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Cientistas chineses revelam que oceano em Marte persistiu por mais de 1 milhão de anos

0 Comentários🗣️🔥 Representação artística da superfície de Marte, mostrando regiões que poderiam ter abrigado um oceano. (Foto: olhardigital.com.br) Pesquisadores da Universidade de Pequim identificaram a evidência mais precisa de que Marte abrigou um oceano estável por um período prolongado. A descoberta contraria a visão de que o planeta teve apenas episódios breves de água. Liderada […]

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Representação artística da superfície de Marte, mostrando regiões que poderiam ter abrigado um oceano. (Foto: olhardigital.com.br)

Pesquisadores da Universidade de Pequim identificaram a evidência mais precisa de que Marte abrigou um oceano estável por um período prolongado. A descoberta contraria a visão de que o planeta teve apenas episódios breves de água.

Liderada pelo Dr. Yan Li, a equipe analisou dados do rover chinês Zhurong e encontrou um anel de óxidos de manganês na borda da bacia Utopia Planitia. Essa assinatura química é semelhante às marcas deixadas por lagos rasos na Terra.

A concentração de manganês aumenta com a altitude, subindo de 2,7% nos pontos mais baixos para 7,4% cerca de 9 metros acima. Esse gradiente se forma quando o manganês dissolvido em águas rasas e ricas em oxigênio se oxida na interface entre água e ar.

A descoberta foi publicada na revista Nature Communications e revela que o oceano marciano existiu durante o período Hesperiano, entre 3,7 e 3,4 bilhões de anos atrás. Os cientistas estimam que a massa de água persistiu por aproximadamente 0,8 a 1,5 milhão de anos, com profundidade entre 150 e 400 metros.

A equipe usou a taxa de conversão do manganês dissolvido em óxido sólido como um relógio geológico natural. Combinando essa taxa com a espessura do anel mineral, calcularam o tempo de existência do corpo d’água com precisão inédita.

O oceano desapareceu quando erupções vulcânicas do monte Elysium cobriram grande parte do fundo marinho com lava. O manganês, porém, resistiu, e suas concentrações permanecem visíveis da órbita, servindo como alvo para futuras missões.

A identificação dos óxidos de manganês exigiu técnicas avançadas, pois os minerais formam películas finas que dispersam a luz de forma complexa. Para superar o desafio, os pesquisadores desenvolveram uma rede neural chamada SCANet, treinada com leituras infravermelhas de amostras que simulam o solo marciano.

Em parceria com a Universidade Beihang, a equipe processou mais de 5,7 milhões de medições do rover Zhurong e de orbitadores europeus e americanos. As previsões da inteligência artificial coincidiram com as leituras químicas do instrumento laser do rover.

O período de cerca de um milhão de anos é suficiente para o surgimento da química básica da vida. Modelos atmosféricos do Marte primitivo indicam episódios de aumento de oxigênio durante a era Hesperiana, criando condições para a oxidação do manganês.

Os autores ressaltam que a descoberta não prova a existência de vida marciana, mas demonstra que Utopia Planitia teve um ambiente estável para processos biológicos. Os depósitos de manganês também podem ajudar a dividir moléculas de água, liberando oxigênio para futuras missões tripuladas.

As concentrações elevadas de manganês fornecem alvos precisos para rovers. Na Terra, micróbios impulsionam a química de oxidação que forma esses minerais, tornando essas zonas prioritárias na busca por sinais de vida passada em Marte.

Leia mais sobre o assunto na olhardigital.com.br.


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