Um novo censo estelar coordenado por pesquisadores da Universidade de Madri revelou que estrelas com mais da metade da massa do Sol têm 41% de probabilidade de estarem gravitacionalmente ligadas a pelo menos uma companheira. O estudo analisou todos os objetos estelares e subestelares conhecidos num raio de 10 parsecs, equivalente a 32,6 anos-luz.
Foram catalogados 424 corpos, dos quais 215 pertencem a 92 sistemas múltiplos. Ao contrário do que se pensava, a multiplicidade estelar é mais comum do que se imaginava, especialmente para estrelas acima de 0,5 massas solares.
A pesquisa utilizou dados do terceiro lançamento do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, e do Washington Double Star Catalog. O resultado é o censo mais completo já realizado desses sistemas, publicado no repositório arXiv e divulgado pelo portal phys.org.
O limite de 10 parsecs foi escolhido para garantir um alto grau de completude. Quanto mais distante uma estrela, mais desafiador é determinar se ela possui uma companheira, o que poderia levar a sistemas múltiplos ocultos.
Dos 92 sistemas múltiplos identificados, 68 são binários com duas estrelas, 19 são triplos, três são quádruplos e dois são sistemas quíntuplos. A distribuição revela uma arquitetura estelar complexa, especialmente para estrelas de maior massa.
A relação entre massa e multiplicidade estelar mostrou-se notável. Estrelas com mais de 0,5 massas solares têm 41% de chance de estarem em sistemas múltiplos. Já objetos de baixa massa, como anãs vermelhas e marrons com menos de 0,1 massas solares, apresentam apenas 9% de probabilidade.
Os períodos orbitais desses sistemas variam de alguns dias a dezenas de milhões de anos. Pares separados por distâncias aparentemente inviáveis foram confirmados como gravitacionalmente ligados após cálculos meticulosos de energia de ligação.
A catalogação detalhada é crucial para telescópios projetados para fotografar exoplanetas. Estrelas múltiplas representam um desafio, pois seu brilho combinado ou puxões gravitacionais podem comprometer observações planejadas por anos.
O problema se agrava com a chegada do Habitable Worlds Observatory, da NASA, e do Large Interferometer For Exoplanets, da ESA. Ambos são desenhados para captar a luz de planetas semelhantes à Terra. Uma companheira estelar desconhecida pode inutilizar dados e desperdiçar tempo valioso.
O novo censo fornece uma lista curada de alvos estelares livres de interferências. Isso permite que os observatórios concentrem recursos onde a probabilidade de sucesso é maior. Além de orientar a busca por exoplanetas, o trabalho ajuda a entender como as estrelas nascem e se agrupam.
A pesquisa conclui uma série de três estudos da equipe. Incluiu um censo menos detalhado em 100 parsecs e um mapeamento das fronteiras entre as binárias mais largas conhecidas. Com esse conhecimento, a humanidade avança na busca por uma segunda Terra nas proximidades.
Leia também: Novo catálogo de ondas gravitacionais dobra fusões de buracos negros e reescreve a cosmologia
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Major Ricardo Silva
28/05/2026
Interessante como a ciência séria e os fatos objetivos mostram a harmonia da criação, sem precisar de ideologia de gênero ou achismo de esquerda. Enquanto esses lunáticos do PCdoB querem destruir a família, o universo segue sua ordem natural com leis imutáveis e precisas. É disso que o Brasil precisa: respeito à realidade, à tradição e à verdade dos fatos, não de militância barata travestida de conhecimento.
Paulo Rocha
28/05/2026
Mais um estudo pra justificar verba de universidade pública. Enquanto isso, o brasileiro paga imposto pra ver estrela se abraçando no espaço. E ainda chamam a gente de atrasado. Vão estudar a reforma tributária, pelo amor de Deus.
Jeferson da Silva
28/05/2026
Paulo, enquanto você reclama de gasto com ciência, o patrão tá cortando seu direito e pagando migalha. Universidade pública forma o engenheiro que projeta a máquina que você opera — sem pesquisa, amanhã a fábrica fechou e você vai pra Uber. Enquanto bilionário não paga imposto, você cai nesse discursinho de que estrela é luxo.
Mateus Silva
28/05/2026
Paulo, a gritaria contra a pesquisa básica é a mesma lógica que chama livro de “enfeite” e confunde utilidade com lucro imediato. O senhor está reproduzindo a ideologia do capital que quer a universidade a reboque do mercado, enquanto o sistema tributário regressivo que defende financia exatamente esse modelo de “austeridade para o povo, generosidade para o rentista”.