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Estudo canadense revela que abetos usam ‘kit genético’ idêntico para conquistar montanhas e planícies

0 Comentários🗣️🔥 Árvores de abeto crescem em encosta rochosa nas montanhas canadenses. (Foto: phys.org) Uma nova pesquisa da Universidade de Calgary revelou um padrão evolutivo surpreendente nas florestas do oeste canadense: duas espécies distintas de abeto que ocupam encostas opostas de um mesmo vale compartilham o mesmo conjunto genético de adaptação, seja nos picos rochosos […]

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Árvores de abeto crescem em encosta rochosa nas montanhas canadenses. (Foto: phys.org)

Uma nova pesquisa da Universidade de Calgary revelou um padrão evolutivo surpreendente nas florestas do oeste canadense: duas espécies distintas de abeto que ocupam encostas opostas de um mesmo vale compartilham o mesmo conjunto genético de adaptação, seja nos picos rochosos ou nas vastas planícies boreais. A descoberta, publicada na revista Molecular Biology and Evolution, mostra que a seleção natural atua de forma notavelmente previsível sobre o genoma dessas árvores, independentemente da escala geográfica.

Os cientistas analisaram o Engelmann spruce, que cresce nas encostas mais frias e úmidas voltadas para o nordeste das Montanhas Rochosas, e o white spruce, que domina as encostas mais quentes e secas do lado sudoeste. Apesar de serem espécies distintas que raramente se cruzam no corredor do Vale do Bow, a oeste de Calgary, ambas revelaram um padrão de adaptação genômica praticamente idêntico quando comparadas.

O professor Sam Yeaman, Ph.D., do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Universidade de Calgary, classificou o achado como impressionante. ‘É realmente notável ver quão semelhantes são os padrões em seus genomas. Eu esperava algum grau de similaridade, mas o grau de semelhança foi bastante impressionante’, afirmou o pesquisador.

A equipe liderada pelo pesquisador de pós-doutorado Gabriele Nocchi, Ph.D., passou dias percorrendo trilhas nas Montanhas Rochosas para coletar 384 amostras das árvores que depois foram analisadas em laboratório. Yeaman descreve a paisagem montanhosa como um laboratório natural onde cada vale funciona como um experimento evolutivo independente, permitindo aos cientistas observar se os mesmos padrões surgem repetidamente.

O estudo, segundo detalhou o portal Phys.org, sugere que a adaptação local segue um padrão consistente e até previsível em diferentes paisagens geográficas. A análise mostra que certas regiões do genoma são favorecidas em ambas as espécies, com o Engelmann spruce adaptado a regiões montanhosas de maior altitude, mais frias e com mais neve, em contraste com o white spruce, que prospera em áreas boreais mais secas e de menor altitude.

Os pesquisadores observaram que os mesmos padrões genéticos que aparecem ao longo de milhares de quilômetros se repetem em escalas espaciais muito pequenas, de um vale para outro. ‘Cada vale é como seu próprio pequeno ambiente de laboratório para ver como a evolução se desenrolou’, explicou Yeaman, destacando que a repetição desses padrões indica fortemente que certas regiões do genoma são especialmente importantes para a adaptação.

Para a ciência evolutiva, o achado fornece pistas valiosas sobre como as espécies sobrevivem e se transformam sob pressão ambiental. O laboratório de Yeaman dedica-se a testar teorias evolutivas, e a observação de adaptações que se repetem na natureza permite compreender melhor os mecanismos fundamentais da evolução, muito além do caso específico dos abetos canadenses.

Os resultados também têm implicações práticas para o manejo florestal e para programas de melhoramento genético de árvores. Compreender quais regiões do genoma estão associadas à tolerância à seca pode ajudar silvicultores a desenvolver marcadores que orientem o cruzamento de variedades mais resistentes, um conhecimento cada vez mais valioso diante das mudanças climáticas globais.

A equipe de Calgary continuará amostrando outros vales da região para aprofundar o entendimento sobre as características que impulsionam a adaptação. O estudo reforça a ideia de que a natureza, apesar de sua aparente diversidade caótica, opera com regras genéticas claras e recorrentes quando se trata de sobreviver em ambientes desafiadores.


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