A União e o governo do Distrito Federal oficializaram acordo para socorrer o Banco de Brasília (BRB), que acumula passivo de R$ 6,6 bilhões após transações com o Banco Master. O empréstimo de R$ 6,5 bilhões será concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com fiança das instituições bancárias, sem participação direta da União como garantidora.
O governo do DF deverá adotar medidas de ajuste fiscal para cumprir as obrigações assumidas, enquanto o governo federal ajustará os limites do Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal (PAF). Segundo reportagem da Carta Capital, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, homologou o acordo após reunião que selou o entendimento.
Participaram das negociações representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), da Procuradoria-Geral da República (PGR), do Banco Central e do Ministério da Fazenda. O ministro Fux é relator de pedido da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), para alterar a Capacidade de Pagamento (Capag) avaliada pelo Ministério da Fazenda.
O DF estava classificado no nível C da Capag, o que impedia a União de autorizar novas linhas de crédito ao governo distrital. A Polícia Federal investiga o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), acusado de pressionar o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, a concretizar a compra do Banco Master pela instituição.
Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal que mantinha conversas regulares com o ex-governador. O resgate do BRB é uma das maiores operações do gênero no Brasil nos últimos anos e exigirá compromisso fiscal duradouro do governo distrital.
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Marta Souza
29/05/2026
R$ 6,5 bilhões tirados do contribuinte para tapar o rombo de um banco estatal que fez negócio arriscado com o Banco Master. Enquanto isso, pequeno empresário paga 40% de imposto e toma juros de 30% ao ano. Se fosse uma empresa privada de verdade, quebrava e virava ativo para quem soubesse gerir. Mas não, o Estado entra com o dinheiro suado do cidadão pra salvar a própria incompetência. É por isso que defendo privatização total do sistema financeiro público.
João Augusto
29/05/2026
Marta, sua defesa da privatização supõe que o mercado, abandonado a si mesmo, resolveria o problema — mas é justamente a natureza especulativa do capital financeiro, como mostrou Marx nos Grundrisse, que gera crises periódicas que o Estado é chamado a administrar, independentemente da propriedade formal do banco.
Pedro Almeida
29/05/2026
Cecília, sua crítica tem um fundo de razão quando aponta a irresponsabilidade fiscal, mas ela ignora que o Estado keynesiano, desde a década de 1930, sempre atuou como fiador do sistema financeiro em momentos de crise — e isso não é esquerda nem direita, é a lógica do capitalismo tardio. O problema não é socorrer um banco público, é que a mesma turma que grita contra “socialismo de bacana” agora engoliu calada o Estado bombeando quase um trilhão de reais em isenções fiscais para o agronegócio e para o mercado financeiro nos últimos anos. O que me preocupa é saber quem vai fiscalizar a destinação desses R$ 6,5 bilhões, porque sem transparência vira só mais um capítulo da socialização das perdas com a privatização dos lucros.
Cecília Alves
29/05/2026
Mais um exemplo clássico de socialismo de bacana: o contribuinte que paga a conta de decisões irresponsáveis de gestão. Bancos que fazem maus negócios devem quebrar, não serem resgatados com dinheiro público. Enquanto isso, o Fundo Garantidor vira muleta para salvar incompetência, e o cidadão comum continua arcando com o peso de um estado cada vez maior.
Carlos Oliveira
29/05/2026
Cecília, isso de “socialismo de bacana” é papo de quem nunca precisou de um banco público pra financiar a casa própria ou o carro de trabalho. Enquanto o Estado soca bilhões em banco privado quebrado sem alarde, aí ninguém chama de socialismo.
Mariana Santos
29/05/2026
Cecília, engraçado como o “socialismo de bacana” só aparece quando o Estado socorre um banco público que financia infraestrutura e habitação no DF, mas quando o governo injetou trilhões no sistema financeiro privado em 2008, ninguém ouviu um pio sobre “incompetência”. Se o BRB quebrasse, quem pagaria a conta seriam os servidores, as pequenas empresas e os programas sociais que dependem dele — o mercado privado não move um dedo pra atender essas demandas.