separar de Gondwana e inicialmente permaneceu acima do nível do mar. No entanto, forças tectônicas afinaram sua crosta ao longo de milhões de anos, puxando a maior parte do continente para baixo da superfície do oceano.

A chave para entender o naufrágio reside na física da crosta e da flutuabilidade. As cristas são rochas continentais, mas estão em uma elevação mais baixa que os continentes normais porque sua crosta é mais fina que o normal, com aproximadamente 20 km de espessura, e consequentemente não flutuam tão alto sobre o manto terrestre.

Imagine uma balsa que foi esticada até ficar fina: quanto mais fino o material, menos ele flutua, e a terra começou a afundar gradualmente sem nenhum evento catastrófico isolado. Há também uma cicatriz geológica da separação: pesquisadores encontraram «uma grande zona de falha ao longo da borda sul da Zealandia», provavelmente uma marca na crosta terrestre formada quando o continente se desprendeu da Antártida e da Austrália.

As suspeitas sobre a Zealandia remontam a muito antes do que a maioria imagina. Em 1642, o explorador holandês Abel Tasman navegou em busca da Terra Australis, um hipotético continente meridional, e sua rota o levou à costa da Nova Zelândia, passando inconscientemente sobre uma plataforma continental submersa.

Séculos depois, Sir James Hector, um geólogo escocês do século XIX, apresentou evidências em 1895 de que a Nova Zelândia era o remanescente de uma crista continental submersa. Essas percepções foram amplamente ignoradas na época, mas hoje são vistas como prova precoce da existência da Zealandia.

O nome moderno surgiu na década de 1990, introduzido em 1995 pelo geofísico Bruce Luyendyk, professor de geofísica marinha da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, que argumentou que a vasta área submersa ao redor da Nova Zelândia formava uma estrutura continental única e coerente. Mas nomear e provar são tarefas radicalmente distintas.

O caso científico formal veio em 2017, quando um estudo histórico publicado no GSA Today, periódico da Sociedade Geológica da América, expôs o argumento geológico completo. O estudo demonstrou que a Zealandia atende a todos os quatro critérios para classificação continental: elevação distinta em relação ao fundo do oceano, ampla variedade de rochas continentais, crosta mais espessa que placas oceânicas e estrutura geológica bem definida.

Os pesquisadores foram diretos em sua conclusão, escrevendo: «O valor científico de classificar a Zealandia como um continente é muito mais do que apenas um nome extra em uma lista.» Eles observaram que «um continente pode estar tão submerso e ainda assim não fragmentado», tornando-o útil para explorar como a crosta continental se mantém unida e se despedaça.

O verdadeiro teste, no entanto, veio com as perfurações físicas no fundo do oceano, conduzidas a bordo do JOIDES Resolution, um navio de perfuração científica operado como parte do Programa Internacional de Descoberta dos Oceanos. Cientistas da expedição perfuraram profundamente o leito marinho em seis locais com profundidades de água superiores a 1.250 metros, coletando 2.500 metros de testemunhos de sedimentos que registram como a geografia, o vulcanismo e o clima da Zealandia mudaram ao longo dos últimos 70 milhões de anos.

O que emergiu desses testemunhos foi impressionante: mais de 8.000 espécimes foram estudados e várias centenas de espécies fósseis foram identificadas, incluindo conchas microscópicas de organismos que viveram em mares rasos e quentes, além de esporos e pólen de plantas terrestres. Isso revelou que a geografia e o clima da Zealandia foram dramaticamente diferentes no passado, com partes do continente outrora hospedando ecossistemas vivos antes de desaparecerem sob as ondas.

Na Nova Zelândia e nas Ilhas Chatham, ossos de saurópodes, anquilossauros e possivelmente até dinossauros semelhantes a alossauros foram descobertos, espécies que viveram depois que a Zealandia se separou de Gondwana, sugerindo que algumas seções permaneceram habitáveis por milhões de anos. A linha do tempo de quando exatamente o continente submergiu completamente permanece em aberto: alguns geólogos sugerem que ele ficou totalmente submerso há cerca de 25 milhões de anos, enquanto outros argumentam que a exposição intermitente da terra persistiu por muito mais tempo, conforme destacou o portal The Hearty Soul ao compilar as evidências geológicas.

Trabalhos mais recentes focaram em definir exatamente onde a Zealandia termina e o fundo do oceano aberto começa, uma tarefa mais complexa do que parece quando a maior parte do objeto de estudo está sob milhares de metros de água do mar. Usando métodos de geocronologia, que determinam a idade das rochas com base na medição do decaimento radioativo, pesquisadores mapearam as principais unidades geológicas do norte da Zealandia, coletando amostras de rochas como lavas basálticas, seixos de arenito e calcários bioclásticos.

A análise das mudanças no campo magnético da Terra registradas na crosta da Zealandia foi especialmente útil, ajudando a marcar as fronteiras do continente e revelando padrões geológicos que refletem os observados em continentes conhecidos. O mapeamento da extensão total do continente foi concluído em 2023, totalizando uma área de aproximadamente 4.900.000 km², substancialmente maior que qualquer feição denominada microcontinente ou fragmento continental.

Chamar a Zealandia de continente não é apenas uma questão de atualizar mapas-múndi, embora isso por si só já fosse notável. As implicações científicas são mais profundas: um continente deste tamanho, tão submerso e ainda assim estruturalmente intacto, oferece aos geólogos uma rara oportunidade de estudar como a crosta continental se comporta sob estresse tectônico prolongado sem se fragmentar, já que a maioria dos continentes ou permanece acima da água ou se despedaça ao afundar.

Além da geologia, há também questões práticas significativas. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ofereceu um novo incentivo: se a Nova Zelândia pudesse provar que a Zealandia faz parte de sua plataforma continental, poderia reivindicar vastos direitos econômicos submarinos.

O leito marinho abriga recursos substanciais, incluindo pescarias costeiras, campos de gás como o campo Maui perto de Taranaki, licenças para exploração de petróleo na Grande Bacia Sul emitidas em 2007 e recursos minerais offshore como areias ferrosas e nódulos de ferromanganês. A descoberta também lança luz sobre a biodiversidade.

Como observou o co-chefe da expedição Rupert Sutherland, da Universidade Victoria de Wellington, «grandes mudanças geográficas no norte da Zealandia, que tem aproximadamente o mesmo tamanho da Índia, têm implicações para entender questões como a forma como plantas e animais se dispersaram e evoluíram no Pacífico Sul». A descoberta de terras e mares rasos passados fornece uma explicação: havia caminhos para animais e plantas se moverem.

Não existe uma definição única e universalmente aceita de continente, e geógrafos e geólogos divergem sobre a questão. Mas é exatamente essa ambiguidade que torna casos como o da Zealandia tão importantes, forçando um acerto de contas com definições que sempre foram mais nebulosas do que aparentavam nos livros escolares.

Grandes porções da Zealandia permanecem inexploradas, e tecnologias como imagem sísmica e perfuração em alto mar provavelmente revelarão mais detalhes de sua estrutura e passado. Alguns investigadores esperam encontrar pistas adicionais sobre como continentes à deriva influenciam o nível do mar, os padrões climáticos e a distribuição de plantas e animais pelo Hemisfério Sul, enquanto o Dr. Nick Mortimer, do GNS Science, já afirmou que o status subaquático da Zealandia de modo algum diminui sua significância geológica.

Da próxima vez que você olhar para um mapa-múndi, lembre-se de que a imagem está incompleta: sob a extensão azul do Pacífico Sul, um continente do tamanho da Índia repousa silenciosamente, aguardando que o resto de seus segredos seja trazido à tona. Considerando quanto tempo os cientistas levaram para simplesmente concordar que ele existia, é uma aposta segura que as descobertas futuras serão tão surpreendentes quanto o próprio continente.


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