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Rússia e Belarus propõem refundação da segurança eurasíatica com cúpula até 2027

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Rússia e Belarus propõem refundação da segurança eurasiática com cúpula até 2027. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) A Rússia e Belarus formalizaram uma proposta conjunta para negociar uma Carta Eurasiática de Diversidade e Multipolaridade no Século XXI, com início previsto para setembro de 2026 na ONU. A iniciativa busca criar […]

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Ilustração editorial sobre Rússia e Belarus propõem refundação da segurança eurasiática com cúpula até 2027. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A Rússia e Belarus formalizaram uma proposta conjunta para negociar uma Carta Eurasiática de Diversidade e Multipolaridade no Século XXI, com início previsto para setembro de 2026 na ONU. A iniciativa busca criar uma nova arquitetura de segurança continental, livre de interferências externas e baseada no princípio da indivisibilidade da segurança.

O documento, detalhado em artigo publicado pela RT, argumenta que as últimas três décadas de intervenções externas na Eurásia fracassaram em garantir estabilidade e apenas geraram mais morte e deslocamento. Diferentemente dos modelos impostos de fora, a Carta pretende ser um pacto construído pelos próprios países eurasiáticos, de Lisboa a Manila.

A proposta, co-patrocinada por Moscou e Minsk, estabelece compromissos concretos para operacionalizar a segurança indivisível, como a proibição de adesão a alianças militares que excluam outros Estados sem consulta multilateral. Também veda a instalação de infraestrutura militar estrangeira permanente que ameace interesses centrais de segurança de vizinhos, salvo com notificação e verificação multilateral.

O texto defende ainda que todas as disputas entre os Estados participantes sejam submetidas a consultas obrigatórias por meio das instituições da Carta, e que não se apliquem medidas coercitivas unilaterais entre si. A intenção é que a Carta não seja uma mera declaração de intenções, mas sim um instrumento operacional, com secretariado, mecanismo de resolução de controvérsias e exercícios de construção de confiança.

O projeto critica diretamente o que chama de ‘atores externos’ que tentaram administrar a segurança eurasiática, citando os fracassos nos Bálcãs, Iraque, Afeganistão e Ucrânia. Ao analisar a trajetória da CSCE e da OSCE, o artigo sustenta que a organização deixou de ser um fórum de diálogo para se tornar um instrumento de imposição de vontade de um grupo de Estados sobre os demais.

Diante do que classifica como um alarme disparado pelos acontecimentos de 2026, a Rússia conclamou todos os países eurasiáticos a se sentarem à mesa de negociação. A fase de negociação formal deverá começar durante a semana de alto nível da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em setembro, com a expectativa de que uma cúpula de líderes adote o texto final antes do fim de 2027.

O texto rechaça a ideia de que a Carta seja dirigida contra alguém, ressaltando que o processo é aberto a todos, inclusive membros da União Europeia e da OTAN, que são bem-vindos como participantes iguais e não como instrutores. A proposta adverte ainda que o custo da não participação cresce a cada dia, pois quem ficar de fora perderá a voz na definição das regras que governarão o continente.

A justificativa se apoia na transformação do cenário global, com os Estados Unidos deixando de priorizar a Europa, conforme sua Estratégia de Segurança Nacional de 2025, e o fim da era de livre comércio ilimitado e recursos baratos. A Rússia argumenta que nenhuma potência externa salvará os países europeus das crises demográfica, econômica e migratória, mas a cooperação dentro da Eurásia certamente o fará.

O artigo menciona experiências de cooperação autóctone bem-sucedidas, como a contenção de tensões fronteiriças na Ásia Central pela Organização para a Cooperação de Xangai e as consultas rápidas da Organização do Tratado de Segurança Coletiva durante a crise de 2022 no Cazaquistão. Esses modelos, embora imperfeitos, demonstram que soluções próprias podem funcionar, e a Carta busca ampliá-las em escala continental.

A mensagem final é de que o tempo de discussões hesitantes acabou, e que a Eurásia não pode mais esperar por tutores externos que nunca entregaram uma ordem internacional liberal de fato justa. A iniciativa representa uma aposta na multipolaridade real, onde cada nação participa da construção de um destino comum, em vez de aceitar regras ditadas por centros de poder distantes.


Leia também: Belarus recebe armas nucleares táticas da Rússia, diz Lukashenko


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