Softwares de monitoramento profissional repassam informações pessoais e hábitos digitais de funcionários para gigantes como Google e Meta. A prática foi revelada por estudo da Northeastern University, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores analisaram ferramentas vendidas como soluções de produtividade e segurança corporativa. Esses sistemas capturam registros de navegação, padrões de digitação, pausas no trabalho e movimentações do mouse, repassando os dados a terceiros sem consentimento dos trabalhadores.
A transferência ocorre de forma opaca, violando a privacidade dos funcionários. As informações são usadas comercialmente por corporações, configurando dupla violação: coleta excessiva pelos empregadores e repasse não autorizado a empresas de tecnologia.
O estudo alerta que, sem fiscalização efetiva, o vazamento tende a se intensificar. Os pesquisadores destacam a necessidade de regulamentação rigorosa e conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos de privacidade.
A prática pode infringir a Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil. A LGPD prevê sanções de até 2% do faturamento da empresa infratora, limitadas a 50 milhões de reais por infração, além de reparação por danos causados.
Especialistas recomendam que funcionários exijam transparência sobre os dados coletados. Leandro Alvarenga, consultor em privacidade, sugere que trabalhadores solicitem relatórios completos e a lista de terceiros com acesso às informações, exercendo o direito previsto no artigo 18 da LGPD.
A pesquisa da Northeastern University reforça a urgência de medidas contra a vigilância corporativa. O avanço dessas tecnologias, impulsionado pelo trabalho remoto, amplia os riscos de vazamentos, comprometendo a segurança dos trabalhadores.
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João Santos
29/05/2026
Pois é, mais uma prova que esses big techs tão querendo é lucrar em cima do trabalhador suado que nem eu. Isso aí é falta de vergonha na cara: a gente já paga imposto pra caramba, ainda tem que ficar sendo espionado no trampo? Cadê a polícia federal pra multar pesado essa cambada? Bandido de terno é pior que bandido de chinelo.
Mateus Silva
29/05/2026
João, você acertou em cheio na indignação, mas precisamos ir além da criminalização individual: o que estamos vendo é a lógica do capitalismo de vigilância operando a pleno vapor, onde o trabalho se torna matéria-prima para a acumulação de dados, e a legalidade burguesa trata o bandido de terno com a fineza de um conselho de administração, não com a polícia federal.