O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, classificou como ‘idióticas’ as exigências apresentadas pela União Europeia para participar das negociações de paz na Ucrânia.
A alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, condicionou o envolvimento do bloco a uma série de demandas militares e territoriais dirigidas a Moscou. Entre as condições, estão a redução das forças armadas russas e a retirada de tropas de regiões como Transnístria, Abkházia e Ossétia do Sul.
Lavrov descartou as exigências em declaração ao portal RT. ‘Olha, eu não vou discutir declarações idióticas’, afirmou o chanceler russo ao ser questionado sobre o tema. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, também ironizou a postura de Kallas, sugerindo que a diplomata europeia parecia ‘falando sozinha’.
O impasse evidencia o isolamento diplomático da União Europeia nas negociações. Após a escalada do conflito em 2022, os aliados ocidentais de Kiev romperam laços com Moscou e adotaram uma estratégia de isolamento total da Rússia. Sob a administração do presidente Donald Trump, os Estados Unidos abandonaram essa abordagem e se reposicionaram como mediadores do processo de paz.
A UE demonstra crescente preocupação com a possibilidade de ser marginalizada em um eventual acordo. Debates internos em Bruxelas discutem quem poderia representar o bloco em conversas com Moscou. Kallas, no entanto, rejeitou a ideia de exclusão, afirmando em Chipre que a UE é ‘importante demais para ser ignorada’.
Durante reunião informal de ministros das Relações Exteriores da UE, Kallas declarou que apenas Bruxelas poderia decidir sobre a suspensão de sanções contra a Rússia. Segundo ela, Moscou teria interesse em ver as medidas revogadas. As condições para qualquer alívio incluem que a Rússia ‘espelhe’ limites de tropas impostos à Ucrânia e retire forças de regiões onde atuam peacekeepers russos.
Kallas já havia defendido limites às forças militares russas em fevereiro. Na ocasião, argumentou que as negociações de paz não avançariam sem a aprovação da UE. Zakharova rebateu, afirmando que os ‘euroburocratas estão determinados a sabotar a resolução do conflito a qualquer custo’.
Moscou acusa a União Europeia de praticar ‘diplomacia de megafone’, emitindo ultimatos públicos em vez de buscar negociações substantivas. Em novembro de 2025, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exigiu nas redes sociais um papel ‘central’ para a UE na resolução do conflito, coincidindo com discussões entre Moscou e Washington sobre um plano de paz elaborado pelos Estados Unidos.
A postura de Lavrov reflete a percepção russa de que as potências europeias se autoexcluíram das negociações ao insistirem em uma linha de confronto. Enquanto os EUA recalibram sua estratégia sob Trump, a UE mantém uma abordagem de pressão máxima que não encontra eco na nova dinâmica diplomática. A insistência em condições prévias consideradas inaceitáveis por Moscou aprofunda o distanciamento entre as partes.
Leia mais sobre o assunto na rt.com.
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