A nova pesquisa PoderData reforça uma tendência que já aparece em outros levantamentos: Lula chega ao fim de maio em vantagem sobre Flávio Bolsonaro nos principais cenários de 2026.
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera tanto no primeiro quanto no segundo turno, em mais um sinal de que o caso Dark Horse e a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passaram a pesar sobre a candidatura bolsonarista.
O dado entra em uma sequência ruim para o senador do PL. Depois de aparecer em empate técnico ou até numericamente à frente em pesquisas anteriores, Flávio passou a perder terreno após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo a negociação de recursos milionários com Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
A virada não aparece isolada. A AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio em um eventual segundo turno. O levantamento foi realizado entre 13 e 18 de maio, depois da divulgação de mensagens em que o senador pedia dinheiro a Vorcaro, e ouviu 5.032 eleitores, com margem de erro de 1 ponto percentual.
A Nexus/BTG também apontou Lula numericamente à frente: 47% contra 43% de Flávio no segundo turno. A pesquisa ouviu 2.045 eleitores entre 22 e 24 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais, e também foi feita depois do vazamento das mensagens sobre o filme Dark Horse.
O Datafolha reforçou o mesmo movimento. Segundo a Reuters, Lula venceria Flávio por 47% a 43% em um segundo turno, revertendo um empate registrado em pesquisa anterior. No primeiro turno, Lula apareceu com 40%, contra 31% de Flávio.
Essa sequência cria um novo ambiente político. Flávio ainda é competitivo, mas deixou de parecer uma candidatura em ascensão. O senador agora enfrenta uma crise de confiança, que mistura dinheiro privado, banqueiro investigado, filme político, mudança de versão e desgaste nas redes.
O caso Dark Horse atingiu o ponto mais sensível da pré-campanha bolsonarista: a ideia de viabilidade. Flávio tentava se apresentar como herdeiro natural de Jair Bolsonaro, capaz de unificar a direita e enfrentar Lula em condições reais de vitória. Agora, precisa gastar energia explicando por que buscou recursos com um empresário no centro de um escândalo financeiro bilionário.
A defesa do senador afirma que não houve irregularidade, que se tratava de patrocínio privado para um filme privado e que não houve contrapartida política. Essa versão precisa ser registrada. Mas o impacto eleitoral opera em outra lógica: para parte do eleitorado, a associação com Vorcaro já se tornou um problema político.
A nova rodada do PoderData, ao confirmar Lula na liderança, amplia a pressão sobre o PL. O partido terá de decidir se fecha fileiras em torno de Flávio ou se começa a discutir alternativas para 2026, caso o desgaste continue avançando.
Para Lula, o cenário é mais favorável. O presidente aparece na frente em diferentes institutos, cresce sobre o adversário mais forte da direita e vê o bolsonarismo entrar em fase defensiva antes mesmo da campanha oficial.
O ponto central é que a disputa ainda não está resolvida, mas a curva mudou. Até o início de maio, Flávio parecia avançar. Depois do caso Dark Horse, a fotografia passou a favorecer Lula.
A pesquisa PoderData reforça exatamente essa leitura: o presidente lidera, o senador perde tração e a direita chega ao fim de maio com uma pergunta incômoda sobre sua principal aposta eleitoral. Em uma eleição apertada, não basta ter base fiel. É preciso ter capacidade de crescer fora dela. E, neste momento, o caso Vorcaro tornou esse caminho muito mais difícil para Flávio Bolsonaro.


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