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Castro nega relação indevida com dono do Banco Master após operação da PF mirar R$ 3 bilhões

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Ilustração editorial sobre Castro nega relação indevida com dono do Banco Master após operação da PF mirar R$ 3 bilhões. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A defesa do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), negou de forma categórica qualquer relação pessoal indevida entre o político e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após a deflagração da oitava fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. A manifestação ocorre depois que investigadores apontaram que mais de R$ 3 bilhões em recursos previdenciários de servidores fluminenses foram direcionados a operações ligadas à instituição financeira por meio do Rioprevidência.

Segundo apurou o portal Metrópoles, a Polícia Federal sustenta que os investimentos realizados pelo fundo previdenciário não decorreram de decisões estritamente técnicas, mas sim de um suposto alinhamento político e de uma relação pessoal entre o ex-governador e o banqueiro. A operação cumpriu dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal na terça-feira.

Os advogados de Castro afirmaram em nota que os contatos com Vorcaro ocorreram em agendas oficiais, institucionais e encontros sociais comuns ao exercício da função pública, sem qualquer tratativa ilícita ou recebimento de benefício pessoal. A defesa também rebateu informações sobre suposto custeio de viagens, passagens ou despesas pessoais do ex-governador pelo banqueiro, classificando tais alegações como improcedentes.

Entre os alvos da oitava fase da Compliance Zero estão seis pessoas físicas, incluindo o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes e o ex-diretor de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal. Duas empresas também são investigadas: Mídias Promotoras Ltda e Planner Corretora de Valores S.A., suspeitas de terem viabilizado fraudes e lavagem de dinheiro no esquema.

As ordens de busca e apreensão foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator do caso Master na Suprema Corte. Na decisão, o magistrado afirmou que o conjunto de provas levantado pela Polícia Federal demonstra, com o grau de probabilidade exigido no estágio investigativo atual, que a hipótese criminal possui lastro em elementos indiciários robustos.

A defesa de Castro sustenta que o ex-governador jamais integrou qualquer comitê de investimentos do Rioprevidência e não participava das decisões técnicas da carteira da autarquia, o que demonstraria a autonomia dos executivos e órgãos internos responsáveis pelas análises. A nota ressalta ainda que, assim que surgiram questionamentos sobre as operações envolvendo o Banco Master, o próprio ex-governador determinou a adoção imediata de medidas de apuração e controle.

Entre as providências adotadas, destacam-se o afastamento da presidência do Rioprevidência e a instauração de procedimento interno pela Controladoria-Geral do Estado. A defesa também informou que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de um fundo administrado pelo Banco Master, medida que teria garantido a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas.

Os advogados acrescentaram que as compras de Letras Financeiras do Banco Master foram encerradas ainda em 2024 e que não houve novos aportes após determinação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, sem qualquer prejuízo ao Rioprevidência, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate realizado pela autarquia em janeiro de 2026, com todos os recursos já ressarcidos ao caixa do Estado.

A Polícia Federal aponta ainda que a relação próxima entre Castro e Vorcaro teria favorecido a indicação de nomes para cargos estratégicos na diretoria do Rioprevidência, viabilizando o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos bilionários. A defesa do ex-governador declarou que ainda não teve acesso aos autos do processo na íntegra e que, por isso, não pode comentar detalhes específicos das investigações em curso.

A oitava fase da Operação Compliance Zero representa um aprofundamento das investigações sobre o suposto esquema de fraudes financeiras, corrupção e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master, cujas ramificações alcançam o sistema previdenciário do estado do Rio de Janeiro. A defesa reafirmou sua confiança no completo esclarecimento dos fatos e no trabalho das instituições.


Leia também: Celulares de Cláudio Castro vão para análise da PF e Alerj entra em alerta com avanço do caso Master


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