A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), que a própria equipe de segurança do político retirou o percussor de sua pistola Glock 9mm, tornando a arma inoperante. A medida teria sido tomada sem o conhecimento de Bolsonaro, diante das condições de saúde mental agravadas por medicações psiquiátricas.
O documento protocolado no gabinete do ministro Alexandre de Moraes revela um quadro de vigilância interna sobre o ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março, Bolsonaro está sob prisão domiciliar humanitária autorizada por Moraes, por um prazo inicial de 90 dias, para se recuperar de uma broncopneumonia.
Segundo os advogados, as medicações psiquiátricas ministradas a Bolsonaro foram determinantes em outro episódio grave: a tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, ocorrida em 22 de novembro de 2025. Na ocasião, o ex-presidente alegou alucinação e certa paranoia possivelmente provocadas pelos remédios.
A arma foi apreendida na madrugada de segunda-feira (15) durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal na DF-001, em Taguatinga. O veículo oficial era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança pessoal de Bolsonaro.
De acordo com reportagem do portal G1, o militar informou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada justamente para passar por reparos e seria devolvida ao ex-presidente em seguida. Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo.
A defesa ressaltou que Bolsonaro não tem interesse na restituição da arma enquanto permanecer em prisão domiciliar, sinalizando o reconhecimento da gravidade de sua condição psicológica. O Gabinete de Segurança Institucional, por sua vez, esclareceu que não realiza a segurança de ex-presidentes e que os servidores à disposição são de livre indicação dos mesmos, sem subordinação operacional ao GSI.
O caso escancara a deterioração do círculo de segurança em torno do ex-presidente, cuja própria equipe precisou desarmá-lo preventivamente. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias do transporte da arma, enquanto o STF acompanha os desdobramentos de mais este capítulo do cárcere de Bolsonaro.
Com informações de G1.


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